Vereda Adentro
Advertência:
A colaboração, abaixo transcrita neste Overblog, tem, como complemento, uma outra, postada concomitantemente (ou quase), no Banco de Cultura. categoria Artes Visuais.
Postar as fotos dos artesãos de Caroá sem narrar a história desse saber e sem descrever o modus operandi dos tranceiros e fazedores de surrões é como contar um milagre e esconder o santo. Da mesma forma, escrever sobre o artesanato de caroá sem poder mostrar fotos que o ilustrem.
Uma Rosa da Caatinga Vereda Adentro –
Em busca das expressões culturais tradicionais de Pio IX.
Foi no ano de 2003 que comecei, como coordenadora do Departamento de Cultura de Pio IX, a mapear as expressões culturais tradicionais do município. Só havia uma câmera fotográfica na prefeitura, dessas compactas e fuleiras. Como eu tava sem nenhuma, comecei por aí. E daria certo, se este não fosse um instrumento de uso comum. Resolvi, então, comprar uma dessas só pra mim. Afinal ninguém, além de mim, daria falta dessas imagens. A cultura existente no serviço público confere pouca importância aos registros fotográficos. O fotógrafo (a), regra geral, tem que aproveitar as brechas e dar-se por satisfeito (a). Foi o que fiz! Aproveitei todas as brechas. De repente me vi metida numa bola de neve em pleno sertão. Cada dia mais me enrolava em viagens ao interior, revelações, cursos de fotografia digital, etc.
Tive sorte! As funções que passei a exercer na gestão municipal – de 2003 a 2008 – me permitiram agir com autonomia e rolar... vereda abaixo, vereda arriba, vereda adentro!
Artesanato de Caroá: uma das formas de sobrevivência do povo do semi-árido.
Quando comecei a indagar, ao pessoal nascido em Pio IX, sobre suas formas de sobrevivência nos primeiros cinqüenta anos do século passado, encontrei de um extremo ao outro do município, uma atividade comum que auxiliava na renda familiar. E passei a seguir essas marcas. Foi aí que, na curva dessa vereda avistei um ‘Sobrado’, e, depois do Sobrado, o ‘Pau-ferro’.
No Pau-ferro o povo não fala, canta! Dá a impressão de que saímos de território piononense, pela estranheza lingüística do lugar, que fica a 20 km da cidade. Passei inúmeras vezes por essa estrada quando adolescente, indo estudar em Campos Sales-CE. Mas nunca mantive nenhum diálogo nesse trajeto. Sempre estive ocupada demais em domar meu mau-humor provocado pela poeira que fazia redemoinho dentro daquele carro cheio de furos, e pelo desespero de ter que deixar minhas bonecas em troca de um punhado de letras incompreensíveis.
Na verdade nunca tivera diálogo com o mundo rural, embora Pio IX seja um município eminentemente rural.
Com uma área de 1.948,84 Km², Pio IX apresentava, em 2000, uma população de 12.227 habitantes da zona rural, contra apenas 4.278 habitantes da zona urbana (IBGE – 2000).
Com as lentes fotográficas intermediando, passei a dialogar com esse universo. E pude observar que, por todos os cantos e recantos que eu passava, sempre encontrava alguém usando um patuá de caroá - seja um pescador, seja um caçador, e principalmente o home da roça. Lembrei que na despensa do meu pai tinha um pendurado. Essa era definitivamente uma expressão entrançada na vida dos habitantes dessas paragens.
Buscando descobrir onde ainda se fazia aquilo nos dias de hoje é que cheguei ao Sobrado, e a seguir ao Pau Ferro. E atenta a fala cantada daquela gente, descobri a importância dos trançados na história de sobrevivência do meu povo.
