Agora em julho o veterano guitarrista paraibano completa dez anos de residência na Europa. É professor na Geneva International School, onde ministra aulas de guitarra, baixo e piano. Obstinado, sua carreira começou no final dos anos 80, já gravou mais de uma dezena de discos no mundo da música instrumental, onde se caracteriza pela personalidade forte, trabalho árduo e rigor nas suas produções. Pontos que norteiam sua qualidade sonora.
Este ano de 2006, em meio à comemoração, lança seu mais novo álbum intitulado “G.R.U.E.”, conseqüência de uma inusitada sugestão feita pelo seu filho mais novo, que ficava vidrado nas gruas de construção civil espalhadas pela cidade de Genebra. Aproveitando o ensejo para divagar, não é estranho associar a simbologia das gruas, como auxiliar de construtor de novas formas, quanto ao novo trabalho de Washington. Na novidade o guitarrista compositor aventura nas melodias apresentando quatro canções, nas quais vocaliza em duas, constituindo formato pop ao seu trabalho. Em sua breve passagem por João Pessoa, cedeu uma entrevista exclusiva.
Como você analisa as características dos mercados europeu e brasileiro para a música instrumental?
Acho que a musica instrumental perdeu ainda mais espaço aí no Brasil, depois que eu saí. Acho que teve um boom na década de 80 com grupos como Pongará, Úvulas Ardientes, JP Sax, Quinteto Itacoatiara Washington Espínola Trio, Metalúrgica Filipéia, Olho da Rua, entre outros. Alguns destes grupos ainda existem, mas, a maioria desapareceu por falta de incentivo e de locais para shows. Sei que tem uma nova geração de músicos que gostam de musica instrumental, mas, o problema são sempre os mesmos.
Aqui na Europa pelo menos, temos todos os anos os famosos Festivais de Verão, temporadas de Inverno em teatros e locais underground. É por isso que acho aqui melhor, não dá pra comparar.
São dez anos vivendo na Europa. Do que mais gosta e o que mais sente falta?
Aqui na Europa já me fixei, tenho uma família e são seis CDS feitos em diferentes países, com diferentes músicos, além de uma riqueza cultural enorme, poder tocar piano quase todo dia, ter uma segurança financeira e artística. Sinto falta da família aí em João Pessoa, amigos, a praia. Mas, acho que um mês passado aí é suficiente para recarregar a bateria!
Sem falar com a quantidade de shows e músicos com os quais já tive oportunidade de falar: Allan Holdsworth, Pat Matheny, John Mclaughlin , Stevie Winwood , Birelli lagrene, Herbie Hancock , Jean-Luc Ponty, Stanley Clark, Yes, King Crimson, Nile Rogers, etc. Seria impossível ou eu precisaria de uns 30 anos ai para ver todos esses músicos.
Qual o balanço desses vinte anos de carreira?
São vinte anos de carreira, 11 discos, muitas viagens pelo Brasil e Europa. Não tenho do que reclamar, mas eu ainda tenho muita estrada e projetos pela frente, alem de tentar levar minha musica para outros continentes com a Ásia e a América do Norte.
Devagar e sempre, em frente e mais alto... Este e o meu lema. Muito trabalho e seriedade, disciplina, coragem, dedicação, sorte e bons amigos!
Você sempre reciclando e inovando musicalmente. Nesse novo disco, intitulado G.R.U.E., temos a novidade de quatro músicas cantadas e o seu lado pop mais exposto. O que diz a respeito?
Este disco G.R.U.E. realmente é o mais diferente de todos, pois é a primeira vez que eu canto e escrevo os textos das músicas. Não foi fácil, pois toma duas vezes mais tempo que o instrumental para adaptar letra e música, sou muito exigente, alem do fato de que as letras em sua maioria são em inglês.
Gosto muito das composições instrumentais, bem melódicas, sinceras...
Deixei de fora duas músicas, pois não cabia mais no CD, e já compus mais umas três, sendo duas cantadas. São surpresas para um próximo CD, talvez uma coletânea com faixas inéditas , por que não, ainda este ano....
A música pop foi e sempre será a minha inspiração básica, pois comecei ouvindo este estilo, e só depois passei para o instrumental e world music. Sendo assim, nada mais natural que finalmente este acúmulo de mais de 30 anos de escuta e execução saia para a prática de composição, não é?
Você diz que quer expandir e divulgar mais seu trabalho no Brasil. Quais os planos?
Agora eu estou fazendo o caminho de volta para o Brasil, especialmente o Sudeste, levando estes seis discos gravados aqui, e também os do período em João Pessoa, pois nunca fiz shows no Rio ou Belo Horizonte, como líder e ou compositor.
Hoje eu tenho material e bagagem para mostrar as pessoas toda uma obra construída com sonhos e lutas, pois, não é fácil chegar num país estrangeiro e se impor, num bom sentido, e conseguir um espaço!
No próximo 29 de Junho começam o Festival de Montreux, onde trabalho e toco faz seis anos, vou ter a oportunidade de novo de falar com caras como Jimmy Page, Robert Plant, Sting, entre outros. Tenho muita fé em minha música.
Wasinghton Espínola – www.wespinola.com
Contato: wespinola@mail.com
Legal, Jesuíno! Sugiro apenas que bote mais tags, que facilitam a busca.
Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 26/7/2006 15:29Querida Helena, perdoe meus neurônios, mas como aplicar melhor esses tags?
Jesuino André · João Pessoa, PB 26/7/2006 15:40Vi que você incluiu as tags "washington-espinola" e "world music". É isso mesmo. Tag é palavra-chave, então o ideal é colocar tudo que possa remeter à matéria quando se fizer uma busca no site. Valeu!
Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 26/7/2006 16:18
Como diria o genial Chaves: isso, isso, isso.
Grato pela lição!
Realmente é gratificante saber que uma figura como o nosso W. Espinola está sendo reconhecido lá fora. Ele é uma prova real de que, quando se tem determinação, talento, sorte e muitas idéias legais, poderemos obter o reconhecimento merecido. A ele desejo sucesso e reconhecimento sempre em seus trabalhos.
maury d´santos · João Pessoa, PB 28/7/2006 11:53
Desde tepos aureos que conheço o jovem flautista WE, adoro o trabalho dele, mas ainda mais seu bom humor, grande amigo grande artista e deve ser ouvido.
Abraços Jesuino, que não é Jesus nem é menino, e WE que não é nós nem oeste.
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