Tropa Deleite

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Mauro Paz · São Paulo, SP
4/10/2007 · 147 · 30
 

Não poderia ser diferente, mais cedo ou mais tarde eu teria que ver o tão comentado e pirateado “Tropa de Elite”. Como publicitário, tenho que reconhecer que a produção do filme fez uma das melhores ações no-mídia de distribuição, já vista no Brasil, ao inventar a história de que o filme foi roubado e caiu nas mãos dos camelôs. Convenhamos, você compraria de algum camelô um filme que nunca tenha escutado falar? Em tempos de marketing viral, a escolha pela distribuição alternativa foi muito acertada, uma vez que bilheteria de cinema já não garante a produção dos filmes brasileiros faz tempo. Porém, não vou aborrecer vocês com esse papo chato de publicitário. O Filme está ai, é muito bom e recomendo a todos que vejam, pirateado ou não.
Contrariando a imagem “glamorosa” da favela e do narcotráfico deixada por “Cidade de Deus”, o filme, protagonizado por Wagner Moura, mostra os todos os lados da moeda. Quando se fala da violência gerada pelo narcotráfico, é comum o debate focar sobre situação refém na qual os moradores da favela se encontram. No entanto, “Tropa de Elite” retrata a animalização dos policiais e dos traficantes, que ignoram totalmente o direito à vida dos moradores da favela, mas também revela o papel cruel e passivo da classe média que alimenta financeiramente o narcotráfico.
Bem, esse era o ponto que eu queria chegar. Falar que a polícia é violenta e que os traficantes são maus é chover no molhado, então vou fazer diferente. Vou falar de mim e do meu papel perante o problema. Sinceramente, não temo a polícia ou os traficantes, meu medo maior é quanto à falta de discernimento, pois, a meu ver, a única forma de você ser uma pessoa livre, ou chegar o mais perto disso, é tendo DISCERNIMENTO e, conseqüentemente, ATITUDE.
Nos cinco primeiros minutos de filme, o personagem de Wagner Moura fala uma fase que reflete perfeitamente o que penso: “AS PESSOAS NÃO SABEM QUANTAS CRIANÇAS MORREM PARA QUE ELES ENROLEM UM BASEADO”. Agora, você deve estar dizendo para você mesmo: “O Mauro é um hipócrita sem precedentes, até parece que ele nunca fumou um”. Neste momento é que entra o tal do DISCERNIMENTO. Certamente, como todo adolescente normal da década de noventa, já fumei maconha e experimentei outras coisas. Porém, NÃO posso ser conivente com uma situação que subjuga seres humanos, logo, não participo destas praticas “transcendentais” há muitos anos.
Outro bom exemplo dos efeitos que os óculos da hipocrisia causam sobre a visão da classe média são os diálogos da novela que acabou na semana passada, “Paraíso Tropical”. Como todos sabem, a trama toda girou ao redor do tema “garotas de programa”. Reparem, as profissionais do sexo eram chamadas de garotas de programas e/ou vagabundas pelos demais personagens, nunca de prostitutas ou, simplesmente, putas, como todos falamos. Provavelmente porque pega mal e crianças estavam vendo a novela.
Chegamos num momento tão absurdo do preconceito e da hipocrisia, que chamar uma profissional do sexo de VAGABUNDA é tolerável para uma criança ver, mas chamá-la de prostituta é transgressor. O mais contraditório é que as prostitutas existem porque o pai desta criança, assim como o tio, o avô e o diretor da escola financiam o mercado do sexo.
Antes que fique resmungando na frente do computador, já respondo: não vou a prostíbulos ou casas que exploram o sexo como mercadoria. Pode perguntar aos meus amigos que me chamam de careta. Não intenciono que todos sejam como eu, mas ficaria muito feliz se as pessoas reparassem que a satisfação delas não precisa tolher a vida nem a liberdade de ninguém.

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Cintia Thome
 

A vida perdeu a Poesia...O que assistimos é um retrato da vergonha e o povo, sem atitude ou já nesta engrenagem consumista diz do próprio semelhante que sofre,: Quero mais...Ninguém é totalmente livre se compactua com loucuras globais...
Mauro , parabens.

Cintia Thome · São Paulo, SP 1/10/2007 08:09
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Luiz Geremias
 

Caro Mauro,
Bom o teu texto. Gostaria de ponderar sobre um trecho. O assunto merece complexidade, mas não há espaço aqui para ir tão longe. O argumento do personagem do filme de que as crianças morrem para que a classe média fume seus baseados me parece simplória. Aldous Huxley, no livro Portas da Percepção, argumenta que para a ânsia humana de experimentar uma mudança da consciência a sociedade ocidental oferece, veja, apenas uma opção: o álcool. Ora, fala-se de uma droga tão pernóstica quanto todas as outras, pior do que a maconha, por exemplo. Conheci inúmeros adolescentes que passaram esse período da vida bebendo. O resultado é o pior possível. Aliás, a adolescência é a pior fase da vida para usar drogas. No entanto, continuamos a “desculpar” os adolescentes que as usam, como que a dizer: “é normal”, esperando que mais tarde não façam mais isso...
O mesmo personagem que fala das crianças que morrem, está bebendo em outra cena. Ou seja, está se drogando. A diferença é que é uma droga legal? Isso a faz menos danosa que as demais? E o outro personagem que se droga usando remédios? A questão é complexa.
Talvez as crianças morram porque fazemos parte de uma sociedade um tanto hipócrita, que persegue, no caso das drogas, apenas os pobres, como o filme mostra bem. Hipócrita não simplesmente pelo fato de alguém fazer uso de uma frase como essa enquanto já deve ter fumado ou fuma maconha. A proibição tem servido para alçar os lucros dos grandes traficantes, para o mercado financeiro, que vive em grande parte dos US$ 500 bi/ano movimentados pelo tráfico, e para capturar pobres para esse comércio. Só estes últimos são perseguidos pelas “feras” do BOPE.
A polícia contribui muito para a morte dessas crianças. Não só contribui indiretamente, como diretamente, atirando nelas. O filme trata de forma superficial desse tema. Assim como não fala que não se trata exatamente de uma “tropa de elite”, mas de uma “tropa da elite”, conforme tratei num texto que está na fila de edição deste Overmundo.
Como disse, é um tema muito complexo para ser desenvolvido em tão curto espaço. Mas é um bom debate que deve ser incentivado.
Parabéns pelo texto e um abraço.

