Companhia de Comédia Os Melhores do Mundo completa 10 anos de uma história que começou bem antes. Ricardo Pipo (à direita) conta um pouco dela para o Overmundo.
A primeira vez que vi Welder Rodrigues e Ricardo Pipo foi em 1991, no Jogo de Cena, um evento antes quinzenal e agora mensal que mistura um pouco de tudo que existe em arte: teatro, música, dança, poesia, pintura e muito improviso. Mais conhecidos apenas como Welder e Pipo (assim mesmo, escrito nessa ordem), eles apresentavam um esquete do espetáculo de comédia besteirol A culpa é da mãe. Nunca vou me esquecer do Welder saltando como uma rã por todo o palco, enquanto Pipo cantava Sapo Cururu.
Foi um sucesso. E o elenco, que contava ainda com as irmãs Madelene e Madelon Cabral, Rudney Silveira e Adriana Nunes, aproveitou o nome do espetáculo para batizar a nova companhia teatral. Nascia ali A culpa é da mãe. Se não o primeiro, certamente o mais famoso grupo de teatro a surgir em Brasília. Que além da peça de estréia ainda protagonizou, entre outros, É a cara do pai, Romeu e Julieta e Hamlet.
"Hamlet foi a nossa única peça que não era comédia", diz Pipo. "Mas a platéia riu assim mesmo. Eu interpretava a Ofélia e Welder se desdobrava em vários personagens, que é o que ele mais gosta, ser uma espécie de coringa."
Mas nem no mundo do humor tudo é riso. E por problemas com o produtor o grupo precisou mudar de nome. Pipo explica melhor: "Um belo dia achamos que era hora de viajar pelo Brasil. Como nosso produtor escorregou no quiabo, abrimos mão dele, do nome do grupo e de nossas vidas regressas e rumamos para o Rio de Janeiro".
De Brasília para o mundo
Já famosos em Brasília mas ainda ilustres desconhecidos em outras terras, partiram para a escolha de um novo nome que os apresentasse bem. Entre várias opções, optaram por Cia de Comédia Os Melhores do Mundo. "Achamos que uma forma de o brasileiro estar na mídia é sendo melhor do mundo em alguma coisa. O Paulo Autran deu mole, pegamos o título pra gente. Agora já era! Melhores no mundo do Teatro somos nós", esclarece Pipo. "Nossas mães agradeceram horrores".
O ano era 1995. E com novo nome veio a nova formação. Agora, além dos remanescentes originais Welder, Pipo e Adriana Nunes, passaram a fazer parte Adriano Siri, Victor Leal e Jovane Nunes. Assim, desembarcaram no Rio, no histórico Teatro Ipanema, por onde passaram grupos como Asdrúbal Trouxe o Trombone e a Banda Blitz. A temporada não foi das mais bem sucedidas. Em um janeiro escaldante, subiam no palco pontualmente às 20h, quando no horário de verão as praias ainda estão cheias.
Mas eles estavam mesmo determinados a fazer jus à nova alcunha. Decididos a expandir ainda mais suas fronteiras, apresentaram-se em várias cidades, como São Paulo, Belo Horizonte, Goiânia e Ribeirão Preto. Por fim, acabaram aportando mais uma vez no Rio. Dessa vez com contrato com a Rede Globo. Pipo tem várias lembranças da época: "Fizemos o Linha Direta. Eu era a cara do assassino e o porteiro do meu prédio no Leblon ficava olhando torto pra mim com aquele olhar de ´já vi esse bandido no Datena´".
"E fizemos também um quadro no Domingão do Faustão, uma verdadeira gincana que batizamos de Teatro Com Obstáculo. No caso, o obstáculo era o próprio Faustão", ri. "Foram seis domingos ao vivo, tentando reproduzir um texto que sofria de restrições jurídicas, com razão, por parte da emissora. E ele ficava interrompendo nas únicas piadas possíveis. Foi uma experiência e tanto. Só não foi melhor porque não repercutiu em nada na bilheteria, que era o que esperávamos conseguir. Alcançamos audiência por cinco domingos. No dia em que perdemos no Ibope para o Domingo (i)Legal fomos levados até a saída, obrigado".
