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Uma Chuva de Cultura em Terras Estrangeiras

Por Pieter Zalis
Chuva castiga a Feira Nordestina de São Cristóvão
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Pieter Zalis · Rio de Janeiro, RJ
3/7/2009 · 2 · 2
 

Por Pieter Zalis, Leopoldo Mateus e Diego Amorim

Não é fácil se adaptar a uma cidade grande como o Rio de Janeiro. O transito caótico, o barulho e principalmente a violência assustam qualquer um acostumado à vida bucólica do interior. E não seria diferente com Leopoldo Mateus. Nascido e criado em Divinópolis, interior de Minas Gerais, Leopoldo mora há um ano e meio no Rio de Janeiro, depois de ingressar no curso de comunicação da UFRJ.

O choque cultural se tornou evidente. Acostumando a morar em casa e passar os fins de semana na fazenda, cavalgando ao som de úsica sertaneja, nosso mineiro foi obrigado a se acostumar a um apartamento no coração de Copacabana e a uma rotina de intensa atividade cultural. Nesse aspecto, Leopoldo afirma que o choque foi extremamente positivo. Cansado do excesso de sertanejo, ele encontrou principalmente na Lapa diversas rodas de sambas que fizeram dele um grande fã desse gênero tipicamente carioca. Porém, ainda faltava algo. Ficava nítido que Leopoldo por mais que já estivesse mais adaptado à rotina carioca, era um estrangeiro nessa cidade. Sendo assim, acreditávamos que ainda era preciso encontrar um lugar no qual Leopoldo poderia se sentir mais à vontade.

Chegando o mês de junho, lembra-se logo das festas juninas. Nós, Pieter e Diego, amigos de faculdade de Leopoldo, vimos nessa festa uma ocasião perfeita para fazê-lo encontrar seu “cantinho na cidade”. Depois de muito pensar, chegamos à conclusão que a Feira de São Cristóvão seria o lugar perfeito para fazer Leopoldo finalmente se sentir em casa. Por mais que não seja nordestino, o ambiente acolhedor e extremamente respeitador das tradições parecia ser o mais próximo do cenário de interior com que estava acostumado.

Nossa estratégia era simples, queríamos mostrar que mesmo na confusão do dia-a-dia da nossa cidade, ainda haveria lugares agradáveis que funcionariam como uma espécie de válvula de escape caso ele cansasse do clima intenso do carioca. Nosso plano estava perfeito. Nada podia dar errado. Porém ...

Uma noite em São Cristóvão

Desde que se chega ao Rio de Janeiro, a Feira de São Cristóvão é apontada como um passeio fundamental e que tem de estar nos planos para ser feito em algum momento. Tinha curiosidade em conhecê-la, mas nunca tinha tomado a iniciativa de ir sozinho ou convidar alguém para que fosse comigo. Quando minha família vem ao Rio, nunca foi um passeio considerado essencial no itinerário.

Eis que então meu amigo Pieter sugere que fossemos até lá em um sábado à noite, em que se estivesse tocando forró. No mês de junho, em clima de festa junina, fomos eu, ele e nosso amigo Diego. Logo no encontro inicial com Diego o prenuncio já não era de uma noite perfeita. Dores nas costas, que se aproximavam do nível insuportável, o incomodavam. Insistimos muito para que ele nos acompanhasse e assim ele fez. Quando chegamos a feira, pagamos a simbólica quantia de 2 reais e entramos em uma experiência bem diferente.

Pessoas de todos os tipos se misturavam no local tomado por barracas e restaurantes que vendiam as mais diversas coisas. Artesanato, adereços de toda espécie, comidas típicas de festa junina e convencionais. Perambulamos por algum tempo entre os pontos em que as pessoas dançavam forró. As pessoas eram realmente dos mais diversos tipos físicos, idades e classes sociais. Assim como em campos de futebol, pelo menos normalmente, o baixo preço cobrado permite essa pluralidade. Um clima simples, informal e gostoso era a marca do evento. A diversão pode ser encontrada nos restaurantes, nas danças, nas barracas ou até em pequenas boates ligeiramente esculhambadas.

Comemos em um restaurante aprazível e bem cheio. A carne de sol é tão gostosa quanto se divulga ser. Banhada por manteiga de garrafa e acompanhada por chopps gelados, petiscamos e conversamos longa e despreocupadamente sobre os mais diversos assuntos. Depois de terminarmos de comer ficamos mais um tempo no restaurante e divagamos um pouco mais. Quando vi uma loja doces resolvi parar. Mineiro que sou, e incontestável apreciador das festas juninas e de seus quitutes, decidi comprar uma cocada. No entanto,não percebi o tamanho do doce que estava comprando. Demorei cinco dias para terminar de comer. Até que estava gostoso.

Logo em seguida fomos tomados de surpresa por uma chuva forte e duradoura que alagou completamente o local. Ficamos uns 20 minutos embaixo da barraca, esperando a chuva passar decidindo o que fazer.Como a chuva não cessava, resolvemos tomar uma atitude contundente para enfrentá-la.No meu caso e no de Diego preferimos o aconchego dos nossos lares. No entanto, Pieter resolveu ficar. Ali a noite terminava para mim.

Enfim, foi uma experiência que, definitivamente, poderia ter sido melhor, se não fossem a dor nas costas do Diego e o clima temperamental da cidade. .Então, por mais que tivessem alguns elementos que me fizeram sentir a vontade como a comida e a simplicidade, ainda faltou algo que tornasse tudo aquilo mais espontâneo e natural. O fato é que aos poucos vou me sentido cada vez mais a vontade e uma coisa posso ter certeza: minhas tardes intermináveis ao som do sertanejo chegaram ao fim.

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Augusto Gazir

Pessoal, gostei. Gostei da troca de narradores, personagem que vira narrador e vice-versa, interessante, boa solucao. Poderiam ter explorado mais na narrativa os percalcos da chuva, ficou misterioso por que Pieter resolveu ficar...

Augusto Gazir · Niterói, RJ 4/7/2009 21:50
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Pieter Zalis

Pieter Zalis · Rio de Janeiro, RJ 5/7/2009 10:29
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