Um, Dois...Feijão com Arroz

Foto e ilustração de Spírito Santo
Bebê enigma
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Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ
28/1/2008 · 149 · 15
 

Hibridismo Cultural e Mestiçagem



“_O conceito de Hibridismo Cultural converge com a idéia de Mestiçagem que você combate?”...

“_Não. O conceito Hibridismo Cultural não converge, de modo algum, com a idéia de Mestiçagem que eu combato, além do que...”

(Eu, respondendo à Ize que, num dia destes, escreveu a pergunta na borda de uma página do jornal O' Globo, acerca de duas matérias sobre a questão racial no Brasil)

A resposta – de longa e cabeluda - virou este post.

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Culturas híbridas por natureza
Por falar em Diversidade...

Para começar, Hibridismo cultural poderia ser visto como um conceito apenas proposto, descoberto, porque tudo indica que sempre foi uma lei da natureza, tendo a ver, diretamente e no geral, com Diversidade.

(Uma idéia puxa outra que puxa a outra que puxa outra... e por aí vai).

O brilhante antropólogo Néstor Garcia Canclini estaria citado aqui sim, com todos louros àquele que, a partir das pistas salpicadas aqui e ali por seus antecessores, capturou com clareza o sentido de um fenômeno social bastante complexo, sistematizando-o no âmbito de sua inovadora antropologia, sempre na intenção de explicar de modo mais aberto e franco possível, o sentido fugidio da natureza humana neste nosso confuso e admirável Mundo Novo.

É por conta desta lenta, porém, segura evolução do pensamento do homem sobre si mesmo expresso na obra de Canclini, entre outros, que hoje já podemos, pelo menos, sugerir que a Cultura humana deve - e a Educação também deveria - significar diferentes maneiras de se abordar ou compreender uma mesma coisa, ou vários modos de se realizar uma mesma tarefa, diversos caminhos para se chegar a um mesmo lugar (que, afinal, é quase sempre uma encruzilhada), ou em algum daqueles muitos caminhos que levam à Roma (mesmo para quem não está nem aí para ver o Papa), nesta nossa eterna busca por um destino mais feliz.

–“O Caos e Acaso são a mola e o dínamo do universo!” - Diria aquele sujeito velho e barbudo que assistiu, de camarote, ao Big Bang.

O Hibridismo cultural parece ser mesmo uma atitude humana atávica sim porque, pelo que nos poderiam dizer neurocientistas como o Oliver Sachs (que alguns grafam Sacks), ou lingüistas como Noam Chomsky, por exemplo, está relacionado à plasticidade maravilhosa do cérebro humano, nossos sentidos, transformando informações apreendidas aqui e ali, num turbilhão de emoções que, por sua vez, se transformando nos mais variados tipos de sinapses e memórias, multiplicadas aos milhões, se transfiguram em nexos, linguagens e conceitos, dos mais concretos aos mais abstratos ou absurdos.

Assim como são as pessoas, seriam as comunidades, as sociedades.

O conceito pode ser considerado, intrinsecamente, humano também porque Cultura sempre pressupõe feedback, transmissor+receptor interagindo, alternando-se, confundindo-se, por vias expressas e inversas (porém, nunca estanques). Mão e contra mão. O Meio virando a Mensagem (e vice versa). Sinergia, movimento, vida.

Gosto muito, nestes momentos, de citar a Música, uma linguagem onde conceitos como Primitivismo e Modernidade carecem, absolutamente, de sentido porque a Música (o Som) é um fenômeno que se dá, concomitantemente, ao longo do Tempo e do Espaço, área difusa onde o que é passado pode ser também, do mesmo modo, presente ou, até mesmo, futuro.

O fenômeno do hibridismo cultural é pois assim, como a Lei da Relatividade (que já existia antes de Einstein a descobrir). Atemporal e imponderável. Arte e Ciência. Mágica e lógica, ao mesmo tempo.

Seria inconcebível um mundo feito de energia funcionar de outra forma. Uma coisa sempre conteve um pouco da outra. Sim, tudo na natureza – e na cultura dos homens, por extensão - é como carne e unha.

No Socialismo, no Capitalismo, na pré ou na pós-modernidade sempre foi - e, ao que parece, sempre será - mais ou menos, assim (e que novas tecnologias de inteligência artificial não nos contradigam um dia)


...” As coisas estão no mundo, só que eu preciso aprender.”

