Uma biblioteca Saariana

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Claudiocareca · Cuiabá, MT
15/11/2006 · 168 · 3
 

O caminho da ciência é de idas e voltas como a própria evolução da humanidade. Todos os povos, praticamente, veneram seus ancestrais que um dia tinham contato direto com Deus. O decair de um povo, da sua Era mística ou da sua Era de ouro, marca profundamente a auto-estima desta civilização.

Que dizer então de um povo que é considerado iletrado, sem história e que de repente se vê no meio de uma descoberta extraordinária que pode fazer justiça àqueles que um dia escreveram a sua própria história e buscaram meios de preservá-la.

A África é o berço da humanidade. Ainda não se provou o contrário e os nossos ancestrais sejam Cro-magnon (encontrado na França) ou Neandertal, imigraram de lá. Contudo, a história é européia para nós ocidentais. Européia em detrimento inclusive do Oriente Médio e toda a sua bagagem compartilhada durante o domínio da península Ibérica e das trocas ocorridas durante as grandes navegações.

Hoje, olhando para a África vemos ressurgir do pó um conhecimento adormecido sob séculos de areia saariana. Trata-se de uma descoberta, anunciada pela Reuters e pelo Globo ciência, de 150 mil documentos enterrados em Timbuktu, Mali. Autoridades locais estimam que haja 1 milhão de manuscritos de todas as áreas do conhecimento, astronomia, matemática, rotas comerciais, cartas de amor, filosofia e política.

Este acervo está sob proteção das famílias e vem sendo guardado enterrado e em cavernas para evitar saques durante os sucessivos domínios que lhes foram impostos. Segundo um ditado local citado na reportagem, todas as nações formavam uma fila única e Timbuktu estava a sua frente, então Deus ordenou meia volta e Timbuktu se viu no final da fila. Talvez um dia Deus ordene outra meia volta e Timbuktu possa retornar ao seu lugar de direito. Quem sabe?

A matéria completa pode ser vista no endereço: aqui

Por aqui temos um problema grave de conservação. A biblioteca Mário de Andrade uma das mais importantes do país vem enfrentando goteiras que podem levar por água abaixo grande parte do patrimônio nacional. Inclusive a biblioteca foi alvo de um roubo recentemente. Em setembro foi constatado que três litogravuras aquareladas - de Steinmann, Debret e Rugendas - e um livro de orações de 1501, em pergaminho, estavam faltando no acervo. Isso sem falarmos nos mapas que sumiram da Biblioteca Nacional de maneira assombrosa dado ao tamanho dos originais.

Parte deste roubo foi esclarecida pela policia federal e o rombo era bem maior do que havia sido constatado. De acordo com as investigações, o suspeito Ricardo teria roubado 226 obras, sendo que 142 foram vendidas em leilões. Ele recebeu mais de R$ 48.000 pelas peças. A polícia já conseguiu recuperar 75 peças roubadas, entre elas, 14 livros da biblioteca Mário de Andrade e 49 gravuras do Museu Nacional do rio de Janeiro.

Engraçado é que o laranja, um porteiro desempregado de nome Erivaldo Tadeu tinha em sua casa 61 obras de arte dadas como desaparecidas. As obras valem pelo menos dez vezes o valor do seu barraco. Entre elas estava um mapa das rotas marítimas roubado do Itamaraty e que só existem seis exemplares no mundo.

A matéria pode ser conferida na íntegra aqui.

Conforme pesquisamos a internet ficamos ainda mais assustados com o descaso. Na verdade são milhares de peças furtadas e ainda não recuperadas. Nesta matéria é possível vislumbrar o tamanho do problema que enfrentamos hoje. É muito triste a constatação!

Acho melhor parar por aqui pra não encharcar o meu teclado. Sniff. Sniff. {:-(

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Fábio Fernandes
 

Pois é, às vezes me bate um pensamento que, publicado aqui no Overmundo, pode ser considerado ou uma heresia ou uma bobagem sem tamanho, mas o caso é que a humanidade nos últimos anos tem dado uma importância tão desmesurada à Web como repositório de informações e parece que a importância que se dá à documentação escrita tem caído na mesma proporção. Há algum tempo ouvi de uma pessoa que ter livros de papel hoje em dia é fetiche. Nada mais equivocado, uma vez que ainda não temos leitores de e-books tão eficientes quanto tocadores de MP3, e portanto o livro de papel ainda é necessário. Talvez isso venha a mudar radicalmente nos próximos 20 anos, mas será que precisamos descuidar do que já foi produzido em papel pela humanidade? Fica aqui a questão.

Fábio Fernandes · São Paulo, SP 15/11/2006 11:46
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Claudiocareca
 

Eu sinceramente não acredito tanto nesta substituição do livro, seja por me considerar bibliofilo de mais para querer acreditar nisso, seja por me deparar com um problema sério de arquivo desta memória produzida digitalmente. Se olharmos para trás e vermos os backups feitos naquelas bolachas magnéticas, o que fazemos com elas? Será que os CDs e DVDs vão durar vinte anos, cem anos, mil? Estes documentos(saarianos) têm setecentos anos, né?!

Claudiocareca · Cuiabá, MT 15/11/2006 14:46
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Rafael Monteiro
 

Independente do livro acabar ou não (e eu acho que não vai), o fato é que os documentos roubados são muito valiosos, e não falo apenas do preço: o valor cultural está acima do mercadológico!
Mas aqui no Brasil o descaso é total, mas num país onde tantos passam fome e ninguém mais se choca, o que são uns míseros documentos históricos? Triste Brasil...

Rafael Monteiro · Niterói, RJ 17/11/2006 00:47
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