“- As trança era o pão da gente. Foi o que nos ajudou a botar comida em casa. Quem não fazia passava precisão.” (Raimunda Ana de Jesus Carvalho – Doca/ nascida em 1949)
Importância essa que se encontra amordaçada pelo preconceito, fruto da desvalorização do ofício. Nunca encontrei uma tranceira que não vibrasse de emoção ao falar da arte. Seus filhos (filhas), no entanto, expõem uma insatisfação descabida diante do assunto. Alguns deles (as) desempregados, outros trabalhadores (as) da roça (às vezes em terras alheias). Uns poucos, funcionários da fábrica de cimento. Uma das filhas de Antônia Joana de Morais (Tuninha/64 anos/Sobrado) reclama a dureza dos espinhos do caroá que fere as mãos da sua mãe. Ninguém menciona as doenças crônicas pulmonares de caráter irreversível e progressivo que assolam os moradores daquela região, provocadas pelo amianto.
Um dia visitando a fábrica, assisti um funcionário (com salário em dia, é claro!) aparando os sacos de cimento que desciam por uma espécie de tobogam e transportando para dentro da carroceria do caminhão. O peso do saco tombava na cabeça do indivíduo e o cobria com uma nuvem cinza; senti náuseas ao assistir aquele veneno invadindo as narinas do cidadão. Eu me perguntava então, quais os ossos desse ofício que aliviam o peso dos tiradores de caroá? Não foi difícil de responder, a fábrica representa renda certa no final do mês!
“- Antigamente nós era obrigada a fazer para comprar o pão pra comer, pois não tinha outro mei de vida. A primeira chinela que eu comprei pra mim foi com um jogo de surrão que vendi por dez tões. Comprei uma roupa, um chinelo, e fui a pé passar o natal em Pio IX. Lá ainda comprei um saco de coisas e vim com ele na cabeça. Os pai num botava os fie na escola purque num pudia, então butava nós pra aprender a fazer trança.” (Doca)
Pois é, atualmente, em pleno século XXI, não se pode mais sobreviver fazendo trança de caroá! Seria um absurdo! Mas, absurdo mesmo é exterminar uma arte, que ainda aparece depois de séculos, disseminada não apenas no imaginário do nosso povo, mas latente - em focos isolados é verdade - mas bem viva, resistindo bravamente.
Caroá (Neoglaziovia varigata)
O caroá é uma planta bromeliácea, nativa do nordeste do Brasil, que produz fibras têxteis. Sem caule, com espinhos contornando as partes laterais de suas folhas. É do interior desse vegetal que se extraem as fibras das quais se faz o resistente tecido.
A luta dos caroazeiros e das tranceiras - muitos deles sem terras próprias - começa com a ida às terras alheias para colher a matéria-prima. Saltam as cercas, e com a permissão do dono arrancam os pés de caroás. Dependendo da distância lá se vão, a pé ou no lombo de um jumento com sua cangalha coberta com uma manta (de trança de caroá).
E daí começa o processo de construção das tranceiras, o qual tive a oportunidade de acompanhar em todas as suas fases.
Pude observar que o caroá, na região de Pio IX é arrancado e não cortado. Procurei então me informar, e li uma pesquisa da agrônoma Joselma Maria Figueirôa, feita em Caroalina, no Sertão de Pernambuco. Através da Associação Plantas do Nordeste (APNE) a pesquisadora da ONG acompanhou, durante um mês, no período seco, e outro, no chuvoso, o desenvolvimento da planta, e identificou que o corte a dez centímetros do chão é o que apresenta maior rendimento.
Aqui em Pio IX não há nenhum estudo em torno dessa planta nativa, e as poucas pessoas que a utilizam o fazem com técnicas rudimentares, desde a sua extração até o seu artesanato.
E eu, que nada entendia do processo me limitei a saltar a cerca com Dona Doca. Se ninguém fuxicar ao dono da roça, posso revelar que roubamos uma melancia e nos refrescamos com a água de um córrego que tocava suavemente sua música, sem importar-se com a seca que cavalgava a passos largos em sua direção. Lembrei que a agrônoma afirmara que a melhor época para a extração do caroá é exatamente no período chuvoso. Na seca, o peso das folhas é três vezes maior, mas a coleta é mais difícil.
Se tava fácil de arrancar não sei, porque não ousei apertar a mão do (no) vegetal. Segui Doquinha, que esnobava a sua capacidade de equilibrar o feixe na cabeça. Chinelamos no rumo de casa, onde várias etapas aguardavam a habilidade da tranceira.
