Uma máquina na mão e os chapéus na cabeça

Divulgação
Castanhal com os seus chapéus.
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Carol Assis · São Paulo, SP
27/1/2007 · 190 · 11
 

Seu nome é Sidnei Silva do Rosário, 26 anos, popularmente conhecido como Castanhal. Logo cedo pega seu skate, a mochila e segue rumo ao centro comercial de Macapá, onde montou uma barraquinha na qual vende modelos diversificados e criativos de chapéus. Seu trabalho é classificado como artesanato industrial e é deste ofício e comércio que vive.

Castanhal é natural de Curupi, cidade que fica na divisa dos Estados do Pará e Maranhão. Ele faz chapéus desde 1998, é autodidata e aprendeu a confeccionar os acessórios quando viu e desejou uma boina 'style' na cabeça de um jovem que passava na rua. A mãe costureira tinha em casa uma máquina na qual, mesmo sem permissão, Castanhal começou as primeiras costuras na tentativa de fazer uma boina como a que tinha visto.

"Eu só sabia dar uns remendos nas minhas roupas, então, ela não gostava que eu pegasse a máquina dela. Mas eu esperava ela dormir e começava a mexer", lembrou Castanhal.

Foi em uma loja de "usados e quase novos" que ele comprou o primeiro casaco velho, que depois de desmontado transformou-se em duas boinas. "Eu terminei a primeira, mas ela ficou parecendo um chapéu de cozinheiro, só dobrando e arrumando um pouco ficava bem legal. Sai com ela na rua e todo mundo comentou que estava 'style'. Daí vendi a primeira e fiz a segunda, vendi também. Depois vi que eu podia ganhar um troco fazendo aquilo e até o rapaz da boina que eu tinha visto trocou o chapéu dele comigo por um que eu tinha produzido".

A boina serviu de molde para as próximas criações: novos modelos de boinas, girassol, cata-ovo (chapéu do Seu Madruga, personagem do Chaves), cartolas e assim por diante.

Sidnei veio para Macapá pela primeira vez em 2000, depois voltou para a cidade de Castanhal no Pará, onde morava com a família. Lá teve oportunidade de fazer cursos de gestão e empreendedorismo no Sebrae e participou de uma grande feira, em Palmas, Tocantins, onde conheceu outros micro-empresários e histórias de sucesso. Retornou à Macapá, em busca do seu e sozinho recomeçou a vida junto à sua inseparável Pedrita, ou Pedra Velha, a sua primeira máquina de costura.

"Eu comecei a ganhar uns clientes, graças ao meu esporte, o skate. Mas depois comecei a vender pra várias pessoas. Cada um que compra um dos meus chapéus é um manequim que saí por aí. E quando alguém pergunta, a galera que me conhece indica o trabalho".

Atualmente nosso protagonista trabalha em sua barraca em frente ao prédio onde antes funcionava a loja Pernambucanas, vende uma média de 15 chapéus por dia quando há dinheiro circulando e diz que o principal público são os jovens que preferem os chapéus de rap ou os de estilo 'regueiro'. As mulheres adultas gostam dos girassóis e os homens das boinas italianas.

Mas não termina por aqui, o Castanhal, digo Sidnei, é cheio de história. "Outro dia roubaram a minha mochila com tudo dentro, daí resolvi que eu mesmo ia fazer uma nova pra mim, passei o dia quebrando a cabeça até que ficou pronto. Saí com ela na rua e já tenho algumas encomendas". Eu mesma acabei encomendando um mochila depois.

Castanhal diz que a coisa mais importante que aprendeu foi confiar em seu talento e encarar os tombos não deixando a peteca cair.

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Vitória Maria
 

Carol parabéns. Me fascinam estes protagonistas da vida, que exalam uma vitalidade e brilham aos olhares especiais. Parabéns!

Vitória Maria · Suíça , WW 26/1/2007 16:23
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Sergio Lima
 

Interessante ver o Brasil Profundo trabalhando!

Eu tenho orgulho de ser brasileiro!

Sergio Lima · Rio de Janeiro, RJ 27/1/2007 11:21
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Carol Assis
 

Valeu Galera. Bacana mesmo foi ver a felicidade do castanhal com a matéria. :)

Carol Assis · São Paulo, SP 27/1/2007 11:37
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Higor Assis
 

Bacana mesmo é saber da nossa diversidade, parabéns pela matéria e por mostrar para nós aqui em baixo (SP) o quanto é bom saber sobre vocês ai de cima (PA).

Higor Assis · São Paulo, SP 29/1/2007 09:20
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Bárbara Copque
 

Belo texto e ótima pauta!!!

Bárbara Copque · Rio de Janeiro, RJ 29/1/2007 11:25
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Sergio Lima
 

Meio fora do tópico... mas Higor, nós aqui do sul-sudeste é que estamos em cima e o pessoal do norte-nordeste em baixo.
Sul está em cima :-)

Sergio Lima · Rio de Janeiro, RJ 29/1/2007 12:11
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PauloZab
 

O que é massa no overmundo é isso, você encontra figuras do seu dia a dia em forma de notícias interessantes e com isso o trabalho deles se valoriza bastante.

PauloZab · Macapá, AP 29/1/2007 12:48
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Waleska Barbosa
 

Palmas! Palmas!

Waleska Barbosa · Brasília, DF 29/1/2007 14:17
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Anna Beatriz
 

Aii que legal Carol, vc falou de algo que a maioria das pessoas devem achar tão comum é insignificante. Muitas pessoas devem passar por ali todos os dias e nem olhar para o Castanhal e nem para o seu trabalho, outros devem passar olhar e nem prestar atenção verdadeiramente no trabalho dele por estarem ocupados demais olhando as vitrines de lojas maiores e não para uma barraca , mas tbm tem àquela galera que realmente curti , admira, reconhece e divulga o trabalho dele , isso é muito legal...

Anna Beatriz · Macapá, AP 1/2/2007 13:24
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Adriano
 

Grande brother. Valeu.

Adriano · Macapá, AP 4/4/2007 10:07
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Allan Costa
 

heheheh... meu, quem diria! Baé! assim ele era conhecido quando andavamos em castanhal, todos o conhecia como baé! o cara exemplo de batalha pra todos nós que andavamos de skate na cidade, quando nos vimos pela ultima vez, eu queria trazer ele pra são paulo pra ganhar uma grana, queria dar uma força pra ele!. que bom que ele ta bem! não tivemos mas contato, fui embora de castanhal tbm, moro em sampa agora! Baé! tudo de bom pra ti cara! fiquei surpreso e feliz em ver essa materia! ae galera da Overmundo...parabens!

Allan Costa · São Paulo, SP 22/5/2008 16:33
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