"Não me convidem para certas festas pobres". Essa frase, baseado no primeiro verso da música Brasil do Cazuza, foi citada por mim em um dos momentos em que estive realizando o trabalho de divulgação da oficina de quadrilha junina em uma emissora de rádio em Aracaju.
Este tipo de “pobreza†a que me referi, não diz respeito as condições econômicas, porque em alguns casos, alguma festas juninas “pobres†até dispõem de uma boa estrutura material, fartura de comes e bebes e grandes atrações artÃsticas.
A questão fundamental a que me refiro é que a alegria e o calor humano espontâneo, sem depender do álcool e de outras substâncias quÃmicas, e a criatividade em especial, são fatores imprescindÃveis para o enriquecimento estético, afetivo e ético de nossas existências.
Por exemplo, se fizermos um exercÃcio de memória dificilmente nos lembraremos de uma festa junina da atualidade em que o cenário e adereços não sejam baseados no mesmo padrão de outras, como as bandeirolas de plásticos e réplicas de balões de cartolina, algumas comidas tÃpicas misturadas com cachorro quente, churrasco e sanduÃche, refrigerante e cerveja, a bebida que ocupa o lugar do velho e bom licor e do quentão e outras padronizações ou descaracterizações mais.
Por isso, a relevância da oficina de quadrilha junina realizada sob a chancela da ong Ação Cultural, no dia 17 de abril, na comunidade bom pastor, em Aracaju. Ué! Oficina de quadrilha junina foi esta a indagação de um dos radialistas, e então respondi: Com o processo de urbanização acelerada ocorrido no Brasil nos últimos anos e com a falta de percepção dos cursos de formação de professores, de psicólogos, serviço social e áreas afins, com relação ao potencial educativo, estético, lúdico e terapêutico da nossa cultura popular, faz-se necessário um trabalho como este.
E a avaliação dos participantes ao final da oficina, confirmou o que dissemos acima. A maioria dos presentes, estudantes e profissionais das áreas da educação, psicologia, terapias holisticas e comunicação revelaram ter tido contato com a quadrilha tradicional, somente em escolas, nos tempos da infância e pré-adolescência.
Também demonstraram muito contentamento em poder se reportar a este tempo, através do movimento corporal e da música, como por terem se conectado aos antepassados através dessa experiência lúdica e social muito presente nas vidas deles, por ocasião das festas de junho.
Outros três depoimentos que deixou a coordenação da oficina bastante satisfeitos, foi de uma participante que disse ter se inscrito na oficina para sentir alguns momentos de alegria, e isso ficou confirmado pelo brilho nos olhos dela ao final do dia.
Já outra participante, “quadrilheira dos nossos tempos†e integrante dos quadros da quadrilha Asa Branca, disse que há muito tempo não dançava quadrilha no estilo das antigas e se sentiu muito feliz em fazer esta viagem ao passado.
O outro depoimento refere-se a uma pessoa que tinha ficado chateado por ter um curso, cuja data marcada, foi a semana de São João, “nem precisa dizer que o local é a região sudeste, onde os festejos juninos não tem a mesma força cultural que tem aqui em nossa região†e ele, “só pra contrariar†e na base “d’eu vou mostrar pra vocês como é bom dançar quadrilha†estava programando a organização de uma quadrilha junina tradicional, só não sabia antes como fazer, pois a sua aprendizagem com dança, se deu com relação ao estilo flamenco e circulares.
Quem não pode participar confira o que dissemos acima, participando do baile de danças circulares nordestinas, no dia 28 de maio, a partir das 19h30, na comunidade bom pastor. Na ocasião será aplicado o que foi aprendido nesta oficina e em outras promovidas pela Ação Cultural desde 2005.
Por último, vale a pena replicar a idéia da oficina de danças populares em outros locais, não trata-se de formar dançarinos/bailarinos, mas trazer a dança como um componente permanente de nossas vidas, como era no principio e deva ser agora e para sempre.
Assim com nem todos que aprendem a ler e a escrever necessitam tornar-se escritores, assim também nem todos que participam dessas oficinas precisam tornar-se dançarinos.
Por isso, venham todos dançar !
MAIS:
quadrilha tradicional - projeto ciranda - UCB
no you tube.
O Gonzagão em noites de gala
Quadrilha Junina - Patrimônio Cultural Imaterial
Nossos agradecimentos as seguintes instituições e pessoas:
Overmundo, a divulgação através do portal viabilizou o primeiro contato do canal futura.
