UTOPICAMENTE FALANDO...

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Bruna Célia · Goiânia, GO
7/9/2007 · 126 · 12
 

Resenha de: BUCCI, Eugênio. A TV Pública não faz, não deveria dizer que faz e, pensando bem, deveria declarar abertamente que não faz entretenimento. I Fórum Nacional de Tv's Públicas: Relatórios dos grupos temáticos de trabalho – Brasília: Ministério da Cultura, 2007. 116 p. Caderno de Debates.


A paciência continua sendo uma virtude. Sento, descanso, leio. P-E-N-S-O. Emancipadamente, consegui alçar meu próprio vôo depois de ler o artigo A TV Pública não faz, não deveria dizer que faz e, pensando bem, deveria declarar abertamente que não faz entretenimento, texto transcrito a partir de uma palestra proferida por Eugênio Bucci, presidente da Radiobrás, num encontro da ABEPEC (Associação das Emissoras Públicas, Educativas e Culturais) em Belo Horizonte, em 31 de agosto de 2006. Alcei vôo. Um vôo para bem longe. Bem longe de Bucci.

Em vários pontos do texto, fui me aproximando à piano e até gostei quando Bucci definiu entretenimento. Adoro essa palavra. E-n-t-r-e-t-e-n-i-m-e-n-t-o. Grande em sua extensão, em seu significado e eu seu sentido figurado. Só que depois de ler o tópico A arte de vender os olhos da platéia e chegar ao Mito da “natureza da televisão”, quis gritar. Por mais que eu concorde com Bucci em vários pontos de sua palestra, não consigo ver a televisão pública sem a presença do entretenimento. Explico isso mais adiante.

Jorge da Cunha Lima, ex-presidente da Fundação Padre Anchieta, ambiciona há muito tempo, a criação da Rede Pública de Televisão, a RPTV. Fato que me deixa pensativa devido a atual, e tão discutida, TV Pública que Franklin Martins, representando o Governo Nacional do Brasil, quer criar. Para quê criar uma nova TV se o projeto, com parte executado, já existe? (Incongruência!) Essa pergunta ficará sem resposta. Voltando a Cunha Lima, num texto retirado do livro Pais da TV: a história da televisão brasileira contada por Gonçalo Silva Jr., diz em poucas palavras que os programas veiculados pela RPTV deveriam “ser bons para aumentar a audiência e cumprirem seu propósito de educar, informar e entreter”. E-N-T-R-E-T-E-R! O que Bucci leva dez páginas para atacar e dizer que é um mal para a TV Pública, Cunha Lima desmitifica em duas linhas.

Por que o entretenimento é tão perverso? Por que certas doses de lazer não podem existir na TV Pública? Será, senhor Bucci, que haverá público para uma densa programação baseada em “grandes cursos de cultura”? E que hora eu posso assistir algo mais leve, mais tranquilo? Não é essa uma das exigências do grande público de Wolton?

Se a TV pública, não fazendo entrenimento se diferencia da TV privada, e isto é bom, fico com essa última. Fico do lado do mau. Não que eu não goste de uma abordagem que me faça refletir, “caminhar” com meu próprio cérebro, pois isto é bom e necessário. O problema reside em só (S-Ó!) ter acesso a programas densos. Desculpa, Bucci, mas não cabe somente à Tv Pública o dever de tornar a sociedade crítica, liberta, emancipada.

Tenho várias críticas à TV Privada. Não quero parecer o Judas que traiu o mestre. Ela é perversa, mas não foge à regras ditadas pelo capitalismo de mercado em que vivemos. É crime vender os olhos da platéia ao mercado publicitário? Espera aí, como sobreviverá essa TV pública (u-t-o-p-i-c-a-m-e-n-t-e) pensada por Eugênio Bucci? Sem dinheiro? Ou com o dinheiro do Governo? Então teremos uma TV pública e estatal?

Dúvidas. Terminei de ler o texto de Bucci e só me restaram dúvidas. Voei e estacionei meu cérebro numa nuvem chamada raciocínio crítico, que, desculpe, caro Bucci, não aprendi a ter com a TV. Isso se aprende na escola com uma boa construção de conhecimento; se aprende com a família, com a comunidade, com bons exemplos.

