Um novo modo de fazer campanha

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Tatyana Medeiros · João Pessoa, PB
21/8/2008 · 167 · 12
 

Campanha eleitoral no Brasil é sempre lembrada à moda antiga. Candidatos que iam de porta em porta, entravam nas casas, tomavam um cafezinho e perguntavam sem muita sutileza: “Do que vocês precisam?”. Dentaduras, caixões, óculos, empregos, uma geladeira, ou a humildade suprema de pedir uma cesta básica em troca do tão precioso voto. Hoje o TRE proíbe práticas desse tipo, mas essa cultura, infelizmente, ainda está bastante arraigada no imaginário popular, e em lugares onde a justiça demora a chegar, pode-se dizer com alguma certeza, que essa modalidade de campanha política ainda tenha seus adeptos.
A boa notícia é que o eleitorado brasileiro mudou. Está mais culto, mais consciente, mais informado e mais exigente dos seus direitos, tanto individuais, quanto coletivos. A cada novo pleito, aumenta o número de adolescentes dispostos a perder horas numa fila, em pleno feriado, em nome do bem comum da coletividade e de um futuro mais animador que irá beneficiá-los diretamente.
A tendência das novas campanhas eleitorais, é utilizar de forma cada vez mais direta, um veículo que é barato, abrangente e universal, e que justamente atinge em cheio esse eleitorado mais jovem que está disposto a trabalhar por uma causa, mas que se sente mais a vontade no seu próprio quarto: A Internet.

Colaboração 2.0
A campanha de Barack Obama, candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, já nasceu pioneiro. O site www.barackobama.com , não é apenas um local onde as propostas do candidato aparecem ao lado da foto da família. Interatividade é a palavra de ordem pra quem pretende usar a rede de forma minimamente satisfatória, e a página de Obama cumpre essa determinação de forma tão determinante, que já é apontada pelos especialistas como referência em relação ao que a Internet pode oferecer de benéfico para as futuras campanhas eleitorais no mundo todo.
Segundo a visão de alguns especialistas, a tendência de arrecadar partidários via on-line já chegou ao Brasil, de uma forma mais tímida, é verdade, mas, pelo menos, tateando suas possibilidades e inserindo a idéia do colaborativo no dia-a-dia dos eleitores. No Estado da Paraíba, o pleiteante ao cargo de Prefeito da capital pelo PSB, possui uma página na Internet (www.ricardocoutinho40.com.br) que, além de possuir os itens básicos de uma campanha (notícias diárias sobre o candidato, suas atividades e seus projetos de governo), busca interatividade com o eleitor que tem à sua disposição um canal de comunicação direto com a equipe do seu candidato. Num exemplo bem prático, os internautas já decidiram o nome da mascote da campanha, através de enquete disponibilizada na página, além de criar um jingle no estilo hip-hop que, depois de ser recebido pela equipe, foi decidido que se daria vida àquela música. As contribuições dos internautas serviram de base para um clipe produzido pela equipe do candidato à reeleição, Ricardo Coutinho, com animações da mascote cantando e dançando. Contribuições 2.0. Tudo disponível na internet.
Esse novo eleitorado não está mais disposto a perder horas preciosas assistindo programas de TV que são tão impopulares quanto monótonos. Ele quer ser motivado por uma linguagem que atenda suas expectativas e por um veículo que ofereça a interação que tanto agrada essa gorda fatia da população, e que sem dúvida nenhuma, fará grande diferença nas futuras eleições.

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Sergio Rosa
 

Claro que, como nunca, as eleições desse ano vão explorar mais a tal "interatividade". Só que eu acho que as coisas vão (ou deveriam ir) além de escolher o nome do mascote da campanha. Interatividade é mais do que isso. Muito mais. Para aproveitá-la, os candidatos teriam que se expor mais. E eu acho que poucos estão a fim de fazer isso. A maioria tem muito medo da internet.

O Twitter, que já popularizou tanto no Brasil, poderia ser mais utilizado pelos candidatos brasileiros (como foi nos EUA). Mas a maior parte parece também não querer saber.

Sergio Rosa · Belo Horizonte, MG 21/8/2008 16:21
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Sergio Rosa
 

Pelo outro lado, para quem quer acompanhar a cobertura das eleições fora do horário eleitoral gratuito, há opções como: http://twitter.com/sigaeleicoes e http://twitter.com/trbrasil

Além, é claro, de um número enorme de blogs que vão cobrir cada um a seu jeito essas eleições.

O que não vale é reclamar depois que "a mídia dá sempre as mesmas notícias".

Sergio Rosa · Belo Horizonte, MG 21/8/2008 16:27
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Tatyana Medeiros
 

Sérgio, concordo com você em relação ao Twitter.
E como dizemos por aqui: "Já estou twittada!"

www.twitter.com/tatyanavaleria

Tatyana Medeiros · João Pessoa, PB 21/8/2008 16:35
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victorvapf
 

Acho que voce acredita em Papai Noel! Achar que temos eleicoes livres no Brasil...Nada muda nem nada mudara, somos cavalinos e o arreio e trocado a cada quatro anos, o cavalinho sempre sera o mesmo...

victorvapf · Belo Horizonte, MG 22/8/2008 20:06
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Sergio Rosa
 

Bom, eu não sou cavalinho, não. E se você conhece algum outro sistema melhor do que a democracia....

Quem faz a política são os políticos, mas quem decide pela política é o povo organizado pelo processo democrático.

