Domingo, 2 de dezembro de 2007, foi dia de dupla estréia no panorama estrutural da TV brasileira com os lançamentos da TV Digital e da TV Brasil: a primeira é um novo modelo tecnológico; a segunda, uma nova emissora pública. Espera-se que a TV Digital proporcione excelente qualidade de imagem e som além da aclamada ‘interatividade’ - embora haja o risco de vermos suas vantagens reduzidas a novas ferramentas de marketing, de publicidade e de estímulo ao consumo, em detrimento da democratização da produção de conteúdos e da pluralidade de canais e pontos de vista na TV. No que se refere a TV Brasil, a expectativa é que a emissora ofereça novas alternativas de programação e nova dinâmica de produção da informação como ‘bem público’ - diferenciada daquela que rege as empresas de mídias privadas, cujas receitas se baseiam, ao fim e ao cabo, no volume de audiência.
Entretanto, embora o discurso seja claro e correto - estabelecer o caráter público da TV Brasil - a emissora é quase que exclusivamente vinculada ao Governo Federal, e este é, afinal, quem vai ‘pagar as contas’. Esta é uma diferença crucial entre modelos de financiamento de TVs Públicas que deram certo em outros países, como a Inglesa BBC, cuja receita provém de taxas anuais pagas por cada domicílio com aparelho de televisão. No Brasil, considerando a alta carga tributária, tal modelo não seria viável, e o financiamento da nova TV Pública, enfim, depende de políticos. A vantagem da BBC, considerando a sua fonte e modelo de financiamento, é que a emissora - uma das mais respeitadas do mundo - sabe bem quem é o seu ‘dono’ e exatamente a quem deve prestar contas. Aqui, visto que quem ‘pagará as contas’ da TV Brasil é o Poder Executivo, será difícil para qualquer governo resistir a tentação de interferir na gestão da emissora. Caberá aos dirigentes da recém-criada Empresa Brasileira de Comunicação - EBC (à qual está vinculada a TV Brasil) e ao seu Conselho Curador (15 representantes da sociedade civil nomeados pelo Presidente da República), estabelecer a necessária e fundamental isenção editorial, e anular as possíveis tentativas de interferência governamental.
Afinal, o Governo paga, mas nós é que damos o dinheiro - é bom prestarmos alguma atenção.
Ei Fabrício, bacana sua colaboração! Está rolando uma discussão bem interessante sobre TV digital aqui. Abraço!
Thiago Camelo · Rio de Janeiro, RJ 3/12/2007 16:15
Muito bom seu texto Fabricio. Realmente temos que estar atentos ao que realmente será essa TV digital.
Parabéns!
Axe'
Ehhh... se nao ficar atento, isso de TV Digital eh so mais um '171' pra alienar e es$cravisar mais o povo, quem paga o politico que vai dirigir o jogo em funcao.
Vamos ficar atentos!
Pô Thiago..excelente a discussão que você indicou. João Verde e Mestre Jerônimo, ambos daqui do Nordeste, como eu. Acho que demora um tantinho mais pra gente ter TVD por aqui (em Natal a previsão é 2009).
Mas, enfim, quanto a TV Brasil - esperamos que dê certo - para o país claro!
Fabrício,
Grande e importante toque, este seu. Eu, de minha parte, não tenho a menor ilusão quanto ao atrelamento desta TV ao groverno. Com a TVE já era assim, agora então...
Não nos esqueçamos que tudo que é público no Brasil, fica privado.
Abs
Fabricio,
Importante frisar que o discurso inicial do governo é bem diferente daquilo que acabou por prevalecer.
Abrs
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