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Xarpi – Tatuando tradições, driblando viaturas

.nina franco.
.nuno dv escalando para realizar mais uma missão.
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joao xavi · São João de Meriti, RJ
26/3/2008 · 237 · 28
 

Depois que o primeiro homem subiu no muro, apertou o bico e “tacou o nome” a cidade nunca mais foi a mesma. Amada por alguns (mais gente do que se imagina) e odiada por quase todo o resto, a pixação se afirma como um dos elementos visuais que caracterizam a paisagem das grandes cidades. Vandalismo, rebeldia juvenil, chame como quiser. Fato é que o cinismo passa longe quando os pichadores se declaram como “artistas de uma arte proibida”. Em tempos que a arte salta das galerias e invade as ruas com intervenções corroboradas por tendências e teorias a pixação se organiza para se consagrar a cada madrugada em seu espaço de origem, a rua.

No dicionário Aurélio o verbo pichar consta com a grafia “ch”, mas na escrita e na fala dos adeptos o “x” entra em cena, redefinindo o verbo como pixar. Uma breve investigação histórica sobre a pixação no Rio de Janeiro aponta para o escrito: “Celacanto provoca maremoto!”. A frase ocupou um considerável espaço em muros da Zona Sul carioca no final da década de 70. O responsável pela primeira pixação na cidade maravilhosa foi o jornalista Carlos Alberto Teixeira, na época estudante da mais tradicional universidade particular do Rio. Carlos chegou a dar entrevistas para jornais e fazer trabalhos de artes plásticas apoiado na fama acumulada pela pixação.

O grande boom da pixação aconteceu com o final da ditadura civil-militar, acompanhando o afrouxamento da violenta repressão. Já no começo dos anos oitenta a expansão da pixação ganhou o subúrbio carioca. A arte proibida deixava de ser exclusividade dos meninos classe-média e invadia muros e mentes da Zona Norte até a Baixada Fluminense. Desde então pixadores de diferentes procedências sociais transformaram a cidade no cenário de uma batalha que até hoje mancha de tinta paredes, muros, monumentos e vários outros alvos possíveis.

Hoje em dia a pixação extrapola os limites de muros e marquises. Está na internet (em fotos, vídeos e textos), flerta ainda com a tela do cinema e demonstra uma certa complexidade de organização. Prova disso são as chamadas Reu, grandes reuniões onde pixadores de todo o estado se encontram para trocar experiências. Recentemente, no início do mês de março, aconteceu no bairro de Brás de Pina (subúrbio do Rio) o Xarpi Rap Festival. O Festival funciona como uma grande Reu, e serviu de ponto de partida para elaboração deste texto.

“Não dá dinheiro mas alimenta a alma, gosto do que represento nas ruas”

Troquei uma idéia com Nuno DV (Destruidores do Visual), uma figura que começou no xarpi em 90 e que segue na ativa até hoje, “Tinha um pessoal no colégio Castel Nuovo (Arpoador), todos faziam alguma coisa: futebol, luta, surf. Mas em comum todos eram pixadores. Entrei nessa de pixação pra tentar fazer parte daquele grupo”. Nuno trocou de escola e carregou com si a fama de aluno rebelde. Chegando ao novo colégio conheceu SAF, “daí a pixação passou a ficar séria. SAF me levou pra fora da zona sul (Benfica, Ramos, Olaria, Caxias, Madureira). Um belo dia conheci a reunião de pichadores. Cheguei lá, assinei um caderno e, pra minha surpresa, geral estava ligado no meu nome. Aí passei a gostar desse reconhecimento estranho que a pixação traz, e queria mais e mais.”

E quando o feitiço vai contra o feiticeiro, o que será que passa na cabeça do pixador quando sua própria casa é alvo da arte proibida? “Já aconteceu, quando eu morava na Ilha do Governador, provei do meu próprio veneno. Só cocei a cabeça e ri. As pessoas passavam, me viam pintando o muro e falavam: ‘esses moleques não tem mais que fazer’. Eu só pensando: eu sou um desses moleques”. Essa e outras tantas questões são inevitáveis, na tentativa de entender como funciona a mente de um pixador. “Quem tá de fora nunca entende, pra falar a verdade nem quem tá dentro entende. Eu não consigo explicar o motivo de pixar. Mas só de sentir o cheiro da tinta, isso já resume todos os motivos pra mim”. O processo é complexo, mas envolve aspectos como satisfação pessoal e o reconhecimento do grupo. Nuno segue explicando: “A pixação é uma forma de comunicação visual, só que pra um grupo fechado e direcionado. Um analfabeto que tenta ler um texto não vai conseguir, o xarpi é por ai. Só quem "estuda" na escola da rua e se forma na "faculdade da tinta” consegue ler”.

