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Vamos pra lan?

Marcos Paulo
Lan-house: uma ferramenta acessível
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Marcos Paulo · Porto Velho, RO
29/12/2006 · 204 · 10
 

André Oliveira tem 13 anos. Fábia de Alencar tem 15 anos. E Maurício Costa 16. O que eles tem em comum? Fácil. Adoram passar horas e horas na frente do computador. Estão conectados ao mundo virtual. Pra ser mais exato, descobriram e adotaram a lan house como o mais novo ‘point’ da galera que mora longe do centro, na periferia da zona leste de Porto Velho, nos bairros Tancredo Neves, JK e São Francisco. Ambos tem a internet como fonte de informação, diversidade e, claro, muito bate-papo. Orkut e YouTube também, mas não é só isso.

Na zona leste, a primeira lan house – S&S.com – foi criada em 2004 e servia apenas para digitação de trabalhos, impressões de formulários e currículos. A internet chegou mais tarde. No início, havia pouquíssimas máquinas e a intimidade dos usuários se aprofundou com um tempo, diz o gerente Daniel Diego. “Acredite, tivemos que ensinar algumas pessoas como usar o computador, abrir o programa Word e salvar um documento logo quando abrimos a lan. Não foi fácil e isso acontece até hoje”. Isto significa, do ponto de vista lógico, que o aumento de usuários nas lans está crescendo muito mais do que se imaginava, mas falta aprendizado. Principalmente na periferia. Segundo Diego, mais de 350 usuários não desgrudam do computador todos os dias na S&S.com.

“Parece que estou em outro mundo quando vou à lan, porque é como se fosse uma viagem que não precisa de muito dinheiro”, imagina André sem tirar a atenção do jogo Counter Strike, um de seus preferidos. Uma hora na frente do computador custa R$ 1 real, mas segundo Diego, normalmente a maioria fica mais de quatro horas.

No entanto, a preferência é variável. Fábia, por exemplo, exibe toda pomposa suas inúmeras janelas abertas no programa de bate-papo (MSN). São amigas, paqueras e gente que ela acabou de conhecer. “Eu sei que é importante estudar, mas navegar na internet e conhecer novas pessoas é bem menos entediante”, brinca.

Para Maurício, que curte livros e literatura, a internet serve para aprofundar seus conhecimentos e participar de fóruns, blog´s e grupos virtuais. “Dificilmente participaria disso aqui no bairro, justamente pela carência de tantas coisas. A internet facilita meus estudos”, explica enquanto lê Machado de Assis.

O professor universitário Geovani Berno aponta a internet, conseqüentemente as lan´s, como mais uma ferramenta que vem conseguindo se infiltrar nas comunidades carentes. “As escolas poderiam ser uma forte aliada nesse processo, mas ainda falta estrutura”, comenta. E ele tem razão. Somente cinco lan´s habitam na periferia da zona leste. Funcionam a partir das 08 horas, mas fecham cedo, às 22 horas. Motivo de segurança. Falta expansão das lan´s? Falta. Mas também faltam projetos e investimentos que familiarizem comunidades que ainda não tiveram acesso à rede, muito menos imaginam o que sejam lan-house.

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Alê Barreto

No segundo parágrafo, trecho "(...)abrir o Word e salvar um documento no quando abrimos a lan". Imagino que o "no" está sobrando. Pessoalmente penso que o lúdico, representado nas atividades dos games das LANs, contribui para aproximar as pessoas do mundo digital. Mas não acho que sejam a solução, tampouco o caminho único.

Alê Barreto · Rio de Janeiro, RJ 27/12/2006 11:02
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Tetê Oliveira

Oi Marcos, dois pequenos toques: 1º e último parágrafos, respectivamente - ambos "têm" e também "faltam" projetos. No mais, acabo de chegar de uma viagem pela Amazônia (estive em Porto Velho e no bairro JK, visitando o Museu Internacional do Presépio) e freqüentei muitas lan houses. Pelo que vi, a maior procura é por jogos, Orkut e MSN. E o público, quase sempre, muito jovem. Os preços variavam de R$ 1 a R$ 5 (Oiapoque), a hora. Poucos são os telecentros (geralmente ligados a projetos sociais e em parceria com o governo federal) que oferecem cursos às comunidades. Só encontrei uma lan house que oferecia curso, em Assis Brasil/AC, mas não sei dizer como era o esquema (se alugava o espaço para terceiros ou por iniciativa própria). Fora isso, estive em uma cidade na qual não há lan house ainda: Caracaraí, em Roraima. Lá a comunidade tinha acesso à internet numa escola pública, que disponibilizava, um dia por semana, sua sala de informática aos moradores.

