Uma tarde com o encanto de Adélia Prado

Cida Almeida
Adélia Prado durante palestra sobre o sagrado e a poesia, ocorrida em Goiânia
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Cida Almeida · Goiânia, GO
25/3/2007 · 375 · 24
 

Hoje resolvi futricar em uns textos antigos e eis que esbarro neste registro pra lá de emocional de um encontro com Adélia Prado, ocorrido em Goiânia, se não estou equivocada no dia 26 de maio do ano passado. Foi um dia de alegria para o meu coração devotado à poesia da borboleta pousada Adélia Prado. Aliás, a primeira vez que a poesia de Adélia soprou no meu ouvido foi com um verso dito por um amigo, lá no começo da década de 80, como uma frase solta que me possuiu irremediavelmente: “Uma borboleta pousada. Ou é Deus, ou é nada”. A pontuação do verso nem é a que registro na frase. Fato é que este verso me acompanhou desde então e me levou de mala e cuia à poesia de Adélia.

Mas como eu ia dizendo, aquele dia foi de alegria para o meu coração. Primeiro que tinha tudo para ser mais um de correria em meio às urgências do trabalho e da vida, não fosse o fato poético Adélia Prado. Fiquei sabendo da vinda dela a Goiânia pela jornalista Tacilda Aquino, que tenho tido o prazer de ler aqui no Overmundo. Mas como era um acontecimento sem alarde na imprensa, esqueci o assunto, e no final da manhã do dia 26 recebo um telefonema da minha amiga dizendo que estava saindo para uma entrevista com Adélia. Mais que depressa me ofereci para acompanhá-la e também fotografar, claro.

Adélia chegou acompanhada do marido (o Zé que já conhecemos pelas aparições em muitas histórias da escritora), por volta de meio dia. Em seguida almoçaria na Paróquia São Francisco com Frei Marcos, autor do convite para a palestra da poeta sobre o sagrado e a poesia para futuros padres. No começo fiquei meio que intimidada pela energia de Adélia. E numa pequena sala do Instituto de Filosofia e Teologia de Goiás (IFITEG), pouco iluminada, fiz o que pude dentro das minhas limitações de fotógrafa amadora para captar um pouco do que via e sentia pelo olho mágico da câmera. Uns gestos, umas expressões e uma energia bem conduzida pontuando a entrevista, a fala saborosa de Adélia. Também contou que foi ao Mercado Central de Goiânia para sentir a alma das pessoas do lugar e que gosta desses pontos de muvuca, onde a vida acontece sem os artifícios da homogeneização dos shoppings.

E eu só ouvido e clicks. A princípio cautelosos, os clicks foram ficando frenéticos numa perseguição ao gestual da intrépida Adélia. Eta mulher ligeira, meu Deus! Depois, claro, o autógrafo de Adélia no livro Quando Eu Era Pequena, um cobiçado luxo na estante que passou antes pelas mãos da minha sobrinha caçula. Lamentei também não ter levado para autógrafo os outros livros que tenho de Adélia, com as marcas de todas as impressões de leitura a lápis. À tarde, na palestra, completamente benzida pela magia do encontro com Adélia, deliciei-me com a fala cheia de atitude da poeta mineira, ágil como uma formiguinha lava-pé.

As impressões do momento mágico estão no texto a seguir. Penso que vale a pena dividi-las aqui, com algumas imagens.




A borboleta pousada



A única coisa que faltava para completar o encanto de uma tarde de maio com as palavras de Adélia Prado, ao vivo e a cores, aconteceu: choveu em Goiânia. Benditas as palavras de Adélia, bendita a chuva, ambas com o toque do sagrado. E que mulher enérgica, esperta e afiada como uma formiguinha lava-pé (e olha que em sua fala notei que ela fez umas três referências a formigas), dessas que não deixa a gente esquecer onde ela tocou. No caso de Adélia, sempre o coração. Suas palavras ficam ali, formigando, ardendo, despertando, enlevando... Além das palavras, prestei muita atenção aos gestos da poeta mineira – que ganhou o mundo com os pés fincados na sua aldeia Divinópolis -, que já havia me encantado com o toque sagrado das suas palavras. A bela imagem cristalizada pela palavra poética de Adélia, que pairou como uma revelação na minha alma, é a da borboleta. “Uma borboleta pousada, ou é Deus, ou é nada”. Essas palavras pintam divinamente o que há de sagrado na entrega de Adélia à poesia e dentro de mim ressoa como um mantra, cada vez que leio, cada vez que balbucio, e sinto a borboleta também pousada dentro de mim, como um afago da mão de Deus, me pedindo para ser inteira, em tudo quanto sinto, sonho e faço.

