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Verdeee, produto do caos

Joelson
1
Carolina Morena Vilar · João Pessoa, PB
30/4/2007 · 181 · 16
 

Confusão e poluição são duas palavras que parecem traduzir perfeitamente a modernidade dos que não sabem lidar com o moderno. Nosso tempo deixa tudo mais fácil, tudo mais visual que sensível e as informações borbulham todas misturadas e em grande número, esperando serem filtradas por cabeças pensantes que, justificadas por toda essa loucura, são as mais confusas possíveis.

Se tudo isso traduz o moderno, o moderno traduz Thiago Verdeee (escrito assim mesmo), um sujeito que parece ter saído de uma nave espacial e desembarcado na Paraíba, com grandes olhos verdes e pele branca, observando e desfilando suas enormes mãos com veias estufadas por aí. Ele parece ser de qualquer outro lugar, menos daqui. Mas é, mesmo não querendo ser.

Pra saber exatamente quem é essa criatura, o que ela faz e o que diabos é essa imagem um tanto peculiar da virgem Maria ilustrando este artigo, me acompanhe: Verdeee é artista plástico e essa Maria foi maquiada e caracterizada por ele, chamando a atenção, curiosidade e principalmente o espanto de visitantes das mais variadas classes e gêneros, numa das galerias mais populares de João Pessoa, a Archidy Picado, no Espaço Cultural. Quem não o conhece e vê suas obras o acha louco, perturbado e que, claro, vai pro inferno. Fator que parece não assustar muito o garoto, já que além da Maria enfermeira, fez de Jesus um Mickey, pregou o novo testamento queimado na parede da galeria e pôs imagens de autopsias de fetos e bebês rabiscadas e pintadas naturalmente, como se fossem paisagens. E olha que ele sabe fazer todas as orações, ensinadas por sua avó.

Essa exposição foi a segunda edição do projeto Laboratório, entre maio e julho de 2006, do curador Fábio Queiroz, reunindo vários artistas novos, que transformou a galeria num grande atelier durante um mês, fazendo os artistas criarem em suas dependências e trocarem experiências e impressões, a partir do texto “Acabar com as obras primas” de Antonin Artaud. Depois desse mês de criação, as obras ficaram expostas durante dois meses.

Explicado o ocorrido, voltemos ao sujeito:

Verdeee mora com os pais e uma irmã de 16 anos. Fui fazer uma visita a ele para uma conversinha, desvendando o pensamento dessa criatura e pra saber onde danado ele quis chegar com todo o choque causado nos “cidadãos de bem”. Para meu espanto, ele me diz de forma clara e direta: “Não quis chegar a lugar algum, está tudo aí, é o que se vê. É tudo estético”. Seu quarto é um cubículo de 3x2, coberto por imagens do chão ao teto, mescladas por títulos e frases como “Bebê que fuma vai pro pote”, “Tudo se cria ou se sampleia”, “Mate-me por favor” e “Kill all hippies”, além de textos existencialistas. Entre seus muitos Vinis e Cd’s, estão Iggy Pop, Suede, Rolling Stones, Portishead, muito jazz e eletro punk. Entre os poucos livros, Mate-me por favor, alguns do Woody Allen e publicações sobre dadaísmo (movimento adorado por ele). Nos vídeos e dvd’s, estão Trainspotting, Virgens Suicidas, Yellow Submarine, No direction home, Stoned e Clube da Luta. Entre os artistas preferidos está Basquiat (Nome que visivelmente gera enorme influência sobre ele).

Verdeee consegue e é, mais que ninguém, o que tem, o que lê e o que ouve. Como o próprio diz, suas obras e seu mundo são diretamente influenciados por “tv, paisagens artificiais, capitalismo, pop, nossa sociedade hipocondríaca, crianças de 5 anos, bulas de remédio, insônia, poluição, lixo, john cage, desintegração, duchamp, rimbaud, punkrock, o fim das coisas, o desconforto, o inútil, o desconcertante”. E pode apostar que é muito mais.

Toda essa informação o deixa com os olhos arregalados e com as frases às vezes desconexas. Talvez por isso seja calado, à primeira impressão. E quando cala gosta de produzir, mas isso não é regra, principalmente porque é comum encontrá-lo tempos sem fazer nada, dormindo (esse, inclusive, parece ser um dos seus esportes favoritos). Deprime-se fácil e quando isso acontece não quer conversa com ninguém, a não ser com suas infinitas imagens coladas na parede. Ele não trabalha nem estuda. Terminou o colegial e diz que nada interessa realmente, principalmente por não ver muito futuro profissional interessante por aqui. Quer viajar, mudar de estado, de amigos. Acha que já viu tudo que tinha de ver por essas terras. Não gosta da maioria dos artistas locais, acha que tudo é conceitual demais e ele não tem estômago praquilo. Detesta temas regionalistas e não acredita que muitos ainda tenham paciência pra desenhar ou fotografar casinhas de taipa, burros, cavalos e ouvir maracatu.

