Visita à Gráfica
A visita foi produtiva no caráter histórico. Fizemos um flash back, conferindo impressoras e técnicas, que até então, só encontrávamos em livros que tratam do princípio da imprensa.
Em relação a estrutura, a gráfica pecava muito. Entulhos e pilhas de papéis velhos por todos os quartos, estes já em ruínas. A gráfica provavelmente teve seu auge em décadas passadas, situada numa região que antes, com a transferência da capital estadual para Aracaju, era bastante movimentada comercialmente. Ali se instalavam as novas industrias do estado, movimentando a economia deste.Mas infelizmente a arlesia parou no tempo, que não é de todo um mau, facilitando, hoje, na compreensão dos alunos de design, de um tempo em que nem sonhavam nascer.
Hoje o que a faz movimentar é a eleição. Santinhos e adesivos por todos os cantos --- Devem faturar uma grana! --- Fico pensando o que fazem depois de toda esta folia. Será que caem em completa depressão? Tornam a esperar mais dois anos para a próxima eleição?
Na entrada se encontra uma off-set, monocromática. Logo depois, por entre os entulhos, a sujeira e os catálogos velhos, uma impressora enorme, dita plano-cilíndrica, que não está mais em funcionamento, mas que provavelmente vai fazer parte de algum acervo, num destes museus que tratam da imprensa. Ela será vendida.
Mais adentro, paredes esburacadas e prestes a ceder, delimitam o trabalho de um senhor, que após trinta anos de trabalho neste ramo, e na própria arlesia, dança com os dedos por entre as tipos de metal, que para um leigo, são organizadas a partir de parâmetros incompreensíveis, de tão complicados, a sua memorização se torna quase que impossível. Uma jovem aluna desperta a curiosidade juvenil e hesita: “Por que não em ordem alfabética?” O senhor com todo o seu carisma e prazer de informar sobre o ofício que lhe deu sustento, dentre estas 3 de décadas passadas, e continua a dar, responde num tom eufórico: “Me acostumei assim, e se fosse mudar, meu trabalho iria complicar”.Além disso, nos mostrou como compor no componedor, como se organizar na bolandeira e no cavalete, espaços, entrelinhas, tudo o que deu pra passar para a mente daqueles jovens do século 00, famintos pelo banal, pelo óbvio. Creio que aquela manhã tenha sido produtiva ao velhinho tipógrafo.
Impressoras do tipo “Original Heidelberg” são adaptadas para o corte de inúmeros blocos de adesivos, de um tal Eduardo Amorin 2000. O lugar onde ficava a matriz deu lugar a moldes de lâminas, as pinças levam o papel já impresso que é pressionado contra as lâminas, e saem já prontos para por no peito e gritar: “Este aqui é meu deputado!” ou então “Este é do povo” ou quem sabe “ Este é de confiança” ou o mais provável “Este aqui da prótese dentária ao povo”, o mais comum dentre todos os bordões.
Enfim, regada a muito suor, receio de uma fuga em pleno desmoronamento da Arlesia e a simpatia de um tipógrafo veterano, se deu mais uma manhã de puro conhecimento. Saudações a Guttenberg e seus seguidores, estes que fazem de mim um apaixonado pela boa informação em série.
amei a forma com q vc descreveu está manhã linda, vivida por designers serigys
Rafa oliva · Aracaju, SE 22/9/2006 13:34que concordância.... que coerência.... que coesão....
Rafa oliva · Aracaju, SE 22/9/2006 13:35
Gostei muito do seu relato, Rafa! Só sugiro que você coloque mais uma linha entre os parágrafos, creio que tornaria a leitura mais agradável.
Abraço!!!
pós guttenberg. as trincheiras da informação mudam de lugar. agora são outros meios. legal é a gente ter podido experimentar as sensações mágicas que as velhas impressoras causavam...
eduardo ferreira · Cuiabá, MT 24/9/2006 19:28
Gostei do texto! Um belo relato de uma atividade cujo modo de execução está em constante transformação.
Edson Costa Filho · Aracaju, SE 29/9/2006 03:58Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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