O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está dando o que falar. Desta vez, o nome dele não está ligado às trapalhadas de senadores ou políticos ligados ao partido. O presidente está em alta por conta do filme “Lula, o filho do Brasil”, que chega aos cinemas no primeiro dia de 2010.
O longa é baseado no livro homônimo de Denise Paraná e conta uma parte da vida do presidente, mais especificamente do nascimento, em 1945, até 1980, quando era um líder sindical consagrado. A big-produção gastou 12 milhões de reais e 14 empresas patrocinaram o filme. No elenco, 130 atores, entre eles Glória Pires, Cléo Pires, Rui Ricardo Diaz, Juliana Baroni e Milhen Cortaz. O diz-que-me-disse que envolve a trama é: o filme tem ou não a intenção de eleger o candidato que será apoiado por Lula?
Após a exibição do longa em sua pré-estréia, no 42º. Festival Internacional de Cinema de Brasília, vários meios de comunicação se manifestaram, e não houve aquele que não fizesse a pergunta. O site Último Segundo, do IG, é um dos menos categóricos. Além de citar um comentário que o publicitário Duda Mendonça, marqueteiro do presidente nas eleições de 2002, estaria fazendo a amigos, dizendo que o filme é sim uma arma política para as eleições de 2010, ainda diz na matéria:
“Tudo para que o presidente consiga eleger o seu sucessor e confirme a aprovação do seu governo nas urnas. Por isso, algumas partes mais incômodas da sua biografia foram deixadas de lado, como o namoro com Mirian Cordeiro, mãe de sua filha Lurian. Outros episódios – como aquele em que os grevistas matam um empresário, lançando-o do alto da fábrica - foram tratados de forma a não causar constrangimentos ao herói”.
Já o site G1 fica mais preso às citações feitas pelo diretor do filme, Fábio Barreto, e também apresenta uma declaração da produtora Paula Barreto explicando porque o episódio citado pelo site Último Segundo não foi mencionado no filme.
“O episódio envolvendo Miriam Cordeiro e sua filha Lurian, resultado de uma relação extra-conjugal do presidente, não aparece no longa. De acordo com Paula, era necessária autorização de todos os envolvidos na história, e Miriam não concordou. Então, nosso departamento jurídico vetou“.
Quando o diretor, Fábio Barreto é questionado sobre o assunto, a resposta é a mesma: o filme não tem a intenção de manipular consciências. Barreto declarou em entrevista ao G1:
“Queria fazer um melodrama épico. Essa foi a minha opção. Porque essa história não pode ser contada de outra forma. O filme tenta humanizar esse personagem [Lula]. Não procurei mostrar uma pessoa infalível ou perfeita. Tentei mostrar um ser humano com coração, sua força e fraquezas. Para mim, essas são as questões essenciais”.
Os atores também não concordam que tenha sido proposital lançar o filme do atual presidente em ano de eleição. É o caso de Glória Pires, que interpreta a mãe de Lula no filme. Em uma entrevista para o site de cinema do Terra, ela disse que sentiu certa dúvida quando foi convidada para o papel, mas quando leu o roteiro aceitou:
“Quando fui convidada, tive receio de aceitar a personagem, por causa do aspecto político, mas depois que li e estudei o roteiro vi do que se tratava e aceitei".
Parece que só pessoas que participaram da produção não vêem nenhuma relação com as eleições do ano que vem. O colunista da Folha de S. Paulo, Zé Simão, comentou que o Lula não foi à estréia do filme porque preferiu assistir "2012", para ver se a Dilma conseguiu ser eleita.
Procuramos o professor de Marketing, César Aquino, que já atuou em marketing político, e perguntamos se ele vê o filme “Lula, o filho do Brasil” como uma produção eleitoreira. César ainda não viu nenhum material do longa, mas pelas informações divulgadas ele diz que o filme parece vir com uma estratégia de sensibilização que pode ser usada pelo PT e partidos coligados para eleger o candidato apoiado pelo presidente. “Não acredito que [o filme] seja eleitoreiro e sim um forte instrumento de sensibilização”, diz César. Sobre a questão é eleitoreiro ou não é eleitoreiro, César diz que só pode dar uma resposta depois que assistir ao filme, ler as críticas e ver a reação das pessoas.
