"Em seus quatro projetos, ele liga ritmos variados a harmonias sem fronteiras e melodias de vanguarda"
Apesar dele ter falado bastante na entrevista, pouco sei sobre ele. O mistério ronda o músico chamado GriloWsky, que pretende causar no Brasil o mesmo impacto que Henrik Nordvargr Björkk está causando na Suécia ao gravar discos temáticos sobre viagens sensoriais. E tudo na base do improviso. Levando em conta a alta produção de nosso GriloWsky, que do início do ano passado até agora já lançou diversos trabalhos em diversos projetos e disponibilizou a todos na Trama Virtual, acho que logo mais o nosso misterioso músico vence o seu concorrente suéco em matéria de experimentalismo. Isso contando que no dia 25 de Dezembro de 2006, ele foi umas das atrações mais importantes do Festival Pátio do Rock, que aconteceu no Pátio de S. Pedro (Bairro do Recife) e foi considerado um ET (entre aquelas bandas!) por um público acostumado ao bom e velho rock'n'roll.
Sexismo, Toxicomania, Alcoolismo e Violência não são meros títulos de discos com canções toscas, avacalhadas e brutais. Cada um deles repensa uma quantidade de pesquisa e descobertas sobre experiências incríveis de uma forma que vai além dos estereótipos e do imaginário transgressor. Mas como será que GriloWsky, cujo paradeiro é incerto (ora Recife, ora Rio de Janeiro) e identidade desconhecida faz isso? Apostamos que ele não esteja só. Deve ser ele e mais um, de lá de Recife. Talvez um tal de Paulo do Amparo esteja envolvido. Mas aí estou especulando. É melhor que leiam o que ele tem a dizer e tirar suas próprias conclusões.
Por favor, se identifique e conte uma história. Qualquer uma!
GriloWsky: Essa não rola.
Quem é GriloWsky?
GriloWsky: Eu.
É preciso falar mais que isso, ok?
GriloWsky: GriloWsky é uma banda em que eu dou as coordenadas da dinâmica performática e musical junto com os amigos!
E o Geladeira Metal?
GriloWsky: É outra coisa. Geladeira Metal é o duo mais importante da música atual pernambucana. Paulo do Amparo e Grilo fazem um som pra lá de jazzy core e noise infantil! As músicas são rápidas, algumas duram segundos e a intenção é realmente entortar o cabeção.
O que vocês já conseguiram produzir até então?
GriloWsky: Já lançamos 5 discos e estamos com mais 3 na gaveta.
Existe alguma diferença entre GriloWsky e Geladeira Metal?
GriloWsky: Sim, sim! Grilowsky tem mais um lance de sex core, pop e rockroll! E muito experimentalismo aleatório...O GriloWsky tem muito de experimentalismo, como o CD Virtual Single Bass, que são três seqüências de improviso em baixo, o single Azul Metileno Violeta Gensiana, que são três gtrs aleatórias e sobrepostas.
E o Geladeira Metal?
GriloWsky: O Geladeira é aleatório completamente, várias letras são feitas minutos antes do show. Além disso, a formação é completamente diferente. Geladeira fica com teclado com Gtr ou Bx.
Como você definiria o som do Geladeira Metal para quem ainda não conhece o projeto?
GriloWsky: Olha, a entrevista é sobre o Grilowsky ou Geladeira Metal?
É uma conversa sobre GriloWsky, Geladeira Metal e afins.
GriloWsky: Ah, então tudo bem.
Mas aqui você Escolhe. Sobre o que você quer falar?
GriloWsky: Qualquer coisa.
Então fale sobre seus projetos.
GriloWsky: Sobre o som do geladeira é jazzy core e noise infantil...E o GriloWsky é sex core. Conceição Tchubas é space jazzy rock. Extreme Nuclear é experimentalismo acusmático. Esses são os 4 trabalhos que faço atualmete.
Qual o seguimento da música que mais o interessa?
GriloWsky: Música extrema. Instrumental. jazz. Metal brutal...
É daí que veio a sua formação musical?