Depois de raspar as laterais para tirar os espinhos, os caroazeiros (as) fazem um vinco circular, com uma faca na parte de baixo da folha. Em seguida dobram, puxam a casca, e deixam só as “fitas” (as fibras). Agrupadas em molho de dez, as fitas levam cacete e são batidas até ficarem amaciadas. Indaguei sobre a danificação da fibra nesse processo, mas não obtive resposta. Já amaciadas, as fibras são estendidas e postas para secar. Devidamente secas, estão no ponto de trançar.
“- Depois que os home tirava e batia o croá, nós se juntava tudo numa casa só (tudo com fome!) e passava a noite, cada moça com um rapaz do lado (gaiato) entregando as imbira. Desse jeito nós comprava de cumer (farinha, milho e rapadura). Nós comia muito mungunzá branco e fazia fubá também. Aprendi a trançar com oito anos, com minha mãe. Os home e as muié acendia o fogo e ficava até de madrugada fazendo trança. Fazia 12 braça, oito de dia e quatro de noite." Maria Ana de Jesus (nascida em 1939/Pau Ferro)
As tranceiras amarram as embiras em um torno da casa e começam a fazer o tecido. Cada fita de caroá dá uma média de quatro fiapos. No torno são colocadas vinte e uma pernas que vão sendo trançadas, resultando numa peça de aproximadamente nove centímetros de largura. Depois de feitas várias braças de tranças, começa a manufatura dos artigos. Feitos com uma agulha de fardo e uma faca as peças vão ganhando forma: surrões, mantas, buangas, etc.
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Como e porque me tornei a Rosa da Caatinga
"Por viver muitos anos dentro do mato
Moda ave
O menino pegou um olhar de pássaro -
Contraiu visão fontana.
Por forma que ele enxergava as coisas
Por igual
como os pássaros enxergam."
(Manoel de Barros)
Se contrai visão fontana não sei, o certo é que de tanto adentrar veredas em busca de imagens do modo de vida próprio dos seres da caatinga no seu fazer cotidiano, passei a enxergar além do que as lentes fotográficas nos permitem. Suponho que essa variabilidade da visão do pássaro tenha me contaminado.
Cedo descobri que a minha relação com a fotografia não passa apenas por um simples olhar, como uma paquera à moda antiga. É uma paixão avassaladora, dessas que nos faz saltar cercas, se embrenhar vereda adentro, conversar com minúsculos seres, comprometer a família, chorar de dor, e principalmente sorrir de encantamento. É enfim uma relação viva, intensa!
Colecionando Figurinhas
Comecei minha coleção de figurinhas quando ainda menina (década de 80). Meus irmãos sempre me davam uma câmera descartável que recebiam no ato das revelações. Love! Era esse o nome da criatura. Talvez isso explique esse meu caso de Amor com a fotografia.
A Lulu (uma amiga de infância) me fez lembrar, outro dia, que saíamos, às vezes, fotografando a torto e a direito, pra só no final descobrirmos que não havia mais vaga no filme. Já nesse tempo o envolvimento com o fotografado se confundia com o desejo da fotografia. É claro que ainda não havia escolhido com quem casaria, mas os seres da caatinga já me assediavam.
Tempos depois me perguntaram o que era mais importante pra mim, se o ato de fotografar e a imagem adquirida, ou se os seres fotografados. Interpretei que a pergunta era “você é capaz de ameaçar a vida de um ser da caatinga em busca de boa imagem?” De súbito eu não soube responder! É tão compulsiva a trama fotográfica, que confesso já me levou a sacrificar alguns seres. Pra que eu fizesse a infância e adolescência dos sabiás com uma câmera compacta, por exemplo, incomodei ao extremo os bichinhos. Puxei uma cobrinha da boca de um filhote porque achei que a mãe havia exagerado na porção, quebrei alguns galinhos da árvore pra facilitar um pouco minha visão, provoquei a morte de um filhote porque decidi trazê-lo pra passar um temporal dentro de casa, e por aí vai. Bom, é verdade que em contrapartida levei uns rasantes na cabeça, da mamãe sabiá, que passou a me odiar. Levei bronca do meu pai, por essa dedicada estupidez de fotógrafa que não respeita o resguardo de uma mãe, etc.
