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Flauberto Bildender Künstler - Berlin Germany
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A fotografia de Flauberto

Comecei a produzir profissionalmente a partir de 1994, embora a vida e a arte sempre tenham caminhado juntas no desenvolvimento do meu processo artístico. Desde muito cedo desenvolvi uma forma obesessiva, sistemática e compulsiva de fazer arte. Nos últimos dez anos a minha produção esteve baseada principalmente no desenho e na pintura, mas desenvolvi também projetos com escultura e instalação.

Os temas da minha vida sempre foram também os temas da minha arte. Sexo, poder, dinheiro e religião sempre foram elementos perturbadores e condicionadores da minha existência. Eu nunca soube explicar como estas coisas se transmutaram de uma condição a outra (da vida para a arte), pois sou um artista de intenção e formação autodidatas. Desde muito cedo desenvolvi um tipo de aversão ao modelo de aprendizado escolar, quando abandono em definitivo os estudos na faculdade.

Desde Juazeirinho, cidade onde nasci e vivi, sinto-me e percebo-me como um indivíduo compulsivo, obsessivo, agonizante que retira do escuro a sua luz própria. Perguntas como: Quem sou eu?, A quem pertenço? ou Porquê a minha arte? reverberam na minha condição e no meu processo criativo. Eu e minha arte estamos juntos, de mãos dadas com o desesperador prazer da carne. Não consigo parar de observar o meu entorno, seja em João Pessoa, Salvador, Rio de Janeiro, Basel ou Berlim, cidades que compõem a minha trajetória de vida.

A partir de 2002 comecei a desenvolver um processo que tem a fotografia como meio e suporte, através de técnicas como colagem, foto-montagem e manipulação digital. Encontrei na fotografia um meio de realização pessoal e profissional tão claro e transparente quanto os outros suportes que já explorei e que continuo explorando. Coloco nas minhas fotografias a intransigência e a obsessão dos limites do meu prazer. Tudo o que eu faço parte de uma resolução extremamente pessoal. Quando resolvi incluir a fotografia mo meu processo de produção e criação, fiz por acreditar na objetividade e transparência do meio para veicular minhas idéias. Este projeto reúne quinhentas fotografias que expressam os meus desejos pela vida e refletem a minha visão de mundo.

Para a realização deste projeto que desenvolvo há pouco mais de quatro anos, lanço mão do universo da informação como revistas, jornais, livros, fotos de outros artistas, imagens produzidas por outros artistas, enfim, tudo o que vou alcançando com o meu olhar. No caminho de ida e volta para casa vou juntando os pedaços da vida que mechem com os meus desejos, transformando-os em novas imagens. Um sentido aleatório norteia as minhas composições fazendo surtir efeitos inesperados, o que me seduz profundamente neste processo. Qualquer forma de expressão anônima ou autoral, pública ou privada me interessam. Durante o processo de manipulação das imagens surge a minha identificação com o resultado.

Flauberto


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Os primeiros registros da expressão artística de Flauberto surgem já na infância
em Juazeirinho, uma cidade pequena e pobre cortada ao meio pela Br-230,
encravada na escaldante e desolada região do Cariri paraibano.
A sua inquietude não poupava as paredes das casas, os muros do grupo escolar, as imensas portas dos armazéns de estivas, as carteiras e as paredes do colégio.
É essa memória remota que vai se constituir na carga emocional de seu trabalho atual, quando o mundo e a vida estão ao seu alcance, nessa estrada que corta a sua
história ao meio.
Mais do que consciência, o objeto de sua arte é a obsessão dos limites. Seus trabalhos gritam por urgência, trepidam como o seu próprio tempo, reinvidicando a condição coletiva.
“Comecei a produzir profissionalmente a partir de 1994, embora a vida e a arte tenham
caminhado juntas no desenvolvimento do meu processo artístico. Desde muito cedo
desenvolvi uma forma obsessiva, sistemática e compulsiva de se fazer arte. Nos últimos
dez anos a minha produção esteve baseada principalmente no desenho e na pintura,
mas também desenvolvi, projetos como escultura e instalação.
Os temas da minha vida sempre foram também os da minha arte. Sexo, poder,
dinheiro e religião sempre foram elementos pertubadores e condicionadores da minha
existência. Eu nunca soube explicar como estas coisas se transmutaram de uma condição à outra ( da vida para a arte) , pois sou um artista de intenção e formação autodidatas. Desde muito cedo desenvolvi um tipo de aversão ao modelo de aprendizado escolar, quando abandonei em definitivo os estudos da universidade.
Desde Juazeirinho, cidade onde nasci e vivi, sinto e percebo-me como um indivíduo
compulsivo, obsessivo, agonizante o qual retira do escuro a sua própria luz.
Eu procuro responder à perguntas como: Quem sou ? a quem pertenço? ou por que a minha arte reverbera na minha condição e no meu processo criativo?
Eu e minha arte estamos juntos, de mãos dadas com o desesperador prazer da carne.
Não consigo parar de observar o meu redor, seja em João Pessoa, Salvador,
Rio de Janeiro, Basel, na Suíça, ou em Berlim, cidades que compõem a minha tragetória de vida.
A partir de 2002 comecei a desenvolver um processo que tem a fotografia como meio
e suporte. através de técnicas como colagem, foto-montagem, e manipulação digital.
Encontrei na fotografia um meio de realização pessoal e profissional tão claro e transparentes quanto os outros suportes que já explorei, e que continuo explorando.
Coloco nas minhas fotografias a intransigência e a obsessão dos limites do meu prazer.
Tudo o que eu faço é parte de uma resolução extremamente pessoal.
Quando resolvi incluir a fotografia no meu processo de produção e criação, fiz por acreditar na objetividade e transparência do meio para veicular minha idéias.
Este projeto inicial de fotos que iniciei em 2002, reúne quinhentas fotografias que expressam os meus desejos privados pela vida e os meus olhos diante do mundo.
Para a realização deste projeto, lanço mão do universo da informação como revistas, jornais, livros, fotos ou imagens produzidas por outros artistas, em fim, tudo o que eu vou alcançando com o meu olhar carnal. Nos caminhos de ida e volta para casa vou juntando pedaços da vida que mexem com os meus desejos. ”