Luiz Geremias · Curitiba, PR 1/10/2007 15:14
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Cicero de Bethân
 

Salve!
Parabéns pelo texto, mas gostaria de dar uma idéia: bate um espaço entre os parágrafos para facilitar a leitura, fica bem melhor o visual de teu texto.
Agora, quanto aos argumentos, concordo plenamente com o Geremias. Pode até pensar que é chover no molhado, mas a hora em que o lobby empresarial forçar, aposto que os governos liberam a erva. O governo proibiu uma erva natural por simples caprichos mercadológicos (estamos tratando do cânhamo em questão). Bem como o Geremias falou, a cerveja está aí para mostrar: só porque é legal, então o infeliz toma a tua cerveja até estourar (quando não faz merda maior pro lado dos outros). Agora, fumar, ai já é outra história...
Acho que o discernimento não passa pelo simples ato de não fumar. Mas de cobrar outras posturas. Afinal, os moleques da favela estão morrendo. Mas a droga não brota na favela, é levada. E supondo também que seja legalizada, se não rolar uma política de inclusão, a galera da favela vai continuar na merda, pirateando um beck (como hoje tem o cd). Sim, porque no final é tudo mercadoria, não? Então, não compre, plante!
Abraço!

Cicero de Bethân · Vitória, ES 2/10/2007 09:32
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Luiz Geremias
 

Olá Mauro,
Complementando o texto do Cícero, especificamente o trecho "Mas a droga não brota na favela, é levada", gostaria de lembrar a letra de um rap do Racionais: "Nunca vi pobre dono de aeroporto". O foco da questão da droga passa pelos bancos - segundo informações colhidas por mim há uns 3 anos, principalmente os estadunidenses da Flórida - e pelo mercado financeiro. Lembro que são aproximadamente US$500 bi/ano.
Gostaria de ver o BOPE invadindo uns bancos ou a bolsa de valores. Impossível, não é? Que tal os marines tão bravos e corajosos irem "deixar corpo no chão" lá em Wall Street?
O modelo de "combate" às drogas é estadunidense. E não funciona. Serve apenas para pôr pobre e preto na cadeia ou matá-lo. Os próprios EUA e a Inglaterra tinham, na primeira metade do século XX, modelos de assistência aos usuários que eram bem mais eficazes e eficientes (se o objetivo é realmente combater o comércio de drogas e o modelo dos EUA não pretende isso). O Livro Negro do Capitalismo comenta o tema.
Abraço a vc e ao Cícero.

Luiz Geremias · Curitiba, PR 2/10/2007 16:39
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Mauro Paz
 

Caros amigos,

Antes de afirmarem que minha análise é superficial, reparem que em momento algum declarei que sou contra o consumo de drogas. Afirmei sim que primo pela liberdade. Sendo assim, creio que todos podem consumir o que der na telha: cerveja, maconha, prostitutas e etc.

Sei perfeitamente que a indústria da droga foi financiada pelo governo americano e que a venda controlada seria o ideal.

No entanto, essas drogas não são legais e o seu comércio mata pessoas.

Vivemos numa sociedade doente, na qual a angustia pelo consumo (em todos seus níveis) cria a necessidade do uso de drogas (legais ou não).

No entanto, só coloquei que não posso descarregar minhas angústias tendo como preço a vida de outras pessoas. Justificar um erro com outro é pequeno e, ao meu ver, burro.

Talvez por isso nosso pais esteja num estado de indigência cívica, pois justificar a merda é o que fazemos de melhor.

Mauro Paz · São Paulo, SP 2/10/2007 20:23
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Rubenio Marcelo
 

Mauro, obrigado pelo seu convite para visitar esta publicação. Vim, li e achei o seu texto e contexto excelentes. Verdadeiro e atual.
Valeu!

Rubenio Marcelo · Campo Grande, MS 3/10/2007 14:06
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Paulo Renato
 

A questão das drogas é tratada com uma imensa hipocrisia. Enquanto houver milhões de pessoas dispostas a consumir determinado produto, haverá alguém disposto a vendê-lo. A repressão faz apenas aumentar o preço da mercadoria.

As pessoas (pelo menos os adultos) devem ter o direito de consumirem o que quiserem - desde que produzido de forma sustentável, ecologicamente correto, sem exploração de ninguém, etc.

