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Vendaval de mar

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Arianne Pirajá · Teresina, PI
13/3/2007 · 77 · 8
 

Havia tempestades constantes por ali. E sempre que as havia, ela parecia perder-se entre as gotas violentas de água sedenta. É que ela mesmo parecia ser uma grande gota d'água, só que do mar... Sim, tinha sal nela. Um sal triste que fazia arder seus olhos, não como o fogo arde, mas como remédio arde. Ela se feria muito e quando esquecia, outros vinham e a feriam. Ardia. Ardia como arde o sol de meio dia.
Perdida entre gotas tão fortes, ela tentava ser forte também. Tentava esquecer a dor do ardor e das outras coisas. Tentava esquecer das violências contra seu ouvido. Tentava esquecer as marcas do olvido.
Há algum tempo, houve um temporal. Todas as suas roupas voaram, como se quisessem que ela se trocasse em outro quarto. Ela obedeceu, porque sempre obedecia os comandos do tempo. Quando foi, parecia que aquele temporal fora somente sua imaginação durante um sonho desses sem pé nem cabeça, ou de cabeça pros pés, sei lá. Um sonho distante... Talvez o sonho seja justamente a distância de tudo. Ela já sabia que sonhava com distâncias, mas não sabia que a distância do sonho que achava sonhar era apenas um sonho, se é que alguém me entende. Era triste isso. Mas ela não sabia e por não saber, não sentia tristeza. Simplesmente sorria, acreditando na distância dos temporais.
Só que houve um dia nostálgico. Os dias passados pareciam infestados por uma praga de gargalhadas, e ela passou a sorrir por dentro também. Como podia? Era tanta graça que sentiu vontade de tentar. Até porque, acabara percebendo que cada canto tem seus próprios temporais e que talvez o canto dela fosse outro, porque assim parecia ser. Inocentemente, cerrou os olhos e o medo e foi. Foi porque sentia amor e porque sonhava. Se não sonhasse, certamente não iria e talvez nem mesmo sentisse esse amor. Foi e não sabia o que a esperava.
Durante todo o caminho ela percebeu as oscilações da temperatura. Ora sentia muito calor, ora sentia muito frio. Mas sentia-se bem. Nada que a acordasse demais. Porém, um dia sentiu uma gota em seu ombro. Não muito forte, mas também não muito fraca. E, pela primeira vez em tanto tempo, sentiu medo.
Todo mundo sabe que elas sentem o cheiro de medo e adoram, mas ela não sabia e começou a tremer, como se quisesse adiantar o futuro. Mas na verdade, tremia apenas de medo. E as gotas se tornaram seguras ao sentir que eram temidas, ganharam força e coragem. E caíram. Caíram gradativamente, durante dias, até que ficaram mais fortes do que nunca...
Agora ela era uma gota novamente, bem maior e mais salgada. E seus olhos agora estavam abertos e marejados e o ardor tomara o lugar de tudo, inclusive daquele amor que sentia. Ela já sabia o que era sonho, mas não sabia o que não era. Ela já não queria saber muito. Ela já não podia pensar muito. Apenas mantinha os olhos bem abertos, como se acreditasse na sacralização do ardor. E queria os olhos bem abertos para não cair no sonho de sacralizar o amor...

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Arianne Pirajá
 

POR QUE NINGUEM COMENTA?????
ninguém comenta no blog também... deve ser tudo uma merda mesmo :(

Arianne Pirajá · Teresina, PI 10/3/2007 13:50
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Ju Polimeno
 

Ops....tenha calma, são muitos textos e, por sinal, o seu foi postado no lugar errado. Ele deveria estar no Banco de Cultura. Até

Ju Polimeno · São Paulo, SP 12/3/2007 11:24
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Regis Andrade
 

Bom, sou novo no overmundo. Achei seu texto muito bom, poderia estar no banco de cultura, mas tambem pq não estaria no overblog? Não sei muito bem os críterios para com isso. Mas o que importa é publicar o seu texto e com certeza não é uma 'merda'.
=)

Regis Andrade · Fortaleza, CE 12/3/2007 15:37
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Ju Polimeno
 

Regis, textos literatos, poemas, contos, etc, devem ser publicados no Banco de Cultura. O Overblog serve para reportagens, artigos, notícias, etc, sobre a cultura brasileira. Dê uma olhada AQUI. Abs.

Ju Polimeno · São Paulo, SP 13/3/2007 11:17
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Arianne Pirajá
 

hummmm... eu não sabia. ainda não tinha entendido direito a diferença do banco de cultura pro overblog. e um dia eu publiquei no banco de cultura e disseram que o texto era bem blog... hehehe
pois eh... vou escrever por lá mesmo...
brigada aí, pessoas..

Arianne Pirajá · Teresina, PI 13/3/2007 17:06
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André Gonçalves
 

nao é uma merda...

André Gonçalves · Teresina, PI 15/3/2007 11:15
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Arianne Pirajá
 

obrigada :)

Arianne Pirajá · Teresina, PI 16/3/2007 13:05
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Arianne Pirajá
 

mas esse texto é meio chato, pra falar a verdade. nem eu to conseguindo ler ele.

Arianne Pirajá · Teresina, PI 18/3/2007 21:45
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