Embora eu tenha pouca habilidade em esmiuçar os temas que escrevo, percebo que algumas das minhas idéias estão no caminho certo. A prova disso é que dias atrás publiquei em meu blog um texto sobre o massacre da língua portuguesa na internet e me deparei depois com o Bruno Rodrigues falando a este respeito em seu artigo na revista Webdesign (Março/2007) e também no Webinsider, onde é editor.
O uso do português na Internet é quase um segundo idioma e em pouco tempo será possível publicar um dicionário de significados.
Não se pode dizer que todo mundo consegue entender as escritas utilizadas na Internet, onde o som da palavra vale mais do que a sua ortografia, cheias de erros caóticos de português.
Este assunto é observado a tempos, mas a tendência é para piorar já que o número de jovens e adolecentes acessando a Internet é cada vez maior. Sendo estes os maiores responsáveis pela degradação.
É aceitável que a forma de escrita abreviada seja viável em salas de bate-papo, MSN ou outros ambientes de comunicação onde rapidez é fundamental para uma conversa mais dinâmica. Mas em publicações estáticas como os inúmeros blogs que vemos pela Internet, páginas de Orkut e outros, não me convence.
Acontece que o que era circunstancial está sendo utilizado como usual. E cada vez mais as pessoas perdem a prática com a ortografia das palavras...o que já não é tão fácil.
Tamanho é o uso de palavras massacradas, que isto pode se tornar uma ameaça real ao idioma. Espero que ninguém duvide disso, do contrário corremos o risco de ouvir a palavra “você” ser soletrada como “ve” "ce" no Soletrando do Caldeirão do Huck.
O tema é bem polêmico. De um lado, queremos e devemos manter nosso bom português em dia. E concordo contigo, ele vem sofrendo uma mutilação sem precedentes na net. Acho que o problema está na escola mesmo. As pessoas, em geral da nova geração, não sabem escrever corretamente, têm preguiça de ler. Tudo tem que ser rápido, textos curtos, em nome de uma pseudo funcionalidade. Pra mim, também não cola.
Por outro lado, acho que existe uma linguagem informal, simplificada, com palavras resumidas, bem usual, e que acho perfeitamente normal de a gente conviver com ela. Faz parte
desse novo mundo virtual.
Pra simplificar, defendo textos bem escritos, e conversas mais liberadas.
É isso. Um abraço!
Acha-se por acaso, por vezes.
Geralmente, porque se procura.
Vejam o que achei sobre o que vocês acham.
Nos demos por achados,
Sem ser gente que se acha:
(É uma dedicatória a leitores, no livro do Adroaldo Bauer, que apresentei em entrevista exlusiva aqui no overmundo)
"Às pessoas que lêem
Um dia destes, pouco depois de aprontar esta novela, me deparei com uma discussão ainda pequena sobre o futuro da nossa língua escrita estar cedendo lugar para isto que alguns grupos usam ao se comunicar na internet. Alguma gente considerando até que aquele será mesmo o dia seguinte. Quer dizer: o amanhã sem a língua portuguesa. Pior, sem comunicação das próximas gerações com o que já escrevemos em português até aqui.
Perceba, leitora, perceba, leitor, que vingando aquela hipótese, não teríamos mais as vogais, a acentuação tônica, para ficar no mínimo. E tente adivinhar em que língua soariam as consoantes. Não necessita consultar um caingangue, um guarani, um maia, um asteca, um sioux ou um iorubá para saber.
O dia do descanso de Deus é uma novela que se oferece à leitura em Português e tenta ser o mais próxima da língua escrita e falada por estas bandas no milênio passado, antes da ocupação promovida na revolução informatizada, ambientada que está entre os anos 1950 e 1970.
Já foi escrita no século 21, em computador, até com alguma pesquisa pela internet, sim. Aparece como prova de que a ferramenta não exige uma língua própria, no entanto. Naquele período também houve uma gíria local, que a língua incorporou e que tonificou a linguagem e mesmo a escrita. Não foi nem o futuro, nem é passado. Foi viva e criativa. Coexistiu em movimento de superação, conservando o melhor da relação entre o novo e o antigo.
O dia do descanso de Deus não é, então, só uma ação de resistência pela Língua Portuguesa. É também uma experiência minha com você que tem ciência e gosto pela linguagem e vai ler este escrito em qualquer tempo no futuro, em que ambos percebemos não só a importância das vogais, mas a necessidade do efêmero, do perene, do diverso e do comum, do local e do universal.
A novela fala disto também e dos pactos de gente simples sobre amor e honra, ódio e desonestidade. Que existem no mundo.
É uma novela mundana, do milênio passado, mas contemporânea, que pretende um futuro em companhia dos movimentos da Última Flor do Lácio.
O título não quer polemizar sobre o divino ou o sagrado.
É uma homenagem ao dito popular Deus descansa, o Diabo toma conta, quando aconteceriam as tragédias e desgraças, embora muitos resistam a esta idéia e eu não sou quem as confirme, apenas quem as emprestou do povo.
Sou uma pessoa já muito agradecida à leitura que dedicas a este escrito.
Espero, sinceramente, que tenhas da novela toda uma boa experiência.
O Autor"
Não vejo nenhum problema em usar um determinado código num determinado contexto, desde que a adequação exista (o "internetês" pode ser horrível quando não usado entre "iguais" _e certamente me desagrada, mas não o vejo como "ameaça real ao idioma").
De resto, erros gramaticais são corriqueiros mesmo em textos "normais" _aliás, caro Gino, esta sua colaboração também não escapou deles... Abraços.
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