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Observatório
Revelando o concurso Somos fãs do Projeto Revelando os Brasis. De cara achamos que era um projeto que tinha tudo a ver com a vocação colaborativa do Overmundo, ao permitir que pessoas de cidades com menos de 20 mil habitantes tivessem todo o apoio para fazer curta-metragens. Ano passado, vários textos foram feitos por aqui graças a uma parceria bem legal com o projeto. Este ano, seguimos em contato... > leia
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Virada Cultural: O Centro é nosso!
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O Bat-Sinal convida a todos para perambularem na madrugada
Imagens
Clima de Baile na Vieira de Carvalho
Vídeo
O Centro é nosso!(6.5 Mb)
Saí de casa no sábado às 18:30 com duas missões: 1 – Superar a última Virada 2 – Registrar em vídeo e foto o máximo possível. Para tal uniu-se a mim um amigo e partimos para desbravar o centro de São Paulo.
Claro que o centro; apesar da Virada ter alastrado-se por todo o estado, o coração dela ainda está no coração da cidade. Virada sem centro é como pastel sem garapa: não tem o mesmo gosto.
A primeira missão foi rapidamente cumprida. Logo de cara a apresentação do Ares Ateliê de Arte e Performance no Shopping Light valeu o esforço. Pendurados por cabos, realizaram uma dança de rapel misturando influências clássicas e contemporâneas, vestidos de gala se intercalaram com sobretudos azuis dignos de super-heróis.
Já o Palco Boulevard São João estava disputadíssimo, ao menos durante a apresentação do Teatro Mágico, foi impossível assistir. Havia vários conhecidos no lugar durante a apresentação e fui incapaz de encontrar qualquer um deles.
Na Barão de Itapetininga, chegamos cedo para o show de Serguei, e previmos que ele iria esvaziar o local com sua estranhice. Ledo engano, logo que o show começou o local foi ficando cada vez mais populoso, imagino que todos tão curiosos quanto eu de ver essa bizarra e folclórica figura. Com a curiosidade saciada, não ficamos até o final e decidimos comer um clássico pernil com queijo no Estadão e encontrar alguns amigos antes de partirmos para a nossa atração principal da noite.
Na Praça da República diversas pessoas estavam espalhadas, algumas sentadas na grama, outras olhando os chafarizes nas pontes sobre o lago artificial. Como no caso do Teatro Mágico, assistir à apresentação do grupo Teatral A Fornalha estava impossível, o palco era minúsculo e totalmente cercado pelo público. Por sorte o entretenimento na praça foi garantido por artistas itinerantes.
Pouco antes da uma da manhã nos dirigimos à Vieira de Carvalho testemunhar outra figura folclórica da música nacional. Os arredores do palco eram servidos de mesas e cadeiras para o público alvo, ilustres senhoras, sentarem-se e apreciaram a música; além disso uma pista de dança munida de luzes coloridas e um globo de espelho convidava os espectadores a formarem pares e criarem ali mesmo um baile.
A apresentação sequer havia começado e o público já se deliciava com um show, ou melhor, Wilson Danilo Show; um simpaticíssimo senhor parte da organização que mantinha o ânimo dos presentes dublando boleros e outras músicas antigas enquanto fazia comentários espirituosos, como o sensacional: “Hoje estou arquimilionário de alegria na cidade de São Paulo.” Um grande mestre de cerimônias que foi aplaudido e ovacionado.
Eis então que surge o imbatível Cauby Peixoto com sua capa preta, paletó cintilante e uma voz tamanha. Fisicamente debilitado, realizou o show sentado. Mas não perdeu o fôlego uma só vez, elogiou a performance musical do público, mandou beijos e ainda convidou Ângela Maria ao palco para um dueto – que se tornou um trieto já que Agnaldo Timóteo se intrometeu (e posteriormente foi vaiado em um show solo não programado antes de Fernando Ferrer).
Em seguida realizamos uma perambulação pelas ruas do centro atrás de imagens interessantes, sem compromisso com qualquer evento. Durante toda a noite cruzamos com diversas atrações: Psytrance, Tecno, Piano na Praça, Palco de Dança, intervenções ou itinerantes, tudo valia ser visto e registrado. A idéia era aproveitar ao máximo o evento como um todo.
Quase tudo que se fala da Virada é sobre a confusão do show dos Racionais. O que é uma desgraça. Não só o acontecimento, mas o puro interesse nele. Confesso que depois do incidente (e da polícia quase levar minha câmera embora por eu estar filmando uma aglomeração deles no Anhangabaú), apesar da vontade de ver os shows de punk na Barão, o evento meio que acabou para mim e voltei pra casa por volta das sete da manhã – a questão aqui é que quando se está em uma confusão desse tipo você não entende bem o que está acontecendo, e a impressão que tive é que o caos tinha se espalhado pelo centro inteiro e acabado com a festa de maneira geral.
A boa surpresa é que eu estava errado e ela terminou como programado. O mérito da Virada é mostrar que em tempos de ataques do PCC o povo da cidade ainda tem a vontade e alguma disposição de clamar as ruas para si. Na classe média paulistana existe um grande medo do centro e das coisas horríveis que podem acontecer por lá, mas em todas as minhas incursões eu pessoalmente jamais tive problemas. Durante o evento conversei com estranhos dos mais diferentes bairros, com diferentes gostos e classes sociais e cada um fazia sua programação.
