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Vivenciei o preconceito. E você?

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Malue · Gurupi, TO
31/3/2008 · 43 · 3
 

Podemos considerar, por vários ângulos, o Brasil como Pátria do mundo. E nesta Pátria, me digam, quem nunca sofreu com o preconceito? Isso mesmo, preconceito, que significa conceito antecipado e sem fundamento razoável, opinião tomada e formada sem fundamento. Quem nunca sofreu, atire a primeira pedra. Isso não é novidade, ninguém teve condições de atirar. Apesar de nossa miscigenação em todos os sentidos, somos uma pátria com uma sociedade totalmente preconceituosa. Muitos possuem preconceito contra: crenças religiosas, raça, estilo de vida, mulher separada, homossexual, prostituta, profissão, classe social, sexo, idade e tanto outros. Veja bem, eu já sofri preconceito e já o vivencie na família.
Um dos preconceitos muito comuns ainda hoje é o religioso. Vamos fazer o teste: caro leitor, se você acha que sua religião é superior às demais é um forte indicio de seu preconceito com as outras práticas religiosas. Se você considera que irá ser salvo e os seus companheiros, irmãos de outra prática não serão, você no mínimo é muito petulante. Você acha que DEUS, como Pai e Criador, condenará um em detrimento do outro? Que Pai é este, se somos todos irmãos? Isso é ignorância, falta de conhecimento. Eu já senti o preconceito de meu vizinho por causa de minha religião, como também, na família, por estar namorando um homem negro. Veja se isso é motivo de críticas, num país formado por negros, brancos e índios? Isso é ridículo!!
Quem teve ou têm filhos adolescentes, sabem que eles sempre possuem estilo próprio, ou seja, modo de vestir, falar, pentear os cabelos, etc. Um dos meus filhos vestia-se assim: cabelo comprido, calças largas e de bolsos grandes, boné, camiseta e tênis. Certa vez seu pai solicitou que fosse ao mercadinho, próximo de casa, comprar um barbeador, e o proprietário do mercadinho me conhecia, mas não conhecia meu filho. Como havia levado moedas, retirou-as do bolso para cantá-las verificando quanto iria gastar, isso junto às prateleiras do mercadinho. Quando chegou ao caixa, o dono acusou-o de estar roubando, preconceituando a forma de se vestir do garoto, palavra expressa pelo proprietário. Imaginem, seu pai, ao saber do ocorrido...(melhor não descrever)
Acredito que partir para agressão, não resolve nada, precisamos partir para a educação, minimizando a ignorância e ela, não se refere apenas aos não letrados, vai muito além. Infelizmente é um cupim que devora a consciência de uma grande maioria de seres que não compreenderam ainda, o grande ensinamento: Faça para o outro o que desejas que o outro te faça.

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zecadotrombone
 

Estou para completar 61 anos e não consigo emprego. Se não fossem algumas apresentações musicais esporádicas eu estaria com minha auto-estima absolutamente arrasada. Como jornalista, apesar de uma experiência razoável, ninguém me contrata, se bem que a mídia impressa está em dacadência, concordo. Como músico, tenho que arranjar as "gigs" por ser trombonista solista, o que não é nenhum problema porque sempre fiz isso. A questão é que meu estilo musical (clássicos do jazz e da bossa-nova), apreciado por uma boa parcela de público em Campo Grande, não merece o respeito dos donos de bares e restaurantes. Então, o preconceito e discriminação raciais que encontrei fora do Brasil (morei 12 anos nos EUA e 1 ano na Espanha) não são piores do que enfrento agora no meu país. É que aqui e agora com 61 anos, com boa saúde, enorme capacidade de trabalho e vasta experiência, passo necessidade por falta de trabalho por causa do preconceito com relação à idade. Outro exemplo: sou professor de inglês e também tradutor simultâneo e consecutivo. Claro que tradutor não tem campo de trabalho na capital sul-mato-grossense. Mas professor de inglês tem. Mas ninguém me contrata. Por que? Só pode ser pela minha idade porque, sinceramente, depois de estudar na faculdade de Comunicações da Universidade do Texas dos 23 aos 27 anos, de ter trabalhado com inglês a vida toda, nas agências noticiosas AP e UPI, tendo ao lado uma esposa norte-americana, e ainda de ter morado na Califórnia de 1994 a 2001, onde trabalhei como secretário-executivo de um escritório de advocacia, é difícil que alguém mais jovem que nunca tenha nem viajado ao exterior possa ter o mesmo conhecimento e capacidade que eu.

zecadotrombone · Fortaleza, CE 2/4/2008 18:14
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Andre Pessego
 

A questão do preconceito entre nós está incrustada nos organismos de estado, na concepção de estado. É a parte mais "cara" da Doutrina Militar Brasileira. Institucional.
Ou medramos a Doutrina Militar Brasileira, ou necas. Não depende do cidadão, em nada. Vejamos
a) com 25% dos Oficiais Generais negros, meio caminho andado;
b) 25% dos juízes e ministros negros, meio caminho andado;
c) 50% dos gerentes do Banco do Brasil negro, meio caminho andado.
D) - A hora em que para o corpo de oficiais generais, exigir-se
apenas "brasileiro......" podendo haver tantos "bichas", quantos forem capazes.....
e) E quando nós soubermos criar os nossos filhos com a consciência de que ser velho é algo indefenido. E muito mais -
algo necessário.
f) Já foi sugerido não me lembro por quem um imposto social (INSS e outros) regressivo para emprego dado à mãe solteira e a pessoa de idade, inversamente proporcional à idade. Acho que era assim. Como já foi sugerido o mesmo benefício aos "pais adotivos". Morreu.
Um abraço, andre.
Nós "o velho", somos vítimas de nós mesmos.
Mais valeu, e valeu e valeu.

Andre Pessego · São Paulo, SP 2/4/2008 19:18
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
zecadotrombone
 

Taí, André, o que você escreveu enriquece a gente, ou seja, faz a gente confiante de que se pode melhorar o mundo e o nosso país se houver mais pessoas como você. No meu caso, a questão da idade colocou mais nítido para mim um montão de problemas que outras pessoas enfrentam e que, normalmente, me passariam batidos. Só que, hoje, vejo a decadência física e moral final do planeta e, no caso do Brasil, a perpetuidade inexorável de fatos como "deitado em berço esplêndido" e "país do futuro" de forma bem imediata, uma ferida aberta na alma porque, no espaço de pouco mais de meio século de vida, vejo o ruim muito mais forte e dominador do que o "aceitável" (nem bom).

zecadotrombone · Fortaleza, CE 3/4/2008 11:03
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