Sergio Rosa · Belo Horizonte, MG 23/8/2008 12:10
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victorvapf
 

Sergio, me refiro a autonomia politica. Dentro do regime democratico atual existem os regimes mais autonomos e menos autonomos, no que concerne a soberania de um pais...Numa escala de um a dez, diria que estamos em dois graus na escala "Richter" da Soberania dos paises que fazem parte da globalizacao...

victorvapf · Belo Horizonte, MG 23/8/2008 13:53
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Marcos Paulo Carlito
 

Se me permitem entrar na discussão, gostaria de colocar a questão de uma outra forma.
Existe democracia e existe aparência de democracia. A diferença pode ser comparada a uma mulher que acorda descabelada as 5:00 da manhã depois de uma noite de insônia (democracia) e a mesma mulher depois de passar num salão de beleza e tomar um banho de loja (aparência de democracia).

Existe, também por exemplo, a constituição (onde todos os direitos estão reservados), e existe a aparência constituinte (onde, na prática do cotidiano, os direitos não estão nem de perto assegurados). Enfim, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

A questão nevrálgica, diria, é conseguir reconhecer a realidade sem deixar de sonhar com a possibilidade de transformação. O que geralmente ocorre é que as pessoas ou tem uma visão tendenciosamente pessimista (reconhecendo apenas a realidade) e outras, ao contrário, possuem uma visão tendenciosamente utopista (vivendo como se a transformação fosse acontecer mês que vem). Essa dicotomia, penso, poderia ser superada através de uma visão mesclada, onde realidade e sonho pudessem compor um outro universo mental sem que para isso fosse preciso ceder as pressões da corrupção (como acontece com quem vive dizendo: "se eu não faço outro faz no meu lugar") e as pressões da inflexibilidade (como acontece com quem ainda vive sonhos comunistas, por exemplo).

A aceitação da realidade em sintonia com a a necessidade de sonhar, no entanto, carece, a meu ver, de um suporte conceitual que nossa civilização ainda não foi capaz de cultuar. Trata-se de uma mistura de conhecimentos antagônicos que poderiam se complementar: O saber indígena e o saber caipira (que pode dar ao homem a compreensão de sua própria terra e de sua ligação com ela) misturado ao saber científico e religioso (que pode dar ao homem a dimensão do infinito e da fé).

Seria, talvez, uma nova linha de pensamento capaz de embrionar um fenótipo humano realmente globalizado e culturalmente sustentável.

Abraços Guaicuru a todos!!!

Marcos Paulo Carlito · , MS 23/8/2008 21:56
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Zezito de Oliveira
 

Querida Tatyana,
Gostei do texto. Entendo que a discusssão suscitada foi muito boa,agora....o comentário do Marcos Paulo foi de uma inteligencia muito sagaz e deita raizes no chamado pensamento sistêmico ou holistico que espero esteja mais disseminado nos próximos anos. Quem escreve nesta peresctiva é Fritjoff Capra e Leonardo Boff, entre tantos outros. A trilha que escolhi é essa.
Abraço a todos (as) que deram a sua opinião. Com gente como vocês vale a pena navegar por aqui.

Zezito de Oliveira · Aracaju, SE 24/8/2008 11:09
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Fatima Paraguassu/Santa Cruz de Goiás
 

A internet para muitos ainda é um bicho papão.

Fatima Paraguassu/Santa Cruz de Goiás · Santa Cruz de Goiás, GO 24/8/2008 17:37
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Edu Cezimbra
 

Alguém aqui sabe quem é o autor das peças publicitárias sobre as próximas eleições municipais nos Brasils?
Eu gostaria de perguntar ao publicitário se ele percebeu a armadilha que colocou no subconsciente do eleitorado brasileiro como na peça do sapateado, porque se o eleitor "errar" o voto não adianta sapatear depois, porque vai preso...kkkkkkkkkk
Ah é, só de quatro em quatro anos para remover os "maus" políticos, a eleição é um dia apenas e depois,fato consumado, não pode espernear, sapatear, etc...kkkkkk
Uma pérola... que certamente fará rolar de rir os eleitores hermanos da Venezuela, Bolívia, Equador que estão tendo a oportunidade de ir a referendos sobre os seus governos no MEIO do mandato.
Infelizmente, nesta campanha publicitária eleitoral, temos no Brasil os "melhores" publicitários a serviço de uma manipulação espúria do processo decisório, no que podemos chamar de "blindagem" pós Collor para todos os mandatos.

Edu Cezimbra · Porto Alegre, RS 25/8/2008 10:03
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victorvapf
 

A propaganda sobre as eleicoes, sugere tambem que o eleitor do Brasil e estupido, fica ridicularmente dando voltas, cheios de tiques nervosos, jogando para ele, eleitor a responsabilidade de ter uma bola de cristal, para adivinhar que seu candidato exercera um bom mandato... isto depois do nosso governo que esta ai promover todas aberracoes possiveis e impossiveis, como no caso dos mensaloes, dos dinheiros nas cuecas, fora as mutretas das remessas de dolares para o exterior na conta dos "honestos" que passaram pelo "crivo" dos eleitores de outras "eleicoes". Gostaria que tivesse um "referendo" aprovando ou nao este governo, com propagandas livres, nao direcionadas sem engessamento feitos pelo TSE.

victorvapf · Belo Horizonte, MG 25/8/2008 14:09
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SoL-Políticos
 

É pessoal... creio que o uso da internet não será somente como um facilitador no processo comunicacional dos candidatos não. Creio que tornará o mundo mais democratico.

Jirrés
www.comosereleito.com.br

SoL-Políticos · Belo Horizonte, MG 5/6/2009 02:55
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