Mesmo antes do confronto, tive a sensação de que o policiamento estava escasso, e a quantidade de gente era enorme, eu havia ficado impressionado durante a Virada anterior, mas essa passou longe. É um paradoxo: o pontapé inicial foi do governo, mas o sentimento que permitiu cada indivíduo se sentir seguro para lançar-se às ruas da cidade durante a madrugada é de autoria do povo em si. Esse tipo de acontecimento me deixa impressionado e orgulhoso. Parabéns aos paulistanos.
tags: São Paulo SP musica centro interior virada-cultural virada cultura sociedade teatro danca rapel performance intervencao grafite policia confronto video cauby-peixoto angela-maria bolero
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Excelente recorte pessoal Fernando. Eu morei quase 18 anos em São Paulo e me senti passeando pela cidade. Esse evento deve ser mesmo muito bacana e tomara que fatos isolados não tenham mais força do que todo o resto. Só uma coisinha: "Claro que o centro. Apesar da Virada ". Acho que era uma vírgula não é mesmo?
Um abraço.
FILIPE MAMEDE · Natal (RN) · 9/5/2007 08:56
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"Saí de casa no sábado as 18:30 do sábado "
É necessário mesmo esta repetição do "SÁBADO"?
Ah, e falta a crase no "às 18:30".
No mais, que bom que tem outra visão, a boa, de um evento que parece ter uma proposta bem bacana.
Parabéns.
abraços
maramarina · Aracaju (SE) · 9/5/2007 09:34
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só mais um momento de chatice..rsrs
em "assistir a apresentação do grupo Teatral A Fornalha " falta outra crase em "à apresentação".
abs
maramarina · Aracaju (SE) · 9/5/2007 09:39
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Caraca, eu sou chata mesmo, hein? rsrs
"A boa surpresa é que eu estava errado e ela e terminou como programado."
"tive a sensação de que o policiamento estava escasso, e.."
Antes sempre apareceu "Virada em maiúsculo": "impressionado durante a virada anterior"
e: "a confusão dos Racionais", acho que seria melhor falar tipo, "durante o show de Racionais", já que, pelo menos pelo que passou na TV, o grupo não foi quem iniciou a confusão.
É isso. E perdoa aí a grande chatice.
abraços e, de novo, valeu pelo texto.
maramarina · Aracaju (SE) · 9/5/2007 09:47
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Mara, não esquenta. Eu fico reescrevendo algumas coisas e sobram palavras várias vezes. Já vi textos meus publicados aqui com alguns erros muito feios, vergonhoso. Ainda bem que alguém usou o espaço editorial para me lembrar deles.
Filipe, eu pretendia colocar um ponto ali mesmo, estou gramaticalmente errado?
Ainda vou acrescentar mais fotos e um vídeo. Aguardem.
Fernando Mafra · São Paulo (SP) · 9/5/2007 11:05
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Beleza, Fernando!
Você sabe se a Virada levou alguma coisa para Santos como se tinha noticiado?
Egeu Laus · Rio de Janeiro (RJ) · 9/5/2007 11:45
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Egeu, não faço idéia. Imagino que sim. Seria bom algum santista nos informar sobre isso. Eu só vi notícias sobre a capital.
Aproveitando: Fotos e vídeo postados. Aproveitem!
Fernando Mafra · São Paulo (SP) · 10/5/2007 01:56
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Bacana hein Mafra.
Estou aguardando minhas fotos também, o texto já esta pronto. Coloco ele na sexta na edição, mas o texto que fiz e as fotos falam de outra perspectiva da Virada Cultural.
São Paulo é bom, mas com virada é bem melhor!
Higor Assis · São Paulo (SP) · 10/5/2007 17:24
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Higor, já falou dessa outra perspectiva umas duas vezes. Tá tendando criar expectativa quanto ao seu texto? E que perspectiva é essa? Você estava de helicóptero? :P
Aguardo ansiosamente. ;)
Fernando Mafra · São Paulo (SP) · 10/5/2007 17:43
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As fotos estão muito bacanas, em especial essa penúltima. E vi que vc resolveu a pendenga do ponto, vírgulo = ponto e vírgula (risos). Um abraço.
FILIPE MAMEDE · Natal (RN) · 11/5/2007 09:35
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Todas as fotos são do meu amigo Adriano Lima, que foi munido de uma câmera analógica. A única minha é a do Cauby, que na verdade é um capture da câmera de vídeo (o que explica a baixa qualidade)
Fernando Mafra · São Paulo (SP) · 11/5/2007 09:46
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Parabens! Fernando
Parabens! São Paulo
Que venha mais, muito mais.
ARTE CONTRA A BARBÁRIE!
Zezito de Oliveira · Aracaju (SE) · 12/5/2007 13:52
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Enquanto isso, na capital do Piauí as pessoas se fecham em casa, a Prefeitura e a Secretaria de Segurança criam um tal Boa Noite Teresina, que fecha bares, boates, restaurantes e até os cabarés depois das duas da manhã...
