Não nos rendemos ao antigo,
Não nos furtamos ao presente
Não repetiremos o passado
No futuro outros seremos
Afirmando sempre o que somos
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A questão racial vem pontuando, em todo o mundo, as discussões voltadas à conquista da cidadania. O racismo foi um eixo básico da luta pelos Direitos Humanos e ganhou outras feições na contemporaneidade, forjando novas perspectivas de inclusão. O Brasil, institucionalmente falando, avançou significativamente na discussão sobre o tema. O país se reconheceu oficialmente como racista, afirmação até há pouco tempo interditada pelo discurso oficial.
Os resultados reiterados das pesquisas estatísticas fizeram com que nas últimas décadas fossem desenhados e implementados leis, recursos e outros dispositivos de correção dos problemas raciais. As políticas focalistas (ações afirmativas, políticas de cotas, reparação) despontaram no horizonte do possível como uma alternativa para diminuir o fosso entre brancos e negros.
Da tese sobre visibilidade para a igualdade de direitos
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Sinais assinalados ensinados às tristes sinas,
à musicalidade, as aliterações sensuais e tanto mais
O indivíduo em desespero e apaziguado zelo
das dores, dos lutos e tormento conformado
Inflamado o gênio em transparências vestais,
transalucinantes, nebulosidades em brilhos,
amalgamado o espírito em luzes à Baudelaire
De Broquéis a Faróis em Últimos Sonetos
Tropos e Fanfarras ou Missal e Evocações
Prosa, poesia nem desfeita nem a esmo,
Nem mais cravos, correntes ou grilhões
prosapoema lancinante da gente lacerada
Dante nem Cisne Negro por amor clamado
Cruz e Sousa inteiro e ímpar, a liberdade,
cantada, a vida breve e enlutada dor
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Impõe-se o registro do que se diz sobre o poeta e a criação, para que se o homenageie sempre, se o honre por oportuno e à luta.
E a criação se reflita de que mundo adiante de ontem e hoje queremos.
Violões que Choram...
Ah! plangentes violões dormentes, mornos,
soluços ao luar, choros ao vento...
Tristes perfis, os mais vagos contornos,
bocas murmurejantes de lamento.
Noites de além, remotas, que eu recordo,
noites de solidão, noites remotas
que nos azuis das Fantasias bordo,
vou constelando de visões ignotas.
Sutis palpitações à luz da lua
anseio dos momentos mais saudosos,
quando lá choram na deserta rua
as cordas vivas dos violões chorosos.
Quando os sons dos violões vão soluçando,
quando os sons dos violões nas cordas gemem,
e vão dilacerando e deliciando,
rasgando as almas que nas sombras tremem.
Harmonias que pungem, que laceram,
dedos nervosos e ágeis que percorrem
cordas e um mundo de dolências geram,
gemidos, prantos, que no espaço morrem...
E sons soturnos, suspiradas mágoas,
mágoas amargas e melancolias,
no sussurro monótono das águas,
noturnamente, entre ramagens frias.
Vozes veladas, veludosas vozes,
volúpias dos violões, vozes veladas,
vagam nos velhos vórtices velozes
dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.
A Dor
Torva Babel das lágrimas, dos gritos,
dos soluços, dos ais, dos longos brados,
a Dor galgou os mundos ignorados,
os mais remotos, vagos infinitos.
Lembrando as religiões, lembrando os ritos,
avassalara os povos condenados,
pela treva, no horror, desesperados,
na convulsão de Tântalos aflitos.
Por buzinas e trompas assoprando
as gerações vão todas proclamando
a grande Dor aos frígidos espaços…
E assim parecem, pelos tempos mudos,
raças de Prometeus titânios, rudos,
Brutos e colossais, torcendo os braços!
Afra
Ressurges dos mistérios da luxúria,
Afra, tentada pelos verdes pomos,
Entre os silfos magnéticos e os gnomos
Maravilhosos da paixão purpúrea.
Carne explosiva em pólvoras e fúria
De desejos pagãos, por entre assomos
Da virgindade - casquinantes momos
Rindo da carne já votada a incúria.
Votada cedo ao lânguido abandono,
Aos mórbidos delíquios como ao sono,
Do gozo haurindo os venenosos sucos.
Sonho-te a deusa das lascivas pompas,
A proclamar, impávida, por trompas,
Amores mais estéreis que os eunucos!
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João da Cruz e Sousa nasce em Nossa Senhora do Desterro (hoje Florianópolis, Santa Catarina), a 24 de novembro de 1861.
