"...Primeiro passo é tomar conta do espaço
Tem espaço à bessa
E só você sabe o que fazer do seu
Antes ocupe. Depois se vire..."
(Torquato Neto)
Pronto! Ocupamos! E é nesse espírito que viemos aqui contar um pouquinho da história do CUCA São Paulo. Mas antes é preciso dizer que nossa ocupação é diferente. Diferente porque o lugar que nos instalamos não estava vazio ou improdutivo. Pelo contrário! A partir de agora vamos dividir com as entidades estudantis (UNE, UBES, UEE-SP e UPES) um espaço que é palco de uma efervescência política, referência para o movimento social e para sociedade brasileira. Agora, a histórica e lendária sede da Rua Vergueiro vai ser também um pólo de cultura e arte. Isso mesmo, o Centro Cultural Gianfrancesco Guarnieri, começa a ser construído com alicerce sólido.
Bem, voltemos à nossa história... Há quatro anos nascia o espaço CUCA São Paulo, a primeira experiência e uma grande vitória do nosso movimento, um ponto de encontro de grupos do cenário artístico paulistano, de coletivos, de estudantes e de uma galera disposta a pensar cultura nas universidades. No Centro Esportivo e Educacional Raul Tabajara, charmoso espaço planejado por Mário de Andrade, demos vida a oficinas, rodas de samba, peças de teatro, mostras, seminários... Mas aí o Sr. José Serra, talvez apostando no nosso enfraquecimento, ao entrar na prefeitura, tomou a sede do CUCA. Então, fomos dividir um novo espaço com a companhia de teatro Vento Forte, e lá continuamos com uma programação voltada para o diálogo e para a produção cultural, até que mais uma vez tivemos que deixar o local em nome da política de Serra, marcada pela rejeição e descaso com a cultura e com a arte.
Durante esses anos, o CUCA virou Ponto de Cultura, integrando uma grande rede articulada entre as mais ricas manifestações culturais do Brasil, deixou sua marca nas Bienais de Cultura e participou de diversas outras atividades da UNE, como as Caravanas da Reforma Universitária e Paschoal Carlos Magno. Esta última percorreu 15 estados brasileiros consolidando o Circuito Universitário de Cultura e Arte. Foram grandes os desafios pelos quais os cuqueiros passaram. Hoje, entramos numa nova fase e novas demandas aparecem.
A construção do Centro Cultural Gianfrancesco Guarnieri está a todo vapor. Aos poucos, a sede da UNE começa a ganhar uma nova cara. Pensamos uma estrutura que atenda às nossas necessidades. Tenda e palco para abrigar as apresentações, estúdio com tecnologia para gravações de áudio e vídeo, ateliê coletivo e bliblioteca.
A partir daí, o CUCA São Paulo volta a ser ponto de encontro, espaço que prioriza o diálogo entre velhos e novos cuqueiros, artistas, estudantes, intelectuais, comunidade... um local de valorização da diversidade cultual típica da terra da garoa.
Queremos em nosso Centro um pedacinho do CUCA de Recife, do Araguaia, de Manaus, do Rio de Janeiro, de Porto Alegre, de todos os outros que já existem e dos que estão por vir. Queremos conversar e trocar idéias com outros Pontos de Cultura. Queremos que pelo CUCA passe o rap e o repente. Queremos também que ele seja um espaço de resistência, de ebulição artística, que pense cultura e que continue com a marca da eminência política. Enfim, queremos muita coisa e não abrimos mão de construir o nosso Centro Cultural em conjunto com todos que consideram relevante a cultura como elemento necessário para nossa transformação social.
Entrem! A casa está com a porta sempre aberta.
Grande Vaness!! Acho que o texto tá super bacana, nem precisa de edição... Vamos incentivar a galera a publicar mais coisas...
beijossss
Muito legal, Vanessa!!! Continue escrevendo!!!
Talitha Accioly · Recife, PE 15/5/2007 13:18
Queria um CUCA aqui em Aracas.
Parabéns pela conquista, pelo texto e pela colaboração.
abs
gente, ficou um "a bessa" com "ss" la em cima. Nao eh com cedilha?
Roberto Maxwell · Japão , WW 15/5/2007 22:16
aline... valeu! vamos mesmo incentivar o povo do cuca a produzir mais para o overmundo
talitha, obrigada... podexá, continuarei hehe
mara... bora se mexer pra criar o cuca sergipe? obrigada pelo seu comentário.
roberto... quando escrevi fiquei com essa dúvida. na verdade a beça tb tá certo, mas originalmente a palavra era com ss. hj, as duas formas são aceitas, veja o que encontrei. valeu!
"À bessa. – O mesmo que abundantemente, com fartura, de maneira copiosa. A origem do dito é atribuída às qualidades de argumentador do jurista alagoano Gumercindo Bessa, advogado dos acreanos que não queriam que o Território do Acre fosse incorporado ao Estado do Amazonas. Rui Barbosa, que se demitira do cargo de ministro plenipotenciário, quando da negociação do Tratado de Petrópolis, por se opor às diretrizes de Rio-Branco, aceitara advogar a causa do Amazonas e chegara, inclusive, não só a propor ação judicial, mas ainda a apresentar no Senado Federal projeto que mandava incorporar o Acre àquele Estado. O advogado contrário, Gumercindo Bessa, apresentara argumentos tão esmagadores e tão numerosos em favor dos acreanos, que logo se tornou figura respeitada nos meios forenses. Conta-se que certa vez um cidadão procurou o Presidente Rodrigues Alves para pleitear determinados favores e com tal eloqüência expôs suas idéias que o ilustre estadista teria observado: – O senhor tem argumentos à! Bessa ... Com o tempo, a maiúscula de Bessa desapareceu. Entre os autores que registram essa origem da popular expressão se destacam Rodrigues de Carvalho, na "Revista Nova", n. 6, de abril de 1932, e Aires da Mata Machado Filho, no livro "Escrever Certo", 1.ª Série."
ótima a citação do piauiense torquato.
e cuca fresca pra vocês.
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