Natacha Maranhão · Teresina (PI) · 12/5/2007 20:57
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É isso aí, Natasha. Aqui em Olinda também tem disso. Todo mundo trancado em casa assistindo TV (menos no carnaval, claro...). Precisamos ocupar o espaço público cada vez mais. Parabéns pelo texto, Fernando!
André Dib · Olinda (PE) · 12/5/2007 22:46
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Quando se cria regras como essa de Teresina e Olinda você trancafia as pessoas "do bem" e quem sobra perambulando nas ruas são as pessoas "do mal".
Uma lástima.
Fernando Mafra · São Paulo (SP) · 12/5/2007 22:48
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Fernando, em Olinda não tem essa regra, mas nem precisa. Depois das nove da noite, todas as portas e janelas são fechadas. Pra quem não sabe, o sítio histórico é cercado de favelas.
Uma amiga minha foi estuprada numa praça de Olinda, por volta da meia noite. Ninguém viu nada, todo mundo trancado pra dentro, inclusive os guardas do posto de segurança comunitária.
Se as pessoas estivessem circulando na rua, duvido que o crime acontecesse. Depois do ocorrido, ela fez uma campanha, de porta em porta na vizinhança, e a maioria nem soube do caso...
André Dib · Olinda (PE) · 13/5/2007 01:31
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Mafra legal o texto.
Eu e o Tomás começamos pelo Andrew Tosh ali no palco da Sé, ficamos um pouco e decidimos passar pelos technos e psys da XV pra ver o Sérgio Dias no palco São João, depois voltamos pra Sé pra ver o Nação, encontramos com a Erika, com o Thiago e mais uns amigos, o lugar estava absurdamente cheio e a "bagunça" que tanto falaram do show do Racionais já estava causada no show do Nação, com bancas e sacadas tomadas, orelhões destruídos, a polícia só não tinha entrado na história ainda. Aliás o show do Nação foi bacana, mas o som, uma lástima. Triste ter um show daqueles com aquela condição de som. Queria ter aproveitado mais a Virada, queria ter visto os tiozinhos do Buena Social Club e a Vai-Vai.
Pelas andanças percebi a quantidade de baratas que estavam participando da Virada, até em isopor de vendedores ambulantes você encontrava uma.
Os mendigos procuravam um silêncio impossível. E os caras mijavam em grupinhos.
Higor, saio do texto do Mafra correndo atrá do seu.
Abraço.
Letícia Lins · São Bernardo do Campo (SP) · 13/5/2007 01:34
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Letícia, depois do seu comentário o meu texto parece até meio deslumbradinho.
Na verdade a urina era predominante em algumas ruas (rolavam verdadeiros lagos). No palco do Boulevard São João, perto na esquina com o anhangabaú, justamente onde estavam os banheiros químicos tinha um rio de um líquido duvidoso e malcheiroso; que eu acredito ser um cano de esgoto estourado - quem foi de all star se deu mal.
Na praça da sé eu nem fui. Inclusive, depois da confusão fomos de metrô pra Liberdade tomar café da manhã na padaria legal de lá - que estava fechada! Possivelmente por causa do caos, não sei. Só sei que a porta do McDonalds tava toda amassada de chutes.
Fernando Mafra · São Paulo (SP) · 13/5/2007 03:08
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muito bom!
chicodub · Rio de Janeiro (RJ) · 28/5/2007 22:50
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Fernando, gosto muito de assistir a curtas metragens e digo que, achei muito massa o seu vídeo; curta. A matéria toda em si, é show. Mas o mais massa de tudo foi seu ponto de vista que abriu mão das desgraceiras da violência urbana para mostrar coisas muito legais.
Muito massa, Fernando.
abço.
Sérgio Franck · Belo Horizonte (MG) · 14/12/2007 11:00
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Valeu Sérgio.
Ainda mais considerando que hoje no Guia da Folha a Virada saiu como Mico do Ano; tudo por causa do incidente no show dos Racionais.
Fernando Mafra · São Paulo (SP) · 14/12/2007 11:04
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Adoro e vivencio a vida cultural de Niterói e do Rio tanto quanto me é possível, teatro, cinema, saraus, shows... mas considero que perco muito pela violência instaurada na cidade. Com ou sem carro, o cidadão sente-se muito inseguro. É muito triste. Os festivais de cinema mais perto de casa são a melhor opção, pois não ficamos dependendo de muitas conduções. Cidade grande é uma loucura neste sentido mesmo. Muitas vezes estamos há apenas 25, 30 k de distância de um evento, mas se não se mora na zona sul do Rio, precisa-se tomar barca, metrô, ônibus, taxi, caso sinta que após às 10 horas não passará mesmo um transporte coletivo com o mínimo de segurança.
Abraços, de quem está para passar uns dias em SAMPA
DÊEM UMA ESPIADA NESTA RESENHA, AMIGOS.
http://www.overmundo.com.br/overblog/resenha-do-livro-pedagogia-da-autonomia
Tãnia Barros · Rio de Janeiro (RJ) · 18/4/2008 14:17
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