Tudo isso pode até levar a crer que a fotografia esteja acima dos fotografados. Porém mesmo sem querer falar de intenções, devo dizer que os efeitos da minha fotografia – coleção de figurinhas - têm sido muito mais benéficos do que maléficos. Na pior das hipóteses tem interferido no olhar sobre o valor estético da caatinga. Ver as crianças disputarem cada número da série de postais que a prefeitura distribuía num evento de idosos, me fez crer que nem só de Power Ranger vivem as criancinhas.
Mas o que realmente sei da importância desse trabalho é que, toda compulsão desaparece quando esses seres – da caatinga – saem do meu campo visão. Sou incapaz de dar um clic sequer diante das mais extraordinárias paisagens. Talvez a paixão esteja além da fotografia e dos seres fotografados. A minha fissura está em fazer da minha coleção um testemunho da felicidade possível dentro do contexto do semi-árido. É a felicidade, simples e óbvia, o meu foco. E se você acha impossível ver a felicidade, sinta! Já é o bastante!
Passei uma temporada em Teresina-PI, onde conclui minha primeira graduação, em história. Lá a chuva mete medo. Os trovões não dialogam, guerreiam! E corisco não perdoa! E quando voltei a Pio IX, no início da década de 90, subitamente percebi que os espaços geográficos, os biomas, os ecossistemas, seja lá qual for o nome que denomina o lugar onde vivemos, além das análises cientificamente geográficas, históricas, biológicas etc, devem ser descritos e/ou compreendidos dentro de uma responsável contextualização, sem descartar sua imensa subjetividade.
E foi imbuída do impacto dessa subjetividade, que eu passei a fotografar minha terra.
Não tenho, até hoje, nenhuma pretensão em vender ilusões, nem tão pouco de expor um quadro ‘real’, do que é o meu lugar, sob a pretensão dos estudos da pesquisa científica. Apenas sinto que esta é a terra que é minha, e a interpreto multifocalmente, e tanto quanto possível, apaixonadamente!!!
Querida Rosa:
Quando digoque você é especial você se faz de desentendida> Mas você é! Uma pessoa com uma Cãmara na mão, e, mais que uma idéia, um objetivo no cabeça: mostrar o que tem de bela, interessante viavel e pulsante a Caatinga. Que mulher maravilha, que nada, minha heroína é a Rosa da Caatinga!
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho
Joquinha, mostrar só não basta. Quero ver fazer valer! Enquanto tô aqui postando, os editais da vida estão vencendo os prazos. E o que eu fiz de concreto pela vida dessas pessoas?
Sinto muito pelo tom nostálgico, mas é assim que me sinto, chorosa. Porque era em cima de um projeto que contemplasse essas famílias que eu deveria está debruçada. E não colando figurinhas. Desculpe-me. Obrigada por tudo que você representa na minha vida.
Querida Rosa:
Tenho certeza de que não é isso o que você pensa estar fazendo (colando figurinhas), Prefiro achar que você estácansada. e se expressou mal. Não há, não pode haver, nem nunca houve qualquer oposição entre a divulgação de algo e, como vovcê diz "Fazer valer", Estive, nos últimos dois anos, metido até o pescoço na campanha pela Restauração da Fábrrica de Sonhos. Ela será tombada em nível nacional e restaurada pela Petrobrás. SEria faolsa modéstia se eu dissesse que não me considero um dos principais responsáveis pelo resultado, E o que fiz? divulguei, botei a boca no mundo, falei falei e falei até aqui mesmo no overmundo
Beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho
Tá certo! talvez me falte a sua perseverança! Sei a importância da divulgação, só estou querendo ver se efetivando algo de concreto em torno de Dona Doca.
Escute, não consigo por os vídeos!
BeiJOCA!
Que maravilha de texto Rosa! Parabéns por registrar e contar tão bem as histórias e pessoas do seu lugar!
Abraço!
Oi, Rosa! Rosa rosa deves ser!
