VASTO MUNDO NIKKEI

Roberto Maxwell
Yuri Sanada, diretor
1
Roberto Maxwell · Japão , WW
8/7/2007 · 95 · 3
 

A energia do casal Sanada é sentida logo no primeiro contato. Vera é falante, esbanja simpatia e, como charme adicional, carrega um sotaque sulista. Yuri é um pouco mais calado, mas nem por isso menos alegre e decidido. Juntos, eles trouxeram ao Japão, pela segundo ano, o Nipo Cine Brasil - Mostra ABN-Amro de Cinema Brasileiro. A bagagem, desta vez, veio recheada com algo especial: o primeiro corte, ou seja a primeira versão, do documentário Mundo Nikkei, filmado durante o ano passado no Brasil e no Japão. O filme trata da história da migração japonesa para o Brasil, incluindo o movimento dekassegui e é uma das várias obras que, pegando carona na comemoração dos 100 anos do desembarque da primeira leva de japoneses no Brasil, pretende analisar o fenômeno e suas conseqüências.

A equipe, na grande maioria das vezes resumida ao casal, viajou durante vários meses pelo arquipélago colhendo histórias para o filme. “Filmávamos nos intervalos entre as apresentações do festival”, relembra Vera. Realmente, a dupla esquadrinhou o território japonês, de Hokkaido a Okinawa. Além disso, coletaram imagens no Brasil num total de 7.000 minutos de filmagens. “As viagens foram complicadas”, conta a produtora, “mas o mais difícil foi o processo de edição”, diz. De fato, vê-se claramente que o casal não poupou esforços em conseguir um bom material para o seu filme. Eles mergulharam para revelar uma bela formação rochosa que pode ser a primeira ocupação humana do arquipélago japonês, descobriram uma família que se descobriu herdeira de um patrimônio histórico do povo Uchinanchu, etnia da província de Okinawa e mostraram histórias de sucesso de brasileiros conhecidos e desconhecidos no Japão. “A mídia só mostra os problemas”, conta Yuri, que, como Vera, acredita que o documentário pode aproximar brasileiros e japoneses. Também é a opinião de um espectador japonês que assistiu a sessão de Mundo Nikkei no sábado, dia 30, em Toyohashi. “Vivo numa cidade que tem mais de 100,000 habitantes, é a segunda maior concentração de brasileiros no Japão e há muitos problemas”, explica ele que acha que o filme pode ser um importante elo para que brasileiros e japoneses possam conviver em harmonia e com alegria.

Ainda inacabado, o filme veio para o Japão exatamente para que os espectadores pudessem contribuir com sugestões. Na platéia de Toyohashi, uma senhora sugeriu mudanças numa cena e o mesmo tem ocorrido em outras exibições. Aliás, a coluna também contribui: apesar de ser boa a intenção de abarcar o máximo de temas e estórias na obra, uma enxugada no filme seria excelente porque abriria espaço para que os temas fossem mais aprofundados. Um exemplo disso está na seqüência em que um jornalista visita um danchi para conferir uma denúncia de que o lixo estava sendo abandonado por brasileiros. A idéia, segundo o diretor, era partir de um problema para mostrar como os próprios brasileiros estão procurando agir positivamente na busca de soluções. No entanto, a estória acabou sendo abordada de forma apressada, de modo que passa despercebida a intenção do realizador. Além disso, apesar de como cineasta entender a necessidade de dar visibilidade aos patrocinadores na obra, em alguns momentos a publicidade é agressiva demais o que pode, inclusive, soar mal junto ao espectador.

Aparadas algumas arestas, Mundo Nikkei pode se tornar um importante veículo num momento em que brasileiros e japoneses andam se estranhando. O filme, que tem estréia prevista para o fim deste ano no Brasil, voltará ao Japão em 2008, quando poderemos conferi-lo em alta definição e, certamente, bastante alterado após os debates e a interação com público aqui do Japão.

Publicada originalmente em Alternativa

Assista entrevista em vídeo com os produtores do filme.

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Helena Aragão
 

Uau, que bacana essa coisa dos pitacos das pessoas nos rumos do filme. Quase um filme colaborativo. :)

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 5/7/2007 15:09
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Roberto Maxwell
 

Nao eh? Acho bacana isso. Na sessao que eu assisti, o pessoal deu alguns toques bacanas. E eles estavam super abertos a ouvir. Muito bom mesmo.

Roberto Maxwell · Japão , WW 6/7/2007 13:57
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Helena Aragão
 

É verdade. Só tem que dar um limite para isso, né, senão o filme não acaba nunca!

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 6/7/2007 16:50
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