A legalização das drogas é inevitável. Claro que sem o escancaramento como o da guerra das cervejas, verdadeiro atentado à saúde pública. As substâncias que atuam sobre o sistema nervoso deveriam ser fornecidas de forma controlada, por postos fiscalizados e sob orientação médica.

Paulo Renato · Porto Alegre, RS 3/10/2007 16:22
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Luiz Geremias
 

Caro Mauro,
Não se trata de justificar nada, muito menos "a merda". Trata-se de perceber a complexidade do tema. Quando vc diz "Sendo assim, creio que todos podem consumir o que der na telha: cerveja, maconha, prostitutas e etc", está na doutrina Crowley: "Faz o que queres é o todo da lei", transformada em "Faz o que tu queres pois é tudo da lei" pelo Paulo Coelho nos tempos de Raul Seixas. É uma postura acrítica e aliada do laissez faire liberal, o real beneficiado pelo "cada um faça o que quiser". Ou seja, passa-se do preto para o branco num passe de mágica e se mantêm as relações de poder como estão.
De todo modo, é muito válido escrever sobre isso. Parabéns pela coragem de tocar nesse tema tão complexo e tão pouco abordado.
Abraço.

Luiz Geremias · Curitiba, PR 3/10/2007 17:28
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Adroaldo Bauer
 

Eu sou quase anarquista, embora pretenda ainda ser comunista, em razão de que as relações de produção ainda são capitalistas. E não acho que indivíduo sem domínio inteiro das faculdades próprias e sem controle por regra social possa conduzir veículo qualquer, portar arma qualquer.
Consciente já é extremamente difícil, dopado, caidaço, eufórico, abilolado, turbinado, detonado, doidão... vai dar merda.
Sendo assim, dado que vivemos o mais perfeito equilíbrio catastrófico, é possível concluir que atropelar o outro e matar o outro, ou matar-se será muito mais possível estando a pessoa drogada - por álcool, maconha, cocaína, químicos naturais ou artificiais quaisquer.
A drogadição é doença (e não estou falando de episódios tipo FHC: fumei mas não traguei.)
O tratamento dela não é a repressão.
Seja o indivíduo drogado rico ou pobre de origem ou inserção em qualquer classe.
O tráfico de drogas é a produção em série do dano social.
O tratamento dele é a repressão.
Seja do burguês traficante, do dono da banca, aviãozinho, patrãozinho ou pé-de-chinelo.
Não tem bandido bom, embora Bakunin tenha alertado que crime maior que roubar o banco é fundar o banco.
A sociedade não está doente.
É podre no cerne, que impõe a exploração, no que continuo em acordo com K. Marx.
O filme, ainda não vi.
Rainha Diaba ou O Homem da Capa Preta também abordam a temática, em tempos de menos densidade demográfica dos centros urbanos.
Grato pelo convite, Mauro.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 3/10/2007 17:47
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Cintia Thome
 

Sou contra qualquer uso de drogas, vi jovens amigos meus morrerem, overdoses ou acidentes...um caso estarrecedor do filho de uma conhecida que por desconhecer a droga, a proveniência, teve que amputar os dois braços, droga misturada com cal.
Perdi um filho por causa de um infeliz ciclista bebado (cerveja, acredito) esborrachando-se na pista na via Anhanguera e assim houve o acidente...Como Adroaldo diz, já é difícil viver, dirigir são, imagina turbinado...????Essa campanha de cervejas é vergonhosa. Para se ter uma idéia, em um bairro de classe média-alta em Campinas, SP,numa loja de conveniência, posto de gasolina, é vendido a jovens ,acima de 18 anos, na noite de sábado, 20/25 caixas de 48 garrafinhas de cana/pinga. Além do perigo que passam, estão sujeitos os terceiros e mais tarde, na meia-idade a ter problemas de saúde.A droga gera violência de todas as formas. Na minha vida esse tema, como Adroaldo disse, "deu merda". E destroi uma família inteira, sem o ente querido...é merda.

Cintia Thome · São Paulo, SP 3/10/2007 18:10
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Luiz Geremias
 

Caro Adroaldo,
Sua argumentação, talvez por conta de ser bastante breve, é direta, mas deixa alguns pontos em suspenso.

Drogadição é doença? Não concordo. É um sintoma, não uma doença. Combatê-la não resolve praticamente nada. Intervir no sintoma não resolve a doença. A medicina tem agido assim e, como tal, pode ser considerada uma prática de promoção de doenças, não de saúde. Concordo que, como dito, o tratamento não é a repressão.

Tráfico de drogas é produção em série do dano social? Não entendi especificamente de que dano social você fala. Me pareceu um pouco vaga a afirmação, beirando o lugar-comum.
Aldous Huxley critica a sociedade ocidental por oferecer apenas o álcool para aqueles que pretendem experimentar alterações de consciência. Ora, é justo pretender essa experiência? Creio que sim. Por isso, faço mais um questionamento em relação ao conceito de doença relacionada ao uso de drogas. Você fala de drogadição, logo caracteriza a dependência. Se tratamos especificamente desse caso, concordamos.

Reitero uma crítica que já faço há muito ao “inocente” ato de “tomar um chopinho”. Ainda mais que o álcool produz geralmente uma “alteração de consciência” usualmente caracterizada apenas pela desrepressão, uma queda da vigilância moral pessoal. Trata-se de uma droga adequada a uma sociedade que pauta sua organização pela dicotomia certo versus errado.