Fiquei também encantada com o despojamento de Adélia, que declarou ter recebido como um presente o convite do Frei Marcos para fazer uma palestra sobre o sagrado e a poesia para jovens e futuros padres e missionários, na comemoração dos 25 anos do Instituto de Filosofia e Teologia de Goiás. Assistiu sentada na platéia a apresentação cultural de crianças, contando causos, e uma encenação teatral de um jovem frei. Gostei da “pregação” de Adélia, uma devota que entende do riscado dos rituais da Igreja Católica e do arrebatamento da linguagem poética. Segundo ela, sagrado e poesia são como dois braços de um mesmo rio, emanando da mesma fonte divina.

Mesmo no momento de maior impaciência, segurou-se na delicadeza mineiríssima para colocar um ponto final na leitura de um longo perfil que os organizadores do evento prepararam, desses com as preciosidades de um minucioso currículo vitae da escritora. Mudou o tom e a prosa para uma conversa com a platéia. Expôs o que sentia e como via esse registro que permeia sagrado e poesia. De forma bem humorada e lúcida, cativou a todos com sua prosa, a leitura de alguns trechos de poesia, suas e de Drummond. Com sinceridade à flor da pele e dos gestos, respondeu perguntas da platéia e de escritores.

Esgrimista tarimbada com as palavras, várias vezes disse não ter compreendido a pergunta. “Quando não dou conta de responder alguma coisa, leio um poema do Drummond”. Anotei a fórmula. Outras, nem chegou a responder, dizendo simplesmente que não sabia. Mas o bom mesmo foi vê-la responder as perguntas diretas da platéia, dessas sem qualquer traço de intelectualidade. Erótica é a alma, como é esse negócio? E Adélia explicou para o deleite da gente. O corpo sem a alma é nada. E quem sentiria prazer com um corpo morto, sem alma, é necrófilo. E doença é outro departamento.

Sem mística, Adélia se expôs e se abriu em abraços e sorrisos com todos que a procuraram para autógrafos, com livros trazidos da estante de casa - que os leitores carregavam como tesouros -, e muitas fotografias. Senti não ter levado para autógrafos Cacos para um Vitral, Coração Disparado e Bagagem. Mas pela manhã, na entrevista, completamente entretida com a agilidade dos gestos de Adélia fugindo à perseguição dos meus clicks, tive a oportunidade do seu autógrafo com a expressão sincera de um “tomara você fique amiga de Carmela”, a personagem de seu mais novo livro, Quando Eu Era Pequena, o primeiro infantil com cheiro de memorial da poeta.

À tarde, durante e depois da palestra, gastei o memory stick da minha Sony na tentativa de capturar nos gestos a essência de Adélia. Gostei do resultado, embora pudesse ser mais, muito mais. O encanto de Adélia é ser ela a borboleta pousada com o encanto de sua poesia na nossa alma.

O pouco domínio técnico que tenho sobre a máquina fotográfica, um computadorzinho cheio de botões e recursos amplos – mas estudou lutando bravamente para superar essa deficiência –, me deixou com uma fisgada dolorida na alma por não ter conseguido captar a ligeireza dos gestos de Adélia, uns tão sensuais... Que exuberância de gestos, leveza, sensualidade, num simples tocar os cabelos e virar a cabeça... Cena digna de película. Realmente dona Adélia, erótica é a alma; e todas as palavras ditas e escritas com alma.

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Marluce Freire Nascasbez
 

Cida Almeida,

Quanta beleza nessa tua matéria!


Acredito que estive nesse lugar de certa forma, vivendo esse momento. Pois em teus escritos "paisageias" todo acontecimento no qual senti-me presente!


Marluce

Marluce Freire Nascasbez · Carnaíba, PE 22/3/2007 23:08
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DaniCast
 

Gostei muito. Bem escrita e emocionante. Eu adoro Adélia Prado, fiquei encantada. Obrigada por ter nos contado esse "causo" delicioso.