Parabéns pelo belo tabalho junto aos artesãos de Caroá, conservando essa arte na memória escrita e em fotos. Pessoas assim, rosas, ficam sempre na lembrança de todos, artesãos ou não.
Vou ver as fotos. Por essas aqui já dá pra se ter uma idéia do bonito trabalho que está sendo feito.
Um abraço, amiga, e continue com esse valioso tabalho de preservação dos costumes e da arte de nossa gente!
MariaLuísa.
Oiiiiiiiii, Marcelo e Maria Luíza, prazer enorme!
A população de Pio IX tem respondido bem a essa divulgação. Os artesãos andam espalhados em banner, postais, participado de eventos com suas danças populares, etc. E é bem certo que isso acabou refletindo num acréscimo nas vendas dos produtos, alguns já em desuso. Agora tenho que partir pra próxima etapa. Já consegui dar um empurrãozinho numa associação que andava desativada, e talvez daquele mato saia coelho. Torçam!
Beijo!
ATENÇÃO! Passei mais de vinte e quatro horas sem chance de edição. Caso tivesse postados com muitos pontos a serem acertados, teria sido um desastre. Não sei o pode está ocorrendo e ninguém me diz nada. Isso ocorre com o texto do overblog e com as múltiplas imagens. S.O.S overmanos!
rosa melo · Pio IX, PI 12/11/2008 08:26Grande Rosa... parabéns pelo seu trabalho quase sacerdotal em defesa da identidade popular e de toda uma geração que é a Cultura. Quisera fosse o Brasil e o NE um extenso jardim com tantas Rosas iguais a você. Fico deveras angustiado por ver(sentir) suas preocupações. Pô, também ainda não compreendo bem os trâmites aqui do Overmundo. Creio, contudo que algumas discrpâncias deveriam ser sanadas para o bem de todos... Um grande abraço fraternal com a dimensão do seu amor devotado a cultura do seu belo povo.
José Cycero · Aurora, CE 12/11/2008 09:47
Rosa que prazer grande conhecer você e seu trabalho!! Vi em alguns post acima o quanto parece cansada e severamente crítica quanto a sua contribuição... Entendo o que é sentir-se assim. Mas, permita-me dizer: Não esmoreça a divulgação é muito importantepara que possamos atingir novas etapas.
Muita paz!!
Oi, querida Stella. Olhe, hoje recebi um recado de que devo está em Recife a chamado do UNICEF. Por conta da campanha do SELO UNICEF. Como mobilizadora do eixo de cultura, mexi o tempo todo com essa coisa da valorização dos trançados. Inclusive confeccionando os figurinos das danças com esta fibra, etc.
O que quero dizer é que sei que a divulgação cava espaços, mas nada ainda que desenvolva esse fazer entre as famílias. Você entende, né!?
De toda forma hoje é um dia triste, perdi minha cadela, a que mais me amava.
Sem mais...
Beijo!
Que belo trabalho, Rosa! Uma pesquisa de peso, realmente, para integrar arquivos públicos. Parabéns. Votado
Ivette G M
Rosa, antes de mais nada, parabéns! Um belo trabalho. Divulgar pode mudar as coisas, tenha certeza. Não que se deva ficar só por aí.
Como etnomusicólogo fiquei muito impressionado com a musicalidade das trançadeiras. Parece que tal musicalidade lhe chama atenção também. Não há ninguém da área pesquisando as práticas musicais dessa região? Posso divulgar o seu trabalho com o pessoal de música da UFPI?
[]s,
LC
Poxa Luciano! Linda a voz da Dona Selma, né?! Olha, tem uns amigos meus de Minas Gerais, na verdade conheci o Carlinhos agora em agosto. Ele é um grande percussionista. E o Wilson Dias que tá com uns trabalhos de viola bem bacana. Mostrando esse apanhado pra eles, trocamos uns sonhos, e ficamos de escavar recursos pra fazer um trabalho associado - vitalização dos trançados e gravação das vozes das tranceiras. Na verdade minha busca foi em torno dos trançados, dos curtumes de couro e das louças de barro. E o nosso prpósito seria como tirar sons desses elementos (palha, barro e couro), e o resto da coisa toda junto num ousado projeto.