Trabalho duro
Apesar de todas as dificuldades, Os Melhores do Mundo não se cansam de colher os louros. Já são 10 anos de fundação do grupo e mais de 30 peças representadas para milhares de espectadores. Só Sexo, o maior sucesso, teve mais de 400 mil pagantes. Além disso, Welder e Pipo agora são os apresentadores oficiais do Jogo de Cena. É trabalho à beça.
Pipo, claro, tem um comentário engraçado a respeito. "Estamos em cartaz em todos os finais de semana do ano, de quarta a domingo, às vezes com duas sessões por dia. Só paramos no Natal e Ano Novo. Em um ano, trabalhamos muito mais do que a Câmara Legislativa de Brasília em toda sua existência. Mas essa é uma comparação covarde".
Continuando com o plano de conquistar o planeta, os Melhores do Mundo agora se aventuram em outras áreas. No último Festival de Cinema de Brasília apresentaram À espera da morte. A primeira incursão cinematográfica do grupo tem a participação de Chico Anysio e conta a história de um submarino russo que afunda. Aos tripulantes nada mais resta do que esperar a fatídica hora chegar. A produção dividiu a opinião da platéia, mas tem o mérito de ser possivelmente o primeiro filme brasileiro inteiramente falado na língua de Boris Iéltsin. Com legendas, é claro. E em 2006 lançam o primeiro DVD, com uma versão do espetáculo Hermanoteu na Terra de Godah.
No meio de tantos trabalhos, pergunto a Pipo o que mais gostou de fazer em todos esses anos. A resposta é rápida. E bem humorada: "Gosto do conjunto da obra. Até porque temos apenas seis personagens, quatro vozes, oito perucas e três piadas, que se revezam em trinta espetáculos. O dia em que perceberem isso estamos perdidos!"
Daniel Cariello escrevendo sobre Os Melhores do Mundo ! Uma grande satisfação recordar a evolução dos atores e do escritor Daniel. Sou suspeito pois sou fã de todos eles. Parabéns !
Paulinho Madrugada · Brasília, DF 1/6/2006 23:01Adoro a Cia de Comédia Os Melhores do Mundo e sempre admirei o Cariello pelo trabalho e pela amizade. Então o que eu tenho a dizer é sucesso sempre meus queridos!!! ;*****
Cybs · Brasília, DF 2/6/2006 13:28
Só pra lembrar que no mês de junho - durante a Copa - eles vão apresentar o espetáculo Os Melhores do Mundo Futebol Clube, aos sábados e domingos, no Teatro dos Bancários.
Daniel Cariello · Brasília, DF 3/6/2006 12:43Há anos me divirto com essa trupe...realmente, merecem a alcunha de Os Melhores do Mundo...A cada peça, mesmo tendo assistido a versão anterior, encontramos motivos para novos risos, o que vem confirmar o inegável talento desses camaradas.
Helton Póvoa · Alto Paraíso, PR 3/6/2006 22:35Fantástica a reportagem, como são eles...Acompanho a tragetória desde que tudo começou e a cada dia é sempre melhor!!! Parabéns e sucesso! Continue nos fazendo rir, pois em meio às dificuldades da vida é o que nos resta!
Crica · Brasília, DF 4/6/2006 11:31
Eu sou de Brasília, e é claro já ri diversar vezes assistindo os melhores do mundo. E me orgulho muito por vê que o trabalho deles está sendo reconhecido.
Fico toda boba quando os vejo na globo. Sei que eles vão crescer cada vez mais, pq com certeza eles merecem.
Tem um vídeo deles no Programa do Jô. Vale a pena assistir: http://www.youtube.com/watch?v=l3aLGXOg9Gg
Daniel Cariello · Brasília, DF 30/6/2006 21:27
Muito boa a história deles... Parabéns!
Tá na hora do resto do Brasil bater continência pro que eles fazem no palco. Se não fosse o período que morei em Brasília provavelmente seria mais um sem conhecê-los.
Matéria muito boa do Xará, como já era de se esperar.
Adoro esses caras! :)
Abraços do Verde.
Valeu, Felipe. Talvez você não conhecesse tão bem se não tivesse morado aqui. Mas vale a pena lembrar que agora eles são celebridades da Globo, com quadro fixo no programa Zorra Total.
E valeu pelos elogios, xará.
Eles tem quadro fixo no Zorra Total?!
Desta eu não sabia! Agora até vale a pena arranjar algum lugar com televisão para ver isso. A que horas (e em que dias) passa o programa?
Abraços do Xará Verde e Roxo.
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