Não venha me dizer que a TV é tão poderosa assim que se torna capaz de emancipar, tornar-nos críticos. Não quero dizer que ela é só entretenimento, longe de mim.Existem programas bons, sim. Aliás, adoro assistir os lights e os cult, mas não me encha destes, pois senão me canso. E quando eu me canso, vôo para bem longe.

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Sérgio Franck
 

Bruna, eu sei que a TV pública está muito a quem do que deveria e poderia. Mas gosto muito da programação da Rede Minas.
Bruna, aproveitando o gancho, o quais são suas perspectivas para a Tv digital?

Abraço.

Sérgio Franck · Belo Horizonte, MG 6/9/2007 10:52
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Juliaura
 

Se a TV publica já é pública, embora privada de propriedade de todos.
Arre!
Eu sou pelo entretenimento até para educar e promover a cultura. O lugar da festa é a rua e a rua tem que invadir a tevê pública ou a cocô (êpa!), quis dizer privada. Se não é o mesmo, parecido é.
Se tevê pública for exigência de povo que se mexe pra si, vai ser o que o povo pensar que deva ser. Se for coisa de pau de luz a jogar flash pra conduzir a manada, vai dar em nada.
Quem vai pagar?
Ora, quem sempre paga, ou por diretas na nota ou por indiretas no botão de seleção.
Então, publica nós na tevê que a gente começa a ver.

Bela tese a tua, Bruna.
Bom tema e bem posto o postado. Tem gosto.

Beijin pra tu.

Juliaura · Porto Alegre, RS 6/9/2007 22:21
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Savazoni
 

Bruna, muito prazer, sou frequentador do Overmundo, costumo escrever para cá também, e fiz a revisão crítica do texto do Eugênio Bucci, na preparação para sua publicação no Caderno de Debates do Fórum Nacional de TVs Públicas. Eu acho que você leu e não entendeu o que escreveu Eugênio. E digo a você que o Jorge da Cunha Lima é um que foi absolutamente convencido das teses do Eugênio sobre o entretenimento, chegando inclusive a propor a revisão da missão da TV Cultura para retirar a palavra entretenimento. Mas que bom que você refletiu, que bom que você pensou sobre isso. Entretenimento não é lazer. Entretenimento é uma indústria. A TV pública pode e deve tratar do lazer, veicular conteúdos artísticos, educacionais e recreativos - que podem ser até lights (se bem que essa é uma palavra que eu não utilizaria). O que ela não pode é reproduzir a TV comercial. E, como ficou claro no 1º Fórum Nacional de TVs Públicas, publicidade na TV Pública não. É tirá-la de um capataz (os governos) para entregá-la a outro (o mercado). Mas esse é um outro debate. Valeu pelo artigo...e sigamos em discussão...

Savazoni · Brasília, DF 10/9/2007 16:50
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Juliaura
 

Desde que o mundo é mundo a corrente vertente vigente dá novo conteúdo a mesma palavra. Antes entreter era lazer, agora entretenimento é indústria. Então, lazer não é mais indústria e entreter é que é. E distração, que era diversionismo, nem entra mais em voga.
Propaganda agora é publicidade, já tendo sido difusão de idéias, o que agora é só e puro comércio, até o mais ordinário.
Sem programa ou estratégia, pra que propaganda.
Ora, então, pois, pois.
Vamos para a pública fazer o debate entre ter e não ter e deixar o lazer como entretenimento para a tevê cocô (Ops2, privada, quis dizer).
Eu não creio que entretenimento não seja lazer, e não acredito que lazer não tenha indústria, dono, patrão, capataz.
E que bom que você fez a revisão crítica pro Bucci, Savazoni.
Lamentável é dizer que discorda de alguém considerando que a pessoa não leu sobre o que escreveu ou que não entendeu o que leu.
Ajudou um monte esse teu comentário gentil.

