Uma filosofia cristã em Santo Tomás de Aquino
João Everton da Cruz
I - Advertência Preliminar
Antes de começar a fazer qualquer consideração acerca da filosofia de Tomás de Aquino, sinto na dever de agradecer a Deus em forma de prece pela minha existência e, sobretudo, pelos meus amigos da “Philia”. Até momento não sei o que Deus prepara para mim e a que me chamou.
O presente texto, que figura nesse campo da filosofia cristã em Santo Tomás de Aquino, nasceu basicamente das discussões e reflexões feitas pelo Doutor em Filosofia, o Pe. Henrique C. Lima Vaz, SJ.
Além disso, boa parte do nosso julgamento baseia-se da leitura textual das obras do dominicano Tomás de Aquino. A minha concepção parte daí, sem a pretensão de esgotar o assunto, em claro. Quero esclarecer que o que escrevo é algo puramente pessoal, meu. Escrevo, às vezes, para o leitor interessado no assunto e que deseja dialogar a respeito.Este é um texto construído a partir de uma noite de insônia, de música clássica em um cenário de pequeno quarto de apartamento.
1 - Intróito
Escrever de Santo Tomás de Aquino (1225-1274), não é nada fácil. Este é um tema provocativo, um tema sobre o qual quem sabe, não haveria muita coisa a escrever. Mas um tema que eu acho importante é um tema que eu creio ser possível uma reflexão. Sobre ele teremos conclusões, puramente, digamos assim, de caráter histórico, mas tem muita coisa a ver com o nosso presente e com o nosso futuro imediato.
Só podemos escrever da possibilidade de uma filosofia cristã em Santo Tomás de Aquino em pleno século XXI, se nós aceitarmos o que é realmente praticar a filosofia para Tomás de Aquino. É, portanto, uma prática completamente diferente, da prática de hoje, que se vulgarizou nas Faculdades e Universidades, nos centros de Estudos Filosóficos. Enfim, também a prática atual da filosofia no Ensino Médio.
Esclarecemos. Porque a Filosofia pela qual nós praticamos hoje, adquiriu uma autonomia, adquiriu uma especificidade que ela não tinha no sistema teológico-filosófico do tempo de Tomás de Aquino. E a Filosofia de Tomás de Aquino não pode ser separada da Teologia. Ela é organicamente articulada à Teologia. Existe um diálogo entre Teologia e Filosofia. A relação entre a filosofia e a palavra de Deus se manifesta com fecundidade nos artigos da SUMMA THEOLOGIAE de Tomás de Aquino. É a filosofia de um Teólogo. Não desejamos caminhar por essas “veredas”.
Nessa direção, é uma filosofia cristã pela sua própria natureza. Então, a minha introdução vai mostrar como a filosofia em Tomás de Aquino é uma filosofia genuinamente cristã. E, na medida em que é uma filosofia cristã, que aspecto advém para ela, nestes anos do século XXI, uma vez que vivemos numa chamada modernidade Pós-Cristã. Quer dizer que vem depois da civilização cristã ou cristandade, enfim, vivemos num tempo em que o cristianismo como fonte, manancial de idéias, de valores, de crenças, de rumos no campo cultural, diretrizes no campo intelectual – social, recuou para uma posição marginal, periférica na sociedade ocidental.
Para tanto, é possível, ainda, nesta sociedade falar de uma filosofia essencialmente cristã, como a de Santo Tomás de Aquino. E, mais ainda, dizer, provar, ou tentar mostrar que aquela filosofia tem uma mensagem para os seres humanos de uma modernidade Pós-Cristã. Este é o problema que nós colocamos.
2 - Presença de Santo Tomás de Aquino
A presença de Santo Tomás de Aquino na cultura cristã dos tempos medievais e dos tempos modernos, pode ser representada como uma presença a três dimensões. Essas dimensões têm origem comum à própria personalidade espiritual e intelectual de Santo Tomás de Aquino, recentemente estudada pelo Dominicano Jean Pierre.
A personalidade de Santo Tomás de Aquino é unificada pelo teólogo, pelo mestre espiritual e pelo o filósofo em primeiro lugar. Depois, esta unidade se dá pela sua personalidade, esta unidade existencial terá que ser justificada teoricamente. E, foi justamente desta tarefa, que Santo Tomás de Aquino se ocupou durante toda sua vida. Em segundo lugar, vê-se que as dimensões espiritual e teológica ao responderem sobre um plano filosófico e delas são formalmente distintas quanto à natureza, conteúdo e a validez das razões nele expostas. Transmitem a Dimensão Teológica e a Dimensão Espiritual, os instrumentos conceituais que tornam possíveis em termos de saber formalmente elaborado ou de ciência. A inteligibilidade humana e a coerência do Discurso Teológico e do Discurso Espiritual, ou seja, do discurso que fala sobre as verdades da fé e do discurso que fala sobre a vida cristã.
