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VÍDEO-GAMES - os professores do futuro

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Alexandre.Brito · Porto Alegre, RS
2/1/2011 · 0 · 5
 

Professores, educadores e pedagogos de todos os quadrantes: abram corações e mentes, vem aí o ensino do futuro.


no programa SEM FRONTEIRAS da Globo-News (http://globonews.globo.com/Jornalismo/GN/0,,MUL1638677-17665,00.html), uma coisa fica evidente:
o professor, e a escola dentro de quatro paredes, tem seus dias contados.

aprender de forma divertida, interativa, brincando, em casa, dentro do carro, na sala de espera do dentista, será um ato/hábito corriqueiro e prazeiroso. conversando com Sandra dos Santos* ouço seu vaticínio: "o ensino autoritário, precário, desinteressante, vai ser substituído pelo autodidatismo". o papel do professor (se é que vai sobrar algum) e da escola dentro de quatro paredes terá de ser reinventado ou vai desaparecer. Desaparecendo ou não, ao que tudo indica, a educação de hoje será muito diferente amanhã.

Pensando acerca de, me arrisco a dizer que o professorado está numa sinuca de bico mas ainda assim poderia ocupar um espaço importante e extremamente negligenciado pela escola: a leitura e a produção de texto. Leitura é uma atividade insubstituível numa sociedade que se pretenda crítica e auto-determinada, e o professor bem poderia ser essa interface com a cultura universal, e, fundamentalmente, tudo aquilo que faça desenvolver as potencialidades criativas e reflexivas do ser humano: as artes e a filosofia.

O desenvolvimento da "criatividade" e das faculdades "lógico-intuitivas do pensamento" é que criam o dito homo-sapiens e, se o tempo de escola fosse substituído e transformado em milhares e milhares de horas de leitura, fruição pura (sem didatismos), daríamos um salto qualitativo no ensino.

Os tempos mudam, estão mudando. O mestre deveria ser este cidadão que estimula a multi-diciplinariedade e a universalidade nos seus alunos. O professorado assumiria a nobre função de estímular o conhecimento, a saúde física e mental (mente sana in corpore sano) dos "interessados". Nessa futura nova sociedade do conhecimento, auto-didático, o conhecimento será buscado individualmente, de acordo com as peculiaridades pessoais, desejos e talentos de cada um.

Nos próximos dez ou quinze anos vamos ver transformações tão grandes que as estruturas dos sistemas educacionais atuais tendem a ruir por falência múltipla de sentido, por inadequação. a despeito das resistências, se os paradigmas da escola não mudarem, o desenvolvimento tecnológica vai seguir mudando o mundo.

Não há lugar nos dias de hoje para acendedores de lampião a gás. Talvez também não haja para os mestres, a educação como a conhecemos. O professor não deve se tornar uma "coisa" do passado, mas sim, um "cidadão" do futuro.

Mentes à obra!

Alexandre Brito
é escritor e músico.
*Sandra Santos (citada)
é artista plástica, poeta, polímata (formada em Letras, Direito e Segurança em Informática).

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Rouberval
 

Notadamente o modelo de escola atual, com mais de cem anos, está com seus dias contados. A "ESCOLA JURÁSSICA": alunos enfileirados, professor, giz e quadro negro, já não faz sentido. Estamos vivendo na era onde as novas tecnologias ditam o destino do mundo. Ou seja, estamos migrando de um modelo econômico industrial (capitalista, destruista) para um modelo chamado "ECONOMIA DA INFORMAÇÃO. Naturalmente, a escola não pode ficar alheia a tais mudanças. Dessa forma, aqueles professores que se formaram na era jurássica e que nunca mais voltaram a uma sala de aula para se atualizarem, terão de dar lugar aos mestres melhor capacitados. Novas ideias, novas ideologias, metodologias adaptadas a realidade atual. Maria Montessori, 1870-1952, dizia que em sua época as crianças, na escola, pareiam uma coleção de borboletas: "cada uma presa em sua carteira". Ainda hoje é assim, pelo menos é o que quer alguns professores. Concordo, as mudanças no atual Modelo Educacional deve ser revisto urgentemente. Isso, porém, não quer dizer que o PROFESSOR será descartado. Apenas a maneira de mediação do saber tem de ser diferente. Penso que aprendemos através da mediação com o outro, logo, a presença do professor é e sempre será indispensável para a evolução do aprendizado pelos alunos.

