sobre o colaborador
Um conjunto expõe sua construção sonora. A gente ouve, sente e pensa: o que é isso? Sendo difÃcil de rotular, a música do TravalÃngua não soa distante ou estranha; aqui há elementos de afoxé, frevo, samba, choro. Em certos pontos, parece evocar figuras conhecidas, compositores e intérpretes do cenário musical brasileiro – quase como fantasmas aparecendo brevemente no som. Por outro lado – como em outras produções da nossa “música instrumental†urbana e sempre hÃbrida –, há muito de invenção. E percebe-se a afirmação de alguns valores que vão configurando uma estética particular: no caso de Arapiraca, o ouvinte está, por exemplo, diante da delicadeza e de um cuidado com o detalhe, em todas as faixas.
Os temas são expostos sem arrogância, e à s vezes como que se dissolvem, desaparecendo em meio à s reentrâncias e variedade da textura. Na batucada, no solo improvisado, nos unÃssonos, essa música não recorre à violência, não procura ditar moda ou reimprimir clichê. Aquilo que tem de experimentação e processamento de som também não a isola em terreno de fantasia; pelo contrário, no arranjo e composição dos “travasâ€, essas formas de discurso se integram ao trabalho comum de tocar instrumentos, fluindo com ele. Tudo isso surge de elaborações individuais e de ensaios em que os músicos opinam, sugerem mudanças, testam soluções. Parece, afinal e simplesmente, música destinada à quele tempo de quem pára pra escutar o que outros humanos fazem – como se expressam, que visão de música apresentam – e nessa experiência encontra algo de bom e valioso. (Zé Al)
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Música intrumental do grupo TravalÃngua
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