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Vamos malhar a “Malhação”

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Bruna Luchini · Ribeirão Preto, SP
16/11/2009 · 4 · 3
 

A perda de qualidade nas tramas da novela teen Malhação nunca esteve tão evidente. A nova temporada, que começou no último dia 09 de novembro, trouxe uma alta gama de clichês e personagens caricatos, que já marcam presença na telenovelinha há algum tempo. Como a Juju, que logo em sua primeira cena diz “Quem vira emo nunca mais quer outra vida”. Sua personagem parece uma zombaria, uma afronta a uma tribo que foi customizada para ser cômica.
A Malhação sempre foi um referencial ao tratar de assuntos polêmicos entre os jovens em suas tramas. Uma das temporadas mais marcantes foi a que começou no final de 1999, quando a série deixou de girar em torno da academia e foi criado o colégio Múltipla Escolha. Nessa primeira fase de alunos interagindo no colegial, a trama abordou um dos temas mais polêmicos tratados no programa até hoje, como a transmissão do vírus do HIV entre os jovens. Samara Felippo interpretou Érica, portadora da doença.
Foi uma fase feliz de Malhação, quando o índice de audiência ainda era alto e os clichês eram tão sutis que mal os sentíamos. Érica era a antagonista dessa série da telenovela, e mesmo assim o maniqueísmo presente nos produtos da indústria cultural não era tão marcante.
Hoje o programa se metamorfoseou de tal forma que fica quase impossível reconhecer as características que o marcaram no início. Nenhum dos personagens permaneceu. Depois da saída de Cabeção (Sérgio Hondjakoff) personagem que permaneceu por mais tempo no seriado, a qualidade do programa passou a cair a cada nova fase, até chegar ao ponto em que está hoje. Nem teria sido preciso assistir a todos os capítulos dessa primeira semana para saber qual o padrão seguido e como ele vai terminar.
Temos a clássica história de amor e ódio entre os protagonistas. Bernardo Oliveira e Cristiana se odiaram na primeira vez em que se viram, em um ring de patinação. E o fato do menino fazer o tipo bad boy e ser de uma classe mais alta do que a ingenua Cristiana só nos leva a pensar que esta será mais uma das dificuldades enfrentadas pelo casal: superar a diferença entre duas realidades diferentes.
Mas isso não é novidade. Já não vimos a mesma coisa, quando Gustavo, vocalista da Vagabanda se apaixonou por Letícia, que também era metida a toda certinha e era de uma classe mais baixa do que a de Gustavo? E Gustavo também não era o bad boy? O garoto problema? Então, qual a novidade nessa nova fase de malhação?
Talvez a novidade fique por conta da personagem Samira, que chega no colégio coberta da cabeça aos pés, e dá a entender que veio de alguma região das “arábias”. Mas a adaptação de estrangeiros e o preconceito cultural não parecem ser os temas que serão abordados nesse novo colégio, o Primeira Opção. Aliás, o nome do diretor faz pensar em uma piada interna. Livramento realmente não é um bom nome para um diretor de escola.
O que tem acontecido, segundo a doutora em Sociologia pela UNESP de Araraquara, Elizabete David Novaes, é que a televisão tem trabalhado com modelos prontos que dão certo. E ultimamente Malhação tem seguido um padrão americano de entretenimento. O apelo sexual entre os jovens está tão presente nessa nova fase de malhação quanto no seriado Gossip Girl. Logo no primeiro capítulo da nova temporada, o personagem Bernardo repete três vezes seguidas que é jovem demais para namorar, que eles têm que aproveitar a vida, e então “fica” com três meninas diferentes.
Mas é preciso ter cuidado ao expor os adolescentes ao consumo instigado por séries voltadas aos jovens. “Malhação vem sempre ditando moda, para que o jovem frágil, na construção de seus próprios modelos, busque uma identificação com os personagens que ele vê”, diz Elizabete.
Alem do mais, a novela serve como estúdio para edição de produtos. Desde o início é perceptível a mostra de xampus, cursos estrangeiros, como inglês e espanhol, contas bancárias, cremes e até perfumes destinados aos jovens. E não tem nada melhor para os publicitários do que misturar a trama da novela com a usualidade desses produtos. Tá aí mais um ponto para reafirmar a sobrevivência de malhação: “Malhação não é um reflexo da realidade, é um produto a ser vendido”.

Mariana Lucera
Bruna Luchini

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Mariana Pacheco

Muito boa essa matéria! Mudei completamente minha visão da malhação! Meus parabéns!

Mariana Pacheco · Ribeirão Preto, SP 25/11/2009 20:12
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Bruna Luchini

Obrigada, Mariana!
Realmente é importante nos aprimorarmos do assunto!
Abs.

Bruna Luchini · Ribeirão Preto, SP 25/11/2009 20:13
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Maju Raz

ótimo...malhação é pésssimoooo ahahahaha

Maju Raz · Ribeirão Preto, SP 30/11/2009 13:47
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