"Uso maconha como terapia", diz Ney Matogrosso

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Tiago Agostini · São Paulo, SP
18/5/2008 · 112 · 2
 

“Detesto aqueles Photoshops que deixam todo mundo igual, com cara de plástico.†Sem vergonha das rugas e dos efeitos da idade, Ney Matogrosso ainda simboliza, aos 66 anos, as máximas do rock’n roll: atitude, provocação e quadris. Em meio à turnê de seu show Inclassificáveis, o artista recebeu a reportagem da revista Rolling Stone (www.rollingstone.com.br) e abriu o peito para falar sobre absolutamente tudo: drogas, homossexualismo, a relação conflituosa com o pai, AIDS e reviu seu namoro com Cazuza. “Ele foi um dos três grandes amores da minha vida. Eu tinha muito medo de relacionamentos. Com ele vi que era possível um relacionamento além do sexoâ€, conta. Esta foi a primeira seção Entrevista RS produzida no Brasil desde o lançamento da revista, em outubro de 2006.

Por incrível que pareça, Ney tomou conhecimento sobre o homossexualismo na Igreja Católica, quando fez a Primeira Comunhão. “Ao me confessar, o padre logo perguntou: ‘Você já fez saliência com as meninas?’ Eu disse que não e ele emendou: ‘E com meninos?’ Então me perguntei ‘E pode?’â€. Mas sem fazer nenhum julgamento do sacerdote. “Não sei porque ele me perguntou isso. Ele devia perguntar para todos os meninosâ€, reflete Ney. A opção sexual o deixou com a certeza de que era soropositivo na primeira vez em que fez o exame de HIV. “Eu tinha passado pela mão de vários que estavam doentes. Quando deu negativo, eu pedi a vários médicos uma explicação. Não tem.â€

Se foi na Igreja que ele soube (mesmo que indiretamente) do homossexualismo, foi na Aeronáutica que Ney conheceu a maconha. “Era pra dar larica, todo mundo fumava pra conseguir comer, porque a comida era horrívelâ€, diz. No serviço militar, porém, experimentou apenas uma vez. Mesmo tendo dito que não fumaria mais, acabou se rendendo aos efeitos reflexivos da erva e de drogas alucinógenas. “Sempre usei droga para abrir minha percepção. Quando tem uma dúvida, uso maconha como terapia. E aí aflora, porque a resposta está dentro de mim.â€

Outros destaques da edição de maio: Na primeira capa política da revista, Fernando Gabeira fala sobre legalização da prostituição e do aborto, revolução, ditadura e tanga; o funcionamento do sistema de grampos que ajuda as investigações da Polícia Federal; a Igreja Virtual Pornô que discute a indústria pornográfica pela ótica do cristianismo; a cantora Pitty fala sobre sucesso e a “síndrome do underground†e de até que ponto iria para divulgar sua música.

Na seção Arquivo RS, a primeira entrevista com Steven Spielberg e Harrison Ford sobre o filme Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida, publicada em junho de 1981; o guru dos projetos sociais do Google quer realmente ajudar o planeta ou está ajudando a empresa em sua dominação mundial?; uma reportagem sobre o muro que Israel está construindo para separar a Palestina e o cotidiano dos moradores de seus arredores.

E mais: Rolling Stones, Madonna, Raconteurs, Sarah Jessica Parker e o filme da série Sex & The City, a nova música dos Mutantes; o primeiro longa-metragem do criador do Dogma Feijoada e muito mais.

Sobre a Rolling Stone
Fundada em 1967 por Jann Wenner (editor até hoje) e Ralph J. Gleason, a Rolling Stone nasceu no fervor da contracultura hippie dos anos 60. Numa época em que as revistas em circulação desprezavam a cena musical, foi o primeiro veículo a tratar o assunto seriamente. Logo se tornou conhecida por permitir a livre expressão tanto do artista quanto de seus jornalistas, fazendo história com artigos pungentes sobre sexo, drogas, comportamento e política sem rabo preso. No Brasil, a publicação retorna pelas mãos da Spring Comunicações.

Sobre a Spring Publicações
A Spring Publicações foi fundada em 2003, por José Roberto Maluf e Miguel Civita, e é uma das principais empresas de editoração e mídia customizadas do país. Produz, edita e comercializa também, além da Roling Stone Brasil, as revistas Aero Magazine, Studio W, Cavallino, Golf Digest e Rossi.

Mais informações:

Linhas & Laudas Comunicação
www.linhaselaudas.com.br
Tiago Agostini: tiago@linhaselaudas.com.br
Tel.: (11) 3801-1277

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Cintia Thome
 

Ney Matogrosso é autentico e todas essas instituições que se dizem ilibadas , por baixo dos panos, são mais que falidas e mentirosas. Para se viver tem é que se acreditar no Amor , em todas as suas vertentes...inclusive a primeira: amar-se.
Boa análise e informação da revista RS...Parabens

Cintia Thome · São Paulo, SP 17/5/2008 06:20
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new
 

Ney matogrosso é artista no sentido mais largo e profundo de arte.é pitoresco,instigante,genuíno. observações pertinentes tiago.

new · Feira de Santana, BA 18/5/2008 14:31
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