(Paulinho da Viola, naquele samba clássico)

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Toda mentira tem perna curta
Mas, nem sempre têm um fundo de verdade


Miscigenação não. Aí já se está falando de um conceito artificial, inventado (ou imposto), um conceito desumano (no sentido espúrio da palavra) porque fere, deliberadamente, os princípios mais elementares de nossa natureza.

Transitando por este mesmo assunto, tentei dizer isto naquela outra matéria chamada ‘Salada Mista’ .

É que a velha fonte destas ‘modernas’ teses sobre miscigenação no Brasil, parece mesmo ser a teoria, genericamente, conhecida como ‘Elogio à mestiçagemque propõe, no fundo - nem tão no fundo assim - a diluição das raças, supondo, diabolicamente, que possa haver algum tipo de ganho ou ‘evolução biológica’ (e, conseqüentemente, social, cultural, enfim), a partir de uma ‘mistura’, uma ‘química’, na qual dois elementos, se fundindo, acabariam por se anular, mutuamente, gerando um terceiro elemento ‘melhorado’ e, portanto, geneticamente ‘superior‘ aos dois outros que o geraram.

(Cavernosa teoria. Que tipo de pessoa seria capaz de ficar arquitetando e mastigando idéias assim tão ácidas e venenosas? Com que interesses ou intenções?)

Observem, atentamente, que o ser resultante desta ‘química’, no caso, o Mestiço (aquele que não é nem uma coisa nem outra) ou o Mulato (literalmente o cruzamento entre uma mula e um cavalo), anunciado como sendo superior, geneticamente, aos elementos que o geraram, é sem dúvida, uma entidade, eminentemente racial.

(Homoracial, poderíamos dizer, já que é o inverso da diversidade genética antes existente).

Uma quimera , um frankeinstein social, para usar uma imagem mais enfática.

Ora, vista sob este prisma, a teoria da Mestiçagem é ou não é, tecnicamente, uma tese racista?

A partir da criação artificial de um biotipo ‘menos negro’ (a abolição física do negro, portanto), sub-repticiamente, de mistura em mistura sobreviveria apenas uma raça. Qual? Bingo! A Branca.

Este aspecto sutil, esta subliminaridade contida nesta proposta de mestiçagem, pode denotar a intenção velada, de se destruir apenas um dos elementos da equação, anulando a alegada diferença entre as duas supostas raças.

Ontem o pretexto era acabar com a nossa inferioridade biotípica nacional. Fracassado o projeto de abolição das diferenças raciais no Brasil (previsto no século 19 para durar 100 anos), hoje, a causa é desqualificar a pertinência da adoção de ações reparadoras dos males e seqüelas sociais resultantes da escravidão e do racismo perpetuado (cuja manutenção foi, aliás, ironicamente justificada por estas mesmas teorias).

Como Meio, a deposição da diversidade, a evolução fraudada. Como Fim, a perpetuação de privilégios coloniais.

Por isto, é bom se ressaltar também que, no campo de debate, digamos assim, mais acadêmico, a confusão estabelecida entre Hibridismo Cultural e Mestiçagem é, pelo menos para mim, completamente artificial e propositalmente criada para confundir mesmo (no que aliás, tem sido bem eficiente, pelo menos com os mais crédulos).

_”‘Uma insanidade digna de tarados”_ Diria alguém mais desprovido de fino trato.

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O Sofisma de Galton
O primo rico e o primo pobre

Pois saibam os que ainda não sabiam, que Charles Darwin , gênio da Teoria da Origem e da Evolução das Espécies, apóstolo da Diversidade, tinha um primo (dizem que também cunhado) que era grande admirador da extraordinária obra do parente. Ele (pobre apenas de genialidade já que, na verdade, era tão rico quanto Darwin) se chamava Francis Galton e foi quem criou a teoria da Eugenia ou do ‘depuramento genético’, que aparece como marca indelével na alma destas teorias de miscigenação aqui aludidas.

(Idéia pela qual, como já disse em outra oportunidade, além de figuraças como Chamberlain , Gobineau e Lombroso, militaram também, entre outros brasileiros adeptos de primeira hora, Nina Rodrigues e Gilberto Freire).

