Primeiro foi a indústria fonográfica, logo depois o cinema e agora a TV parece ser a mais nova mídia a receber o inevitável castigo entre a luta do velho versus o novo. A Internet pune as mídias antigas pelo erro de não se converterem, não se a assimilarem ou não se converterem à ela. Resistir não é inútil, na verdade é bem pior. Se atualmente a Internet parece um monstro através dos olhos das gravadoras, a culpa é toda delas e hoje parece que finalmente as grandes corporações estão aprendendo a lição e pelo menos tentando se adaptar mesmo com medo. Foi necessário que a Apple mostrasse que é possível fazer dinheiro vendendo música digital mesmo com toda a pirataria rolando solta e de uma hora para outra o CD ganhou lugar reservado na estante do museu bem ao lado do vinil e do laser disc.
Quem teve a sorte de não ser a primeira grande vítima foi a TV e essa já começa a repensar muito o seu papel e suas contas, pois sabe que não há como correr da Internet e a melhor solução é fazer as pazes com o “inimigo” e tirar proveito da parceria.
É claro que ainda há muita ferrugem nos velhos sistemas e poucos profissionais que não trabalham diretamente com a internet no Brasil possuem uma boa visão de como, quando e o que exatamente fazer para que essa adaptação ocorra da maneira mais suave e lucrativa possível.
Aos poucos, nos últimos dois anos, programas de TV tentam ganhar a simpatia dos usuários de TV adaptando a linguagem de seus programas ao linguajar da web, utilizando jargões para batizar quadros de TV, criando chats interativos televisionados e até legendando filmes em “miguxês”. Esse tipo de iniciativa mostra pouco conhecimento sobre a transição e muito receio por parte das redes de TV.
É impossível conhecer alguém que navegue na Internet hoje que nunca tenha visto um vídeo online. Sites especializados estão apostando em formatos dos mais diversos e todos apontam para a mesma direção conhecida: ou a TV se adapta ou a Internet irá substituí-la.
Em projetos de maior porte envolvendo TV e Internet existem nichos e diferenças importantes que demonstram que o caminho começou a ser pavimentado para essa mudança no Brasil: A WTN aposta na substituição da mídia (criando conteúdo próprio nos mesmos moldes da TV) enquanto o FIZ TV aposta no conteúdo criado pelo público e veiculação moderada do conteúdo via TV por assinatura (graças a uma parceria com a TVA) e o Videolog.TV tenta criar um espaço com o conteúdo subido pelos usuários mais a possibilidade de que se criar sua própria programação contínua linkando os vídeos do site.
Estamos vivendo uma espécie de corrida de formatos em que ninguém tem certeza exatamente de quem será o vencedor, mas não há dúvida de que alguém vencerá. No meio do caminho há também os que apostam em mais de um formato ao mesmo tempo, como no caso João Marcello Bôscoli que além de recentemente inaugurar o Canal da Trama no software Joost, também estréia uma parceria com Ed Motta em um videolog patrocinado pela Nissan.
Arthur.
Como profissional de informática, achei o teu texto excelente!
Como ex-jornalista, idem.
Estás de parabéns.
Baduh
Arthur, boa. A discussão é das melhores. Eu cá, com meus botões, continuo a matutar essa idéia de que a TV será engolida mesmo pela net. Desconfio que não será bem assim... Aliás, desconfio que a net não vai engolir ninguém. Forçar mudanças sim, com certeza. É que já estamos a assistir.
Abs,
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