Como eu disse anteriormente, ele é espelho muito mais do urbano e todos os problemas sociais. Verdeee não sabe nem quando se descobriu artista. Desenhava bonequinhos minúsculos com aspectos cansados, sujos e com olheiras durante as aulas no colégio. Pintava seu quarto e foi com fotos dele, inclusive, que o curador de sua primeira exposição (a qual falei no inicio) o descobriu, e ele se deu conta que todas aquelas montagens e rabiscos, como já suspeitava, eram arte.

Verdee ainda está se descobrindo, mas acha que só pode ser disso que vai viver, misturando arte visual, com referencias de música, cinema e literatura. Vomitando o atropelo das informações de forma confusa, suja e esteticamente feia. É o espelho da forma que ele vê o mundo e as reações. Sem muitas explicações, sem conceitos. Pinta e faz o que vê e entende do mundo para ser visto, simplesmente. E detesta os psicólogos ou metidos à, é clássico cidadão do admirável mundo novo.

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Sarah Falcão
 

aeh!
Um dos mais promissores artistas daqui de João Pessoa, devo dizer. E pessoa que eu amo tanto... Adoro.. Adoro entrar na cabeça dele quando a gente conversa, acompanhar o que ele faz.
É um menino que só precisa se mexer um pouquinho pra chegar no lugar q ele quiser (tendo a arte como estrada).
Ah, Carola! Ótimo texto. Como sempre, né? rs...

Sarah Falcão · João Pessoa, PB 26/4/2007 17:03
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FILIPE MAMEDE
 

Muito massa...legal saber que tem gente fazendo coisas diferentes por aí... quanto ao texto, tá muito bom. Excelente fluência. Abraço.

FILIPE MAMEDE · Natal, RN 27/4/2007 16:04
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Bruno Nogueira
 

A primeira vez que vi uma exposição de Verdeee, ainda antes de conhecer a figura, tive a impressão que ele era exatamente como está descrito no texto. Isso é divertido, de conseguir se expor no que produz. Queria ser assim no que eu escrevo.

Depois de conhecer ele, a dúvida acabou crescendo, de tão reservado que é. Mas agora, lendo tudo isso, consegui confirmar! :)

Quem for a João Pessoa e tiver oportunidade de conferir o trabalho dele, vale a pena! Ou, quem sabe, quando ele conseguir chegar em outras praças. Talento já tem, só falta o trabalho de formiguinha :)

Bruno Nogueira · Recife, PE 27/4/2007 16:16
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verdeee
 

humm!!

verdeee · João Pessoa, PB 28/4/2007 15:53
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Mama Edie
 

Bem, o texto de Carol, sempre bom, mas nem tamanha fidelidade, eu acho que verde é um menino confuso e meio desorganizado, preguiçoso também, em especial pra saltar sobre sonhos, é preciso muito trabalho, comentário de amiga, poderia vim aqui é só elogiar, mas, creio que sendo assim, estaria abanando.
É um menino com um certo talento, ainda precisando de coragem.
hi hi hi :D
E tb nem acho agressor um pouco de tinta red e um Jesus Mickey, Jesus já foi até Simão, por que não poderia aparecer em vestimentas de Mickey? Ambos tem o pop popularismo em comum, elementos do cotidiano.
:)

Mama Edie · Aparecida, PB 29/4/2007 07:14
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 zonda bez
 

acho que verdee eh figura pop-musical-espacial
indispensável em qualquer zine-life terráquea!
lembro que ele enver[rr]eda pelas trilhas sonoras,
em especial a do doc. 'cabaceiras', de ana barbara ramos.

zonda bez · João Pessoa, PB 30/4/2007 14:38
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Andera
 

AH. ~eu realmente não gostei desse texto. não acho que a vida pessoal dele importe enquanto ele começa a lidar com a sua propria arte e sua propria evolução.Acho incrivel como é facil colocar em palavras o que nem passa perto do que ele coloca em suas pequenas esculturas, como ele faz um releitura daquelas coisinhas que estão sempre ali a seu lado. E se ele dorme muito,toma heroina como basquiat faria.. isso muda a arte dele?
ou isso importa mais que a arte dele? sua preguiça de pintar ou se ritmo de um quadro por ano ou ou dez por dia?faz dele melhor ou pior.
Alienigena..ahaha como isso aqui é um grande cliché da imagem de um artista que em si,esta começando.. tão perdido quanto eu..e um monte de gente.
Ele permitiu a vocês entrarem no universo dele e ninguem respeitou ou pensou no efeito disso.. como colonizadores vocês são.
A arte reflete a vida do artista é isso que vocês ainda acreditam por aqui né?e se ela só reflete a vida dele, alguem cria algo? Não. acreditam no velho cliché de que ele vive,aquilo, pinta escreve e faz musica.... realmente uma parte do mundo deixada para trás. de onde aparentemente o thiago não faz parte. Ainda bem.}}}}}}}}}}}}Explicar alguem dessa maneira sem duvida é um grande erro.

Andera · São Paulo, SP 30/4/2007 20:41
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Mama Edie
 

=} Andera, concordo em termos, sobre a lentidão, é, que, verdadeiramente, ele reclama muito MUITOOOO sobre possibilidades, porém, creio que poucos acordam e já tem tudo na mesa apenas para ser digerido, por isso que falei da lentidão, se reclama muito, vai atrás né!
pronto.

