Essa deveria entrar no guia, mas é porque já rende muita história.
Recebi um email que falava "peguei uma edição no banheiro do Cinema da Fundação". Era de um cara elogiando um texto meu que saiu na revista Giro. Número, formato gibi, capa laranja que só trazia um desenho na capa, desafiando a imaginação do leitor.
Teve um boom na cidade. Você chega nos bares (confere lá no Guia, tem uma lista enorme) e você já encontra um pequeno stand com revistas convidando para leitura. O melhor, elas são todas de graça.
É muito justo dar o crédito a isso ao Coquetel Molotov. Um coletivo de pessoas que fazem um programa de rádio e um dos festivais mais legais de toda cidade. A revista deles é charmosa, grandona, papel de primeira qualidade, textos longos. Lá você fica sabendo daquela banda que só vai chegar na Internet no próximo mês. Não pergunte como, o disco vaza primeiro na cabeça deles.
Isso porque o pessoal tem contato constante com bandas de todo canto do mundo. Graças ao festival deles e a próximidade com gravadoras independentes, não é estranho o vocalista do Teenage Fanclub aparecer no msn de um dizendo que acabou de compor uma nova canção.
Na seqüência veio a do RecifeRock. Essa não é de graça, verdade, mas custa modestos R$ 1. O nome não esconde, o esquema lá é mais local e muito mais rock. Entrevistas, resenhas de shows e muitas, mas muitas fotos. O site tem o maior acervo de cobertura de shows hoje e está descarregando tudo na edição impressa.
O mais divertido são os guias de compras. Tem de calcinha de banda emo, a chapéu de Chico Science para sair no carnaval fantasiado de rock'n'roll. Letra de música, cifra para violão e tratamento vip para as bandas que acabaram de sair da garagem.
A terceira, mais nova, é a do Giro. O site Giro Cultural já ficou famoso por experimentar formatos. Tinha uma sala de bate papos, um programa de rádio online, e agora a edição impressa. O lance lá é misturado mesmo. Cada página um assunto e um visual totalmente diferente. Cinema, música, literatura. Também um espaço para a voz de quem produz cultura local.
Tem um cara na cidade, o Pezão, que é o principal coordenador de palco do Recife. Ele tem uma coluna lá onde sempre conta as histórias inusitadas que acontecem nos bastidores do show.
Efervescência cultural, exige também uma efervescente reflexão. As revistinhas são um reflexo disso. Na caixa de email, já chegaram projetos de pelo menos mais duas. Uma de comportamento, outra mais segmentada. Tudo ainda no esquema de segredo. O fato é que, até o próximo semestre. Barzinho no Recife vai ser sinônimo de cerveja, conversa e também uma boa leitura.
ei, tem giro em belo horizonte tb. o rodrigo édipo me mandou e eu coloquei lá na agência status da savassi.
Rodrigo Ortega · Belo Horizonte, MG 26/6/2006 10:52
na verdade, eu só achei uma vez a giro cultural, e nunca achei a coquetel molotov, mas que os caras são esforçados são.
a giro eu nem digo tanto assim, porque os caras tem apoio de governo e afins, confere?
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