Não era a minha primeira visita à Câmara, mas era a primeira vez sozinha. Exercitando a profissão que pretendo exercer, fui à Câmara Municipal de Campo Grande cobrir para o Unifolha Online a Audiência Pública que busca a ampliação do repasse que hoje é de 0,25% para 1% do orçamento do município para a Cultura.
O que poderia ser apenas mais uma cobertura factual de uma audiência pública, se apresentou como uma oportunidade muito diferente. Conheci o interior da Casa Legislativa, onde vereadores e assessores se misturam a visitantes, onde reina o silêncio e sobram aparências.
Um ambiente bem sinalizado, organizado, onde por volta das 8 horas da manhã entrei por curiosidade. Faltava ainda uma hora para o começo da audiência (que por sinal começou com meia hora de atraso), e a vontade de ver o que há por trás dos ternos e microfones fez a minha timidez sumir e o coração bater em um ritmo acelerado.
Dentro do “por trás” de onde a cena acontece, ou pelo menos onde a parte que é combinada é mostrada, encontro um ambiente calmo. Talvez por ser cedo, ou pelos “inúmeros” afazeres que os vereadores têm, ou confirmando o que algumas pessoas dizem, que os vereadores não trabalham.
Chá, café, jornais, computadores, papéis, informes... Características marcantes nos gabinetes, além de assessores e funcionários mil.
Vai chegando a hora prevista para o começo da audiência, e o Plenário Oliva Enciso, que quando eu cheguei estava vazio, começa a ser invadido pelos mais diferentes tipos de gente. Músicos, artistas de circo, de teatro, artesões, artistas plásticos, amantes e desenvolvedores da cena cinematográfica e outros representantes de segmentos culturais do estado se reuniram junto ao público e interessados na causa, em prol de uma causa histórica: a união de tantas classes culturais para reivindicar mais investimento à cultura.
Pareço criança em loja de doces. Nunca vi uma união tão rica em qualquer setor do estado. Lembro aqueles antigos ditados “A união faz a força”, e neste caso a união é a força. União entre a Câmara, vereadores, a comunidade que faz parte da cultura e da população de Campo Grande, que apóia essa causa.
Rostos conhecidos logo aparecem, nomes como Márcio de Camillo, Bola, Jerry Espíndola, músicos e atuantes na causa. Lógico que muito mais gente estava lá, mas eu não conhecia, mais de rosto, ou mais de nome.
Começa a sessão, em clima de vitória, com muitos afirmando que o prefeito Nelsinho Trad vai apoiar e aceitar a causa. Falam sobre um plano com propostas bem formadas e direcionadas, que tratam de 4 áreas: produção, veiculação, formação e divulgação, e como esses 1% podem ajudar através da área de cultura, o desenvolvimento do cidadão e até a melhor e maior exploração do turismo.
Entrevisto rapidamente o vereador Vanderley Cabeludo, que me afirma que o prefeito está sensível à causa e com certeza vai aprovar a entrada no orçamento. Também falo com o Márcio de Camillo, que também afirma a causa ganha, além de falar que projetos como esse já foram aprovados em outras cidades.
O Hino Nacional é cantado pela sanfoneira Lenilde Ramos, figura de grande valor na música sul-mato-grossense, e alguns ficam emocionados com o clima de vitória. A preocupação geral é de como esse dinheiro vai ser repartido, mas pelo visto o pessoal que faz parte da comissão e criação do projeto tem tudo planejado.
Figuras e figurões discursaram por alguns minutos, em uma mesa que nunca esteve tão cheia (com mais de 15 componentes), cada um defendendo o seu peixe. O apoio da Câmara é evidentemente demonstrado, com a presença de grandes nomes como Maria Emília, Vanderley Cabeludo, Athayde Nery (criador do projeto), Paulo Siufi e Gilmar Olarte (e observo, de passagem, o descaso de alguns que a meu ver, não deveriam passar quase que a audiência inteira ao telefone).
