Virada Cultural: Centro de SP Canta Tito Madi

Marcelo Daniel
O romantismo ecoando na Vieira de Carvalho
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Marcelo Daniel · São Paulo, SP
11/5/2007 · 79 · 6
 

O palco foi montado na Avenida Vieira de Carvalho, ao fundo, os prédios em perspectiva acompanham a Rua Aurora, a história toda acontece a cem metros da Praça da República. Por sinal, uma história que já foi vivida por seu protagonista, há 50 anos, momento em que um jovem Tito Madi deixava Pirajuí em busca da carreira musical na Capital. Ao perceber que as maiores oportunidades estavam no Rio de Janeiro, o cantor deixa São Paulo e segue em rumo a uma trajetória de grande sucesso, que se espalharia por todo Brasil.

Domingo, 6 de maio de 2007, projeto Virada Cultural da Prefeitura de São Paulo. Às 15h30 tinha início mais um show do Palco Vieira de Carvalho. Já emocionados com a sublime apresentação de Doris Monteiro, o seleto público formado por jovens e, em sua maioria, não tão jovens, se preparava para um momento bastante singular: a volta da voz de Tito Madi, preenchendo os corredores entre os prédios daquela mesma São Paulo boêmia, que o acolheu no início de sua vida musical. Ao seu lado, a simpatia - que só não é maior que a técnica no piano – do músico Haroldo Goldfarb.

Ainda nos bastidores, troco meia dúzia de palavras com o cantor, rodeado de amigos e fiéis escudeiros, alegre pela visita dos conterrâneos. Conforme sobe ao palco, acompanho mais uma vez um fenômeno único, inexplicável, quase paranormal, em que num passe de mágica a figura próxima do Chauki Madi, ainda com suas raízes no vilarejo de Estiva Grande, município de Pirajuí, dá lugar ao showman, o romântico eloqüente que a cada história e comentário bem colocado apaixona todo tipo de platéia. Isso porque ainda não falei das músicas!

O nada egoísta repertório valoriza amigos, lembranças e emoções de meio século da arte. Os pontos altos do show ficaram por conta de suas imortais composições como Não Diga Não, Cansei de Ilusões e Chove Lá Fora. Impressionante a reação do público aos primeiros acordes de Balanço Zona Sul, em que bastou uma brincadeira inicial de Goldfarb com seus dedos, para que todo o centro de São Paulo caísse no ritmo de uma das músicas mais famosas de Tito.

Da platéia ouviam-se legítimas declarações de amor ao ídolo que, sob uma demorada salva de palmas em pé, não conteve a emoção: “posso dizer que este foi um dos melhores shows que fiz em toda minha vida”. Certamente isso explica os 40 minutos de autógrafos e beijos dados aos fãs após o fim do espetáculo. Dá-lhe Tito!

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Pepê Mattos
 

Feliz é o país que conserva sua memória! Bons exemplos como esse de São Paulo nessa Virada Cultural deixam a todos que valorizam nossa rica cultura com mais esperança de dias melhores. Evidentemente, que um evento desse porte - que teve apresentações simultâneas em vários pontos da cidade - pela sua própria natureza grandiosa deixa espaço para acontecimentos que, infelizmente, fogem do controle dos seus organizadores. Pelo noticiário fiquei sabendo que houve tumulto durante a apresentação dos Racionais MC's. Mas, isso é outra história e que por mais que os boletins de ocorrência e a própria televisão mostrem o lado selvagem da concrete jungle da paulicéia, me prenderei a comentar sobre o que penso de artistas como Tito Madi. Durante boa parte de minha infância ouvi os Grandes Artistas do Rádio através das ondas médias das rádios AM. Meu pai adorava quase todos eles: Nelson Gonçalves, Sílvio Caldas, Francisco Alves, Orlandos Dias e Silva, Ângela Maria, Elizete Cardoso, enfim, os nomes da época. Eu, por mais que não quisesse, era obrigado a ouvir e por osmose (sei lá se era isso) acabei gravando a maioria daqueles nomes e das músicas daquele tempo. Tito Madi era um dos que menos ouvia. Acho que os DJ's - na época, os homens do áudio - não gostavam muito ou não achavam os discos do pirajuiense por cá. O fato é que pouco ouvi dele e do Dick Farney, os caras que eu mais achava próximos das grandes vozes internacionais como Pat Boone, Dean Martin, Tony Bennett. Todos esses eu só ouvi bem depois, lá pelos anos 80, depois de ter entrado em contato com o punk, o pós-punk, o heavy metal, o rock progressivo, a disco music, não necessariamente nessa ordem. Mesmo Elvis era uma voz que ouvia mais do que Madi ou Farney. Talvez porque The Pelvis fosse onipresente. De qualquer modo, senti o entusiasmo vibrante teu, Marcelo, no trecho a seguir "acompanho mais uma vez um fenômeno único, inexplicável, quase paranormal, em que num passe de mágica a figura próxima do Chauki Madi, ainda com suas raízes no vilarejo de Estiva Grande, município de Pirajuí, dá lugar ao showman, o romântico eloqüente que a cada história e comentário bem colocado apaixona todo tipo de platéia". Dá gosto ver que ainda existem amantes da boa música, independente em que estilo ela esteja sintetizada. É uma das minhas maiores carências no meu dia a dia. Coisa que a internet veio resolver nesse mundo de insolvências. Abraços

Pepê Mattos · Macapá, AP 7/5/2007 20:01
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Guilherme Mattoso
 

fala marcelo! vc poderia separar os parágrafos com um espaço a mais, o que acha? o texto fica mais leve.

Guilherme Mattoso · Niterói, RJ 8/5/2007 08:27
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Higor Assis
 

Vou colocar uma colaboração sobre a virada cultural também, legal que colocou a tag junto.

Abraços!!!

Higor Assis · São Paulo, SP 8/5/2007 08:42
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Fernando Mafra
 

Bom ver que minha idéia da tag colou. Espero publicar meu material hoje à noite.

Fernando Mafra · São Paulo, SP 8/5/2007 10:32
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Marcelo Daniel
 

E pensar que esse "menino", Marcelo, só tem 23 anos de idade. Parabéns pelo texto.
Jorge de Souza

Marcelo Daniel · São Paulo, SP 8/5/2007 15:16
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Marcelo V.
 

Esta biografia "proibida" do Roberto Carlos aponta Tito Madi justamente como a maior influência do "Rei".

Marcelo V. · São Paulo, SP 11/5/2007 19:37
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