O tratamento para o tráfico é a repressão? Belo discurso, mas, na prática, quem é reprimido – pior, espancado e, por vezes, assassinado – é o aviãozinho, o patrãozinho, o pé-de-chinelo. Reprimir esses não adianta NADA. É um índice da podridão social a qual você bem se refere.

Não há bandido bom? Mas, pela citação de Bakunin, você admite que há bandidos piores, mais pernósticos para o coletivo. No caso do comércio de drogas, esses estão, via de regra, safos.

Se há o comércio de drogas, há uma demanda. Essa demanda deve ser investigada e entendida. Há muitas coisas em jogo na formação dessa demanda. Reprimi-la, simplesmente, ou fingir reprimi-la, como acontece na prática, é uma atitude inócua. É a tal hipocrisia que muitos dizem ser característica do tratamento do assunto “uso de drogas”.
Abraço fraterno.

Luiz Geremias · Curitiba, PR 4/10/2007 15:34
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Cicero de Bethân
 

Opa! Salve a todos!
Não estou aqui para agredir ninguém mas quero ressaltar a discordância que aqui ocorre, defendendo meu ponto de vista.
Que aqui seja dito: a tal repressão no combate as drogas é inócua. Ou alguém acredita que pegar 1000 Kg de maconha e jogar no incinerador resolve alguma coisa? Capturar o maior traficante de drogas de Miami também resolve alguma coisa? Tem outros 500 na fila esperando a vez de se tornarem os chefões do tráfico. Concordo com o Geremias, é preciso se compreender o fenômeno do comércio de entorpecentes. Já não podemos tratar este assunto como simples caso de polícia. Isso é caso de saúde pública, de uma sociedade ocidental que busca nos entorpecentes uma válvula de escape temporária, para depois ser apontado por inquisidores. E estes inquisidores geralmente estão com os narizes sujos de pó ou com a pança cheia de álcool.
Obrigado!
Abraços!

Cicero de Bethân · Vitória, ES 4/10/2007 16:41
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Adroaldo Bauer
 

Considerado Geremias,
Dizes que deixo "alguns pontos em suspenso".
E que não concordamos que drogadição seja doença.
Mas dizes também, adiante "...drogadição, logo caracteriza a dependência. Se tratamos especificamente desse caso, concordamos".
É isso: não discordamos. Então, não sou vago aí.
Dizes também, Geremias, não compreender o que quis eu dizer com "Tráfico de drogas é produção em série do dano social".
Por que te pareceu expressão "um pouco vaga"... "beirando o lugar-comum".
Digo que a perda de vidas é dano social.
Diss que assassinato de inocentes é dano social.
Disse que desperdício do dinheiro público na repressão apenas do crime para manutenção da ordem da exploração é dano social.
Isso me parece até muito objetivo, sem qualquer devaneio a meu ver, bastando relacionar as circunstâncias e as pessoas nelas.
Não discutirei com a tese que atribuis a Huxley.
Eu bebo vinho em casa e em festas em casas e bares.
E fumo cigarros industrializados ou de fumo picado enrolado em palha de milho, às vezes um cachimbo.
Geralmente em ambientes apropriados e nunca em locais públicos de trabalho fechados.
Não dirijo após beber.
Nunca porto arma, quer em palácios ou favelas, que vou a qualquer deles.
Eu ainda me pauto pela justa contrapartida aos produtores contra a exploração do trabalho.
Certo e errado, penso, depende de ponto de vista e mesmo de inserção de classe e do que se faz quando a ordem aparece injusta.
O tratamento para o tráfico é, sim, a repressão ao tráfico.
A todo o tráfico, de todos que trafiquem, mesmo entre os da manutenção da ordem, sejam funcionários ou mandantes.
Considero necessário acabar com essa ordem para chegar-se a nova ordem, noval moral social, advindas de novas relações de produção.
Não se faz da noite para o dia e nem com quem não queira.
E só se o fará de modo organizado, por amplo movimento de pessoas conscientes de que isso é o que querem.
Sim, tenho acordo com Marx: não há bandido bom.
Eu ainda não sou anarquista, disse na primeira linha
As demandas na sociedade de mercado são também estimuladas, pode não ser necessário para a sobrevivência usar tênis de grife, não concordas?
Não tenho acordo que seja uma sociedade ocidental a definição que se deva usar como acertada.
Creio que é ainda a velha e conhecida sociedade da exploração do trabalho pelo capital, seja no ocidente, seja no oriente.
Eu avisei na primeira linha que continuava pretendo ser comunista.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 4/10/2007 17:40
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Luiz Geremias
 

Caro Adroaldo,
Em primeiro lugar, obrigado por responder às minhas ponderações. Valorizo muito o debate. Dele surgem novas percepções da realidade.

Acho que você confunde doença com sintoma. Doença é uma coisa, sintoma é outra. Doença é, na verdade, uma abstração teórica, uma forma de considerar uma constelação de sintomas lhe dando um sentido para, assim, podermos tratá-la. Tratar o sintoma é promover a doença.

Quando digo que concordamos que a dependência seja problemática, não concordo que se possa caracterizar isso como doença, mas como sintoma. E também tenho em mente que não é possível que possamos ter acesso apenas ao álcool. Se eu quiser ter a experiência citada por Huxley, o que faço? Bebo? Ora, francamente. Se quiser usar outra droga, como por exemplo a maconha, que usei há tempos e considerei interessante sob o ponto de vista da experiência sensorial, tenho que recorrer a uma quadrilha que certamente paga a policiais para manter o seu comércio. Francamente. Não dá, né?

