A discussão girava sempre em torno da mesma idéia: falta de espaço para ensaiar. Diante da falta cria-se uma alternativa simples e que, até o momento, mesmo diante dos percalços e da mudança de algumas pessoas (que passaram pelo local e agora circulam esporadicamente), parece funcionar muito bem. Estou falando da Yellow House (ou casa amarela): que de amarelo mesmo, se eu não estiver enganado, desde a primeira mudança, só tem o nome. As lendas que circulam para justificar a mudança da cor são muitas, mas a mais sensata é a de que a mudança foi para espantar os chatos, mas os chatos sempre aparecem (aparece lá hoje à noite? E o cara vai!).
A casa que surgiu como uma alternativa para unir uma fatia de músicos com afinidades várias (e muitas diferenças também) se transformou em uma referência para os rockeiros da cidade de Chapecó. É claro, como não poderia deixar de ser, para alegria geral da nação, essa referência não é unanimidade, afinal de contas, abrange apenas uma parte do cenário chapecoense (creeeedo, até parece uma metrópole!).
Aquilo que era para ser um ponto de encontro para ensaiar, fazer (pensar) música, se transformou (também) em um local onde as pessoas se reúnem para várias outras coisas, entre elas (as que eu posso citar): simplesmente se encontrar no fim de tarde, bater papo, falar da mulherada, para fazer churrasco (ou outro rango qualquer, mas sempre fincado naquele conceito de culinária boa e barata) e fazer um esquenta antes de ir para uma festa (isso, é claro, quando a festa não rola por ali mesmo).
O ponto existe há mais de seis anos, e o intercâmbio que, no começo era restrito ao universo chapecoense, trouxe para o local também o pessoal dos grupos que passam pela terrinha e que tem afinidades com as bandas da cidade. Só para dar um exemplo, passaram por ali Frank Jorge, Júpiter Maçã, Marcelo Birck, Egisto Ophode, Julio Reny, Os Jeans, Pipodélica, Faichecleres... e por aí vai. Desses encontros regados a cerveja (ou não), aconteceram jam sessions (algumas de madrugada) para deixar a vizinhança de cabelo em pé.
O endereço mudou várias vezes. Oficialmente, contabilizam três, sempre mantendo aquela relação de amizade (e cordialidade) com a vizinhança: nós (da casa) mantendo-viva-a-idéia-de-fazer-música e eles (os vizinhos) achando-que-nós-estamos-fazendo-barrulho, e com essas mudanças um monte de histórias - algumas delas disponíveis na página da Yellow no Orkut.
A decoração é o charme do lugar, qualquer semelhança com arte é mera coincidência. Poderia dizer mais, uma aula de bom gosto, ou seria o contrário, isso não importa. Cada um dos participantes levou alguma coisa para o local. Quando falo em alguma coisa (cama, sofá, geladeira, fogão, cachorro...), quero dizer algo que, normalmente, não tinha mais serventia no seu lugar de origem.
O lugar aos poucos foi se transformando em uma espécie de Bric (uma loja de móveis usados) com as paredes marcadas por cartazes que contam um pouco da história da cena musical da cidade. Esses cartazes são dispostos aleatoriamente sem que haja uma organização ou, quem sabe, a organização se dá pela falta. Nas paredes, por mais que pareçam tomadas por uma poluição visual, sempre há espaço para o último cartaz da última festa que aconteceu no último fim de semana. Misturam-se os cartazes dos shows realizados pelas bandas do local, com os cartazes daqueles artistas que, muito mais do que ídolos, servem, por que não, de inspiração.
Quem paga por essa confusão toda?
As contas da casa são divididas entre os membros honorários (os sócios patrimoniais) e os eventuais participantes - um universo que gira oficialmente em torno de nove pessoas. Além do dia marcado para levantar a grana para acertar as despesas, tem o dia da limpeza, que segundo nos revela um dos (ex-)participantes (mas que continua freqüentando assiduamente o local e por motivos maiores não posso revelar que é o Michel), é o dia em que as pessoas, ninguém entende direito o porquê, desaparecem. A casa, obviamente, fica vazia. Outra, e essa é recente (com registro em Ata e tudo): foi institucionalizado o dia de cortar a grama. Como tu vês, não é fácil essa vida de rock star em cidade pequena.
Assim, o barco segue e a vida na Yellow continua, se de um lado sempre tem alguém pronto para ligar os instrumentos, do outro lado, tem alguém pronto para botar fogo no carvão e fazer a churrasqueira funcionar. Para alguns, muitos de passagem, essa é a combinação perfeita da Yellow. Para outros, a questão musical está no primeiro plano e o restante é apenas (in)conseqüência. Independente das relações conflituosas, o local tem dado uma parcela de contribuição para as movimentações musicais que ocorreram na cidade nos últimos anos. Hoje, ensaiam no local as bandas Red Tomatoes, Variantes, WalterMellon, Mister Magoo, Power Trio e mais uma ou outra banda esporadicamente, como é o caso do Repolho. Desta união de músicos, em que um está sempre contribuindo para o trabalho do outro, permanece ainda a The Yellow House Big Band Show – formada por integrantes de várias bandas para apresentações em eventos especiais, uma espécie de jam mais ou menos ensaiada.
A Yellow já é uma espécie de lenda urbana de Chapecó. Assim com o a maioria dos frequentadores da casa heheh
Muito bom, o texto. Só assim mesmo para eu saber o que rola em Chapecó.
Fabinca · Bento Gonçalves, RS 16/12/2006 13:24
quero fazer uma visita quando tiver em chapecó..
ta faltando uma dessas em floripa, pra unir a turma do litorale
Fala Vitor, a idéia da Yellow era muito boa, funcionou durante alguns anos, mas encerrou as suas atividades no segundo semestre do ano passado,
abs
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