Precursor e ícone do Simbolismo no Brasil é filho de negros alforriados. Tutelado pelo Marechal Guilherme Xavier de Sousa, de quem adotou o nome de família, aprende francês, latim e grego, além de Matemática e Ciências Naturais.
Em 1881, dirige o jornal Tribuna Popular, no qual combate a escravidão e o preconceito racial.
Em 1883, é recusado como promotor de Laguna por ser negro.
Em 1885 lança o primeiro livro, Tropos e Fantasias em parceria com Virgílio Várzea.
Viaja para o Rio de Janeiro, onde trabalha como arquivista na Estrada de Ferro Central do Brasil e atua no jornal Folha Popular.
Em fevereiro de 1893, publica Missais e, em agosto, Broquéis, dando início ao Simbolismo no Brasil.
Tem quatro filhos, todos mortos prematuramente por tuberculose.
Enlouquece.
Falece a 19 de Março de 1898 no município mineiro de Antônio Carlos, na então Estação do Sítio, em Minas Gerais, vencido pela tuberculose.
O corpo é trasladado para Santa Catarina em vagão destinado a transporte de cavalos.É sepultado no Cemitério de São Francisco Xavier por amigos, José do Patrocínio entre eles.
(fonte: Wikipedia)
Adroaldo, parabéns pelo manifesto. Estamos ainda longe do ideal, mas, pelo menos estamos caminhando. Confesso, amigo Adroaldo, que sou um pouco 'pé atrás' com o tal sistema de cotas. Digo isso pela complexidade que o tema propõe. Tirando o carater altruísta, quero não acreditar que o sistema sirva de cabo eleitoral, e depois fico preocupado com o "depois". Depois da faculdade, e o mercado de trabalho? Haverá cotas também? Tema difícil não é mesmo?
Ah, outra coisa que eu aproveita pra falar Adroaldo, é sobre o Encontro de Escritores. Começou ontem. Grandes nomes e autores locais discutindo os meandros da literatura. Acho que você ia gostar bastante.
Um abraço.
O que de mais positivo eu percebo no sistema que reserva cotas, amigo Filipe, é que as pessoas todas que o queiram, não me importam os motivos delas, se reconheçam e advoguem para si a condição de negras.
Veja que o status social até hoje promovia aos topos apenas os que aparentassem outra condição, fugindo as gentes da declaração ou da reivindicação para si de negras, fossem ou não.
Eu particularmente prefiro tratar as gentes todas por pessoas que são, ainda que algumas sejam desumanas.
No entanto, infeliz ou felizmente para o planeta e as espécies, a história não se faz pelo que pensa apenas o indivíduo, posto que a correlação de forças sociais e mesmo relacionadas essas aos recursos e forças naturais é que acabam circunstanciando as gentes, não é fato?
Grato pela presença tua.
Gostaria imenso de ter podido aí estar a teu convite.
Para uma outra oportunidade, talvez breve, quem sabe...
Forte abraço.
AMIGO ADROALDO...
"Valeu Zumbi"... Viva "Cruz e Souza"...
Em 2007, a sociedade brasileira ainda separa os afro-descendentes. O direito à cidadania é algo ainda não concretizado. O grito de “Zumbi” - e seus seguidores - ecoa nos palácios e casarões dos novos feitores.
Nas novas senzalas existem antenas parabólicas, tvs a cabo, e comunidades organizadas ou em processo de organização. A luta por igualdade racial é contínua e independe de tempo. Existe racismo! Existem preconceitos! Tanto aqui como em qualquer lugar do mundo. Era uma verdade mascarada. Hoje é real! È necessário que haja mudanças e integração racial. As estatísticas não mentem.
Foram quase 400 anos - ou mais - de trabalho e humilhação. E a indenização? Famílias tradicionais herdaram suas fortunas marcadas com o suor dos povos da África. É um erro histórico? E a reparação? Quantos afro-descendentes ficaram ricos ou alcançaram postos de destaques, após a alforria? A separação continua! Os bloqueios existem... Até nos cordões dos foliões que acompanham os trios elétricos baianos. E a participação de negros nos comerciais da tv brasileira, novelas e outros meios de mídia. Inclusive no Overmundo! Qual é o motivo?
Parabéns, amigo! Reflexão com jornalismo sério!
Abraços.
Lailton Araújo
Grato, Lailton.
Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 23/11/2007 21:46
Adroaldo, permita-me, numa brincadeira chula, dizer que você fez barba cabelo e bigode? rss
Munca me declarei um poeta, prefiro o posto de aprendiz de todas as horas e letras. Porém, nada me tira o direito de dizer do que compreendo e tento, porque é disto que aprendo ainda mais.
Uma matéria-aula poemada, é o que compreendo deste postado. Uma maneira agradável de abordar um assunto que geralmente é debatido com farpas nos meios de comunicação.
O que você disse sobre o reconhecimento do Brasil como sendo um país racista, é um avanço, sim. Porém, creio que o ganho ainda maior virá, quando a imensa maioria dos brasileiros compreender-se como resultância da bela miscigenação.
No poema violado pude sentir o violão choroso de alegrias do meu pai. Bebi lembranças na fonte das memórias acompanhadas de silêncio a meio palmo e suspiros não doces.
abço.
Salvou-se o postim à Cruz e souza postado
que ia ficando a meio do caminho,
não nos fosse feito o chamado,
melhor que é domingo e o cavalo
tropeçou e Garibaldi pulou fora.
quero dizer, Adroaldo,
que vez por outroa
o tal do comunicado
necessário é, e não é pecado.
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Ô Franck, tudo di bom pra tu.
Mas é só barba e bigode, no caso, não é mesmo?
Eita!.
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beijin gurizins.
Aldroaldo, perfeito!
Antes de qualquer coisa - para entender seu magnífico trabalho cultural sobre os nossos Irmãos-Negros - é preciso ler com Alma afinada os endêmicos poemas de Cruz e Souza. Considero como um dos gênios da literatura mundial. Tanto Ele como Zumbi deixaram raizes profundas, que se espalharam por esse nosso Brasil. A qualidade deste texto poetado é simplesmente perfeito.
Agora uma pergunta: será que o sistema de cotas disponibilizadas aos negros resolverá a questão racial/educacional? A forma mais justa e humana não seria uma forte educação?
Cotas? Sei não! Torço que sim. Tomara que eu esteja errado.
Parabéns pelo texto!
Abraços,
Benny Franklin
Benny,
A tua referência a Cruz e Souza perfila entre as mais destacadas a ele já feitas.
Comungo das tuas preocupações em relação às políticas de cotas, que no entanto devem receber a oportunidade de ser experimentadas, até por contra-ponto episódico à secular política de afirmação da exclusão.
Analisemos a tempo, com vagar e mais que tolerância, com espírito investigativo, e façamos adiante, em uma década de experimento, quem sabe, um outro juízo, juntos e conforme o que os fatos nos dêem a perceber, o que, também, torço para que seja pelo bem.
De resto amigo meu das letras pretas em fila ou desfiladas, grato por tua presença.
E agradecido a tantos mais que por certo aqui estiveram ou vierem a estar por cá, inclusive tu, amado Franck, ainda que essa descabelada Juli não nos acate os poucos e ralos cabelos brancos, que desfaçatada ela é deveras.
..., mas eu acertei quando disse que te vi me vendo. Não duvide menino, Dom_Poeta ... Poli (des)poetista ... Aguarde a inclusão dessa palavra criada especialmente para ti.
Não nos rendemos ao antigo,
Não nos furtamos ao presente
Não repetiremos o passado
No futuro outros seremos
Afirmando sempre o que somos
Não importa o que aconteceu no passado, mas como vamos lidar com ele no presente, já que o futuro aos teus "leitores" pertence.
João da Cruz e Souza, um ícone do Simbolismo Nacional. Impecável por onde deixou suas marcas.
Tua trans_missão está igualmente impecável. Será arquivada e transmitida...
Cabe ressaltar que um dos piores tormentos é aquele que o indivíduo em desespero tem que apaziguar e zelar ... Mas faz por uma causa maior ... Como faz!*
As imagens estão ótimas!
Cumprimentos_Meus*
*
VOTEI...
AMIGOS E AMIGAS...
Para o bem do OVERMUNDO.
E da liberdade do autor – leiam:
http://www.overmundo.com.br/overblog/tirem-do-ar-moleques
Desculpem! Foi necessário!
Grande abraço!
Lailton Araújo
Adroaldo.
Meu pai, advogado e jornalista, já falecido, dizia que Cruz e Souza era um dos mais atormentados e ao mesmo tempo um dos mais brilhantes poetas que já lera. isso ficou na minha memória, como guardo, também, todos as injustiças, ainda não reparadas, contra os negros que semearam, com o suor e sangue, o chão desse país, que até hoje finge não ter uma população racista, nessa farsa que o tempo não consegue esconder. Fico na espera do nascer de uma nova liberdade.