Ora, é preciso que fique bem claro, que Tomás de Aquino foi antes de tudo um Teólogo. Esta sua vocação foi assumida com admirável lucidez e generosidade. E a ela, ele dedicou totalmente a sua vida. Pois, como Teólogo, não só especulativo, mas prático, e agraciado como inegável dom místico que por outro lado, o Santo Dominicano descreveu os caminhos da vida espiritual e por eles avançou o seu itinerário de santidade.
3 - Uniformidade Teológica e Espiritual da Vida e da Doutrina de Santo Tomás de Aquino.
A filosofia de Santo Tomás de Aquino é um componente orgânico do pensamento Teológico Tomástico ou uma das mais bem sucedidas da filosofia cristã. No entanto, a clara visão da unidade com que Santo Tomás de Aquino praticava a filosofia no exercício do seu ministério teológico mostra que podemos legitimamente atribuir, a partir do estudo das suas célebres obras, que ele foi Filósofo, enquanto teólogo e que a sua Filosofia estava arraigado profundamente a sua Teologia.
Segundo E. Gilson, a Filosofia de Tomás de Aquino é uma Filosofia Cristã, na medida em que entendemos a sua autonomia de saber, como uma razão demonstrativa que recebe da ordem teológica, os problemas e por conseguinte, a coerência do seu discurso. Gilson oferece através de sua tese, o tomismo a seguinte estrutura da primeira da parte da SUMMA THEOLOGIAE que se refere a Deus e à Criação e da segunda parte que trata da Vida Moral.
4 - A Filosofia de Santo Tomás de Aquino
A Filosofia de Santo Tomás de Aquino poderá sobreviver no nosso século, sem nenhum problema ou então, poderá ser deixada de lado. Tudo isso vai depender muito de oposições, de mentalidade, de clima espiritual da época e outros fatores, que não dizem se ela vai ter interesse ou não, para os Filósofos ou Filósofas da nossa contemporaneidade.
5 - A razão pensando a razão
No momento em que a razão se torna a forma dominante, a forma por assim dizer, onipresente e abrangente da nossa cultura, ou seja, a ciência empírica, fica algo assim, de vida e de morte. É muito dramático, saber como dar razão a essas razões. Como explicar que a nossa cultura se torne cada vez mais uma cultura racionalizada? Se não se conseguir isto, qual é o destino da cultura? É o domínio da “razão tecnocizada”, como bem disse Habermas: é a sociedade transformada num imenso mecanismo, num imenso corpo de mecanismo, dos quais nós seremos uma peça. Peça importante, não há dúvida. Seremos uma peça condicionada.
6 - Alternativas para todos nós
Recompor, revitalizar, restituir por assim dizer, a face espiritual da civilização. E essa face espiritual da cultura na nossa tradição ela é Bi-Face. Uma delas é a Filosofia e a outra é a Religião. O Papa João Paulo II, em sua Encíclica “FÉ E RAZÃO”, já no-lo adverte com palavras inspiradas: “A fé e a razão constituem como que as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade”. Não tem como escapar desta conclusão. O nosso século será um tempo religioso ou não será ou será um tempo de transformação dos homens em minúsculas peças de um imenso robô que nós chamaremos de cultura. E o outro é a Filosofia. A Filosofia por excelência. A Filosofia que busca das razões para sermos racionais, para usarmos a razão, sobretudo, para usarmos retamente da razão, ou seja, a Filosofia é quem responde este problema. A Filosofia tem que pensar sobre a Vida e a Morte.
II – Bibliografia para aprofundamento
AQUINO, Tomás. SUMA TEOLÓGICA. Trad. Alexandre Corrêa. Porto Alegre, Caxias do Sul, Universidade Federal do Rio Grande do Sul; Livraria Sulina Editora, 1980 (edição bilíngüe).
GILSON, Étienne. A FILOSOFIA NA IDADE MÉDIA. Trad. Eduardo Brandão. São Paulo, Martins Fontes, 1995.
GOFF, Jacques Le. OS INTELECTUAIS NA IDADE MÉDIA. Trad. Margarida Sérvulo Correia. 2o. ed. Lisboa, Gradiva, s/d.
GOMES, Cirilo Folch. ANTOLOGIA DOS SANTOS PADRES: páginas seletas dos antigos escritores eclesiásticos. 2o. ed. São Paulo, Paulinas, 1979.
alô João Everton: o texto é bem interessante (e todo texto que tem coragem de começar com uma prece - não importa sua religião - ou discute as idéias do Pe. Henrique - é certamente interessante). Mas acho que está um pouco deslocado aqui no Overblog, que é um espaço para informações sobre as novidades da cultura brasileira. O Banco de Cultura, na seção de "Textos Não-Ficção" me parece o local adequado para textos como o seu? Você, por favor, poderia tentar a publicação por lá? Abraços!
Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 16/10/2006 19:34
Caro Hermano Vianna, quando alguém escreve algo é com a intenção de que um dia será lido e/ou publicado. Quando publicamos alguma coisa perdemos o domínio daquilo que escrevemos. Não nos pertence mais.
Por outro lado, quero de público pedir perdão, porque enviei o artigo para uma seção que não corresponde ao assunto.
Confesso que ainda sou um neófito no trato com as novas ferramentas da INTERNET. (Blog, Site, E-mail, etc).