Os critérios da rua são subjetivos e acabam classificando os pixadores de acordo com sua conduta. “Você vai vendo o valor da coisa e vai selecionando o teu alvo. Hoje eu não picho nada que seja tombado, nem igreja ou escola. Tem pixadores e pixadores, quem é de dentro sabe quem é quem”. Existe até mesmo uma eleição que escolhe os melhores do ano em categorias como: melhor no topo, melhor na marquise, melhor de cabeça para baixo, e assim por diante. Existe ainda as chamadas “seletinta”, Nuno faz parte da 40°, “O sonho e o objetivo da molecada é assinar uma das seletintas, mas pra entrar nessas seleções você tem que receber um convite”.

A ilegalidade torna o xarpi uma atividade mais sedutora, mas, por outro lado, o que se observa é um gradual desinteresse na repressão aos pixadores. Nuno, que depois de uma pausa nas atividades nunca mais rodou (foi pego pela polícia), se diverte com a situação: “A pixação não tá incomodando a polícia. Eles vêem os pixadores como merda. Se te pegam nem levam (pra delegaria), só arrancam um dinheiro e te mandam embora”. Na prática não existe uma punição específica para quem pixa, nas ruas o que impera é a lei da propina, “a gente brinca que já tem até tabela do arrego (propina): Soldado da PM é 10 pra cada; Cabo é 20 de cada; Sargento é 50. Mas quem rodar pra oficial é bom tem um bom cartão. Tu acredita que um cara rodou e passou um cheque pro policial?”.

Curiosamente a ascensão do grafitti tem ajudado a aliviar a barra dos pixadores. A fronteira entre o que é entendido como arte e como vandalismo vai se estreitando cada vez mais. Mas como será que essa relação se desenrola na prática?

Sem bandidos e mocinhos

Seja nas mais descompromissadas conversas de boteco, ou em elaboradas teses acadêmicas, a pixação e o chamado Funk Carioca são termos constantemente invocados. Em muitas das discussões sobre cultura urbana que tive a chance de presenciar, no bar ou na academia, os termos eram trazidos à tona em argumentações que hierarquizavam essas expressões culturais. A situação é mais comum com o Funk, perdi a conta de quantas vezes escutei pessoas entendidas no assunto colocando o batidão como uma cultura periférica menor em relação ao Hip-hop. A ingenuidade dessa hierarquização entende o Funk como uma música sem qualidade poética ou conteúdo político. Ao passo que o Hip-hop sim representaria uma alternativa de entretenimento e organização social para as populações periféricas.

A relação pixação/grafitti é comumente entendida da mesma maneira, e afetada por dois agravantes: muitos dos grafiteiros são, ou dizem ser, ex-pixadores; a pixação, diferente do Funk, é uma atividade ilegal. Daí, o discurso mais comum apresenta o pixador como uma figura delinqüente, que suja a cidade e o grafiteiro como sua forma evoluída, o cara que usa da mesma linguagem (o spray em parede) só que de uma maneira artística. Para quem observa de fora, o grafitti pode parecer uma salvação para o desvio de conduta que é a pixação. Mas a experiência que tive em uma rápida incursão pelo mundo do xarpi não vai de acordo com essa lógica, pelo contrário, o que pude perceber é que nenhum dos pixadores parecia precisar ser salvo.

Que o mundo veja – Pixando a tela da sétima arte

Além de dominar os muros da cidade, o xarpi (pixar na língua dos pixadores) passou a ganhar atenção especial dada por uma olhar bem específico. Há alguns meses está rolando na rede o trailer do documentário Que o mundo veja – retratos da Pixação carioca. O vídeo é uma produção independente capitaneada pelo cineasta Jefferson Oliveira (Don). O próprio documentarista já teve uma breve experiência colocando nomes pela cidade, e me explicou como essa vivência influenciou a realização do vídeo:
Sempre fui muito curioso sobre este universo que é o xarpi. Assisti a alguns documentários, uma linguagem feita por gente nova, que falava muito de graffiti. E todos estes vídeos colocavam os pixadores como uma coisa ruim. Quase como se o graffiti fosse a salvação na vida dos pixadores... e pelo que eu me lembro da época em que eu tacava nome, eu não me sentia um bandido ou um delinqüente”.