DaniCast · São Paulo, SP 24/3/2007 22:39
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Elaine Fonseca
 

Que delícia seria recebê-la aqui em Salvador. Adoraria vê-la pessoalmente e escutar suas palavras. Obrigada, Cida, pela matéria!

Elaine Fonseca · Salvador, BA 25/3/2007 12:58
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Felipe Obrer
 

Cida, a tua versatilidade me surpreende. Tua sensiblidade já tinha percebido antes.
Abraço e parabéns

Felipe Obrer · Florianópolis, SC 25/3/2007 13:18
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Fabiana Mesquita
 

Muito bom! Admiro Adélia Prado desde os onze anos, é uma vida de encanto...

Fabiana Mesquita · Rio Branco, AC 25/3/2007 14:42
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peninha
 

Cida,
Adelia Prado é a personificação do encantamento. Guimarães Rosa deve ter antevisto sua existencia quando proferiu que "as pessoas não morrem, ficam encantadas". No caso de Adelia (vida longa a ela) o encantamento veio antes, não resistiu.
Acho que sua Divinópolis deveria ser chamada de Divina-pólis pois abriga um ser especial, iluminado e iluminador.
God Save the Queen!!!

peninha · Butão , WW 25/3/2007 14:45
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Saramar
 

Cida, que lindeza!
Devo confessar que me rói a inveja (mas não se preocupe, é boa!)
Sou daquelas que lêem Adélia com reverência máxima.

beijos

Saramar · Goiânia, GO 25/3/2007 18:13
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Pepê Mattos
 

A alegria contagiante no texto ultrapassa a fronteira do virtual e conclama a todos a também conhecer - para aqueles que não o tinham feito até então - a obra de Adélia Prado. Eu me incluo entre esses que nunca se deram ao trabalho de ler Adélia. Ai, que inveja (e não se preocupe, de novo!!) dos que conhecem a obra dessa doce senhora.

Pepê Mattos · Macapá, AP 25/3/2007 23:09
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Bia Marques
 

Cida... esse teu verbo é luz e serenidade, sempre!

Bia Marques · Campo Grande, MS 25/3/2007 23:36
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Dora Nascimento
 

Oi Cida,

Que belo encanto esse de estar próxima a Adélia Prado, uma borboleta pousada na poesia.
Lindo o texto, chega deu prá sentir o pousar das palavras como se a memória fosse minha também.
Beijo e obrigada por pousar a Adélia em prosa tão boa.

Dora Nascimento · Olinda, PE 26/3/2007 08:56
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Adroaldo Bauer
 

Teu relato declaração de amor ao poema de Adélia e a ela toca o o coração e emociona a razão
Agradecido, Cida.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 26/3/2007 09:21
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leandroDiniz
 

ótimo texto! ótimo, embora conheça pouco dela, muito pouco mesmo, fico com um verso, que está no meu texto "sobre vontade e desejo “Eu não quero a faca e o queijo, eu quero a fome”. de uma simplicidade brutal e quao lindo!! belo texto

leandroDiniz · Niterói, RJ 26/3/2007 09:44
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Roberta Tum
 

Ah Cida, adorei! O prólogo e o texto propriamente dito. Vou correndo ler Adélia...! rs
Beijo

Roberta Tum · Palmas, TO 26/3/2007 10:31
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FILIPE MAMEDE
 

Relato bacana. Não conheço a poesia dela, mas fiquei curioso.

FILIPE MAMEDE · Natal, RN 26/3/2007 10:35
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Pedro Vianna
 

Tua declaração de amor em si já é um poema...

Pedro Vianna · Belém, PA 26/3/2007 10:37
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André Gonçalves
 

linda matéria, linda adélia.

André Gonçalves · Teresina, PI 26/3/2007 11:33
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Nivaldo Lemos
 

A escrita das borboletas

Que beleza de texto e de fotos, Cida! Um declaração de amor a Adélia Prado, uma das maiores poetas do Brasil e mineira prenhe de horizontes, campos e prados, onde moram borboletas e poemas. Em seu texto vislumbra-se um Adélia tão íntima de Deus, que não poderia ter nascido não fosse em Divinópolis (ou talvez em Goânia) e não fosse ela poeta, capaz de dizer coisas como "(...) Quero comer o mundo e ficar grávida, virar giganta com o nome de Frederica, pra se cutucar na minha barriga e eu fredericar coisas e filhos com a cor amarela e roxa, fredericar frutas, água fresca, as pernas abertas, parindo. Por dentro faço mel como colméias, põe tua língua no meu favo hexágono" –que ela escreveu em Solte os cachorros (Ed. Nova Fronteira, 1979), mas que – juro – pode-se ouvir perfeitamente no seu texto (e – por quê não? – em suas fotos), ambos feitos com a mesma matéria-prima que gerou a alma erótica da borboleta Adélia. Parabéns. Bjs.

