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Zona Sul no alvo das Empresas de Celulose. SOS

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Núcleo Popular de Jornalismo da Rádiocom · Pelotas, RS
19/9/2006 · 100 · 0
 

Uma triste realidade encontra-se presente no Rio Grande do Sul, a falta de esclarecimento e de um debate público acerca da vinda de empresas de celulose para a nossa região podem ocasionar diversos danos ao meio ambiente e serão responsáveis pela, falta de água, a desertificação do clima, o ressecamento do solo e a diminuição da biodiversidade, além de atenderem apenas aos interesses financeiros da classe dominante aliada ao capital estrangeiro.

A investida das empresas de celulose no Rio Grande do Sul é antiga, durante a década de 1970, com o apoio da ditadura militar, o capital sueco e norueguês trouxe as fábricas de celulose para o Brasil, na época, se apoderaram de 18 mil hectares de terras, desalojando indígenas, quilombolas e camponeses.

Foi no ano de 1989 que a realidade pôde ser sentida mais de perto pelos gaúchos, o município de Rio Grande era o alvo das fábricas de celulose, onde seria construído um pólo de celulose próximo ao Balneário do Cassino, porém, devido uma série de pesquisas e denúncias por parte do Centro de Estudos Ambientais (CEA), Fundação Universidade Federal de Rio Grande (FURG), sindicatos e a população em geral, foi possível barrar a vinda dessas empresas para Zona Sul do Estado. “Naquela época fizemos um abaixo assinado com 30 mil assinaturas” disse Luiz Rampazo, um dos fundadores do CEA.

No final dos anos 1970 a situação era menos dramática, havia uma fiscalização dos ganhos de quem plantava essas árvores exóticas. Eram contratadas pequenas e média, empresas, entre elas: Trevo florestal, Flopal, Santa Úrsula, Pró-sul e Petropar, para fazer o plantio de pinus de eliótis e eucalipytus e acácia negra, hoje é apenas a Votorantim Celulose e Papel (VCP), que está plantando aqui na metade sul, sendo a única a lucrar com esse investimento.

Essas empresas, com o passar do tempo começaram a estudar a região sul e perceber que é um lugar onde o crescimento de espécies como o eucalipto, é três vezes mais rápido, devido ao clima, a qualidade do solo e a abundância de água. O eucalipto é nativo Australiano, ocorre em regiões mais úmidas da Austrália, porém não é só o clima que facilita a vinda dessas fábricas para nossa região.“A fiscalização ambiental e a cidadania ambiental são falhas. Embora a nossa legislação ambiental seja a mais avançada do mundo, a comunidade não tem conhecimento da legislação e das questões ambientais para que possa cobrar” disse Luiz Rampazo.

O Governo do Estado do Rio Grande do Sul já demonstrou sua posição favorável as empresas de celulose. Através da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (FEPAM) foi concedido uma Licença de Operação para que as fábricas continuem plantando sem o estudo de impacto ambiental. A Votorantim Celulose e Papel está em processo de estudo aqui na região, porém, já está plantando e comprando hectares de terra. “Em primeiro lugar deveria se fazer o Estudo de Impacto Ambiental (EIA), onde aponta-se todas as conseqüências do empreendimento e se traduz para uma linguagem mais popular, depois se faz um Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), e isso tudo tem que passar por uma audiência pública onde a comunidade vai poder contestar e dar opiniões sobre o estudo” disse Cíntia Barenho, membro do CEA, e argumentou,“Isso não aconteceu e esperamos que aconteça para que agente também possa ser ouvido pelas empresas”

A ONG Amigos da Terra, entrou com pedido no Ministério Público Estadual para que as empresas de celulose que estão plantando no estado do Rio Grande do Sul parassem o plantio imediatamente, essas empresas são: A Votorantim na região sul do Estado, A Stora Enso na Zona Oeste e a Aracruz que está instalada no município de Guaíba. A direção do Ministério Público Estadual concedeu um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) a essas empresas, no qual elas obtiveram um prazo para apresentar o EIA e o RIMA sem ter que parar com o plantio.“As empresas de celulose não estão passando por nenhuma audiência pública e estão tendo uma licença para degradar o meio-ambiente”disse Rampazo.


Rateio do ICMS – Todos querem uma fatia do bolo

Na quinta-feira déia 24 de Agosto de 2006, a Câmara de Vereadores da cidade de Pelotas, aprovou o projeto que dividirá o valor do Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), referente a planta industrial da VCP. Essa repartição do valor do ICMS é a prova de que os prefeitos da Região Sul: Pelotas, Rio Grande, Capão do Leão, Cerrito, Arroio Grande e Pedro Osório, tem apenas um interesse, distribuir os lucros que serão gerados pela Votorantim, sem se preocupar com os verdadeiros investimentos que a nossa região tanto carece, como o incentivo ao turismo e à agricultura familiar. Estes teriam resultados muito melhores para o desenvolvimento da nossa região. As monoculturas de eucalipto geram apenas 1 emprego a cada 185 hectares de terra, enquanto a Agricultura Familiar, gera 5 empregos por hectare.

O avanço do eucalipto é uma séria ameaça a diversidade, aos animais e ao pampa gaúcho podendo provocar muitos danos a biodiversidade. A aprovação do rateio do ICMS foi a prova de que justificativas como, a estagnação econômica e a falta de empregos na região, dadas pelos representantes do Governo local para a instalação da fábrica de celulose da Votorantim aqui na metade sul, são apenas parte da defesa de interesses ideológicos aliados ao capital internacional e com objetivos bem claros, pretendem amenizar a crise econômica da região sul temporariamente, sem pensar nos danos futuros que esses empreendimentos irão gerar.



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