A produção “Lula, O filho do Brasil”, exibida na última semana, foi apenas a pré-estréia. O lançamento oficial vai ser realizado no dia primeiro de Janeiro de 2010. Para o trabalhador sindical, o ingresso custará R$ 5,00. O valor da entrada para os demais públicos ainda não foi divulgada.
OPINIÃO
Resta saber o que o filme vai acrescentar na vida das pessoas. Ontem, enquanto íamos para casa, cerca de 23h50, notamos vários moradores de rua dormindo na praça principal da cidade, entre eles três crianças, situação que não se limita somente a praça, mas também a outros lugares da cidade de Passos-MG e do país. Perguntamos, então: Onde estão as políticas públicas deste país?
Enquanto esta realidade dura e cruel acontece, o presidente lança um melodrama da sua vida com o apoio de 14 grandes empresas. Não demora, deve ser lançado o programa Bolsa Cinema: - Faça o seu cadastro e saia por aí filmando as historias “tristes” de políticos!
Assim, nos perguntamos novamente: Quem vai contar as histórias reais dos brasileiros que passam fome, sede, dor em filas de hospitais públicos, entre tantas dificuldades que nosso povo passa no dia-a-dia e não conseguem virar presidente?
Por Eder Fernandes e Janaina Marina
Opa, Janaína e Eder,
Bacana a reflexão, mas acho que o título de vocês me soa conservador demais. Por que no Brasil é triste a história de um presidente chegar ao cinema? Já tivemos histórias de JK, Getúlio e outros heróis (republicanos ou não) nas telonas. Já vimos blockbusters sobre uma presidente argentina interpretada por uma popstar ítalo-americana numa megaprodução hollywoodiana. Trabalhar nossos mitos é um dos papéis do cinema, como também da literatura, das artes plásticas etc. É um papel eminentemente político, é claro, e muitas vezes inevitavelmente eleitoreiro, mas por que seria triste?
Outra questão que deixo é: talvez seja importante não cair nas armadilhas da mídia tradicional e repercutir a pergunta-mote "o filme é eleitoreiro?" É claro que um filme sobre o presidente, lançado às vésperas da eleição, se pretende minimamente um poder de "sensibilização" como pontua o César Aquino na matéria de vocês. Mas acho que há mais que pode ser explorado para além disso. Às vezes é preciso fugir dos lugares-comuns da mídia para alcançarmos novas perguntas, novas indagações, novos desafios.
Senti falta ainda de uma análise do próprio filme, como pouco vi até aqui. Muita gente faz a mesma pergunta "é eleitoreiro?", mas não se preocupa com o filme em si. Preocupação que me parece ser a mesma novamente do César Aquino.
E, por fim, fica o convite para que vocês repercutam outras pautas, essas sim fora da mídia convencional, sobre a cena cultural aí em Carmo do Rio Claro. Tem gente produzindo cinema aí? Tem grupos de teatro? Bandas? Pontos turísticos? O Overmundo está de portas abertas... :)
Olá Viktor. Muito obrigada pelo comentário.
É triste sim ver um presidente em atuação virar filme, podiamos pelo menos esperar ele virar o nosso mártire. As outras personalidades citadas por você foram para as telas quando já estavam mortos, não enquanto estavam em atuação.
Concordo que o tema mereça outras tipos de abordagem, mas a primeira proposta foi essa.
Quanto ao fato de não termos falado sobre "o próprio filme" poderemos analisá-lo depois que assistirmos. Pois infelizmente não fomos convidados para a sessão solene da pré-estreia.
Temos outros textos postados no overmundo, um inclusive fala sobre o grupo Coliseum de teatro da cidade Passos. Peço que leia e de sua opinião, que para nós é muito válida.
Obrigada e até a próxima.
Janaina e Eder
excelente analise jana e eder.
é triste ver como no Brasil apesar de muitas historias ainda termos que conviver a expressão "populismo" por parte da politica.
vlw
abraço
Olha eu acho mais que merecido pois eu sou fã ardorosa da pessoa LULA!
BEIJOS MEUS
Não assisti o filme e nem pretendo assistir. Achei um gasto absurdo e e uma propaganda enganosa , num pais onde a corrupção se alastra, o ensino, a saude e a segurança estão beirando ao caos. bjs
Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 6/10/2010 12:23Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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