Juliaura · Porto Alegre, RS 10/9/2007 17:27
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Bruna Célia
 

Sempre evito discussões... não gosto de ficar apertando uma tecla que sempre reflete a mesma letra. Gostei do comentário da Juliaura, foi convincente e vi que temos a mesma linha de pensamento. Já Savazoni foi esperto. Disse o que estava afim e pronto. É assim que deve ser feito, Savazoni. Mas de uma coisa tenho certeza: não tenho que concordar com você. E TV sem entretenimento (sim, o bom entretenimento.. aquele que diverte, ensina e acrescenta) não me agradará. E nem agradará a ninguém que viva nesse planeta (não gosto de generalizar, mas viver sem entretenimento (do bom), ninguém mesmo!)

Abraços!

Bruna Célia · Goiânia, GO 11/9/2007 21:53
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Adroaldo Bauer
 

Bruna,
Juliaura,
Aproveitemos e procuremos saber dos que devem informar o povo sobre a Conferência Nacional de Comunicações.
Como sociedade civil cobra-se também um debate público sobre as políticas de comunicação brasileiras.
"Conferência Nacional Preparatória de Comunicação" como está proposto para 17 a 19 de setembro é cúpula conversando sobre regulamentação de mídias.
Quanto à TV pública: poderíamos solicitar informações oficiais sobre como será definida a gestão da TV pública, em particular sobre a notícia de que a gestão será feita por um conselho indicado pelo governo.
A marca da TV pública só pode ser a da participação.
Um conselho com representações da sociedade, a exemplo do que diz a Carta de Brasília do I Fórum de TVs Públicas, e pela criação de um sistema de acompanhamento da programação que permita diferentes formas de participação e avaliação do conteúdo transmitido, criando comissões de usuários por programas e uma geral de programação para a emissora.
Para superar de fato as freguesias, capatazias, capitanias.
Quanto a concessões de canais públicos para grupos privados: dia 5 de outubro desse ano da graça de 2007, vencem cinco de TVs, entre elas a da Rede Globo.
Movimentos sociais e entidades do campo da comunicação vêm preparando mobilizações no mês de outubro, iniciando no dia 5, nas quais pretendem questionar o sistema de concessões, a concentração de titularidade delas em monopólios e cobrar critérios que garantam a participação da sociedade organizada nas outorgas e renovações e no acompanhamento do conteúdo transmitido.
E segue o baile...






Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 11/9/2007 22:34
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Savazoni
 

Oi Juliaura,

Eu, ao contrário da Bruna Célia, sempre aceito as discussões. Por isso estou aqui. Só acho que a crítica e as armas da crítica são desiguais, muitas vezes, à própria elaboração dos autores.

E a leitura da Célia, embora importante, peca por não compreender o centro do argumento do texto, que é a idéia de que há um campo de invenção (campo este ao qual pertence o Overmundo) que deve ser objeto da comunicação pública - diferenciando-se, esta, fundamentalmente da TV Privada, que oferece mais do mesmo (justamente em sua condição de refém do entretenimento).

Meu objetivo não era outro senão debater. Se pareci virulento, peço desculpas. E para que não reste dúvidas, copio aqui o trecho do artigo do Eugênio com a recuperação histórica do sentido da palavra entretenimento:

"O significado do termo "entretenimento" é chave para que essa distinção se faça com a profundidade necessária. Ele não é um substantivo desprovido de carga ideológica, ainda que pareça uma palavra neutra. Ele surgiu tardiamente. O dicionário etimológico de Antenor Nascentes, de 1932, diz que a palavra vem do espanhol, "entretenimiento", cujos primeiros registros datam do século XVI. O verbo entreter, originado do latim, intertenere ("inter" quer dizer "entre"; "tenere" quer dizer "ter"), significa deter, distrair, enganar. No senso comum, "entretenimento" é entendido, até hoje, como aquilo que ocorre no tempo do lazer – que não pertence ao tempo do trabalho –, nas horas vagas, no passatempo, no intervalo entre duas atividades ditas sérias.