Em meio à fala de um vereador, um protesto surge no meio da multidão “Olha a eleição ano que vem!”, um rapaz da platéia grita. Sabemos que as coisas no Brasil nunca partem do nada, e chego a concordar com o manifestante, mas talvez seja por isso que esse projeto só tenha surgido agora, pelo motivo de as coisas ficarem mais “fáceis” em final de mandato.
Um clima de descontração e satisfação assume o plenário, e muitos saem de lá com a certeza da aceitação do projeto. Concordo com o clima, e não acho que seja tão difícil assim que ele seja aprovado, só espero que os recursos atendam a todas as causas, e que o dinheiro não fique mais uma vez nas mãos de figurões...
Sabes "Ka"... gostaria que de fato, esses 1% deixassem pessoas como você... mais felizes, satisfeitas e orgulhosas com sua cultura. Gostaria também que boa parte das "pessoas" que pegam no dinheiro público para produzir cultura, fossem também mais 'inocentes' como você.
A Lei de Incentivo passou por aqui, e proporcionou muitos artistas a trocarem que carro, reformarem sua casa, trocar o guarda-roupa e em muitas vezes, sequer honravam a contemplação do dinheiro com o projeto executado... em muitos casos (muitos mesmo), a coisa parava no meio...
Sem falar na "falcatrôa" de sempre serem os mesmos a serem contemplados pelo FIC... Basicamente, muitos querem continuar a "mamar" na teta dessa vaca (que é sagrada de fato para eles). Se acomodaram nisso...
Muitas bandas/artistas daqui não precisam mais disso... já tem nome, profissionalismo, MARCA... e até hoje os artistas do Mato Grosso do Sul não sabem trabalhar a "marca"... é claro... "acomodados" não vão querer abrir "firma" pra trabalhar corretamente... e com isso, continuam exigindo e tirando a oportunidade de outros (e diga-se de passagem que são muitos outros).
Esses 1% é louvável, mas vai virar a mesma coisa que era o FIC.
Todavia, vos digo tudo isso já que está se envolvendo mais diretamente com os assuntos por de trás de todo esse circo, para que não se decepcione com o que pode encontrar pela sua frente...
Em todo caso... vai pela sombra!!!
E você não ficou até o fim da audiência, cara pálida? Foi aprovado ou não? Que matéria você levou para seu jornal afinal?
GilbertoG · Campinas, SP 2/10/2007 15:37
Caro Gilberto, quanto ao seu comentario, a audiência era uma forma de apresentação do projeto perante a sociedade, e só será aprovado ou não, quando forem divulgados os valores do orçamento de Campo Grande. Mas reforço o coro de que vai ser aprovado o projeto.
Assum, reconheço que fui bem "sonhadora" na matéria, e concordo com você, o dinehiro sempre fica na mão dos mesmos, e nada de mais é feito. É por isso que enfoco no final que espero " que o dinheiro não fique mais uma vez nas mãos de figurões..."
Em todo o caso, agradeço os toques!
Oi Ka. Gostei da colaboração. Talvez "sonhar", como vc diz que foi teu caso na matéria, não seja tão ruim assim. Se não for assim, fica difícil ter esperança. Até mesmo na aprovação de 1% para o repasse do orçamento da prefeitura à Cultura.
E olha que estamos falando APENAS de 1%.
Está bom no geral, gostei da sua colaboração, mas senti necessidade de saber mais sobre o resulta, o que foi decidido? O que foi votado?
Jornalista81 · Brasília, DF 3/10/2007 19:19Jornalista 81! Prometo que quando tiver mais alguma coisa eu divulgo! ^^
Karine Pegoraro · Campo Grande, MS 4/10/2007 06:37
O Rodrigo Teixeira escreveu, sobre essa reivindicação dos artistas de Campo Grande, há um mês, o texto Artistas de Campo Grande querem 1%.
Abraços,
Felipe
Escreveu mesmo, o começo do movimento...
Também tem um rapaz de uma associação de teatro que escreveu lutando com o movimento...
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