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Livro 2 - O Carneidoscópio
em genealogias · 24/2/2008 20:09 · 38 votos
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porque agora é que são elasporque agora é que são elasporque agora é que são elasporque agora é que são elas(e você percebe que o eco na verdade não é eco porrra nenhuma, mas a divisão do seu pensamento em quatro, porque no nexo em que você parou além da luz existem outros três caminhos e em cada um deles um você, mas não é um reflexo, não é um caleidoscópio, não é um truque com... > leia |
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run for the shadows
em genealogias · 7/2/2008 20:48 · 29 votos
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a luz é insuportável, insustentável, abstrata de tão anticoncreta, de um brilho que faz você lembrar que tem uma cabeça, porque a dor de cabeça que começa a se formar atrás dos seus olhos (você também tem olhos, percebe meio entre o fascinado e o aterrorizado) é incrivelmente grande, grande como há muito tempo você não se lembrava, o que é uma coisa paradoxal, porque no instante... > leia |
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four quartets
em genealogias · 5/2/2008 14:15 · 29 votos
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a música vai aumentando à medida que você vai descendo pela Incrível, Fantástica, Extraordinária Piroca Suprema de Chtulhu, o Caralho-Rei, the Big Dick, se Raymond Chandler escrevesse pornô inventaria esse título mas não criaria uma história dessas, e certamente não com essa maldita trilha sonora philipglassica monocórdica mas nao monaural, que ao mesmo tempo que aumenta de volume... > leia |
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trombe d´oeil
em genealogias · 3/2/2008 15:11 · 38 votos
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você vai caminhando cada vez mais nervoso pela Grande Piroca de Chtulhu, grande mas já não tão grossa, porque você vai notando um afilamento à medida que anda. No começo, não é nada tão perceptível, parece muito mais uma impressão, um trompe l´oeil, uma tromba no olho, um tapa-olho, um pega-trouxa, enfim, um truque de luz, um golpe de vista, porque toda vez que você pára para analisar... > leia |
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circunstances brought us here
em genealogias · 1/2/2008 11:01 · 38 votos
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você continua descendo o corredor, rolando como a última ervilha da latinha, só que a latinha tem o tamanho da galáxia, o que não ajuda muito sua auto-estima, mas tudo bem, você continua descendo a Piroca de Chtulhu (agora em caixa alta, nada como uma sacanagem para sacudir alguém do marasmo), mas agora você começa a ter idéias, idéias que não estava tendo antes, aliás, você era... > leia |
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deep throat
em genealogias · 30/1/2008 23:23 · 38 votos
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engolfado, engrupido, é assim que você se sente enquanto caminha pelos corredores, caminha tanto que nem vê sono nem caminha, e os pés já deixaram de arder há muito tempo, as peles finíssimas dos pés, que assim ficaram de tanto roçarem nuas os pisos absoluta e escrupulosamente lisos, lisos querendo dizer em nível molecular, como se a faxineira de deus pegasse um pano e esfregasse... > leia |
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the naked lunch
em genealogias · 29/1/2008 08:40 · 38 votos
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nu como adão, que não tinha sogra nem caminhão mas tinha um puta dum jardim do éden e uma mulher pra foder, porque isso foi antes mesmo de desenvolver a linguagem, donde se conclui que todas as piadas de sacanagem do universo não podiam estar erradas, o negócio é sexo, tudo gira em torno de sexo, tudo é sexo, é pau, é buceta, é o fim do caminho, Freud foi o... > leia |
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the hunger
em genealogias · 29/1/2008 08:27 · 38 votos
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para uma realidade onde matéria é coisa que não existe, seu estômago inexistente até que está apitando além da conta, e existe conta num universo onde tudo é matemática transfinita", é o que você pensa enquanto continua andando, e só agora, depois de sabe-deus-quanto-tempo, você leva a mão ao pneuzinho de gordura acumulado na cintura e percebe que ele não está mais lá, foi para... > leia |
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life on mars"
em genealogias · 28/1/2008 10:10 · 38 votos