Grande trabalho.
Abraços
Noélio
Bonita matéria , jornalista Adroaldo.
Que o Dia da Consciência Negra seja mais que um manifesto, um feriado...Nos faça conhecer melhor personagens importantes da nossa História, inconformados com seu destino, resignados à escravidão e à segregação racial...
Adroaldo,
este é um tema que me toca e muito me interessa. Tenho uma pesquisa em fase de conclusão sobre a (in) visibilidade do afro descendente na imprensa aqui do meu Estado.
Parabéns pela postagem desta contribuição!
Abraço!
No que puder contribuir a mais, disponha, Roberta. Grato
Irresignado sempre ante o gesto vil qualquer onde seja, Cris.
O que falas, Noelio, de lá já nos aproxima, não esquecendo que nos lembrou Mestre André de que o Futuro, esse desconhecido devir, nunca se apresenta, porque do hoje é feito.
Lailton, a estrada nos dá as pedras, não querendo isso dizer que as atiremos em todas as direções.
L*L*: sinto mesmo que nos víamos há muito e já de antes nos amávamos tanto quanto hoje de um jeito que o poema ama a poesia, de um modo que um homem e uma mulher podem se amar, ainda que sequer um dia, por minuto, tenhamos nos visto.
Novamente agradecido sou a todas as pessoas que aqui postaram e às que passaram e leram Cruz e Souza, principalmente, esse homem por nós aqui presado, pois foi em que, as pessoas, votamos.
---------
Para a Juli, minha cria dileta, um recado, se me permitem:
- pode parar de dar voltas na quadra. Entra sem temor que hoje estou em paz pois o Inter ganhou para o Grêmio e tudo o mais pode ser relevado.
Esses violões de Cruz e Sousa parecem embalar toda a tragédia não só da vida dele como a dos negros brasileiros que incorporados ao nosso sangue e à nossa hisstória, ainda são invisíveis.
Obrigada por abrir nossos olhos. Quanto mais melhor.
Quanto mais enxergarmos, mais de perto veremos, além da cor da pele.
beijos admirados.
Tua colaboração vem a calhar , apresentando o poeta e jornalista Cruz e Sousa que lutou muito contra o racismo e pelos escravos Teus versos retratam tristeza e são lamentos dos negros até hoje....Avançamos? Dois passos, talvez...
Adroaldo, feliz colaboração, pois tem a leveza de um jornalismo opinativo e informativo misturado a poesia, embora tristede Cruz e Sousa.
abçs.
Ah! Esqueci
Gostei muito deste caligrama de Rosa Marques.
Meu querido, Adroaldo,
seu texto é não só uma belíssima homenagem ao maior nome do Simbolismo brasileiro, como um justo libelo pela inclusão e afirmação dos negros na sociedade brasileira, uma dívida histórica que só agora - com o sistema de cotas - começa a ser reduzida, a despeito da incompreensão de muitos que - por ingenuidade ou ignorância política - insistem em distorcer o sentido desse importante instrumento de inclusão social. Um texto que, pela homenagem e pela justeza das proposições, me remete inevitavelmente ao poeta e dramaturgo alemão Bertolt Brecht: "Há homens que lutam um dia, e são bons; há homens que lutam por um ano, e são melhores; há homens que lutam por vários anos, e são muito bons; há outros que lutam durante toda a vida, esses são imprescindíveis." Você é dos imprescindíveis, amigo. Parabéns pelo oportuno e bem escrito poema-homenagem.
Um forte abraço.
Agradecido Nivaldo. Emocionas teu amigo assim.
Grato, Cíntia.
Grato, Saramar.
A oportuna pertinência do post, comento só um tico. É que que temo fazer o amigo, de mais emocionado ainda, chorar.
Abs
Agora chora! que é pra chorar.
a vez do mudo, tem que chegar.. não é? porque o tempo é de passar, ou nós é que passamos? ..
abraço e agradecimento sincero, sempre!
Frann
Chora, mas chora rindo,
porque a tristeza é tudo que se tem pra cantar
ama, o morro ama, amor bonito
amor aflito que pede outra história...
Em sendo assim, Frann: choro agradecido a ti e a Spirito, poetas e generosas almas que em irmandade nessa hora comovem...
Adroaldo,
Agora que vi seu postado. Eu o classifico com um dos melhores que já li por aqui. Parabéns!!
Que mais posso dizer?? Foi elaborado com maestria!!!!
Bjos
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