Comunidade Bom Pastor, sempre abrindo as portas para as oficinas, encontros mensais e bailes de danças circulares, desde o ano de 2005.
Fundação Aperipê, (rádio e televisão) pelos spots e abertura nos programas de rádio (nação nordestina, ritmo da história, encontro com o AA, linha sertaneja e aquarela nordestina)
Rádio Cultura – através do espaço aberto nos programas giro da noticia e linha direta.
Canal Futura, através do espaço aberto no programa conexão futura.
Maxivel Ferreira, responsável pela criação do cartaz e produtor do evento, juntamente com este escriba.
Giovane Reis (mestre/ marcador/oficineiro) por ter aceitado o convite de compartilhar conhecimentos.
Ronaldo Lima, parceiro voluntário e de longa data da Ação Cultural no campo do audiovisual e fotografia. (mais adiante disponibilizaremos imagens em vÃdeo)
Carlos Barbalho (comunidade bom pastor), Thiago Paulino (jornalista), Hora Reis (funcionário público), Milton Coelho (funcionário publico) e a todos (as) que contribuÃram com a divulgação do evento e por último a Indira Amaral, diretora da Fundação Aperipê que desde o inicio deste ano, acatou o nosso pedido de parceria para a divulgação das rodas de danças da Ação Cultural e que se despede dos sergipanos para alçar outros vôos no campo do audiovisual em outro estado (Rio de Janeiro). Confira, aqui, reportagem da TV Aperipê sobre a oficina de danças circulares realizada em janeiro de 2011.
E um agradecimento especial a todos (as) que estiveram presentes, acolhendo o convite para que tenhamos mais vida e vida em plenitude.
Zezito,
Talvez eu esteja certo, vamos amadurecer essa idéia aqui em Salinas, trabalhando os jovens nativos com coisas e apetrechos do nosso dia a dia, o mar. Daà fazermos oficinas de danças dentro dessa temática.
Grande sacada.
Gteixeira
gteixeira · Salinas da Margarida, BA 21/4/2011 12:47
mais
Vamos nessa garoto.
Importante trazer de volta nossas daÃzes, através da dança, a dança nordestina, e não a de origens europeias como vc. cita no texto.
gteixeira · Salinas da Margarida, BA 21/4/2011 12:51
Gteireira,
Pois então, não deixe de postar algo aqui no overmundo antes e depois da realização.
Legal procurar intercâmbio com grupos da Bahia e que já desenvolvem algo nesse campo. Procure entrar em contato com as redes dos pontos de cultura.
Abraço,
Vejo sempre com enorme simpatia toda iniciativa cultural espontânea e sincera como as que você realiza. Sorte de Aracaju ter caras como você.
abs.
Vasqs,
Muito Grato!! Como afirmou Zé Vicente um artista, educador e mÃstico, lá das bandas do Ceará e com o qual tenho admiração e amizade. Disse ele, em uma de suas composições.â€Ã‰ missão de todos nós, Deus [nos} chama e eu já escuto a sua voz. “
E pode acreditar, mesmo quando o artista (seja ele de qual oficio for, tanto das chamadas belas artes ou não) não acredita em Deus, mas faz um trabalho de afirmação da VIDA, ele é um parceiro daquele que nós cristãos chamamos de Jesus Cristo, mas que recebe outros nomes e que é adorado de outras maneiras, como vários são os povos e culturas, filhos (as) do mesmo pai/mãe que está na origem de tudo.
Você é um desses parceiros!
Queridos (as),
E como estamos em tempo de memória e celebração da páscoa, vale a pena conferir.
"Páscoa à vista"
O texto é da autoria do Pe. Reginaldo Veloso, padre e amigo do Recife, também artista e animador cultural, grande irmão e companheiro do querido Dom Hélder Câmara. Uma das referências no trabalho que realizo.
Feliz Páscoa!!
Oi amigo. Como é bom saber de iniciativas assim que resgatam e valorizam as coisas que são nossas. Exemplo que muitas outras instituições culturais e educacionais deveriam seguir. Com certeza o "dia das Bruxas" seriam varridos para sempre de nossas festividades.
Um grande abraço.
Quando puder apareça!
Enfim uma Quadrilha que eu me honraria de fazer parte, ao invés daquelas espalhadas por aÃ, inclusive com gente ( ? ) do Governo !
Parabéns a você e à filhota !
Saudade de nossas danças, mas você está tendo um ótimo desempenho !
Um beijo !