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se você estivesse morto, só faria sentido se você acreditasse num pós-vida científico, um espiritismo, um positivismo, um socialismo utópico, uma religião hugogernsbackiana tipo superscience que justificasse ponto-a-ponto, tintim-por-tintim, nos mínimos detalhes, por que é que a matéria não existe mais mas você ainda consegue se beliscar e sentir dor, o que, convenhamos,... > leia |
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flying dutchman
em genealogias · 27/1/2008 10:52 · 38 votos
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holandês voador, judeu errante, some-se os dois e você some: erra, holandês, erra, que herrar é umano, herra e herda logo essa merda, mas segue em frente, toca a vida, pica a mula, isso se você considerar como mula uma espaçonave do tamando do universo, tão antiga, mas tão antiga que você ainda insiste, no fundo das configurações para sempre irremediavelmente congelada... > leia |
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arne sakhnussen
em genealogias · 26/1/2008 23:02 · 38 votos
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se a nave é o mundo, o lado de dentro da nave (esse imenso anel de möbius que, talvez, no fundo, no fundo e também no raso, no raso, só tenha um lado, mas essa matemática transfinita e patafísica lhe escapa) não lhe parece às vezes uma caverna, uma rede infinita de túneis que cruzam em crisscross, cruzcredo, encruzilhando-se e criando uma teia rizomática de deixar qualquer deleuziano... > leia |
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the invisible mile
em genealogias · 26/1/2008 15:49 · 38 votos
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quando sua nave é o mundo, o mapa é o território, pois cada passo se torna uma cidade, cada corredor uma rodovia, cada mijada um rio, cada passeio uma circunavegação, fernão saberia e me daria razão enquanto ando pelo corredor metálico fosco que me leva tanto mais ao fim de minha jornada quanto mais o percorro, porque a nave é movida a mim, a meus gestos e meus pensamentos, cada... > leia |
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sinchronicity
em genealogias · 26/1/2008 10:38 · 21 votos
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o tempo passa e com ele caminhamos todos juntos sem parar, nossos passos pelo chão não vão ficar porque os bots de manutenção deixam tudo inescrupulosamente limpo, brilhante, reluzente, a prata do aço brilha como um lâmina de seppuku de mishima ao sol ou como cera parquetina no piso de tacos da casa da minha avó, ai minha avó, saudades do talharim com carne assada aos domingos,... > leia |
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eu fui o senhor do castelo
em genealogias · 25/1/2008 23:41 · 21 votos
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sim, eu tive um castelo um dia, i had a farm in africa, eu tive um castelo nos meus sonhos, eu fui o senhor de todo um reino que um dia acabou em pó ao pé dos fatos, e convenhamos, nada mais surreal que um fato assim jogado no meio da sua cara como um dândi que te bate no meio da cara duas vezes (porque a segunda é sempre mais humilhante) com a luva... > leia |
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nada, nada, nada
em genealogias · 25/1/2008 23:23 · 21 votos
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olho para o sol de krishna sob camadas de metafiltros optoconceituais e faço minha refeição em silêncio, conforme deve ser, conforme assim me foi ordenado. Não é difícil: estou sozinho na esfera e a viagem é mais longa em minha cabeça do que fora dela. Passo o tempo rabiscando, rascunhando com um lápis velho de grafite sobre a celulose preservada de papéis avulsos encontrados numa... > leia |
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retábulo - um mantra
em genealogias · 25/1/2008 16:57 · 21 votos
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chacun cherche son chat, cada um caça seu gato, cada um na sua e tudo bem, ema, ema, ema, cada um com seus pobrema, eu não tô fazendo nada você também, que mal faz bater um papo assim gostoso com alguém, hein" deixe que falem, que digam, cada um caça seu deus, cada um reza para quem quer, passarinho que come pedra sabe o cu que tem, eu não tenho nada com isso, eu apenas me ajoelho... > leia |
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elas eram muitas palavras
em genealogias · 25/1/2008 11:45 · 38 votos
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e se derramavam para fora de minha boca sem que eu conseguisse evitar. tombavam para fora da minha mandíbula, pulando antes da língua como se pulassem de um trampolim, davam cambalhotas em pleno ar, mas o problema é que se enroscavam umas nas outras em pleno vôo, e isso foi fatal. elas iam caindo, formando novelos vivos de palavras kamikazes que se espatifavam contra o asfalto duro... > leia |
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