Nivaldo Lemos · Rio de Janeiro, RJ 26/3/2007 12:35
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Natacha Maranhão
 

Palmas pra você, Cida! E pra Adélia, sempre, sempre...

Natacha Maranhão · Teresina, PI 26/3/2007 14:17
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jjLeandro
 

Belo texto. Muita sensibilidade poética e encanto por quem sabe que há autores que são eles mesmos essência poética.
abcs

http://jjleandro-jjleandro.blogspot.com/

jjLeandro · Araguaína, TO 27/3/2007 08:19
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Darlan
 

No começo da década de 80, lia eu o livro Bagagem. Era um sábado de manhãzinha, e me foi dando um crescendo, até que fui para a Rodoviária, e embarquei para Divinópolis (Rua Ceará). A Família Prado estava num sítio, segundo me foi dito por vizinhos e amigos. Dormi na cidade. No domingo eu lhe levei um livro bilíngue, ilustrado, de luxo, sobre o Aleijadinho, publicado pelo Governo de Minas Gerais. Deu-me exemplares autografados de O Coração Disparado e Cacos Para Um Vitral.
Sempre me refiro a isto, ciente da alegria inesgotável da Adélia, por seu generosidade. É, verdadeiramente, uma mulher sã.

Parabéns, CIDA ALMEIDA, pelo excelente texto.

Darlan · Belo Horizonte, MG 27/3/2007 10:16
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Cida Almeida
 

Ah, meu Deus, estou boba! Como agradecer tantos comentários, tantas manifestações assim a um texto que tinha como única pretensão registrar, embrulhar com palavras um momento mágico de encantamento para dias de futuro e de confesso que vivi? Mas Adélia explica. Esse é o seu encanto, basta uma aparição, uma frase, uma fagulha que seja para que aconteça o incêndio do encantamento poético que aquece o coração. É a magia da borboleta pousada.

E a poesia de Adélia é sempre aquele salto (sobressalto) para a alegria de existir, planando dentro da gente, com um fogo e lição essencial de que "dor não é amargura"... “Queria lamuriar-me, erguer meus braços tentada/a pecar contra o Santo Espírito. /Mas a vida não deixa. E o discurso/acaba cheio de alegria”. E em Fluência: "Eu fiz um livro, mas oh meu Deus, /não perdi a poesia”. E amém!

E a melhor forma de agradecer é com a poesia da própria Adélia, para aguçar ainda mais a fome de leitura de todos nós, na maioria das vezes necessitados desse retorno ao sagrado da poesia, ao sagrado da vida e da beleza. Que mais pessoas descubram a poesia essencial de Adélia.

E o reverso da medalha, o feminino, um contraponto perfeito ao anjo torto de Drummond... Com licença poética de Adélia, as mil faces de Eva.




Com licença poética

Adélia Prado


Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.



Beijo grande a todos.

*** Darlan, que tal contar pra gente a magia desse seu encontro com Adélia? Fiquei muito curiosa.

Cida Almeida · Goiânia, GO 27/3/2007 11:19
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Nivaldo Lemos
 

Beleza, Cida.

Nivaldo Lemos · Rio de Janeiro, RJ 27/3/2007 11:27
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Adroaldo Bauer
 

Assim agrade_Cida,
Mais ainda iluminas este bom momento iniciado
de Adélia Prado.
E que a luz que ora brilha
Seja também tua estrada para além das delicadas
lembranças por ti despertadas.

Por mim, sou quem agradece... Cida

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 27/3/2007 11:43
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Darlan
 

CIDA,
é um convite e tanto, tentação pouca é bobagem... Àquela época, eu começava a escrever Poesia, e nem me lembro mais se levei a ela (Adélia Prado) algumas das primeiras tolices... hehe.

Abraços.

Darlan · Belo Horizonte, MG 29/3/2007 07:10
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