Vinho é bom, dependendo tem excelente sabor. Excelente para degustar. Gosto de fumar cigarros, geralmente em casa.

Quando você afirma novamente que o tratamento para o comércio de drogas é a repressão, sinto, mas, dadas as condições conjunturais, dada a realidade, tenho que dizer que é ilusória por demais essa proposta. Ainda mais quando você diz que considera “necessário acabar com essa ordem para chegar-se a nova ordem, nova moral social, advindas de novas relações de produção”. Ora, tenho curiosidade de saber como isso se dará nas condições atuais, com a repressão ao pé-de-chinelo e com a premiação dos banqueiros que movimentam o dinheiro das drogas. Se não se examinar isso, a proposta de “amplo movimento de pessoas conscientes de que isso é o que querem” me parece morre na praia ou muito antes de chegar a ela.

A sociedade ocidental tem características que precisam ser melhor entendidas. Dentro dela o outro é produzido como farsa, não há espaço de alteridade aí. A sociedade de exploração do trabalho pelo capital se articula com raízes profundas na cultura e temas como o do uso de drogas têm que ser cada vez mais esquadrinhados. Depois de Marx há Gramsci, que iluminou os becos escuros do excelente instrumento de análise marxista, abrangendo a subjetividade.
Novamente, obrigado pela conversa.

Luiz Geremias · Curitiba, PR 4/10/2007 18:18
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Adroaldo Bauer
 

Considerado Geremias,
Dependência química é doença física e psíquica. Não é sintoma.
Deixemos aos médicos a distinção.
Eu não ou sou.
Um conjunto de dependentes químicos, produzidos em série pela tática da primeira dose gratuita na carreira do balcão do ponto da moda, não é sintoma, é tática bem aplicada de estratégia bem concebida de produção estocada com rede de distribuição planejada.
Nem a coca cola tem tanta eficácia, na medida em que a drogadição já era planejada internacionalmente antes da água negra ser a campeã de venda que é hoje.
Recorde-se que sete portos da China eram ocupados por sete potências "ocidentais" que exploravam aquela população que lhes fornecia a heroína para disseminarem ao mundo. Até 1949.
Afganistão e Paquistão, por lá, para heróina, Bolívia, Colômbia e Brasil, para cocaína e maconha, por cá, são terrenos planetários substitutos daqueles impérios ocidentais, hoje capitaneados pelos estadunidenses.
A doença é resultado de falta de condições objetivas que permitam a saúde do ambiente e do corpo em qualquer situação, em casa, na rua e no trabalho.
Essa discussão eu encerro por aqui.
Se te apraz, concordo que o sintoma que dizes ser essa doença que eu afirmo ser é para mim um febrão de 51 graus.
Febre é só sintoma, todos sabemos.
O paciente terá morrido de sintoma, então.
Ainda penso que o combate ao traficante é a repressão ao tráfico onde ele se encontre, ainda que necessário seja para tanto extinguir uma classe social inteira (não confundir com indivíduos então sem propriedade de meios de produção).
Também ajuda conter o consumo por atenção sanitária à drogadição.
Não se atribua a Marx mais do que ele fez.
Se marxistas ergueram sombras, nada tem com isso o alemão que apenas estudou o modo de produção capitalista em profundidade e as relações de produção dele decorrentes.
Não vá atribuir responsabilidade por atropelamentos ao inventor da roda.
Após Gramsci, que também considero muito, temos bem aqui entre nós Florestan Fernandes, que nos fala da tarefa que os de baixo devem desenvolver de modo consciente para operar as transformações sociais das quais a burguesia brasileira abdicou, entre elas a reforma agrária e a democratização das relações políticas, bem como a luta anti-capitalista, que é antimonopolista e anti-imperalista, que só interessa mesmo aos de baixo.
E é Paulo Freire quem também nos diz da necessária consciência para a ação transformadora e libertadora. Não somos mero objetos da atenção do outro se devemos ser sujeitos da ação.
Agora, com certeza, cabe a ti e a mim e a outros que queiram derrubar a velha ordem e erguer uma nova, sem exploração e iniqüidade, descobrir o modo de fazer isso hoje, pois os bolcheviques o fizeram quando agiram para isso, em 1905/1917 e não nos ajudarão no que devemos fazer. Antes deles, pessoas escravizadas rompeam grilhões em muitas épocas e terras do planeta, de Spartacus a Zumbi.
Ferramentas são necessárias para agir em todo o território, inclusive no terrritório imenso que vai de uma orelha à outra.
Também encerro por aqui esta outra parte do debate.
E ainda não vi o filme, mas Rainha Diaba e O homem da capa preta, insisto, já abordaram o tema.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 4/10/2007 22:43
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Andre Pessego
 

Mauro,
Eu deixar algo sobre o que já li. Mas hoje vou assitir ao filme que foi antecipado em S. Paulo e Rio e aqui começa hoje,
obrigado pela lembrança, andre

Andre Pessego · São Paulo, SP 5/10/2007 07:20
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carlos magno
 

Olá amigo Mauro,

adorei a tua matéria, é um texto muito bacana cheio de recados importantes. Obrigado pelo convite a ler o teu trabalho magnífico.
Meus sinceros aplausos e abraços.
Carlos Magno.

carlos magno · Rio de Janeiro, RJ 5/10/2007 11:29
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Luiz Geremias
 

