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Um ponto para o patrimônio histórico

Igreja de Nossa Sra das Mercês, localizada no centro histórico de Porto
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s. fontes · Palmas, TO
30/11/2006 · 177 · 11
 

Lucrecia Bento Filho, a Pretinha, tem 55 anos, é mãe de 12 filhos vivos e avó de 12 crianças. Ela vive com o marido, Manoel Messias, e parte destes filhos e netos em uma humilde casa às margens da TO-050, que cruza seu município, Arraias, e leva à Brasília. Em sua cidade, famosa pelo artesanato feito com a argila branca existente na região, apenas Pretinha e mais um artesão produzem potes de maneira totalmente manual, sem roda de oleiro e com instrumentos improvisados para dar o acabamento. Em sua simplicidade, ela não faz idéia que aqueles potes que aprendeu a fazer aos 8 anos, com a avó índia, integram o rico acervo do patrimônio imaterial brasileiro.

Conheci Pretinha há cerca de quatro meses, quando o presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Luiz Fernando de Almeida, e a superintendente regional do órgão, Salma Saddi, estiveram no Tocantins para visitar duas das cidades mais antigas da região, Arraias (264 anos) e Natividade (268 anos). Pretinha não assistiu à palestra proferida pelos dois, o que é uma pena, pois teria visto o reconhecimento do valor de seu trabalho. “A sociedade precisa perceber e valorizar o que tem”, ensinou Almeida. “Não é um processo que acontece da noite para o dia, vai sendo conquistado aos poucos”, completou. Já Salma tocou em um tema crucial, ao falar da importância de se criar uma consciência de preservação incluindo a educação neste processo, com “o ensino em sala de aula a partir de nossas raízes”.

A noção do quanto é necessário preservar nossas origens, não apenas através de construções históricas como também dos saberes e fazeres populares tem tomado contorno nos últimos anos para a população tocantinense, mas ainda há muito que se fazer. A região, que antes integrava o Estado de Goiás, mantém muitos de seus costumes intactos - como ritmos e danças típicas, festas religiosas e parte de sua gastronomia -, mas sofre com uma “quase obrigação” de se modernizar, por possuir a capital mais jovem do País, construída de forma planejada, aos moldes de Brasília. A proximidade com a Capital Federal também é um paradoxo: ao mesmo que a sua construção levou desenvolvimento à região central do País, também promoveu a mudança de comportamento das comunidades locais, com o abandono de costumes tradicionais e a alteração física de construções de valor histórico e arquitetônico.

Foi o que ocorreu com Arraias, que passou por um agressivo processo de descaracterização do seu patrimônio material, o que impede seu tombamento como patrimônio histórico nacional. Apesar disso, o município nascido com a exploração do ouro ainda preserva um rico patrimônio imaterial, com tradições, histórias, ritos herdados dos escravos e colonizadores portugueses. “A sociedade precisa perceber o que tem, mas não é um processo que acontece da noite para o dia, precisa ser conquistado aos poucos”, disse Almeida procurando a motivação dos arraianos em torno da preservação. “Quando a gente conhece o lugar onde vive a gente cria uma relação de carinho, devemos estar a todo momento reforçando a identidade cultural”, reforçou no mesmo encontro a superintendente da 14ª Regional do Iphan (que atua nos estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul), Salma Saddi.


Esta visita começou um dia antes, por Palmas e Natividade, esta última sendo a única cidade tocantinense tombada como patrimônio nacional justamente porque sua população soube preservar suas igrejas e casarões históricos com poucas interferências. Há outras cidades no Estado com muitas histórias guardadas e que precisam ser registradas e preservadas para as gerações posteriores. É nesse sentido que especialistas da área no Tocantins estão atuando. “O patrimônio já está um pouco dilapidado, devido à falta de uma política de preservação no passado”, explica o historiador Antônio Miranda, que desenvolve projetos de educação patrimonial, entre eles o programa de rádio Heranças.

Apresentado todas às terças-feiras, na rádio comunitária Porto Real FM, na cidade de Porto Nacional (268 anos), a idéia do programa surgiu após uma pesquisa que apontou a necessidade de ações educativas mais efetivas, associadas às palestras realizadas nas escolas da cidade que em 2005 passou por um inventário histórico. “Com essas ações podemos confirmar a eficácia da educação patrimonial”, comemora Miranda, explicando que a receptividade junto ao programa Heranças é boa, e que a prefeitura municipal deverá mantê-lo por sua própria conta a partir de 2007.