Rouberval · Dourados, MS 5/1/2011 13:30
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Alexandre.Brito
 

.
obrigado pela contribuição Rouberval.
de fato, grande parte do nosso aprendizado se dá através da mediação. principalmente nas relações sociais e inter-pessoais. mas, em tudo aquilo que se refire à memorização, formação de banco de dados, vocabulário no sentido mais amplo, estes novos jogos educativos estão mais instrumentalizados para exercer a função de estímulo e desafio contínuo que, em última instância, leva à apreensão dos conteúdos. por isso digo que o papel do professor terá de ser mais sofisticado. lidar com o que há nas entrelinhas de tudo, os questionamentos, as reflexões, a construção de novas idéias a partir do conhecimento consolidado. nesse âmbito vejo como essencial a mediação. carecemos de uma nova geração de mestres que saibam, mais que ensinar, aprender com os alunos.
Rouberval, vc viu a matéria a que me refiro, sobre o desenvolvimento de uma nova geração de games-pedagógicos? veja a maneira como são criados e desenvolvidos. abraço.
link p/ programa SEM FRONTEIRAS - GLOBO NEWS

Alexandre.Brito · Porto Alegre, RS 6/1/2011 15:02
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Sandra Santos -
 

ótimo artigo! se o professor, na década passada, já se deparava com um modelo obsoleto de educação, imagina agora, com a falta de segurança, salários de mera sobrevivência e alunos advindos de um mundo tecnológico que ele, muitas vezes, nem ouviu falar.

Sandra Santos - · Porto Alegre, RS 18/2/2011 15:32
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Sandra Santos -
 

... e obrigada pela citação... rss

Sandra Santos - · Porto Alegre, RS 18/2/2011 15:32
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Alexandre.Brito
 

tens razão Sandra. o descompasso entre as gerações jovens e o professorado atual é enorme. quase abismal. a superação desse impasse depende da capacidade de atualização dos professores. programas, cursos, estímulos a isso existem, tanto de instituições governamentais quanto privadas. não esqueço quando dissestes que o empresa onde trabalhavas disponibilizou linhas de créditos subsidiados para que os funcionários adquirissem computadores para o uso pessoal, pensando exatamente nessa atualização/imersão no mundo digital. ao final percebeu-se que realmente quem aproveitou e integrou essas ferramentas no cotidiano foram os seus filhos. eles próprios, objeto do incentivo, permaneceram refratários a esta oportunidade. nos países dito "desenvolvidos", a qualquer sinal de dificuldades econômicas no horizonte, a corrida aos cursos de capacitação, atualização e ensino, é imensa. e por parte dos próprios interessados. iniciativas individuais nesse sentido. falta esta consciência aqui no Brasil. a responsabilidade na solução destes problemas é jogada nas mãos de representações muitas vezes preocupadas com interesses políticos muito particulares, distantes do real interesse dos representados. sindicatos federações e confederações de trabalhadores têm interesses outros, e estão ligados ao jogo de poder que, necessariamente, não contemplam o x da questão, e reduzem o problema às reivindicações meramente salariais. existe esta letargia na sociedade. no professorado, põe em risco não apenas a empregabilidade dos professores, mas a qualidade do ensino em si.
se o professorado não acordar para essa responsabilidade pessoal, de reciclagem, este descompasso não será superado. os professores precisam voltar às carteiras escolares.

Alexandre.Brito · Porto Alegre, RS 18/2/2011 16:18
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