A proposta de fazer uma abordagem diferenciada sobre o tema começou com a escolha dos entrevistados, “Decidi que só entraria no filme quem taca ou já tacou nome um dia. Nada deste formato quadradão que se costuma fazer por aí, tipo: um pixador fala de suas questões e depois entra um psicólogo dando um suposto aval técnico sobre aquele personagem. Se tivesse que ter um psicólogo, que este psicólogo tenha um dia tacado nome”.

Escolhidos os personagens, Don direcionou as entrevistas a partir de duas principais questões: pixação, vandalismo ou arte? Como você, pixador, é visto pela sociedade? A primeira impressão levantada pelo documentarista é que nenhum dos seus entrevistados se sentia como, um bandido, “São pessoas dos mais variados estilos e classes. Mas o principal é que ninguém que entrevistei parecia querer ser salvo, saca? Entrevistei nego que tá estabilizado profissionalmente, tem estrutura familiar e muitos já são formados. Tem empresários, médicos, policiais civis, federais e militares, bombeiros, historiadores, DJ´s, tatuadores...”.

Um dos aspectos que mais chama atenção no vídeo é a abertura dada pelos entrevistados. Os personagens são acompanhados por Don em “missões” em plena luz do dia e, além disso, dão as entrevistas apenas com uma pequena tarja preta cobrindo os olhos. “Botei aquela parada ali contra a vontade deles, eles mesmo não queriam tarja nenhuma. Mas isso ai ainda é só o trailer. A coisa vai esquentar mesmo quando vier o filme!”. Em processo de edição, no ritmo de uma produção totalmente independente, o documentário deve ficar pronto no segundo semestre de 2008. Por enquanto, só o trailer já bateu a casa das 43 mil visualizações.

Reu – o Xarpi organizado

Nós estamos mais organizados que o grafittii, sabe por quê? A maior parte deles pinta por dinheiro, a gente aqui escreve o nome por amor”. Essa foi uma das frases que escutei durante o Xarpi rap Festival, uma grande reunião de pixadores que aconteceu no começo do mês de março no bairro de Brás de Pina, subúrbio do Rio de Janeiro. As chamadas “Reu” (abreviatura de reunião) acontecem com freqüência há alguns anos em diferentes bairros da cidade. Recentemente a “Reu da Penha” é a que vem se destacando por agrupar o maior número de pixadores sob um viaduto do bairro. Empolgados pelo sucesso destas reuniões o pessoal da Família Five Stars resolveu produzir uma Reu um pouco maior, foi assim que nasceu o Xarpi Rap Festival.

Confesso que fiquei impressionado, logo que cheguei ao local avistei dezenas de carros estacionados na ladeira em frente ao Clube Coimbra. Havia sido informado que as Reu costumavam receber de 400 a 500 pessoas, entre gente do xarpi e curiosos. Portanto, a expectativa para esta noite era muito grande. Já na porta encontrei alguns amigos, e assim que entrei no clube me senti mergulhando no túnel do tempo, não que eu já tenha sido do xarpi, mas a trilha sonora da festa foi marcada pelo Funk que dominava os bailes em meados dos anos 90. Me senti em casa, encontrei vários outros amigos que cantam rap. Conheço poucos MC´s que realmente fazem xarpi, mas, como bons observadores da paisagem urbana, muitos deles narram a presença das letras pelos muros.

Em São Paulo, o grupo Mamelo Sound System canta na música Cidade Ácida: “Pixações aos milhões em todas as sessões, na cidade sem exceções / identidade das ruas, uma única textura tatuando tradições e driblando viaturas pra lançar a real mais pura de quem já não atura calado a vida dura / Isso é que é contra-cultura”. No Rio, MC Funkero canta a Máfia do Spray: “Somos terroristas, cultura de rua, máfia do spray!”, citando dezenas de nomes de grafiteiros e pixadores. Na poesia do Rap o xarpi tem espaço garantido como mais um braço da expressão contra-cultural.