A peversão da cores.

Não havia outra saída para Flauberto a não ser a arte. A natureza
reservou para ele uma espécie de peversão das cores. Quando criança seus fins de tarde na cidade de Juazeirinho, Cariri paraibano, eram involutariamente invadidos por uma luminosidade “verde de doer nos olhos”.
Quando caiam a chuvas e a vegetação se enchia rapidamente de folhas, o olhar de Flauberto se perdia na “vermelhidão” dos juazeiros, umbuzeiros e catingueiras.
O olhar de Flauberto é assim; diferente,distorcido e enganoso. Mais que uma questão
de semânticas, as cores para ele sempre foram um desafio, era preciso aprender
não apenas seus nomes, mas também conviver com uma espécie de magia maldosa a qual fazia com que algumas cores, principalmente o verde, desaparecesse de acordo
com o contexto no qual estavam as mesmas inseridas.
Atualmente Flauberto tem um aparente domnio desta situação: as cores parecem estar
codificadas, dominadas para pintar. Ele desenvolveu uma técnica quase mecanizada
onde para cada tinta há um lugar pré-determinado. Mantendo cada uma, uma certa distancia da outra e cada cor é preparada e aplicada de uma só vez, nunca apartir de vários potes ao mesmo tempo.
Conheci a pintura de Flauberto antes mesmo de conhecê-lo ao entrar distraidamente
em uma agência bancária, cujo lugar destinado à exposicoes, sempre me causou
sorrisos no canto da boca. Naquele dia fui desviado com espanto para um conjunto
de grandes pinturas de cores fortes e composições rudimentares.
De perto percebi a imaturidade do artista no preparo das tintas e das telas e fiquei confuso em aceitar aceitar aquilo como arte primitiva ou uma manifestação consciênte e erudita de um jovem artista. Sai dali fazendo associações com o s grafismos de Keith Hering, e com as figuras toscas de A. R. Penk, e com as pinturas infantilizadas de Donald Baechler, sem saber que o então iniciante Flauberto desconhecia totalmente a producao destes artistas.
Os grafismos vigorosos de Flauberto são exercícios de dicotomia, oscilam como uma
dança desengonçada entre uma organização cartesiana, e um caos descontrolado e rudimentar. Variam entre grossas pinceladas de pintor de parede até finos e delicados
traços que se perdem nas composições mais pesadas.
Suas cores vão do artificialismo de um laranja fluorescente de causar náuseas, ao pacifico tons pastéis. Personalidade e pintura alternam-se entre o vibrante e o opaco,
o rude o delicado, o popular e o erudito, o esperto e o ingênuo, o consciênte e o alienado.
As últimas pinturas de Flauberto já revelam uma aproximação com alguns conceitos
apreendidos do turbilhão de imagens da arte contemporânea a qual o artista tem
se submetido nos últimos anos.
Mas ele parece tratar tudo isso com muita personalidade. Conceitos academicos como
equilibrio e unidade, ainda presente na maioria dos artistas da nossa geração,
são completamente ingnorados. A “organizacao” do espaço pictórico de Flauberto
chega a causar um desconforto no olhar. Figuras pesadas são colocadas em cima das
leves, àrvores horizontais pendem das laterais e figuras duras cortam tudo de forma
desconcertante e incômoda.
Sua pintura muda de ritmo como se pintasse ao som de música popular brasileira e rock pesado. Desconheço qualquer artista que tenha traçado para sí próprio uma espécie de cronograma de ação que vai desde o aprimoramento técnico até ações de marketing. Flauberto tem pressa na sua conquista e está sempre se espelhando em estrelas da música popular. Ele almeja galgar rapidamente os degraus que outros artistas jovens nem cogitam.
Quando o interpelo sobre algumas de suas pinturas, Flauberto parece já ter uma resposta para meus questionamentos. Confesso que demoro algum tempo para processar seus resultados, e fico sempre com vontade de dizer , por exemplo, que eu jamais usaria este vermelho ou aquele roxo. A pintura de Flauberto sempre passa do ponto onde eu pararia.
Eu poderia evocar aqui Jean Dubuffet, com seu conceito de Art Brut, ou por outro lado,
recorrer as discurssões dos criticos de arte contemporânea nesses tempos turvos de
multiculturalismo, para tentar compreender o trabalho de Flauberto, mais prefiro permanecer no campo das dúvidas, abertos para os golpes inesperados da pintura deste Flauberto do Cariri.

Texto: Jose Rufino
Artista plastico e Paleotologo

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