Alcanu,
Valeu amigo pela opinião critica e bem humorada como é próprio de você. rsrsrsrsrs
E não dá para deixar de repetir.
"Cuide-se bem eu quero te ver com saúde e sempre de bom humor, para nunca perder este sorriso e esta simpatia estampada no rosto."
Cuidar-se bem é, entre outras coisas, cuidar do coração, tanto o orgânico como o subjetivo também com a dança, pode ser circular, biodança, de salão e etc.
Pense nisso!!
Vale para você e para os demais overamigos e overamigas.
Abraço,
PS. Os meus planos de ir a São Paulo em janeiro de 2012 fica adiado para outro momento. Espero que não demore tanto. O motivo se deve aos gastos financeiros que preciso dispender para realizar o deslocamento para outros destinos, como norte e nordeste, em função de nosso trabalho como educador e pesquisador cultural. Mesmo quando à s vezes obtemos patrocÃnio,
Ayruman,
Quando escrevi esse texto, uma das pessoas que me veio a mente foi você, em razão de um tema predominante em seus poemas e em seus trabalhos de artes visuais. Sabia que você iria gostar. Reiterando o que disse na resposta ao Alcanu e que é também para você e para todos e todas que nos lêem por aqui.
Cuide-se bem......(inclusive com a dança e com a reverência as nossas tradições).
A tecnologia e o avanço as vezes complica e as vezes ajuda.
Lamentavel mas estão esquecendo a Cultura ou dizem que Cultura é algo diferente. As raÃzes ficam esquecidas e tudo é modificado, quando não perdidas.
Seu trabalho é excelente, como tantos outros seus divulgados por essas bandas, e deveria fazer parte de um projeto maior, nacional.
Cantigas de roda, folguedos inocentes e demais atividades infantis, foram trocado pelo computador e outras novidades, lamentavelmente.
Mas, graças a Deus, pessoas como você desenvolvem atividades que nos faz pensar e interagir com o passado lúdico e inocente de nossas infancias.
Parabéns e Parabéns, sua missão é por demais maravilhosa e o Criador o abençoará, com certeza.
Abraços.
Oi, Zezito,
Ler seu texto me fez lembrar do quanto eu gosto de quadrilha e de danças de roda, mas que essas e outras práticas festivas (ou não) acabam ficando perdidas de alguma forma nos anos da escola. É muito difÃcil achar uma festa legal com quadriha e gente fantasiada pra valer aqui no Rio. Vontade de estar aà pra ver, que delÃcia!
Inês,
Muito legal o seu comentário, como o de todos que chegaram antes, Tá sendo muito bom, trocar idéias neste nÃvel de sintonia e de desejos.
Sobre o Rio de Janeiro, eu também morei aà durante toda a década de 1970 e começo dos oitenta, mais precisamente em São João de Meriti, na rua São João Batista e próximo a rua São Pedro, onde todos os anos os moradores organizavam um arraial bem animado e feito com muito esmero, representava um oásis em termos da celebração dos festejos de junho, fora isso via muito pouco ou quase nada. Quase no perÃodo em que meus pais resolveram retornar ao nordeste, prestei o serviço militar em um quartel na vila militar de Realengo e no mês de junho me recordo dos belos e perigosos balões.
Em termos de contato com danças tradicionais você pode começar se aproximando de um grupo de danças circulares. Para saber mais sobre o assunto, dê uma zapeada nos artigos que publiquei aqui no over através de meu perfil, lá você encontra alguns que tratam do tema e com indicação de links interessantes.
È bem verdade que esta incorporação de danças tradicionais brasileiras ao repertório ao movimento das danças circulares está em processo, mas espero estar contribuindo para isso, tanto realizando aqui em Sergipe, como motivando/provocando através desse texto.
Vale citar uma ong de Belém do Pará especializada em danças circulares que tem investido já há algum tempo no trabalho com as danças da Amazônia.
Sigamos em frente e qualquer dúvida é só escrever. Se chegar a algum grupo de danças circulares e/ou de danças de quadrilha junina, também nos conte.
Sei que aà no Rio, há um trabalho ligado a universidade, me parece que é a UFRJ e com propósitos semelhantes, o jongo é uma das danças em destaque.
Abraço,
Belo trabalho.
Faço votos que continue batalhando pela preservação de duas das grandes marcas da nossa cultura: a quadrilha e a festa junina.
Abraço.
Vinicius
Que bom receber sua visita. E aà no Rio, como está os festejos juninos? Aqui no nordeste está de vento em popa.
Abraço,
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