Estas reuniões e festivais funcionam como espaços de socialização para o pessoal do xarpi. Diferentes siglas e famílias se encontram, trocam impressões e assinaturas em cadernos que funcionam como álbuns. A onda é pegar a escritura daquele xarpi que você enxerga nos pontos mais absurdos, os adeptos vão “trocando” e colecionando essas escrituras. Esse processo acaba fortalecendo a tradição do xarpi. Prova disso é o duplo movimento que acontece hoje na pixação: por um lado, é visível a volta de grupos que atuavam nos anos 80; por outro, cada vez mais jovens digitalizam o xarpi, são dezenas de blogs, fotos e vídeos espalhados pela rede. São os próprios pixadores que se ocupam de registrar e expor na rede o resultado de suas “missões”.

Como bem alerta a música do MC Funkero: “Antes de você chamar o meu xarpi de delinqüente não se esqueça que seu filho pode estar entre a gente”. Don vai além: “Você pode estar deitado numa mesa de cirurgia e o médico que está salvando sua vida pode ser um pixador”. Mais do que apologia ao xarpi, o que se percebe nessas movimentações acerca da pixação é a vontade de debater o tema. Os meninos que sujavam a cidade nos anos 80 e 90 cresceram. Cresceu junto com eles o desejo de “botar a cara”, admitir que a ilegalidade alimenta mais do que reprime e que os modelos de repressão vigentes não funcionam. O ponto fundamental é promover um debate de forma adulta, além da sombra da madrugada, distante da luz da viatura.

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nunodv
 

João Xavi

De coração, meu muito obrigado, já li e reli, umas 6 ou7 vezes, e cada vez que leio, sinto um imenso prazer, em ver uma matéria vitoriosa, que mostra o nosso mundo... como ele é realmente..

Sempre são aqueles formatos que nos mostram como marginais, mas aqui, vc, expôs exatamente, como gostaríamos de sermos vistos.. ilegais sim, marginais não...

Precisando de contatos com a rapaziada da tinta, é só falar que faço a ponte,

NUNO DV - 40°

nunodv · Rio de Janeiro, RJ 23/3/2008 08:18
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lero_g80
 

Bela reportagem joão xavi...vc falou tudo e mais um pouco dos nossos pensamentos, vc deixou bem claro que não somos marginais ou bandido, mais sim adoradores da arte "proibida".

Eu já tenho muitos anos de xarpi, já li varias reportagem mais nenhuma delas foi tão bem feita como esta. Que fala tudo que a galera do xarpi pensa e não o que a sociedade de pensa.


LERO_G80

lero_g80 · Rio de Janeiro, RJ 23/3/2008 13:49
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VAST TP
 

Realmente uma das Melhores reportagens que eu ja vi !

mto bem feita.. falando de vários pontos de vista !

Sensacional !

Vast tp

VAST TP · Rio de Janeiro, RJ 23/3/2008 22:41
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Nina Franco
 

Sua matéria está linda, você escreve super bem e parace que sabe que é isso que o pessoal quer ler.
Você passou para o papel o que eu pensava e mais um pouco, quando quis começar a fazer as fotos, mais nunca soube me expressar. Adorei . ta linda a matéria!!!!!!
bjo

Nina Franco · Rio de Janeiro, RJ 24/3/2008 08:06
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Higor Assis
 

Olá, João !

Sua matéria esta bem interessante e busca um reconhecimento pelo lado mais hostilizado do chamado "artista marginal".

A pixação carioca é bem diferente da paulista - são estilos de letras, de reconhecimentos e de atitudes diferentes.

A letra em SP é reta em caixa alta. A carioca é estilo 'tag' deitada e manuscrita - O que seria uma grande análise para que gosta de estudar pixação - conforme assinatura dos grafiteiros.

São duas grandes metrópoles com seu 'que' de diferença e mesmo nessa pequena diferença tem sua intervenção urbana massificada e, em todas as vezes hostilizadas.

De alguns anos pra ca as coisas mudaram muito e como você cita no texto a também uma confusão o que é arte e o que é graffiti.

Não sei como é a cena no RJ quanto aos grafiteiros e nem pixadores, mas não acredito que alguém ai como foi colocado no texto esteja mais organizado que o outro. A intervenção é única, não podemos esquecer que um veio do outro e neste processo de evolução (do pixador para o grafiteiro há muitos poréns...).

Os estilos também tem de ser tratados, pois no caso do graffiti são incontáveis os estilos de letras, turmas, mensagens etc.. e por ai vai.

