DEPOIMENTOS NOTÁVEIS:
VINICIUS NA PAULICÉIA.
Marco Antônio Soares de Oliveira*
Em dezembro de l965, repórter de "A Gazeta", da Fundação Cásper Líbero, fui fazer uma matéria com o Poeta mais famoso da época, Vinicius de Moraes. A turma do Poetinha como era carinhosamente reconhecido iria dar um show no Teatro Municipal de S. Paulo, em benefício às instituições de caridade. O convite partiu de dona Zilda Natel, esposa do Prefeito de S. Paulo, Laudo Natel. Era por volta das 21 horas, quando o meu Chefe de Reportagem, Hélcio de Castro, recomendou-me a entrevista: -Já que você é literato, faça a entrevista com Vinicius de Moraes, que está ensaiando no Municipal! Entregue-a antes da meia-noite, no fechamento da edição!
E lá fui eu contente, pois era admirador incondicional do mestre Vinicius para a cobertura. Já o tinha conhecido antes no Rio, no famoso bar Antonio's, em Ipanema. Naquela época, andávamos duros, sem um tostão no bolso e o nosso grupinho de candidatos à Literatura ficávamos numa choperia em frente batendo papo em Inglês, pois ali freqüentava muitos turistas americanos e quando algum deles notava que nós falávamos a língua materna pagava alguns chopes para atravessarmos a noite carioca. E foi pelo vidro em frente, que notei a presença de Vinicius e fui depressa invadir sua privacidade e bater papo com o Poetinha. Falei-lhe que estava mudando para S. Paulo e dei-lhe meu endereço. O xará, Marcus Vinicius, foi atencioso e semanas após, mandou-me um livro de presente "Para Viver um Grande Amor".
Dito e feito fui lá com o fotógrafo Rebello para a reportagem. Quando adentrei o Municipal estavam terminando o ensaio da primeira parte do espetáculo. Vinicius e toda a sua turma carioca: Tom Jobim, Baden Powell, Toquinho e outros elementos destacáveis no cenário musical nacional. Aproximei-me e já fui falando: Vim para uma entrevista. Está disponível? O Poeta reconheceu-me e disse prontamente: -Foi bom que você veio? Já estava passando da hora de "bicar” um pouquinho.Levei para o bar da moda: Juan Sebastian Bar. Vinicius já foi pedindo seu uísque predileto. E o "capitão- do- mato, poeta, diplomata, o branco mais preto do Brasil já foi falando: -Precisava vir urgentemente a São Paulo para desfazer um equivoco. Atribuíram -me que tinha dito que "São. Paulo era o túmulo do samba". Nada disso, gosto da Paulicéia e algum jornal publicou a frase. A convite da Prefeitura vim mostrar o nosso amor a São. Paulo pela sua terra e sua gente...
Perguntei-lhe dos livros publicados e o Poeta retrucou: -Vamos falar de temas mais amenos: como o do Amor e evidentemente a Mulher. A propósito do livro "Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito: é preciso também ter muito peito - peito de remador. É preciso olhar sempre a bem- amada como a sua primeira namorada e sua viúva também , amortalhada no seu finado amor."Continuou: “Uma mulher ao sol - eis todo o meu desejo/ Vinda do sal do mar, nua, os braços em cruz/ A flor dos lábios entreaberta para o beijo/ A pele a fulgurar todo o pólen da luz". Sobre a solidão falou: "A maior solidão é a do ser que não ama, é a do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana. O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e de ferir-se, o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo."
E assim viramos a noite batendo papo e o poeta recitando parte de seus versos. Quando dei pela coisa, tínhamos esvaziado algumas garrafas de uísque e os raios de sol já apareciam no horizonte. Eram seis horas da manhã e os garçons de braços cruzados aguardavam a nossa saída. Dei conta de que não aparecera no jornal para entregar a reportagem, que quase me valeu o bilhete azul do Editor. Mas no fundo estava aliviado: tinha conversado com o Poeta Maior. Fui visitá-lo antes, de sua morte no Rio de Janeiro, em julho de 1980. E carrego ainda comigo os seus versos daquele encontro, em que aprendi que a poesia é ave que nos transporta para o infinito e somente ela poderá salvar o mundo de amanhã. Vinicius de Moraes, antes de partir, deixou-nos esta mensagem: "Meus amigos, se durante o meu recesso virem por acaso passar a minha amada/ Peçam silêncio geral. Depois/ Apontem para o infinito. Ela deve ir/ Como uma sonâmbula, envolta numa aura/ De tristeza, pois seus olhos/ Só verão a minha ausência”.
* Jornalista e escritor ver foto do Márcio e Vinícius de Moraes
Bacana adorei!
Adoro Vinicius, música, poemas, sonetos, tudo!
Obrigada por proporcionarmos uma matéria tão deliciosa!
beijo no coração!
Tarokid,
Que bom saber que vc coseguiu uma entrevista com nosso poeta maior Vinicius de Morais. É um dos meus preferidos e destaco essa sua fala que engrandece a poesia:
" A poesia é a ave que nos transporta pra o infinito e somente ela poderá salvar o mundo de amanhã" Pois não é?
Parabéns pelo texto. Uma maravilha de homenagem.
bjssssssss
A maior solidão é a do ser que não ama, é a do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana. O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e de ferir-se, o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo."
Vinícius é eterno, doce, doce...
Tarokid, muito importante este teu post, parabens...ab
Oie!!!
Eu amo Vinicius... Adorei o texto.
Beijoks enormes.
Achei a colaboração interessante.
Porém, da maneira como foi postada (sem diferenciação entre o que é a colaboração, o que é o depoimento de vinícius, o que é a reportagem de Marco Antônio), ficou confusa.
Se o colaborador não é afeito aos efeitos do itálico e das aspas, se não curte apresentações, poderia, ao menos, deixar esclarecimentos numa pequena ficha técnica.
Vinícius perdoaria...
Tarokid,
Obrigado pela postagem!
Abraços
Assim que abri a página do overmundo, dou de cara com Vinicius como plano de fundo. Que emoção!
Fatima Paraguassu/Santa Cruz de Goiás · Santa Cruz de Goiás, GO 25/8/2008 07:47Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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