Luiz Gonzaga Godoi Trigo, em Entretenimento: uma crítica aberta (São Paulo: Senac, 2003), conta que, antes, os significados de divertimento e de passatempo atrelavam-se ao conceito de pecado, ou a um tipo de atividade que era permitida apenas à elite. A partir do século XIX, a palavra entretenimento ganhou um vínculo com o consumo popular – de forma pejorativa, foi associado a algo de importância menor e até desprezível – em oposição ao erudito, à arte elevada, à cultura da elite.

A isso, devo acrescentar agora o que julgo ser a significação atual do termo, atual e mais pesada, mais fixa, que não tem sido levada em conta. A partir da segunda metade do século XX, ele deixou de designar o, digamos assim, estado mental produzido no sujeito que se ocupa da desocupação, deixou de se referir a um atributo de atrações especializadas em distrair a audiência e virou o nome de uma indústria diferenciada. Mais do que uma indústria, um negócio global. Com o advento dos meios de comunicação de massa, a palavra, sempre que enunciada, traz consigo esse sentido material: o de negócio. Assim como a própria palavra indústria – que antes nomeava apenas uma habilidade humana – mudou inteiramente de sentido com a revolução industrial, a palavra entretenimento foi revolvida por um processo de ressignificação definitivo a partir da indústria do entretenimento. Ao afirmar que faz entretenimento, ainda que marginalmente, uma emissora de televisão se declara pertencente a essa indústria e a esse negócio. Quando uma TV pública diz que faz entretenimento, afirma que pertence a um campo – industrial e econômico – ao qual não tem vocação nem destinação de pertencer. Não se trata de um santo nome, mas essa palavra jamais poderá ser invocada em vão."

Savazoni · Brasília, DF 12/9/2007 11:51
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Juliaura
 

Olá Savazoni,
Aqui como pessoas de hoje, que somos; na mesma planície das dificuldades de confrontar os donos dos meios, que temos, só posso te dizer que o lúdico no entretenimento não desaparece porque há dono privado dele.
Até a exposição científica da teoria da relatividade, em tevê comercial ou pública pode ser entretenimento, porque entre atividades laborativas obrigatórias serria acessada sponte sua pelo telespectador.
O que disse e reafirmo é que o conceito atualizado que se tenha da coisa não vai mudar a coisa.
Lafargue já advogava o direito à preguiça e no tempo dela a função do ócio, portanto, a libertação da obrigação do útil, do utilitarismo.
Os feriados abolidos pelo protestantismo tiveram muito mais a ver com a necessidade de produção da indústria alemã do que com o cisma deles com o catolicismo, que ao homenagear mais de uma centena de santos (mediadores da fé com os céus) também liberavam o pobre cristão do trabalho para a festa.
Se a festa era o que empatava o trabalho, aboliram os santos, em nome do livre-arbítrio (com que eu tenho pleno acordo, sem ser religiosa) em santa aliança, naquela hora, com a nascente burguesia.
Então, se o público pode ser o canal da festa, já que o trabalho ainda hoje, já no terceiro milênio, tem seu fruto apropriado de modo privado, mais vale, como fuga à mais valia, que se negue o corpo e a mente aos exploradores do trabalho.
Entretenimento, lazer, cultura, esporte, mesmo as belas artes são atividades humanas que têm mercado global que as organiza em indústria.
O que falta, nos meios, porque tevê é apenas meio, é a discussão com arte e inteligência do projeto social, do programa político, da importância social da propriedade dos meios e das finalidades da produção social do trabalho, que é coletiva. Não falo de realismo, falo de engenho e arte, que poderá inclusive nos aproximar do belo.
É simples, Savazani.
Tão simples como a roda, o clips ou a ocupação sponte sua do tempo livre.
A roda seria a existência de qualidade diferente para eu optar em meus momentos de ócio-não trabalho, em que esteja para o lúdico, pelo lazer e entretenimento, para a festa.
Na tevê comercial, que chamei de tevê cocô, aí acima, não há opção, é tudo igual, só o que muda é o tempo dedicado a cada marinheiro ou marinheira que pilote os náufragos na água suja.
Não aprecio a discussão semântica.
Conheço e não me balizo pelas novidades da teoria da comunicação, que no máximo a cada década elege um ícone.
Há já muitas igrejas e religiões no mundo para que se inaugure uma outra ainda mais abstrata em nome da compreensão dos papéis de propagadores, suportes-meios, mensagens e eu, uma vez espectadora, outra vez ativista, outra vez propagandista, outra, ainda, artista.
Pra mim, há pessoas que necessitam ser respeitadas (e que devem dizer a que vêm, com todas as letras) de um lado e outro da tela.
E, óbvio, tenho lado, estou com os de baixo, do lado de cá.