Outro município que vem recebendo atenção especial é Monte do Carmo (160 anos), que este ano vem sendo alvo do inventário. Também nascida no ciclo do ouro, com tradições nascidas da miscigenação entre escravos e colonos, esta é uma das cidades que se destacam por preservar suas tradições - como a realização de festas religiosas que congregam vários costumes, entre eles tocar e dançar a sússia, realizar a Caçada da Rainha e seguir o cortejo de congos e taieiras. “Em Monte do Carmo observamos a preocupação das próprias pessoas que fazem a cultura, como os foliões; já em Porto Nacional (distante 66 km da Capital) a preocupação é menor, a influência de Palmas como cidade moderna é muito grande”, compara ele lembrando que a construção da identidade cultural do Estado tem que passar por essas cidades históricas, e para que isso ocorra, a sociedade precisa ser sensibilizada.

Natividade, que hoje é conhecida nacionalmente, é tida como um exemplo de preservação, tanto da arquitetura de seu centro histórico quanto das tradições, e comprova o papel importante a ser desempenhado pela comunidade. “Nada contribui tanto para a degradação de um centro histórico como seu abandono pela população”, completa Antônio Miranda.

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Ilhandarilha

O legal do overmundo é a gente ter notícia de vários cantinhos do Brasilzão! Há muito a ser feito pela preservação da nossa cultura e história. Concordo com o Antônio Miranda: a população precisa ter consciência da sua história e da importância de preservar sua cultura. Para que isso aconteça é preciso uma política educacional/cultural forte.

Ilhandarilha · Vitória, ES 30/11/2006 10:55
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Glês Nascimento

Gostei, acho que serve como fonte de pesquisa sua matéria. Só senti falta de mais fotos.

Glês Nascimento · Palmas, TO 30/11/2006 11:02
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s. fontes

Pretendia colocar a foto da Pretinha, mas o arquivamento de fotos no Estado ainda é precário, não consegui. Vale outra pauta, por sinal!

s. fontes · Palmas, TO 30/11/2006 16:49
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Auro Giuliano

Bacana, eu só discordo da opinião do Miranda, o desinteresse de preservar algumas tradiçoes, sendo que muitas foram perdidas, como os Gongos, em Porto Nacional vem bem antes da formação da capital Palmas, e na opinião de alguns pesquisadores ele se deve pela imposição dos padres dominicanos, que com sua grande força na politica e educação, na regiao, principalmente na figura do Dom Alano, que proibiu a execução dessas manifestações culturais de origem africanas, que foram se perdendo e que hoje alguns grupos tentam resgatar.

Auro Giuliano · Palmas, TO 5/12/2006 12:38
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Antonio Rezende

Também conheci a família que expõe e vende seus potes em forma de abóboras à beira da estrada. Uma criança atendeu a gente, depois de umas boas buzinadas. Dona Pretinha não estava lá, mas hoje está na nossa casa, em forma de energia que se traduz na beleza estética e na força atrativa da peça que adquirimos por um preço bem camarada. Vi a matéria, ainda quando da publicação no JTo.
É isso, Selêucia. Um beijo pra ti.

Antonio Rezende · Palmas, TO 29/12/2006 09:49
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Tacilda Aquino

Nossa, quando conseguir uma foto de Dona Pretinha coloca no avermundo, ainda que seja em outro post. Deu vontade de conhecer figura tão simpática e pitoresca. Ela é com certeza, uma das milhares de caras dos brasileiros anônimos que enriquecem a nossa cultura.

Tacilda Aquino · Goiânia, GO 26/1/2007 21:16
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jjLeandro

Olá, vcs ainda aceitam colaborações no JTO para Causos e Crônicas? Estou tentando mandar uma para a Páscoa, mas dá falha, sempre. Faz tempo que acontece isso. E o e mail é o que está no Arte Vida.
abcs

jjLeandro · Araguaína, TO 27/3/2007 08:12
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s. fontes

Não estou mais no jornal. Procure a Elisangela, creio que o e-mail dela é o elisangela@jornaldotocantins.com.br. abçs

s. fontes · Palmas, TO 27/3/2007 08:54
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jjLeandro

Muito agradecido, Seleucia. abcs e sucesso.

http://jjleandro-jjleandro.blogspot.com/

jjLeandro · Araguaína, TO 27/3/2007 09:02
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s. fontes

Ei, vou lançar um site de gastronomia em abril. Conto com a sua parceria como leitor e participante (vai que além de ótimo poeta e cronista vc tbm é um bom gourmet!)

s. fontes · Palmas, TO 27/3/2007 09:11
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jjLeandro

rsrsrsrsr

Costumo ser um bom glutão. Mas talvez gastronomia com palavras possa ser mais fácil para mim do que gourmet. Tenho no Overmundo uma crônica que penso caberia em seu site, se lá for ter espaço para publicações assim Meu amigo no restaurante

De qualquer maneira, participo das formas que forem possíveis com grande prazer. Não esqueça de me avisar quando for lançá-lo.

Um grande abraço
http://jjleandro-jjleandro.blogspot.com/

jjLeandro · Araguaína, TO 27/3/2007 09:22
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