Maria Augusta Ramos, se vocês não tão lembradas, dá licença de contar. É uma senhora indignada com injustiça onde ela exista. Por isso documenta sessões nada especiais de justiça, pelo que já ganhou prêmios até internacionais: 'Grand Prix' no Festival Visions du Reel, Nyon, Suiça e o 'Grand Prize' no Festival Internacional de Documentário de Taiwan
( ...
- Ih! E agora que a oposição ganhou lá, divindades das moedas universais...
- Tá, tá, isso é outro assunto eu sei, nem é da cultura, é da política, mas política é cultura,
- mas não é do Brasil nem de brasilero fora daqui...
- mas é do Planeta...
- Chega de encher linguiça!
- Tá, tá... deixa assim, tá!
... )
Maria Augusta é autora de um documentário, que chamou extamente de Justiça . Trágico, dramático, sofrido. Um retrato da humilhação das pessoas pobres às barras de tribunais nossos, essa vetusta instituição, como diz minha avó.
Diz mais do trabalho de Maria Augusta a professora Glória Reis, que também prova o amargo remédio da coisa medonha essa por denunciar condições desumanas em cárceres da cidade dela e do país:
- ... uma das cenas mais tristes e revoltantes no documentário Justiça, de Maria Augusta Ramos, que recebeu inúmeros prêmios em festivais internacionais, desde 2004, quando foi lançado.
Alan... é asmático e pesa 38 quilos. É acusado de tráfico de drogas. Ao se sentar diante do juiz para ser interrogado, coloca as mãos para baixo.
"As mãos têm de estar em cima da mesa.", diz o juiz.
Inacreditável que eles tenham regras até para a posição das mãos e que o juiz se incomode com as mãos do menino magérrimo, mas não diz nada quando os réus interrogados, durante o documentário, relatam que foram espancados pela polícia no ato da prisão.
Num outro interrogatório, o réu está numa cadeira de rodas, as pernas são atrofiadas. Acusação: ter pulado o muro para cometer um crime qualquer. O juiz não dá a mínima atenção quando o réu diz "como é possível eu ter pulado o muro na minha condição?".
- Você já estava assim quando a polícia te prendeu?, pergunta o juiz. O pobre infeliz responde que sim e pede ao juiz que o transfira para um lugar compatível com a sua deficiência física.
É inacreditável, mas o juiz responde:
- Eu preciso que um médico dê um atestado, procure um médico. Eu não posso fazer nada.
Ah! Onde estais deusas minhas, onde estais que não acodem?
Esse documentário não é bom é excelente, na verdade um aprofundamento de Noticias de uma guerra particular de João Moreira Salles.
http://www.criticos.com.br/new/artigos/critica_interna.asp?artigo=944
Agora tem um novo dela em cartaz:
http://www.revistacinetica.com.br/juizo.htm
Gratíssima, Dudavalle.
Enricas este singelo postinho de apenas apresentação de parte da produção excelente mesmo da querida Maria Augusta. Estou a dever mais a ela. Muito mais, que ainda não consegui fazer, aqui dos meus chinelinhos.
És um anjo bonzinho.
Beijin.
Impressionante foi aquela menina que disse preferir a prisão do que voltar para casa, sob os olhos assustados da mãe.
beijos, Juli
Gostaria muito de ver esse documentário.
valeu minha busca por esse site.parabéns.
JULIAURA!
Não conheço "Maria Augusta Ramos". O documentário apresentado despertou muita curiosidade neste nordestino migrante, morador da metrópole paulistana, e que vê todos os dias muitas injustiças. Sinto que a comentada justiça "pende" para o lado mais “abastado”. Não posso afirmar que exista desigualdade e que o lado mais forte sempre seja o vencedor. É contra a lei tal afirmação! Não quero ser julgado e fazer parte do grupo dos injustiçados.
O que é um juiz? É um homem comum? É um servidor público? É pago com o dinheiro do povo? Qual o motivo de um juiz não questionar a própria lei? As leis não foram feitas por homens? Os homens não erram? Se os homens erram, as leis podem estar erradas! Se um juiz estuda para não cometer erros e supõe-se, que ele lê e é capacitado para saber interpretar as leis... O comentado juiz deve saber pensar e observar cada caso! Se ele pensa, ele deve entender que nem tudo o que está escrito pode ser interpretado ou cumprido na forma da lei! Esse é o principal problema do Brasil. O Poder Judiciário é cego ou se faz de cego! Alguns juízes pensam que são deuses! Deus nos acuda!
Parabéns por seu texto informativo e social!
Beijão!
Lailton Araújo
Juliaura,
Do jeito que a coisa está, só estes tipos de trabalho para melhorar.
Parabéns!
Ótima publicação.
Ótima pela exposição de fatos que sabemos uma mínina parte através de pequenos noticiários. A maior delas nem sequer imaginamos.
Terrível sofrimento e absurdo abuso.
Parabéns!!
beijos
"Justiça", uma palavra tão perseguida e cada vez mais distante...
Beleza, Ju.
Bjs.
Juli,
Tô de olho, doido pra ver o filme. Conheço esta garotada de trabalhar com ela, as vezes. Teve um dia que, ao terminar uma aula com uns 12 adolescentes destes, o diretor da 'escola' pediu liçença e perguntou a 'turma' se alguém havia visto um menino que havia sido trazido para o 'sistema', indevidamente (teria apenas 8 anos). Pensei comigo: se um menino de 8 anos é trazido para cá por um camburão e ninguém sabe ninguém viu, nem o próprio diretor, o que se pode esperar para os demais meninos?
Já li outra matéria sobre o inusitado e agudo enfoque da Maria Augusta, raridade à nossa volta.
O Brasil fede
Juli, acho o documentário uma ótima ferramenta para denunciar mazelas e apontar soluções possíveis para as desigualdades sociais.
Parabéns!
bjo.
Só posso dizer que vou procurar, vasculhar. Infelizmente, e ai o infelizmene é verdadeiro, o "diabo do pirata", não vende, não dá dinheiro. O povo não sabe. Não conhece Justiça, não ouviu flar de Maria Augusta. E rola a pedra morro abaixo.
Juli, um abraço,
andre.
Agradeço de coração as presenças e os comentários.
Recurso reforma sentença que condenara a editora do Jornal Recomeço. Leia lá!
Juliaura · Porto Alegre, RS 8/6/2009 17:57Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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