Segundo esta estapafúrdia teoria (grosseiramente baseada no trabalho de Darwin, mas, muito calcada nas teses de Gregor Mendel) se poderia ir identificando supostos defeitos genéticos em certos tipos humanos ‘degenerados’ e, gradativamente, ir se criando restrições à procriação destes indivíduos, portadores destes eventuais ‘defeitos de fábrica’, criando obstáculos legais para o casamento entre eles, esterilizando-os, ou mesmo assassinado-os em genocídios programados como mais tarde fizeram os nazistas, a partir destas mesmas idéias....‘científicas’ (os admiradores de Galton afirmam que ele não teve nada a ver com isto).

(Pesquisando, agora mesmo, algumas imagens sobre o tema, tive que parar a busca por causa da náusea e dos engulhos provocados pela visão de tantas aberrações perpetradas em nome destas teorias)

Desta forma, segundo o outrora respeitadíssimo Galton, se iria depurando a espécie humana (vejam bem, só por aí, a que tipo de armadilha social pôde nos levar a 'admiração' de Galton pela obra do primo).

Darwin, como sabemos, propôs em 1859 - e provou - que a natureza, através de um processo muitíssimo lento e meticuloso, ao longo de milhares, milhões de anos às vezes, iria selecionando o melhor de cada uma das espécies existentes na natureza. Era a evolução flagrada, testemunhada, a partir de uma lógica de um sistema planetário, ecológico, inquestionável.

Galton (não se sabe se por admiração ou para suplantar o primo-cunhado), se propôs a fazer a partir de 1865, exatamente, a mesma coisa, só que, apenas com...gente, e bem rapidinho, substituindo a lógica da natureza pela discricionária vontade de um grupo qualquer (uma elite de cientistas, talvez) que tivesse poder sobre os demais. Uns decidindo quais características biológicas, genéticas (e, portanto‘ raciais’) mereceriam se tornar hegemônicas na humanidade.

Sacaram aí onde se poderia encaixar, facilmente, a teoria da mestiçagem?

(curiosamente este processo – conhecido, a grosso modo, como Engenharia Genética - é muito utilizado hoje em dia na produção de alimentos na indústria e na agricultura, como no caso dos transgênicos).

O mais surpreendente é que Galton não tenha se dado conta da estupidez flagrante desta sua tal de Eugenia, mesmo depois de ter descoberto a papiloscopia, eficiente e, até hoje, insuperável recurso utilizado na identificação de criminosos, baseado na análise de vestígios conhecidos como impressões digitais, prova cabal de que nós, seres humanos, apesar de semelhantes, somos seres individualizados, realmente únicos, inigualáveis, o que cria obstáculos insuperáveis para que se possa controlar, cientificamente, o resultado de uma mistura de gente assim com gente assado.

A teoria do Galton, logo se viu (pelo menos para nós humanos), era lixo puro. Deveria ter desaparecido com Joseph Mengele, mas, como se vê, ela sempre ressurge como uma hidra reciclada, a nos assombrar com a suas mil cabeças e sentidos maquiavélicos.

Hoje em dia, no calor de discussões sobre a necessidade de se reparar ou não (e de que forma) danos e injustiças evidentes de um sistema social iníquo que, surgido sob as bases do sórdido escravismo colonial, reconstruiu-se logo a seguir, por intermédio da subalternização de pessoas, a partir de então identificadas - e hierarquizadas - pelos traços físicos e evidências de sua maior ou menor ancestralidade africana ou indígena (ou não branca, em suma) há que se refletir bastante, acerca das reais intenções de reações e oposições que, se apoiando, de forma muitas vezes capciosa, em sofismas evidentes (além de certas distorções semânticas), podem ser classificadas como causa militante de um articulado grupo de Anti-abolicionistas tardios.

Então, só para clarear:

1- O conceito Miscigenação ou Mestiçagem (no sentido estrito com que a palavra é utilizada nesta discussão) parece ter relação direta com as teorias racistas que distorceram – com o intuito talvez de embasar, teoricamente, o neo-colonialismo - o conceito Diversidade, inaugurado por Charles Darwin, fundado, como se sabe, no princípio da Evolução Natural das Espécies, modernamente inserido nas discussões sobre a degradação ambiental do planeta, sob o nome de Bio-Diversidade.

2-‘Elogio à mestiçagem’, ‘Evolução artificial’ ou ‘Eugenia positiva’, se parecem com formas, espertamente, abrandadas de se definir aquelas mesmas ideologias racistas, que julgamos, até prova em contrário, varridas da história da humanidade, por culpa de suas perniciosas e notórias conseqüências, devidamente atestadas no passado.