Claro que pode divulgar! Mantenha contato!
Abraço!
Então é o que farei. Mais uma vez, parabéns!
[]s,
LC
Rosa, simplesmente fantástico. A mim me encheu de lembranças, recordações e saudades.
abraço
andre
Pois quero saber dessas recordações. Ouviu as vozes das tranceiras?
Abraço! Vou passar nos seus postados.
Alguem disse: se queres falar do universo, fale da sua aldeia! Essas vozes são da alma do povo. Uma egrégora construida pela força do pensamento e que tem vida própria. Cada pequeno povoado tem a sua "alma-grupo"e o seu Guardião. Tem uma vida que lhe é própria e que tem a sutentação na réplica no mundo espiritual. Somos o reflexo! A alma tem que ser buscada e sustentado por nossas ações! Exelente o seu postado Rosa. um beijão!
raphaelreys · Montes Claros, MG 13/11/2008 17:21
Rafhaeeeeeeeeeeeeeeelllllllllllllllllllll, cada vez mais sinto vontade de sentar contigo na beira de um penhasco, e rolar por entre seres imaginários, até despencar na vida...vida que poucos percebem!
Lindo, lindo, lindo...Quero te ouvir mais.
Abraço do tamanho do meu afeto pelas artesãs da minha terra.
Rosa, que maravilha esse vídeo e os áudios, além do texto, claro. Coisa mais importante registrar e disseminar histórias, situações e personagens como esses. Uma pergunta: qual é a população de PIO IX hoje em dia?
Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 13/11/2008 18:42
Rosa, sou fã incondicional da riqueza do simples.
Privilegiada vc.
Helena, querida! Não corrigi o postado pq fiquei sem chance de edição por mais de 24 horas. Sorte que estava mais ou menos enxuto. Obrigada pelo zelo.
A população de Pio IX atualmente é de 11.950 habitantes na zona rural, e 5.234 na zona urbana.
Rosa se tornou o olhar da caatinga. Rosa olha doca, o caroá, pula cerca e mata a sede com a melancia colhida na alegria nostálgica das mulheres que sabe do peso da solidariedade, do trabalho coletivo, do gosto da camaradagem. Salve Doca, salve Rosa!!
Tudo aqui é lindo, forte, semi-árido, esplêndidamente verdadeiro. comovente, ainda que vc não queira.
Impossível, Rosa, fazer um comentário à altura do que li aqui. Não tenho aquela visão puramente poética que os intelectualóides do centr-sul têm do nosso sertão nordestino. Sou nordestino, cearense, e conheço mais ou menos bem a realidade sofrida, porém alegre e religiosa daqueles povos. Suas experiências e narrativas ajudam outras pessoas a verem beleza, cultura e arte onde costumam achar que só existe pobreza e miséria. Continue nos brindando co esses relatos.
Marcos Pontes · Eunápolis, BA 13/11/2008 20:39
Rosa da Caatinga,
Falei lá nas fotos da quebradeiras de côco do Maranhão. Lá elas fundaram uma associação que comercializa o óleo de babaçu, o sabonete e outros subprodutos que as sustentam nas suas terras. Já até exportam. Será que não falta o incentivo de uma iniciativa privada , ou mesmo pública, para apoiar e comercializar o trabalho delas? Uma ONG, uma Universidade, que se interesse?
Parabéns pela sua paixão. Deu belos frutos.
É isso overmanos! É de felicidade possível que falo. E pra que buscar essa tal felicidade nos CEASAS de São Paulo? Um incentivo, um pequeno empurrão, e a vida de dezenas de pessoas tomará um rumo mais digno, aqui mesmo na caatinga.
A caatinga vem protagonizando há mais de meio século - no cinema e na televisão - a história da pobre desgraçada, que traz estampado na face o olhar triste de quem perdeu o último trem da estação, e peregrina sem perpectiva num mundo de sofrimento e dor. Vamos nós desmitificar isso! Vamos mostrar o bonde da história que ainda vai passar! Vamos abrir novas veredas...adentrem comigo!