Mama Edie · Aparecida, PB 30/4/2007 21:22
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Crismartins
 

Eu não gostaria de conhecer um artista pessoalmente.
Digamos que ele perde a leveza do místico. Acredito que a partir do momento em que se mostram visões parciais de qualidade ausentes em artista, isso torna sua arte algo depreciativo. O rótulo logo vem: louco, drogrado, idealista, bêbado, rude, solitário. É isso que a gente faz quando sabe a vida de um artista, de um mocinho de novela (isso cabe para aqueles que assistem à uma). A arte se fecha, a sensibilidade se torna perversiva.
Eu não quero conhecer o artista, e sim sua arte.
Deixa que o resto eu faço depois, se precisar.

Crismartins · Curitiba, PR 1/5/2007 13:25
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Carolina Morena Vilar
 

Andera, eu n concordo contigo... Vc acha que essas características não passam nem perto do que ele produz> tente olhar mais uma vez pro que o garoto faz. Isso tudo não é insônia, basquiat, as paredes do seu quarto, o comportamento de uma época, com seus conflitos e características justificadas por um universo de coisas>

"(...)Acho incrivel como é facil colocar em palavras o que nem passa perto do que ele coloca em suas pequenas esculturas, como ele faz um releitura daquelas coisinhas que estão sempre ali a seu lado" Acho que vc se contradisse aí, ou, no mínimo, eu n entendi. Tua ultima afirmação neste parágrafo é exatamente o que eu fiz no texto e que vc criticou no teu comentário... A releitura das coisas que estão sempre alí ao lado dele. Achei confuso teu ponto d vista, n entendi.

Ah, acho sim q características como se toma heroína ou dorme muito influencia a arte. É evidente que influencia, ao menos pra artistas sinceros e orgânicos como ao que nós estamos nos referindo, não é>

Nunca disse (nem nesse artigo nem em lugar nenhum) que o ritmo que ele produz qualifica sua obra. Se ele faz um quadro por ano ou 10 por dia... Esse não é o mérito da questão. Quando colocamos isso nos referimos não a qualidade, mas a caminhos e objetivos dele com o que ele produz, entende>

Colonizadores... Acho que vc deveria desarmar-se um pouco e ler novamente o que escrevi. Quem disse que quando eu falei que ele devia ter saído de uma nave espacial eu vi isso como um problema> Ao contrario, isso impulsiona muita coisa, reflete muita coisa. Não entendi qual o problema com isso...

Tenta entender direitinho meu ponto de vista e o que o artigo realmente diz, ok> Desarme-se, assim teu discurso fica mais consistente.

E tente um exercício... Pegue características que eu atribuí ao artista e transporte-as para sua obra. Vc ainda acha que não tem nada a ver>

Carolina Morena Vilar · João Pessoa, PB 9/5/2007 14:04
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Carolina Morena Vilar
 

Ah, e desculpem a falta de interrogações, este teclado está problemático.
=)

Carolina Morena Vilar · João Pessoa, PB 9/5/2007 14:07
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Gabriela Caldas
 


mesmo com as suas justificativas carolina, o texto continua ruim, como uma caricatura mal sucedida de algo que você aparentemente, pelos caminhos que escolheu para construir o discurso, não respeita ou ao menos não alcançou.
lamento.

Gabriela Caldas · Aracaju, SE 11/5/2007 00:25
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verdeee
 

OQHIOWDHIEFIPWHJPFRJOPERPTOEGOGTE
QUANTA BESTEIRA.!
ISSO RENDE MUITAS PIADAS.INHA
OBRIGADO!
=]]]]

verdeee · João Pessoa, PB 17/5/2007 23:48
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verdeee
 

HHAHAHAHHA! DFJKJDFKLDSJKKLDKF
droga,perdi as inquetes,eutinha tanto oq falar!
demorei pra voltar aqui!
gente e muito divertido! um responde o do outro,assim no estilo passa ou repassa!
carol conseguiu,na minha opiniao la queria provocar o caos!
ahahah
parabens !

verdeee · João Pessoa, PB 17/5/2007 23:50
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Débora Medeiros
 

Seria muito fácil rotular esse cara. Por natureza, torço o nariz pra tipos "excêntricos" e "polêmicos" demais. Mas acho que seu texto está legal e que você se aproximou do seu personagem de uma maneira bem interessante. Não fez uma mistificação do cara, não recheou de significados fáceis tudo o que ele faz, nem o julgou, como eu fiz. Mostrou uma pessoa como qualquer outra, com sua idiosincrasias e inquietações. Muito válido como jornalismo.

Débora Medeiros · Fortaleza, CE 17/6/2007 12:30
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J.Veiga
 

Texto ótimo e enciclopedicamente eficaz!
Escuta,do me a favor #)
muda o meu nome nas fotos pra J.Veiga.
ta?
vou esperar
=P

J.Veiga · João Pessoa, PB 18/6/2007 10:44
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