3- O conceito Hibridismo, entendido aqui como um processo cultural contemporâneo, ligado ou não à modernidade de nossa civilização ora globalizada, não contradiz o princípio Diversidade em nenhum aspecto porque Híbrido não quer dizer, de modo algum, diluído, misturado.

As aparências...

(Fico surpreso mesmo é que exista tão pouca gente debatendo, contrapondo, publicamente, as afirmações equivocadas e perniciosas desta gente aqui no Brasil (principalmente em órgãos da imprensa como o jornal O' Globo).

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O mesmo Charles Darwin, coerentemente, quando esteve no Brasil em 1832, manifestou a sua firme decepção diante da nossa aguda crueldade social (indignado com a escravidão).

Incrível que já se tenham passado bem mais de cento e cinqüenta anos sem que, quase nenhuma alteração em nossas relações sócio-raciais possa ser, claramente, vislumbrada no horizonte.

Nenhum pequeno navio chamado ‘Beagle’ ancorado ao largo. Nenhuma espécie de real evolução à vista.

(Ainda bem que semana que vem é Carnaval e tudo acabará em Samba).


Spírito Santo
Janeiro 2008

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Paulo Esdras
 

Darwin provou que a natureza seleciona as espécies com maior capacidade de adaptação e resistência no meio em que vivem. Algumas não conseguem sobreviver pelo fato de não mudarem e outras por não se deslocarem para um meio em que não precisem das mudanças.

Segundo alguns estudiosos, diversos Homo Sapiens - em algum momento remoto - saíram da África (aceito como berço da humanidade). Talvez por não conseguirem se adaptar ao meio da época. Alguns foram ao Norte (Os Indo-europeus) e outros foram a Leste (Que daria origem a todo o povo do Oriente). Porém, alguns permanecerem na África e resistiram, mudaram.

Penso que as diferenças "raciais" estão exatamente nesta evolução Darwiniana (É assim que se chama?).

Mais recentemente (Mas não tão próximo assim) os orientais - muitos até apontam os Mongóis no começo do décimo-terceiro século - navegaram - muitos apontam que atravessaram o Estreito congelado a pé - até a América. Foram descendo, descendo, até chegarem a América do Sul e povoaram todo o continente que os fizeram mudar. Protegeram-se do sol através da melanina e até foram chamados de "Pele-Vermelha". Mudança em busca da sobrevivência, Cara-Pálida!

Paulo Esdras · Brumado, BA 26/1/2008 16:22
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Spírito Santo
 

Paulo,

É isto aí mesmo (até prova em contrário). As adaptações ao meio ambiente criaram algumas diferenças entre os homens, mas, elas nesta 'fração de segundos' histórica que vivemos, são mínimas, cosméticas, irrelevantes demais para merecerem o adjetivo 'raciais'.
Para separar as pessoas vamos ter que usar outra desculpa.

Abs

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 26/1/2008 16:36
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Spírito Santo
 

...Contudo, vamos ter que, primeiro, equiparar as pessoas, equalizar a sua situação social para, só então, dar de novo a partida para a corrida dos melhores, que deve durar alguns milhares de anos.
Que vença o melhor.

Abs

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 26/1/2008 16:46
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Paulo Esdras
 

Já inventaram outra desculpa: A tal classe social.

Paulo Esdras · Brumado, BA 26/1/2008 18:45
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Spírito Santo
 

Paulo,

Certo, mas, pelo menos esta é visível, e já inventaram até um antídoto prara resolver a parada: A luta de classes (meio fora de moda hoje em dia, mas, pra quem tem disposião...)

Abs

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 26/1/2008 19:11
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Ize
 

Spírito, não podia imaginar que uma simples perguntinha, escrevinhada no cantinho daquele jornal, fosse resultar numa matéria tão crítica, forte e elucidativa como esta.
Então, no que estava me afligindo (vejo claramente agora que insanamente), estamos combinados: a mestiçagem cultural (expressão que Canclini usa à farta para se referir à interculturalidade mais do que à diversidade cultural) não tem nada a ver com a mestiçagem racial, noção que se contrapõe a de hibridismo. Yessssssssss!
No entanto, ainda não estamos quites. Com relação à teoria de Darwin não comungo de sua "admiração" por ela, pelo menos até que vc me mostre que estou equivocada (já fiz aqui outra perguntinha rsrsrsrsrsrsr). Ela deu margem a teorias do desenvolvimento humano calcadas na idéia do determinismo biológico que são muito perigosas, preconceituosas até. Claro que somos seres biológicos, mas nossa condição histórica, social, cultural, afetiva coloca em xeque a idéia da "corrida dos melhores" que me desagrada muito e que, ao meu ver, entra em choque com a idéia da interculturalidade.
Sou plenamente favorável à equlização social das pessoas, mas não para começar tudo de novo.
"Começar de novo" só presta no plano individual e quando o que está em jogo é o amor.
Bjs