Caro Adroaldo,
Embora tenha sido o debate encerrado por você, acho ainda importante comentar alguns temas.
“Dependência química é doença física e psíquica. Não é sintoma. Deixemos aos médicos a distinção. Eu não ou sou”. A compreensão médica do que é doença e sintoma é bem descrita por Danilo Perestrello, que foi um médico que conseguiu escapar do simplismo descritivo característico da medicina alopata. É possível perceber a analogia entre a dependência de drogas e outras dependências, sejam quais forem, como a idolatria religiosa, por exemplo, ou o workaholic. São da mesma natureza. Ser viciado em cocaína, em cultos religiosos ou em trabalho não difere muito na etiologia. Há outras diferenças, mas não etiológicas.
O assunto é complexo, bem mais do que uma discussão encerrada agora pode abarcar. Compreender a dependência como doença leva ao que está acontecendo na sociedade. É a mesma lógica do combate ao tráfico: o traficante é a doença e o BOPE a cura. Francamente.
Marx iluminou a compreensão da sociedade capitalista, mas produziu certas sombras ao visualizar apenas o foco econômico. Ele deu a sua fundamental compreensão na produção de um instrumento de análise. Gramsci, que citei, merece menção honrosa em toda análise social por ter chamado a atenção para a dominação cultural, para o aspecto subjetivo da dominação.
A roda marxista funciona bem, pelo menos no que tange ao modelo de abordagem e não à proposta fechada de uma sociedade sem classes. Nesse ponto, os da direita se regozijam, pois o fracasso da proposta é evidente. Podemos compreendê-la como um norte, não como um plano de aplicação ready made. Como você bem disse, temos que usar esse instrumento para descobrir novos planos de ordem social, sem a espoliação característica da sociedade capitalista, ou capitalística, como sugeriu Felix Guattari.
Agora, Adroaldo, me perdoe, mas espero não ter entendido bem este trecho: “Ainda penso que o combate ao traficante é a repressão ao tráfico onde ele se encontre, ainda que necessário seja para tanto extinguir uma classe social inteira (não confundir com indivíduos então sem propriedade de meios de produção)”. O que é isso? Tirou a idéia de algum texto de Mussolini, Adolf, Olavo de Carvalho ou Diogo Mainardi? Estou boquiaberto. Tenho certeza de que não entendi bem.

Luiz Geremias · Curitiba, PR 5/10/2007 15:11
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Adroaldo Bauer
 

Ora, ora Geremias,
Então concluiste, por fim, que estás me mal compreendendo. E eu te digo que é assim desde o início de nosso debate que acabou por ocupar aqui o postado do nosso amigo Mauro.
Uma classe se constitui ou se descontitui na sociedade conforme o que detenha de poder ou seja submetida por poder.
Há camponeses na suécia?
Os agricultores estadunidenses podem ser considerados classe social nesses dias de agro-negócios?
Os países capitalistas avançados extinguiram a classe camponesa há muito, coisa que a burguesia brasileira não o fez.
Os bolcheviques, até l929, não permitiram a constituição de burgueses em classe e dissolveram o poder de classe camponês.
De certo não pensastes que desejo eu a morte de qualquer pessoa, quanto mais de todos os burgueses.
Desejo apenas que não tenham o controle político dos meios de produção, rapá. Apenas que não tenham controle político do sistema financeiro, meu amigo.
Que não detenham o monopólio do controle político dos meios de comunicação de massas, querido Geremias.
Que todas as pessoas, a população organizada e socialmente mobilizada para as finalidades da maioria, senão de todos, exerça ela o poder político.
Tua negação de que isso possa ser possível, enunciada já em teu primeiro comentário, ou a não compreensão que há luta de classes e, por enquanto, os burgueses continuam vencedores, impediu até o momento que compreendesses a fundo o que digo sobre a repressão ao tráfico em todas as classes.
Nunca disse que BOPE é cura de alguma coisa.
Sempre disse que a repressão ao tráfico deva se dar inclusive no que ela arma a polícia para garantir a ordem.
A ordem é burguesa, não é fato?
Só será vitoriosa a repressão ao tráfico de drogas com o fim da sociedade de classes, é o que digo desde o início, porque a drogadição é estimulada pela dominação imperialista dos estados nacionais.
Ou achas que a revolução popular chinesa derrotou em 1949 apenas Chian Kai Chek, aquele nacionalista degnerado que alugava a população da China aos prostíbulos e à estiva?
A drogadição, como o fudamentalismo religioso, para mim, são doenças, não sintomas. Ou, no mínimo, aqule febrão de 51 graus de que já falei antes.
O tráfico de drogas é componente da estratégia de dominação imperialista, em qualquer das fases dela, assim como a cruz chegara em África e às américas antes da espada do colonialismo.
Pô, Geremias, já me haviam considerado equivocadamente stalinista, o que nunca fui e nem me considero, mas facista!, mesmo por confusão, és o primeiro, em 40 anos de atuação política.
Creio que realmente não lês o que escrevo, apenas repetes o que já sabes e pensas que não sei, embora eu não seja médico.
Por óbvio que havia-me proposto não mais debater aqui um assunto que se resolve muito mais na esfera da luta política e dos instrumentos sociais outros capazes de arregimentar organizadamente massas poplares conscientes de suas necessidades, vontades, aliados e inimigos.
Em razão de teu não entendimento explícito, no entanto, vi-me contingenciado a retornar.
Continuo recomendando Rainha Diaba e O Homem da Capa Preta, que já abordaram o tema.
E ainda não vi o filme comentado pelo nosso overmano Mauro.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 5/10/2007 17:00
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Nely
 

Gostei do texto!
Adroaldo, concordo com você qnd diz que combater o traficante é combater o tráfico...! Sim, o tráfico é ilegal, e se tiver que matar a classe social dos traficantes, se nãohouver outra possibilidade, o que podemos fazer?
Se não o tráfico irá matar uma outra classe maior, a dos trabalhadores!