GriloWsky: Quando pequeno escutava Raul Seixas e Alceu Valença. tive apenas umas 10 aulas de baixo com Lito (que acompanha Isaar). Isso deve ter sido em 94. Tive algumas aulas de teoria com Marcelo (que a galera chamava de Marcelo Van Halen). No mais, foi institiva e intuitivamente. na verdade só sei tocar minhas músicas. Nem do Legião de revistinha sei tocar (risos). Dentro desses anos ouvi de tudo. Até Menudo (mais risos).
No momento, você tem escutado quais bandas?
GriloWsky: Dead Kennedys, Destruction, Sepultura, Antony Braxton, John Zorn e John Frusciante. Esses foram os que ouvi durante o café da manhã desta semana.
Entre tudo isso, quais são as suas maiores influências?
GriloWsky: Cara, não tem isso! Cada onda de criatividade que passa pela cabeça é diferente. A lombra é outra sempre. Não penso em estilos ou segmentos. Vou fazendo...
Esse é o paradigma da modernidade.
GriloWsky: Desde os tempos das cavernas é assim.
Como é o processo de composição?
GriloWsky: O processo é rápido e eficiente, de alto impacto.
Fale sobre suas viagens ao Rio de Janeiro.
GriloWsky: Sempre vou a trabalho! Não curto lá. Ficar fumando prensado, posto 9, festinhas de cinema...Maior saco!
Que tipo de trabalho você faz por lá?
GriloWsky: Cinema. esta última vez fui finalizar o curta Schenberguianas. Fui lá terminar e acompanhar a finalização e fazer o Sound designer do filme. E cinema é foda. Você espera muito do laboratório e o ócio vai lhe consumindo, e você consumindo sacolé e cerveja itaipava!! Aproveitei isso e gravei "Gatinha Vitiligo" lá.
Você não acha que o Rio é uma cidade maravilhosa?
GriloWsky: Não, certamente já deve ter sido. O ritmo e estilo de vida carioca são muito estranhos, mesmo tendo belezas naturais...Não tenho paciência.
Basicamente, qual é o conteúdo de "Gatinha Vitiligo"?
GriloWsky: É o que tem na letra. Nada além disso! Sexy (risos).
O que te levou a compor essa canção?
GriloWsky: Tem uns samplers de Van Halen e White Trash, o resto, o Flu fez lá no Reason. Fiz pra uma amiga! Surtei biritado e fui fazendo a letra e cantando a capela pra galera. com certeza a letra era bem maior, mas não me lembro. Assim também foi como pagode daloirinha e dos 5 negão. passei 4 anos apenas com o refrão. Depois resolvi gravar e fui fazendo a letra aos poucos...
A sua amiga gostou da homenagem?
GriloWsky: Ela adorou a homenagem! Amou!
Como o cinema e a música se encontram em sua vida?
GriloWsky: Igual a todo mundo. Quando você ver um filme e quando ouve uma música.
Mas e a música no cinema?
GriloWsky: Desde os primordios é assim! Só que antes a trilha era ao vivo!
Você já fez trilhas sonoras?
GriloWsky: Sim, acabei de compor o primeiro cd do Grilowsky, chamado FIC-SCI. É uma trilha composta para o livro homônimo. uma viagem , vc lê o livro e ouve a trilha! Fiz também a do curta Schenberguianas, de jurafilmes e Sergio Oliveira. Além de trilhas pros nossos vídeos da Telephone Colorido.
Como foi a experiência de compor trilhas sonoras?
GriloWsky: Limpeza. É massa!
François Truffaut, Godard?
GriloWsky: Pode ser!
Você usa piercing, tem o corpo tatuado, cabelo tingido e é gay?
GriloWsky: Essa resposta é irrelevante...
Você é amigo de quem, namora quem, é casado com quem?
GriloWsky: Well, sobre minha vida pessoal, esqueça!
Ok, lembra da primeira vez que você subiu num palco?