Rosa,
Riquíssimo texto e belíssima divulgação, nosso Piauí é rico em diversas cultaras.Parabéns!Votadíssimo.
Rosa,
Estou conhecendo seu trabalho...tudo se aproveita...que força,
texto pleno de informações e esperaça, belas fotos, amei estar
aqui vou ler mais!Parabéns
beijos
Obrigada Claudinha. Ops! Senti uma intimidade entre nossas vidas. Vou lá te visitar. Valeu!
rosa melo · Pio IX, PI 14/11/2008 10:29
E como essa é também a minha terra, que pouco vi, do modo que vês, porque vi com ano e mês, vejo por ti que lindamente vês o que lindo é de se ver e vejo também que mais gente deveria ver o que vês assim de boniteza e vamos publicar isso pra mais lugar ter vista e ainda dar a ver o que já se pode ver pelo que vistes de figuras tornadas fotografias.
E viva!
E Rosa!
Ô meu lindo! Quisera te mostrar ao vivo...às vezes sem cores...cinza! Mas cinza com vermelho e amarelo em vários tons; porque no pôr-do-sol, o que é cinza transborda em nuances impossível de se ver, porque é sentimento puro. Cada dia é um novo dia no chão do sertão, e uma nova cor.
Beijo acalentoso!
rosa melo · Pio IX (PI)
Vereda Adentro
Muito lindo e divino é o sustento da Vida.
Seu Trabalho ficou admirável e apaixonante.
Gente divina que domina o saber de trancar e,
se depender deles a vida de todo mundo é melhor e a vida vale a pena.
Parabéns.
Abracáo Amigo
Fiquei emocionado, Rosa, com sua "Vereda adentro".
Bela narrativa, sensível, bem amiudada.
Como o meu caminhar pela vida, seja como cidadão, seja como jornalista, é ver e sentir a alma generosa do povo brasileiro, tudo o que você narrou me tocou profundamente.
Parabéns, querida.
Um imenso abraço à gente de Pio IX.
P.S. Sou paulista de nascimento, moro no Rio há 45 anos. Aqui é a minha terra. Não é por nada que esta cidade é "Maravilhosa".
Ser carioca é estado de espírito. Além de ser a mais bela, é a mais cativante das muitas cidades que conheço e conheci.
Eloy, meu querido, que grande honra ouvir seu parecer. Na verdade é a alma da gente que define o lugar. Senti no Rio algo parecido com o que senti em Salvador na década de 80. Como é possível que em tão pouco tempo as sensações todas se embaralharem, e o curso do sentimento entorne!? Não gozei em salvador agora em 2008, o que gozara anos atrás. Um bando de gente disputando quase a tapas a atenção do turista (que muitas vezes nem o é), e enfiando fitinhas sem sentido em nome de um Bonfim. Claro que lá no MAM um grupo de jazz sinalizava qualquer coisa que me traria de volta o Salvador da minha imaginação. Quis ir a um candomblé, pra sentir vibrar qualquer coisa baiana, mas todos que eu abordava se fazia de desintendido...Ahhhhhhhh! Candomblé!?
Das duas, uma! Ou minha alma não foi comigo à Salvador, ou Salvador sumiu... Bobagem! Claro que havia lá um Salvador do qual eu me escondi, amedrontada pelo impacto da capoeira exibicionista (mercenária) do Mercado Central.
Não há o lugar, em um lugar. Há diversos lugares num mesmo espaço. Até na alma...existe dois!
Aqui na caatinga tem um lugar que só eu vejo, do ponto de vista de uma das minhas almas. É esse que tento mostrar. E mostro!
Venha vc mesmo abraçar o povo de Pio IX!
Beijo.
Agradeço a oportunidade deste contato suave (ainda que árido) e saboroso com a nossa cultura mais verdadeira.
Abraço fraterno,
Herculano
"Olhar de dentro
Vivi muito tempo nas caatingas
Embrenhado mesmo no Sertão
À moda de bicho
Pequei um jeito de olhar, de andar
Modo de bicho
Livre, solto na igualdade das coisas
Dos “passarins”, das onças...