Nely · Rio de Janeiro, RJ 5/10/2007 17:12
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Luiz Geremias
 

Caro Adroaldo,
Disse que preferia não ter compreendido o que você disse em um item. Creio que te compreendo. E compreendi que precisava te provocar para você se tornar mais explícito.
Veja, a Nely, aqui em cima, entendeu errado o que vc disse, percebe? Ela te tirou como fascistão, viu? Agora a moça quer exterminar os traficas. Entende o que digo? Precisa explicar para ela quem é quem no comércio de drogas.
Comecei esta conversa deixando claro que você, talvez por querer ser rápido e objetivo, não deixa claros o suficiente seus pensamentos. E assim continuo pensando. Mas, aos poucos você vai esclarecendo, né rapá? Mas, sintoma é sintoma, doença é doença. E o tratamento deve ser dirigido ao fator que desencadeia a doença – que você, desta vez, explicitou – não ao sintoma. Se a repressão é usada, é preciso não ficar nela. Se não, se extirpa o sintoma, e fica a configuração que o originou. Só isso.
Não basta se classificar de comunista, é preciso explicitar posições.
Há pontos divergentes, mas o importante é dialogar. Muito obrigado pelo bom papo.
Abraços

Luiz Geremias · Curitiba, PR 5/10/2007 17:31
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Cicero de Bethân
 

Opa! Gente, gente...
Mas como assim, simplesmente matar os traficantes? O que podemos fazer? Muito cômodo.
Que tal começarmos com ações que concorram para a justiça social? Traficantes são resultado de uma sociedade excludente, que não olhava para as favelas e agora estão todos "tremendo nas bases", porque o tráfico é bem armado e não tem dó. Se precisar, eles arrebentam com tudo. E agora, José? Mais uma vez é simplesmente chegar chutando a porta? Não estou defendendo traficantes, mas eles são uma consequencia e não causa. Só que agora não dá mais para ignorar, porque a violência deixou as favelas e está "botando terror" nos bairros da classe média.
Abraço!

Cicero de Bethân · Vitória, ES 5/10/2007 17:48
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Luiz Geremias
 

É isso, Cícero,
Como disse o Paulo Lins, levando em consideração a forma como pobres e pretos foram sempre tratados no Brasil, tem até pouco bandido pobre e preto por aqui. E enquanto o pau comia só lá no morro, ninguém falava sobre isso. Só o que o Estado ofereceu para o pessoal do morro até hoje foi, e é, porrada. Fora a farsa da favela-bairro do cínico Cesar Mala.
O rap ensina muito a entender esse ponto de vista. Quem tá na cadeia? branco e rico? Não dá pra calar essa constatação. Até me surpreende que tenha gente que consiga falar sobre o tema sem levar isso em consideração.
Abraço e um bom final de semana para os amigos e amigas.

Luiz Geremias · Curitiba, PR 5/10/2007 17:58
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Adroaldo Bauer
 

Geremias,
Não desconverse. Assim embaralhas o que sempre esteve nítido.
As palavras que dizes ter entendido agora estão inteiras na primeira fala que postei aqui.
"O tráfico de drogas é a produção em série do dano social.
O tratamento dele é a repressão... do burguês traficante...
patrãozinho ou pé-de-chinelo... Não tem bandido bom... A sociedade não está doente. É podre no cerne, que impõe a exploração, no que continuo em acordo com K. Marx..."


Se continuas entendendo que tráfico é sintoma, paramos por aqui. Tu na tua e eu na minha, como se dizia em '68, bajo la dita.
Tráfico é estrutural na sociedade capitalista (é indústria mundial).
A doença da sociedade é o capitalismo (modo privado de produção e de apropriação dos resultados dela, em que burgueses são proprietários dos meios de produção, entre os quais a indústria do tráfico, que entendes por sintoma).
É simples. Sem idealismo, nem tergiversação semântica ou subjetiva.
E, pelo que dizes, agora me entendes e não mais considera meu argumento fascita.
Mas, penso que resultou pior a emenda, ainda achas que alguém, e dizes isso de Nely, numa impressão tua sobre o que ela escreve, assim me considera.
Ela diz matar a classe, tu lês como quer Konder B.: "acabar com a raça".
Queres intrigar-me com Nely.
Diga tu a ela o que pensas dos argumentos dela, Geremias, que diversionismo é tão antigo que tem mais netos que eu.
Se destituimos o poder político da burguesia, proprietária inclusive da indústria do tráfico, que é doença social, e não sintoma, estaremos destituindo também o poder político dos traficantes. E se o fizemos é proque valores outros, republicanos, huamanistas, socialistas se alevantaram mais alto.
E a polícia cuidará da nova ordem.
Pra mim, de preferência, desarmada.
Agora, com certeza, há sociedades que não têm traficante de drogas com poder político e ainda continuam holandesas, digo, capitalistas.
Quanto às armas.
Bem. É outra indústria que necessita de pessoas se matando com elas em guerra de baixa ou alta intensidade, curta ou prolongada para dar fim ao estoque e continuar produzindo, porque riqueza das grandes acumula mesmo é a apropriação privada da mais valia.
E outra coisa que lestes bem e entendestes mal.
Eu escrevi: "embora pretenda ainda ser comunista".
Se pretendo sê-lo, não o sou ainda.
Pelo que sei, estudo e faço, considero-me ainda apenas socialista.
Quem sabe no meu aniversário, em 3 de outubro de 2017, eu já o seja.
Saúde e força pra luta que´, se vencermos, com certeza não será de mim contra ti, mas a favor de ambos, de Nely, inclusive do amigo Mauro de quem ocupamos o espaço do postado.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 5/10/2007 19:26
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marcio rufino
 