GriloWsky: No palco não, mas desde criança me apresentava em festivais de dança e musica na escola. já fiz teatro, balé clássico, dança contemporânea e o Tchubas...O palco é mais do que uma casa e se não tem palco, faz no chão mesmo. E de repente em certas ocasiões é bem mais legal sentado na mesa cantando a capela.
O que você sente na maoria das vezes?
GriloWsky: Cara, a sensação é de anestesia pela adrenalina que corre! É algo de se perder o controle. o corpo é o meio de transcendencia.
Um dos fatores que logo chama a atenção é a atitude quando você está no palco: o Sonrisal na boca, as letras?! O visual, o som...Isso tem a ver com essa idéia de fugir do modelo "indie-padrão" que se implantou em Recife nesses últimos anos?
GriloWsky: Não tem essa de fugir de modelo. O bagulho é espontâneo, insano e inconsequente mesmo!! E realmente não sei se o modelo "indie-padrão" se implantou na cidade nesses últimos anos. Afinal, o que é indie? É feito mangue(risos)?
Já vemos que não. Conta aí o que você quer para o ano de 2007.
GriloWsky: Quero que o Irã ataque Israel, que ataque o Paquistão , que ataque a Índia, que ataque a américa e que se afunde em NY. Quero viajar pro Amazonas atrás da tribo dos Murás. Adrenalina e outras inas. Mas antes disso prentendemos lançar o novo cd do Conceição Tchubas, chamado VOLUME 9. Tem o segundo disco do Grilowsky, o Sexismo, Toxicomania, Alcoolismo e Violência, com todos os hits do verão, além de muita Geladeira Metal no juízo desse mundo cão!
Você acha que algum dia você vai fazer um show memorável, revelador, daqueles que entram para a história?
GriloWsky: já fizemos, cara. O do "Pátio do Rock" foi algo que Recife precisava. Fizemos com o Conceição Tchubas no festival de jazz da Macuca. Fizemos com o Geladeira Metal no Natal do Iraque. Fizemos shows memoráveis com os Gnomos da Metrópole, Com os moluscos lama...Quase todos são memoráveis.
Qual foi a sua maior experiência?
GriloWsky: Todas foram extremamente loucas. Não tem como descrever. É sensitiva e sensorial, saca?
Você está com a cabeça no pop, na mesma direção...Diga aonde você está!
GriloWsky: Não estou com a cabeça no pop! de modo algum! Estou aqui na Boa Vista. Como falei no Giro Cultural, não aponto nunca pra uma direção só.
Aonde você pretende chegar?
GriloWsky: Vou indo! e deixo o instinto me levar. Pretendo levar minhas idéias e intervenções pra o maior número de pessoas possíveis, estejam elas interessadas ou não, sigo cantando a capela o "Pagode da Loirinha" em mesa de bar, fazendo microfonias em casa, tomando bebidas ao som alheio e chapando, chapando, chapando...
Você se considera um artista cult?
GriloWsky: Não me considero artista.
Então o que você se considera?
GriloWsky: Na verdade eu me considero, e muito.
Aprofunde, por favor...
GriloWsky: Considero a mim mesmo e aos trabalhos que admiro. Isso incluem pessoas especiais. Mas sem muito egolombra.
Rock é sinônimo de quê?
GriloWsky: Pedra.
E o pop é sinônimo de quê?
GriloWsky: Pipoca.
Show inesquecível?
GriloWsky: Nem me lembro(risos).
Imprudência?
GriloWsky: Sim, sim!
O obstáculo e a vaidade?
Grilowsky: Como?
O medo?
GriloWsky: Ui ui!
Freak rock?
GriloWsky: Yeah!!
Sexo e violência?
GriloWsky: Só se for ao mesmo tempo!
Música de improviso ou composição em tempo real?
GriloWsky: Ambas estão juntas. Para compor em tempo real você tem que estar improvisando. E para improvisar tem que ser em tempo real.
Será?
GriloWsky: Vou perguntar a Thelmo.
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Eu fui ouvir o som de GriloWsky só por causa dessa entrevista. Valeu Cleyton!!
Ana Alana · Niterói, RJ 14/4/2007 23:12Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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