Obs: uma dúvida. Alguns anos atrás tinha algumas letras cariocas que colocavam a letra M deitada por cima do escrito, alguém ai sabe me falar o por quê ? Seria alguma turma específica ?

Obs 2 : João, não me passou o contato do z'africa - domingo vou vê-los aqui em sp, pois tenho de pegar uma permissão para usar uma música deles no documentário que estou produzindo.

Higor Assis · São Paulo, SP 24/3/2008 09:50
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joao xavi
 

valeu higor, várias informações pertinentes no teu comentário.

o papo do xarpi estar mais organizado que o grafitti é uma provocação. impossível, e até mesmo desinteressante, medir isso.

essa diferença de estilo entre rio e sp é uma parada interessante mesmo. observei isso na primeira vez que estive por ai, logo na dutra me liguei no estilo xarpi paulistano.

obs: esqueci completamente o lance do z´africa, to te passando o contato deles agora!

joao xavi · São João de Meriti, RJ 24/3/2008 12:28
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Helena Aragão
 

João, válido o texto sobretudo por mostrar a mobilização e a posição dos autores das pichações que vemos nas ruas. Em geral vemos suas assinaturas, mas não sabemos suas opiniões... Achei interessante saber que eles não se acanham em mostrar o nome e a cara, o que de certa forma está provado quando fazem os comentários.
Você fez algumas perguntas que tinha vontade de fazer. Ainda assim, tem questões que me vêm à cabeça quando vejo pichações em certos lugares que gostaria de fazer por aqui. A coisa dos prédios públicos, por exemplo. Ontem mesmo, passando em frente ao prédio da Escola de Música da UFRJ recém-reformado (e, se não me engano, tombado), reparei que já há pichações lá em cima. Fui testemunha de como foi difícil começar a reforma necessária e como foi o sacrifício dos alunos por causa dela. Agora, finalmente com a reforma encerrada, já há marcas. Minha pergunta é: num evento como este que rolou em Brás de Pina, além da necessária conversa mobilizadora, há também conversas sobre os limites? Imagino que haja muita opinião diferente sobre eles entre os pichadores, como este texto mostra, aliás. Há uma orientação geral em relação a esse tipo de coisa, ou é cada um por si?

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 24/3/2008 19:39
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quasenada
 

bela iniciativa

paz

quasenada · Uberaba, MG 25/3/2008 12:21
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blequimobiu
 

XaviX o pivete multimidia!

Mo respeito!

blequimobiu · Salvador, BA 25/3/2008 14:46
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thnath
 

João Xavi.
Agradeço a (linda) iniciativa e a matéria me arrepiou toda. Sua visão do xarpi é ótima.
Parabéns, ganhou minha admiração.

thnath · Rio de Janeiro, RJ 25/3/2008 15:16
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SOMEM R.OSTRAS
 

Belissima Iniciativa...
Digno de muito Respeito vc está de parabéns...

Boa sorte nessa empreitadaa..

e podis crer que não estás sozinhOO...

SOMEM R.OSTRAS · Rio das Ostras, RJ 25/3/2008 21:15
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nunodv
 

Aí J.XAVI devagarzinho, mas tá indo.....

NUNO DV

nunodv · Rio de Janeiro, RJ 25/3/2008 23:41
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FILIPE MAMEDE
 

Rapaz, em São Paulo a trajetória é seguinte: Começar ouvir Racionais aos 11 anos de idade e começar a pixar os muros pela vizinhança sem um propósito bem delineado. Fiz esse trajeto também. Até hoje não entendo as razões disso tudo. São perspectivas, signos, uma celeuma semiológica digamos... Lembro de "rodar na mão dos gambé", das pastas de pixo... Íamos para as portas das boates (Em Guarulhos / Usina e Casa do Som eram reduto de pixadores) pegar a "assinatura" dos grandes pixadores, aqueles que pegavam os berais mais altos, tinham mais "ibope"... Realmente, eis aí um universo riquíssimo que precisa ser desbravado. Pura contra-cultura.

