É cada vez mais visível a importância que a cultura assume nos dias atuais. Não é exagero pensar que a cultura é o elemento responsável pelo grande propulsor do capitalismo contemporâneo, que é o consumo. Isto se considerarmos que o que engloba os padrões de vida, o modo de ver o mundo, é, em última instancia, a cultura.
Basta olhar em torno e logo se percebe o papel destacado da comunicação de massa, veiculando cotidianamente a venda de estilos de vida, modos de ver o mundo. Desta maneira, impulsiona a consolidação do habitus de classe dominante cada vez mais como o único possível e sob a égide do qual todos devem viver.
Reside neste ponto o lugar bastante peculiar da preocupação em englobar as ações em cultura no conjunto de ações dos movimentos que criticam o atual estado de coisas. Pensar a ação política no mundo contemporâneo é cada vez mais pensar a diversidade da ação humana e a multiplicidade dos aspectos da vida.
Porém, esta preocupação precisa estar atrelada a uma madura e reflexiva crítica das atuais configurações do jogo social. Enquanto arena de disputa, a cultura é o espaço onde a hegemonia busca se impor e onde as culturas que não fazem parte da casta dominante, ou as culturas populares, resistem, às vezes conciliando, às vezes combatendo, ao processo de dominação da hegemonia.
Pensar na cultura como um campo de disputas significa pensa-la em sua dinâmica, ou seja, na circularidade entre cultura erudita e cultura popular, nas formas como os diversos agentes destas culturas se apropriam dos elementos uns dos outros, re-elaborando os seus usos cotidianos.
Este estado de coisas precisa estar em mente quando se fala na formatação da política cultural do CUCA – entendendo esta como o conjunto de diretrizes conceituais que norteiam a atuação da organização, seus aspectos metodológicos de gestão tanto quanto suas metas e objetivos práticos.
O CUCA da UNE - Centro/Circuito Universitário de Cultura e Arte - surgiu em 2001 com o intuito de diversificar as ações da União Nacional dos Estudantes. Tem hoje doze núcleos estaduais, sendo dez destes Pontos de Cultura (parte do programa Cultura Viva do Ministério da Cultura) e sua ação visa a circulação dos produtos culturais universitários e o fomento a novas formas culturais.
Diante desta configuração da cultura contemporânea, é preciso saber qual o lugar de atuação do CUCA, quais ações devem ser fomentadas, quais padrões estéticos serão adotados, qual linguagem precisa ser fomentada: uma reprodução da hegemonia ou o incentivo às formas culturais que estão fora do eixo do mercado de arte tradicional?
A reflexão sobre esse aspecto peculiar precisa ser feita com cautela. Apesar de ser uma instituição autônoma, suas ações integram o conjunto do movimento estudantil, tanto que é definido como a política cultural da UNE. Seu papel, então, precisa ser aglutinador de diversas formas de pensar e fazer cultural que corresponda à realidade das universidades brasileiras.
Então, chega-se a dois paradigmas principais que estão na base conceitual do CUCA enquanto um projeto cultural: por um lado há uma responsabilidade crítica perante a situação concreta da cultura contemporânea e por outro há o compromisso em ser amplo o suficiente para que não exclua de suas demandas de circulação o que é produzido nas universidades.
O primeiro paradigma refere-se ao que é produzido pelos CUCAs. É referente à estética a ser fomentada pelos Núcleos de Teatro, à linguagem utilizada nos filmes produzidos pelo CUCA, ao tipo de oficina ministrada e principalmente aos produtos delas. Aquilo que cabe ao CUCA realizar precisa ter um compromisso com a visão crítica da cultura contemporânea e ser fomentador de um fazer cultural cada vez mais valorizador das diferenças, da liberdade do conhecimento e do desenvolvimento de novas estéticas.
Inclusive, é este o eixo conceitual que justifica uma parceria entre o Programa Cultura Viva e o CUCA. Tornar os CUCAs Pontos de Cultura não pode ser apenas um fruto da política mais pragmática e sim um efetivo instrumento de ação política e transformação dos padrões culturais vigentes.
O segundo paradigma é aquilo que não deixa o CUCA se afastar das universidades. Mesmo não sendo uma organização representativa dos estudantes que produzem cultura nas universidades, aquilo que oxigena atuação e cria pontos que extrapolem a circulação para além de rede dos CUCAs é o diálogo com estes setores. Portanto, este se liga ao que entendemos como circulação da produção. O CUCA deve ser um espaço para receber as diversas produções, independente de seu compromisso ou não com uma postura mais crítica diante da realidade cultural brasileira.
A perspectiva da antítese entre o que é produzido pelos CUCAs e o que é produzido nas próprias universidades e é circulado pelo CUCA pode ser uma interessante ferramenta para impulsionar discussões sobre a produção cultural contemporânea. Por em contato perspectivas diversas, por vezes antagônicas, é uma interessante forma de ir de encontro à fragmentação contemporânea e transformar as ações do CUCA em modificadoras concretas dos padrões culturais, pelo menos daqueles padrões que estão ao nosso alcance.
oi Aline: acho que seu texto pressupõe que todo mundo que vai ler já saiba o que é o CUCA - talvez fosse bom explicar o que é, como surgiu, quais suas propostas (no que elas diferem de outras políticas culturais do movimento estudantil) antes
outra dica: colocar uma linha em branco entre os parágrafos: ajuda bastante a leitura
e ainda outra dica: você não arruma umas fotos para ilustrar o texto?
mas antes de tudo: valeu pela colaboração! seria bacana que o CUCA incentivasse a publicação aqui no Overmundo!
Valeu pelas dicas, Hermano!! Melhorou agora? Já estou fazendo uma divulgação do overmundo com a galera do CUCA, muito bacana esse espaço...
Valeu!!!
valeu digo eu! esperamos a galera do CUCA por aqui!
Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 9/5/2007 22:06
aline, parabéns pelo texto!
hermano, parabéns pelo overmundo!
precismos mesmo participar mais
abraço
Parabens! Aline
Refletir sobre os modos da produção e fruição da cultura é sempre necessário.
Principalmente, quando é realizado a partir da nossa própria vivência.
Destaco duas questões no seu texto que merecem uma atenção especial:
(...)por um lado há uma responsabilidade crítica perante a situação concreta da cultura contemporânea e por outro há o compromisso em ser amplo o suficiente para que não exclua de suas demandas de circulação o que é produzido nas universidades.(...).
(...)Seu papel, então, precisa ser aglutinador de diversas formas de pensar e fazer cultural que corresponda à realidade das universidades brasileiras. (...)
Abraço,
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