Tetê Oliveira · Nova Iguaçu, RJ 27/12/2006 14:44
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Marcos Paulo

Poisé, Tetê...eu andei a zona leste quase inteira buscando os 'tais projetos sociais', mas não encontrei. Pra muitos que moram no centro da cidade, aquela região mal sabe ler e escrever...dirá navegar na internet. Como você viu, não é bem assim que acontece.

Da próxima vez que vier por aqui, dá um toque. É sempre bom receber visitas.

Valeu pelo comentário.

Marcos Paulo · Porto Velho, RO 28/12/2006 19:43
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Tetê Oliveira

É, Marcos, esses telecentros ainda são exceções. Se um dia eu voltar por aí, entrarei em contato. Abraço.

Tetê Oliveira · Nova Iguaçu, RJ 28/12/2006 20:53
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ronaldo lemos

Finalmente as pessoas estão começando a perceber a importância das lan-houses para a inclusão digital no Brasil. O assunto já é quente aqui no Overmundo há bastante tempo, mas agora começar a aparecer também na imprensa e em pesquisas. Para se ter uma idéia, em levantamento recente feito pelo Ibope/Netratings, dos 6 milhões de pessoas que apontados como acessando a internet de lugares públicos, cerca de 4,4 milhões faziam isso de lugares pagos (como os cyber-cafés e sobretudo as lan-houses). Esse é um dos fenômenos de empreendorismo mais importantes no Brasil hoje...

ronaldo lemos · Rio de Janeiro, RJ 31/12/2006 15:46
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Simplesmente Milena

Interessante...

Gostei do texto...

Simplesmente Milena · Rio Branco, AC 31/12/2006 17:48
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Marcos Paulo

Uma informação relevante.

Segundo a Junta Comercial, o número de lan´s não marcam mais que 47. Só em Porto Velho.

Na própria zona leste mesmo, mas isso só fiquei sabendo depois, existia um Instituto que oferecia cursos básicos e acesso a internet gratuitamente a comunidade. Só que, infelizmente, quase tudo por aqui está relacionado a política ou jogo de interesses. Resultado: o Instituto fechou as portas ainda em outubro, passadas as eleições.

Marcos Paulo · Porto Velho, RO 31/12/2006 18:46
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Helder Dutra

Vou ser piegas,piegas...eu sei mas vamos lá,não consigo resistir:"A internet é uma faca de dois gumes" vejo isso aqui perto de casa.Moro no Rio numa area complicada já que se situa entre a Miami carioca(Barra da tijuca) e o simbolo de pioneirismo em favelas mostrado para todo o mundo:a Cidade de deus,aquela do filme...enfim...percebece o estado de loucura em que as pessoas entram ao ver sua foto no orkut,conversar no msn ...ao verem-se inseridas naquela realidade parece que tomam morfina ou algo do genero e esquecem da realidade...semana passada durante a onda de ataques aqui no estado estive na cidade de deus e as lans estavam abertas,e lotadas é claro,enquanto 3 pessoas foram mortas a metros dali...íncrivel...acho que a net é tv dos anos 50,a panacéia do sec XXI...ah e é claro é informativa,importante e tudo isso que vocês ja sabem...é eu sou um mocado pessimista.

Helder Dutra · Rio de Janeiro, RJ 4/1/2007 10:37
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Thais Guimarães

Na verdade as lan houses têm obtido tanto sucesso pelo fato do Brasil ser um país pobre, e a maioria das pessoas não têm computador em casa. Uma realidade triste por sinal.
Porém, aí é que está o papel social que as lan desempenham, dão o espaço para que as pessoas possam acessar ao msn, orkut, you tube, febres do momento. O melhor de tudo é que o valor cobrado é acessível, o que fica mais fácil para que qualquer brasileiro possa ter o seu e-mail e entrar na era digital.

Thais Guimarães · Ribeirão Preto, SP 13/4/2007 20:43
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Marta Rodrigues

Muito bom... Sexo

Marta Rodrigues · São Paulo, SP 3/10/2008 02:30
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