FILIPE MAMEDE · Natal, RN 26/3/2008 11:20
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joao xavi
 

valeu felipe, esse tipo de relato é bem bacana pra enriquecer a matéria.
se bem me lembro, pelas minhas andanças brasil a fora, não existe uma cidade livre do xarpi.
isso deve significar alguma coisa.

joao xavi · São João de Meriti, RJ 26/3/2008 11:37
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blequimobiu
 

eu já fiz parte do time mais procurado em salvador, minha geração foi a primeira a migrar pro graffiti, e hoje é escola, mais cara, realmente é um universo louco, de vaidades, adrenalina, drogas, sexos e muita inocência sobre o que é fama.

blequimobiu · Salvador, BA 26/3/2008 12:38
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Higor Assis
 

O que a Helena comentou é extremamente interessante.

Em São Paulo, onde acontecia os encontros de pixadores toda sexta-feira no centro da capital. Os pixadores apenas trocavam informações (sobre picos, sobre pixos, sobre rôles que poderiam fazer juntos e trocavam assinaturas).

Hoje os lugares são outros e provavelmente mais amenos, pois muita gente migrou para o graffiti, que por sinal não é tão marginalizado. Os encontros de graffiti, são mais politizados, mais formatados e, neste aspecto rola até idéias de parcerias entre os mesmos.


Existe muita coisa para se desvendar e uma destas foi a proposta que a Helena deixou por aqui, alguns dos amigos ai em cima que elogiram o texto poderia contribuir para esclarecer também, o que acham ?

Higor Assis · São Paulo, SP 26/3/2008 15:54
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Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Texto extremamente instigante, que me levou a pensar nas vastas possibilidades de resistência ao "poder que produz discursos verdadeiros" inclusive estéticos, como diria Michel Foucault.
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 26/3/2008 18:27
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joao xavi
 

isso ai joca, valeu pelo comentário.

acho que cabe um debate sobre o uso do espaço público.
quem e como esse espaço pode ser utilizado.
a idéia da poluição visual, a publicidade.

joao xavi · São João de Meriti, RJ 26/3/2008 18:44
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Andre Pessego
 

João, legal. Muito bom.
E é extamente assim, historicamente foi assim, a arte a cultura popular nunca foi feita, desenvolvida apresentada por dinheiro por uma remuneração. Muito ao contrário por toda a vida os integrantes, artistas participantes pagam.
Quem faz o carnaval no Brasil, não ganha nada. (Quem ganha
é o que não faz_
abração, andre.

Andre Pessego · São Paulo, SP 26/3/2008 19:02
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lero_g80
 

A gente faz parte de um grupo social de natureza bem diferente, não estamos a procura de dinheiro, mais somos envolvidos pela simples vontade de romper os nossos limites.
A gente quer apenas mostrar a nossa arte para a sociedade que não entende esse nosso prazer.
Antigamente nos anos 80 era apenas adolescente que faziam parte do xarpi, que éramos reconhecidos como vândalos, mais hoje em dia podemos ver que não... E sim uma arte inexplicável.
Hoje em dia no xarpi tem gente de todas as idades que variam de 10 a 45 anos de idade chefes de família e com grandes responsabilidades em seu local de trabalho.
A galera do xarpi procuram sempre o local mais alto, lugares bem movimentados ou lugares que tenham a probabilidade de ficar pichado por vários anos(lugares eternos)ou até mesmo procurando chamar atenção da mídia.
Estamos sempre se encontrando nas famosas réu (reuniões), de segunda a sexta feira em vários pontos da cidade, para reencontrar os amigos de mais de 20 anos de xarpi, para falar das missões e de vários assuntos dos anos 80 que foram inesquecíveis, e tomar aquela cerveja porque ninguém é de ferro.

lero_g80 · Rio de Janeiro, RJ 26/3/2008 19:27
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dety moj
 

JOAO, MUITO BOA ESSA MATERIA, PRECISAMOS Q TODOS VEJAM Q NAO É SÓ NOS OS PIXADORES Q DEFENDEMOS ESSA ARTE, ESPERAMOS Q A POPULAÇAO NAO RECRIMINE QUEM JÁ FOI OU QUEM É DORXAPI.
MUITO OBRIGADO POR ESTAR AO NOSSO LADO...