Ressalto que a minha habilidade cognitiva só se desenvolve quando aprendo fazendo (o meu corpo incorpora aquilo que penso e faço), mesmo quando este fazer esteja exposto ao público. Deixo o artigo: "Uma filosofia cristã em Santo Tomás de Aquino" a disposição da seção de "Textos Não-Ficção", como você mesmo sugeriu. Em nome da "PHILIA". João Everton
Agora que eu vi o Hermano dando a mesma sugestão que eu dei no seu outro texto. Mas não deixe de publicar este também no Bando de Culktura, só que aqui é tudo na base do "faça-você-mesmo". hehehe E (novamente) não deixe de mandar notícias da vida aí em Feira Nova!
abraço!
ooops, desculpe... Banco de Cultura...
Marcelo Rangel · Aracaju, SE 19/10/2006 20:24
Hermano,
Pode explicar melhor essa questão de colocar um texto ali ou aqui? Porque isso? Qual é o funcionamento dos setores do site?
Os meus textos foram colocados no lugar certo?
João,
Vou votar no seu texto. Não entendo essas coisas de texto ali, texto aqui... Para mim, está bom aqui mesmo!
Abraços
Joâo,
Porque você não vota no seu texto? Acha feio, sem sentido?
Um tanto de gente por aqui faz auto-votação.
Também faço porque concordo inteiramente comigo mesma... Tiro o chapéu para mim... Hahaha...
Acho que se for proibido, indesejável que seja feito auto-votação que os responsáveis pelo site criem mecanismo impeditivos dessa prática.
Ah! Sou do princípio de que votou tem que comentar...não concordou tem que comentar...
Entâo, comento tudo. Piscou o olho, eu comentei...
Estou errada?
oi Cris: o Overmundo tem o foco no debate e a circulação de informações sobre a diversidade da cultura produzida no Brasil, sobretudo suas manifestações que não encontram espaço na grande mídia.Acho que isso está claro no nosso participe, na nossa ajuda, e em várias conversas que já aconteceram por aqui, como esta por exemplo. As seções existem para dar uma mínima organizada na grande quantidade de informações, para tornar os dados mais facilmente encontráveis. Claro que não é uma camisa de força. E como em tudo na vida, essas regras podem mudar... Você acha que devem mudar?
Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 20/10/2006 02:36oi João, outro lugar onde rolou uma discussão sobre a adequação dos textos aos lugares do Overmundo está aqui, vale conferir.
Sergio Rosa · Belo Horizonte, MG 20/10/2006 03:57
Olá Marcelo Rangel, qualquer dia mandarei algumas informações mais detalhadas sobre a cidade de Feira Nova, Sergipe. Por enquanto, informo que é uma cidade situada no sertão sergipano e fica há 114 Km de Aracaju. Feira Nova está próxima do Rio São Francisco (cerca de 36 Km). Também fica próxima ao Estado de Alagoas e Pernambuco e Bahia. Temos 6.203 habitantes. Uma Escola do Ensino Médio. Um Posto de Saúde. Nenhum Banco. Uma Praça. Duas avenidas. Caro Marcelo, é uma cidade pequena e com uma enorme carência educacional. Convido-o para fazer uma visita. Quem sabe no final de ano? A nossa casa é pequena, mas cabe mais um. Sou casado e não tenho filhos. Crio um casal de gatos: Sofia e Tião. Valeu.
Agora é com você CRIS/BH. Eu não sabia que eu poderia votar nas publicações dos meus artigos. Sabe Cris, o mais importante é exercitar a arte de escrever. Gosto de escrever. Por outro lado, estou apreendendo como funciona esta ferramenta da INTERNET. Confesso que está sendo um laboratório de aprendizagem para mim. Acordo com tudo que você mencionou. Mudando de assunto, adoro a sua BH. Morei oito anos nesta cidade cheia de horizontes. Devo muito a Belo Horizonte. Tenho excelentes amigos aí. Um abraço, João Everton
João,
Também adoro ler, escrever, comentar. Voto nas minhas publicações porque aí os outros vêem que estão mais votadas e ficam mais interessados. Hahahaha...
Fora que vou acumulando mais pontos e trabalhando para o meu Karma aumentar, sendo que o peso do meu voto vai modificando...
Meus colegas falam que sou engraçada! Fala cada coisa inesperdada. Você acha?
Curioso você falar que está começando agora nesse meio porque tenho Internet desde 1995. Oportunidades, interesses diferentes, sei lá...
De toda forma, também não entendo muito de computador. "Despisto" um pouco na Internet, no Word, no Excel, no Power Point, no Access e no Paint. Só o básico do básico...
Legal saber que você morou em BH. Você é de Sergipe? Adoraria conhecer Sergipe. Li muito sobre Sergipe no Overmundo e meu interesse cresceu. De repente, nas próximas férias...
Prefiro declinar o convite para ficar na sua casa, na eventualidade de que se estenda a mim... De toda forma, poderemos nos conhecer. Adoraria conhecer a sua esposa também. Deve ser simpática como você.
E, quando quiser vir a BH, dá um "toque", beleza?
Um abraço
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