Ize · Rio de Janeiro, RJ 27/1/2008 15:57
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Spírito Santo
 

Ize,

Ué? Mas não foi o Galton (o primo) que tocou as nuances perigosas da teoria do Darwin? Desci o pau nestas idéias desviantes, não desci não?
Realmente, li em algum lugar que o Darwin chegou a considerar estas variantes 'perigosas' que você alude, mas, só encontrei a defesa clara e a prática destes desvios, a partir do Galton (que seguiu o Mendel com suas sementinhas). O Darwin abriu a larga porta sim, mas, não tenho elementos para considerá-lo vilão nesta história (se encontrar elementos me avise que a gente queima ele também)
Bjs

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 27/1/2008 16:28
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Spírito Santo
 

Se bem entendi, não é possível haver Diversidade Cultural sem Interculturalidade e vice versa.

(Mais uma ameaça da diabólica Semântica à fluidez de um papo).
Uma coisa (a diversidade) seria o meio ambiente, a outra coisa (a Interculturalidade) a dinâmica tornada possível neste meio.
Seria isto?

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 27/1/2008 16:45
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Spírito Santo
 

...me ocorreu agora que o problema da Teoria Pura (e suas armadilhas semânticas) é que para cada conceito expresso gera um questionamento, um 'porém' que para ser exclarecido, exige um outro 'porém' desviante. A impressão que se tem é que se está aprofundando a discussão, mas, como saber se é mesmo isto que está acontecendo?
Depois de certo tempo, na maioria das vezes, só um pequeno grupo de iniciados está entendendo ainda do que se está falando porque, as dezenas de 'poréns' ('conceitos-sínteses') transformaram o texto num amontoado de jargões, palavras cifradas, um código inintelegível para os não tem a chave da conversa, o dicionário dos códigos esotéricos criados.
Acho que é daí, deste processo, que a prática de algo (que é o fim em si) acaba não gerando nenhum sucesso ou avanço concreto - quando não nos levam a dar com os burros n'água, como ocorreu com a Eugenia do Galton.
Será?

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 27/1/2008 16:55
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Ize
 

Spirito, tb acho muito arrogante ficar usando este espaço para digressões teóricas. Mas fazer o que, né? SE vc fosse meu vizinho eu tocava sua campainha e estava tudo resolvido. DE qualquer maneira, acho que o overblog nos dá espaço para não restringirmos nossos comentários ao "gostei", "legal" . Este é justamente o barato do site.
Levando em conta seu recado logo abaixo do meu, refaço o meu. De fato, Darwin não tem nada a ver com os propósitos da teoria eugênica de Galton. E nem as teorias do desenvolvimento que eu mencionei se propunham ser eugênicas. É que qdo a gente não está cara a cara, metade do diálogo vai por água abaixo e fica tudo meio confuso.
Ocorre que as "nuances perigosas" da teoria de Darwin, mesmo sem ele querer, foram usadas no caso das teorias evolucionistas do desenvolvimento infantil, por ex, para caracterizar a idéia de que a criança é um "vir-a-ser" ou, que a infância e a adolescencia e a juventude são tempos de moratória, de incompletude e falta. Essas idéias interferem muito na maneira como o campo da educação lida com crianças e jovens e, pór isso, discordo delas. Mas acho que não se trata de queimar ele rsrsrsrsrrsr.
Quanto à relação entre diversidade cultural e interculturalidade, baseada até em Canclini, uma pode existir sem a outra. A noção de multiculturalidade supõe a diversidade, mas não a interculturalidade. SEgundo ele mesmo: " Sob concepções multiculturais, admite-se a diversidade de culturas, sublinhando sua diferença e propondo políticas relativas de respeito, que frequentemente reforçam a segregação. Em contrapartida, a interculturalidade remete à confrontação e ao entrelaçamento, àquilo que sucede quando os grupos entram em relações e trocas. [...] Multiculturalidade supõe a aceitação do heterogêneo; interculturalidade implica em relãções de negociação, cong=flito e empréstimos recíprocos" (CANCLINI, N. G. Diferentes, desiguais e desconectados. Rj: UFRJ, 2005, p.17)
Discordo um pouquinho de vc no 3º comentário, até porque o uso do "porém" é melhor do que o do "portanto", que geraria provavelmente maior inteligibilidade do que se está discutindo, porém sem dar margens a que cada um traga a sua chave.
Graças a Deus, minhas conversas com vc jamais me levam a dar com os burros n'água.
( Se vc não quiser que eu continue a falar que nem uma matraca aqui, não diga mais nada que possa me provocar a continuar. Um "tudo bem" está de bom tamanho rsrsrsrsrsr).
Bom resto de domingo pra vc.