UM GRANDE ABRAÇO

DETY MOJ

dety moj · Rio de Janeiro, RJ 27/3/2008 00:19
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Regina Sahdo
 

O texto é interessante. Todos os fenômenos precisam ser pensados. Vou reler o texto com calma, mas, assim de cara, me chamou a atenção a quantidade de depoimentos tipo "nós não somos bandidos" (ou coisa parecida). Na verdade nunca pensei neles como bandidos ou delinquentes. Sempre tive a idéia de uma energia mal canalizada. E agressiva, pois não dá pra negar que eles invadem o espaço do outro, que gostaria de ter o muro limpo. Enfim, como dar conta dessa energia toda? Os artistas, os grandes criadores também foram agressivos, ousaram. De certo modo "pixaram o muro arrumadinho da sociedade". Mas pagaram seu preço, muitos só foram reconhecidos depois de mortos. E quando falo "pixar" , neste caso, estou falando em sentido figurado. Eles não pixaram, de verdade, o muro de ninguém.
Agora me veio também uma outra idéia. Dá uma leve impressão que esses encontros, ou quase congresso de pixadores, visam uma certa "legalização" do fenômeno. Quase como se quiséssemos comer o doce e guardá-lo ao mesmo tempo. Me lembra um artigo que li onde o autor fala dessa "dupla mão" da sociedade: café sem cafeína, chocolate "light". Por fim achei super bobo o argumento de que tem gente adulta, até médico que é pixador (o que tornaria a coisa melhor). Como se isso mudasse alguma coisa! A gente sabe perfeitamente o que muitos "adultos" políticos, juízes etc. andam fazendo por aí... Mas concordo com a Helena: ao menos as Reus podiam servir como forma de reflexão para fazê-los pensar sobre os limites da prática.

Regina Sahdo · São Paulo, SP 27/3/2008 17:07
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joao xavi
 

segue o link de um vídeo com uma sequencia de vários fotos do nuno e do isak:
http://br.youtube.com/watch?v=xuscU67Gr5M

joao xavi · São João de Meriti, RJ 31/3/2008 18:13
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Nados
 

Muito maneiro o seu texto sobre a xarpi e complementando os demais comentários, acredito que vc conseguiu resumir bem o que sentimos e o que pensamos.
Vi crescer todo esse movimento da pichação e posso dizer que tínhamos características diferentes. Iniciava-se na pichação com lápis de cera e a passagem para o jet era uma forma de amadurecimento e evolução. Nos anos 80, os nomes eram mais desenhados e podia se identificar com facilidade à pichação de cada um. Hoje os nomes são mais grafitados e as letras bem mais trabalhadas. Perdeu-se com isso a facilidade na leitura e identificação (mais quem é do ramo reconhece com facilidade).
Hoje a turma esta violenta, cada dia mais ousada e se arriscando em escaladas espetaculares, vc para e se pergunta: como essa irmão chegou a essa altura? Loucura. Hoje na faixa dos quarenta fica difícil ter aquela disposição de antes, esposa, filhos, trabalho, etc....... Mas confesso que a adrenalina pela "arte proibida" continua acessa e a vontade de mandar uns nomes é muito grande. Fica a preocupação do "rodar", como explicar para a família, para o pessoal do trabalho (judiciário), complicado. Um dia desses sai e no bolso vai uma notinha de 50, para a caixinha se for necessário. Fazer o que, é meu único vício. Abraços a todos que estão ai na pista.
João Xavi, show.

Nados · Rio de Janeiro, RJ 17/9/2008 07:13
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Juliaura
 

Wohs!

Juliaura · Porto Alegre, RS 22/12/2008 14:12
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Marcelo Perez
 

Ótima matéria!
Então, eu andei muito com uma turma de xarpi na década de 80. Tô atrás de uma mulher que mandava FREE naquela época. Era a mulher mais famosa. Mandava muito com o ZAK. Escrevi uma crônica que retratava aquela época a FREE fez contato comigo, só que deixou recado no meu blog, mas não tenho o contato dela. Você tem como me ajudar a encontrá-la? Se vc a conhece peça pra entrar em contato comigo.
Parabéns

Abração

Marcelo Perez · Boa Vista, RR 4/4/2009 11:47
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WOG ff
 

Éssa matéria poderia rolar um filme, ou algo do tipo como um documentário, pois material já temos de sobra. Um lance bem organizado, para ficar na história do xarpi.

WOG ff · São Gonçalo, RJ 28/6/2011 09:03
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xxxzo | Vinicius
 

Eu tinha parado de pixar pela minha familia, mais depois dessa reportagem eu vou voltar, gostei mto falou tudo q um pixador sente...

xxxzo | Vinicius · São João de Meriti, RJ 7/8/2011 14:01
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