Natural dos bichos
Hoje, na cidade
Junto aos meus semelhantes
Dissemelhantes os homens
Sou bicho desconfiado, sestroso
Apoucado na desigualdade de tudo
Natural dos homens
O desigual e combinado do Ser." (J F Lisboa)
Ainda estou boquiaberto com este vídeo. Isto está na Internet, você colocou uma manifestação cultural típica do sertão do Piauí, muito rara e muito sofisticada, pro mundo inteiro ver. Isto é FAZER história, Rosilândia. O motto aqui do Distrito Federal é Venturis ventis (aos ventos que virão). Quando, daqui a algumas décadas, isto não mais existir, haverão este vídeo, este texto e estas fotos como documentação aos ventos que virão. Além de estudar o que já aconteceu, temos que documentar nossa própria existência para os que nos sucederão neste vale de lágrimas. Você está resgatando a cultura piononense (e, por extensão, do Piauí) de maneira inaudita.
Keyser Soze · Teresina, PI 16/11/2008 17:38
Oi mto bom! da uma força no meu também!
Jorge Daher · Ribeirão Preto, SP 16/11/2008 18:01
Rosa, (da caatinga), sertaneja, pé fincado no chão, cabeça dando voltas no mundo. Parabéns!!!!!! Ainda bem que existem gente como voce.
"Meu sertão está passando uns dias tristes de agonia,
Pois há muito lá não chove e o sol como a fazer pirraça,
Vem todos os dias, vermelho e queima a alegria".
Esta estrofe é da música Lamento Sertanejo, que retrata bem isto que voce e mais milhões de sertanejos, passam.
Um forte abraço.
Lindo demais da conta, menina!
As fotos, o texto...
Ah! Adorei essa crônica que você colocou no final... essas lembranças de criança... Muito bem escrito...
Merece até um canto próprio no diretório cultura.
Adorei te conhecer, virtualmente que seja.
Beijo.
Lustato
Keyser, que os ventos soprem a favor do simples. Que a nossa existência na atualidade deixe de ser lida por um único prisma. Que as diferenças sejam aceitas...
A última vez que li Leonardo Boff pensei: é chegada a hora de irmos para "além daquilo que é dado". E achei que esse tempo de transcendência breve se aproximaria, com nós homens mais voltados pras questões espirituais...
Bom, nada a ver esse parêntese, né!?
O certo é que temos que ver mesmo, é além daquilo que a ditadura das indústrias nos enfiam goela abaixo, com seus sensacionais anuncios publicitários (que adoro, pela genial criatividade).
Contarei contigo daqui pra frente!
Humberto, Lustato,
Não nos afastemos! Esse overmundo é o lugar ideal pra trocarmos figurinhas, de uma coleção tão equivocadamente distribuída, como é a cultura.
Visitarei vocês com calma, e com o carinho de quem recebe um irmão querido que há muito não se via. Saltaremos qualquer dia do overmundo e nos esbarraremos nos becos desse Piauí.
Beijos.
Rosa que não tem só um ponto de vista, mas que vê por vários pontos... Que nesses olhares nos encanta e traduz o intradusível! Que perpetua o, por muitos, esquecível... Que revela a vida efervecente da Caatinga! Grato por essa injeção cultural que sempre nos dá com suas imagens e suas palavras! Bjos!
Flávio Guedes - Pensamento Livre · Oeiras, PI 15/12/2008 21:51
Nada é tão profundo, ao tempo em que é razo demais, onde as pepitas de ouro de outras preciosidade criadas pelo tempo, brilham ao relento, do que falarmos de nossas raízes. Aí está o básico e a mistura. A imagem são sempre nossos olhos sempre tão atentos. Pio IX é lindo como são lindos todos os cantos do mundo onde ainda não baixou um helicópetro, uma pirareta ver-de fogo, com a audácia de rasgar as entranhas de quem pariu mais um no mundo.,
Viva o Piauí, e não nunca esperemos pelos nossos políticos. Eles só fazem o báxico, xixi, e cospem fora e dentro.
Naeno Rocha
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