Ize · Rio de Janeiro, RJ 27/1/2008 18:00
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Spírito Santo
 

(acabei de perder um comentário imenso. Cáspita!)

Vamos falar pelos cotovelos sim (até porque, eu nem estava falando, exatamente, do que você falou).
É que a gente queima a mufa para explicar uma coisa e vai se embarafustando, se complicando e, quando vê já está léguas além do caminho que queria seguir. Você veja só: Gastei umas seis ou sete horas escrevendo este post e ainda temos coisas a serem esclarecidas.

Eu penso (e quiz dizer isto no texto), que interculturalidade é uma contingência da vida em sociedade sempre. Os conflitos,' as trocas e empréstimos recíprocos' as 'relações de negociação', etc, aconteceriam de qualquer maneira. A dinâmica da vida humana torna a interculturalidade irreprimível e irrevogável.
Multiculturalidade por sua vez, seria um conceito desnecessário a conversa neste caso, porque seria o óbvio declarado. Estamos falando, o tempo todo, os dois, de interculturalidade mesmo.
Porém...

Nos anos 70, eu usava como base teórica para a pesquisa do Vissungo, o trabalho de um etnólogo marxista (se dizia apenas 'folclorista' na época) chamado Paulo de Carvalho-Neto. A tese se dele se baseva n' O Folclore na luta de classes' e versava sobre os conflitos latentes entre ricos e pobres, aparentes, expressos, em nossa cultura popular. Usando o Carvalho-Neto em nossa pesquisa musical, pude compreender e recolher dezenas de exemplos de textos de canções que falavam de desobediência civil e até rebeliões, por meio de esotéricas metáforas e linguagem cifrada (dialetais, as vezes). tenho dezenas de exemplos disso aí (a maioria textos de Jongo e Congada, bem antigos). O Paulo enumerava também muitos textos de conteúdo francamente racista, geralmente modas de viola nordestinas, afirmando que havia uma dinâmica destes conflitos instalada sempre, nas relações entre ricos e pobres na América latina (sua área de pesquisa, como a do Canclini)
Espécie de Canclini daquela época (para mim) é lembrando do Paulo Carvalho-Neto que eu ouso afirmar que o Néstor (em cujas teses eu vejo um pontinha de teoria marxista, não é não?), chove - luxuosamente, é claro - no molhado em algumas de suas corretas conclusões sobre hibridismo cultural. Nossas disgressões podem ser semânticas sim.
Porém...

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 27/1/2008 19:22
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Ize
 

Não pense que fugi da raia. É que hj estou incapacitada para pensar (mandei um recado pra vc). Volto amanhã ou depois.
Bj

Ize · Rio de Janeiro, RJ 29/1/2008 00:53
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Pedro Monteiro
 

Olá Spirito!
Como sempre, pra lá de espirituoso.
Muito legal.
Só mesmo você rapaz!
Abraços

Pedro Monteiro · São Paulo, SP 29/1/2008 22:27
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Spírito Santo
 

Pedro,
Então? Ser 'espirituoso' é a minha obrigação. Fazer o que?

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 30/1/2008 07:12
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Juliaura
 

Pô, Seo Spírito Santo.
Dona Ize Oswald,
Eu tiro umas feriazinhas por conta desde só o natal e cêis, cariocas da gema, com prainha besta do lado, etc e tal, ficam aprontando essas inteligências por aqui e a gente ainda tem de pequisar pra achar, visitar as casinhas de vocês e eu nem fui no mangá da Ize ainda, embora sei que há.
Estou relendo, Spirito. Me aguarde, que eu acho que estou gostando muito de aprender com vozes diversas.
Beijin, procêis

Juliaura · Porto Alegre, RS 7/2/2008 11:45
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