Caríssimo Mauro,

Aceito o convite, vim e adorei tudo o que li, concordando com você em número, gênero e grau. Apesar do caos, me pertmito ter a pachorra de ser esperançoso quanto à neutralização desses dois grandes cânceres da humanidade que é o preconceito e a hipocrisia. Assim como as prostitutas, os homossexuais também foram retratados com muito "cuidado" pela novela global. Enquanto na record, o traficante Jacson podia arrancar cabeças no morro do torto, na vênus platinada dois homens não podiam ser nem um pouco mais ousados na manifestação do afeto que sentiam um pelo outro para "não chocar as criancinhas". Um dos momentos mais marcantes foi quando o personagem de Andre Ramiro invadiu a passeata e xingou todos os seus manifestantes. Naquele momento eu era um pouco aquele policial, me identifiquei demais com ele.

Parabéns à tropa de elite. Parabéns à você pelo magnífico artigo.

Abrçs!!!

marcio rufino · Belford Roxo, RJ 5/10/2007 20:05
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LAILTON ARAÚJO
 


MAURO...


A vida imita a arte? Ou a arte imita a vida?

Não importa... Ao expor sua vida em uma comunidade aberta, você mostra: ser um humano! É algo difícil nesse mundo de perfis globalizados e revestidos de "over"...

Publicitário ou não... É o Mauro crítico! Baseado em quê? Na vida... Nas observações e convívios sociais...

Certo ou errado? Não importa... Escrever já é o caminho da reflexão!

Falando do filme...

"É a violência que alimenta a violência...” O apresentador "Datena - Record" já faz isso todo dia! E sem verbas públicas do MinC.

É dinheiro jogado fora... Não gosto da apologia à violência!

A “televisão e tvs” mostram esses enredos cariocas, paulistas, pernambucanos, mineiros e brasileiros – todo santo dia!

A verba gasta no filme seria mais bem aplicada num "Festival de MPB ou Teatro" – amador, novo, com pessoas carentes e criativas... Mesmo que sejam “baseadas” – são pessoas carentes! São brasileiros e brasileiras ao Deus dará!

O filme pirateado mostra o segredo da atual cultura do Brasil! Tudo é pirata... Sem transparência! Sem criatividade! Submundo da própria arte!

Mauro... O texto que você escreveu é bom!

Parabéns pela coragem!

Abraços.

Lailton Araújo

LAILTON ARAÚJO · São Paulo, SP 6/10/2007 13:42
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Nely
 

Concordo com o Cícero, e se expressei que queria acabar com todos os traficantes, então fui mal interpretada. Nao quero isso, é claro! Somos todos seres humanos! Porém como Cícero também disse o trafico é bem armado e não tem dó, se precisar eles arrebentam com tudo, por isso acho que o tráfico deve ser combatido, se for possível, da melhor maneira, mas se não for, como vamos fazer?
Obrigada!

Nely · Rio de Janeiro, RJ 7/10/2007 22:57
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Nely
 

Ah! Ja ia me esquecendo...
Cicero, que ações seriam essas que concorram para a justiça social?
Este assunto me interessa, e gostaria de saber o que tens a dizer.
Abrços!

Nely · Rio de Janeiro, RJ 7/10/2007 23:03
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jeorge segundo
 

e ai Mauro, blz?!
bem interessante o seu texto,cara! aliás, fiz um artigo a respeito do tropa de elite e a pirataria. Legal ver que um filme como esse pode abranger tantos assuntos e consequantemente tantos debates. Nossos textos tem muito em comum, o seu envolveu mais a parte do trafico de drogas, o meu fala sobre o que essa obra piratiada pode estar refletindo na sociedade. Gostaria muito que você enriquecesse esse debate tbm. Se puder, é claro!
http://www.overmundo.com.br/overblog/tropa-de-elite-perde-ou-ganha-pra-pirataria

obrigado!

jeorge segundo · João Pessoa, PB 10/10/2007 14:58
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Vilorblue
 

Bom texto amigo.
Se quiser entender um pouco mais sobre, tropas de elite e criminalização da pobreza, vc pode ler um texto meu, publicado no Overmundo.
Como demonstraram Claudia Koroll e Mike Davis. A escala planetária do fenômeno de implantação de um verdadeiro estado policial-penal, cujo objetivo é controlar as populações trabalhadoras e os territórios onde habitam.

Seu texto é bom, falta apenas entrar no cerne da questão, isso é; Estamos a passos da implantação de um estado fascista mundial totalitário..

Link do texto se quiser ler:
http://www.overmundo.com.br/banco/tropo-de-litro

Abraço.

Vilorblue · Colombo, PR 20/10/2010 20:04
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