Juliaura · Porto Alegre, RS 12/9/2007 12:32
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Bruna Célia
 

Quando a discussão se estende a tão alto nível fico invejada por ser uma mera espectadora... Parabéns Savazoni, por tão bons referenciais teóricos, e muito obrigada por trazer informações tão úteis, Juliaura.
Para complementar essa discussão, acabei de postar um artigo meu e de uns amigos da faculdade de jornalismo. Espero que tenham tempo para ler e comentar assim como o fizeram aqui.
Pessoas que só acrescentam são sempre bem vindas em minha formação.

Obrigada.

Bruna Célia · Goiânia, GO 14/9/2007 09:51
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Bruna Célia
 

aqui segue o link do artigo...
ainda em edição...
aguardo contato!
que aumentemos a discussão sobre Tevê!
http://www.overmundo.com.br/banco/jornal-hoje-entretenimento-ou-informacao

Bruna Célia · Goiânia, GO 14/9/2007 10:01
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Ize
 

Oi Bruna e todos vcs,
não sei onde eu estava que cheguei tão atrasada por aqui (acho que envolvida no projeto do Joca sobre as reminiscências de escola).
Bruna adorei seu texto: tenho muito interesse nessa discussão.
Comungo com vc e com a Juli sobre a necessidade de colocarmos menos peso no sentido ideológico do termo entretenimento (tão bem explicado por Savazoni). O que não significa que eu não ache importante que se promovam debates como esse que o Adroaldo traz no seu comentário.
De qualquer maneira, tb penso que a TV, seja pública, seja privada, não tem esse poder todo de produzir mentes críticas ou de dominar mentes dóceis. E pra ilustrar o que estou dizendo, trago o seguinte episódio.
Assisti a uma mesa redonda, da qual participavam Bucci e Leandro Konder. O primeiro expôs brilhantemente suas idéias, mostrando como a mídia pode influenciar a constituição de subjetividades capitalísticas. O segundo, com o bom humor (e o brilhantismo) que lhe é característico concordou com as idéias de Bucci, mas argumentou que achava que a coisa não era assim tão mecânica e, para explicar-se, contou sua versão da seguinte historinha de Brecht.
Tratava-se de um anão que, subjugado por um gigante, era obrigado a trabalhar todos os dias para ele, preparando banquetes inimagináveis para matar a fome insaciável do amo. E assim fez o anão. Sem outra alternativa às imposições de seu desigual antagonista, dia após o outro entupia-o das melhores iguarias, dizendo sempre SIM aos seus mais estapafúrdios desejos.
Tanto comeu o gigante que teve uma embolia e morreu.
O anão, então, enrolou o gigante no grande tapete da sala, carregou o pacote até o cimo de uma ribanceira, empurrou-o, sem maior dificuldade, com o pé lá de cima e, enfim, gritou com todas as suas forças: NÃO!!!!!
Preciso dizer mais alguma coisa?
Beijos

Ize · Rio de Janeiro, RJ 14/9/2007 20:44
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Bruna Célia
 

Não, Ize, não precisa.
Concordo com você e digo que adorei seu texto.
É assim que se faz: vem, lê e coloca a opinião.
Isso é que é o Overmundo!

Dê uma olhada no meu artigo sobre o Jornal Hoje no link acima... damos uma pincelada na evolução de um jornal e a que público ele se destina.

Abraçios!

Bruna Célia · Goiânia, GO 14/9/2007 20:55
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