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  <title>.: Deus de Caim e Toada do Esquecido :.</title>
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  <description>Cultura de todo o Brasil na internet</description>
  <dc:date>2026-6-10T13:51:02Z</dc:date>
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  <title>.: Agenda :.</title>
  <description> Eventos Culturais </description>
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  <description>Prezado Eduardo: hÃ¡ algumas imprecisÃµes nas informaÃ§Ãµes sobre o lanÃ§amento do livro do Dicke pelas editoras Carlini &amp; Caniato e Cathedral PublicaÃ§Ãµes, a comeÃ§ar pelos nomes das mesmas.&lt;br /&gt;&#13;&#10;O nome do livro Ã© âToada do Esquecido &amp; Sinfonia EqÃ¼estreâ e estÃ¡ sendo editado por iniciativa Ãºnica e exclusiva das duas editoras, que estÃ£o bancando todos os custos. Portanto nÃ£o hÃ¡ nenhum patrocÃ­nio pelo Fundo Estadual de Cultura, como foi mencionado.&lt;br /&gt;&#13;&#10;NÃ£o Ã© uma novela e sim dois contos inÃ©ditos.&lt;br /&gt;&#13;&#10;O lanÃ§amento de fato acontecerÃ¡ no dia 5 de setembro, Ã s 19 horas, no Museu da Imagem e do Som de CuiabÃ¡, que fica na rua VoluntÃ¡rios da PÃ¡tria, centro da cidade, bem prÃ³ximo Ã  avenida Prainha.&lt;br /&gt;&#13;&#10;AbraÃ§os&lt;br /&gt;&#13;&#10;JoÃ£o NegrÃ£o&lt;br /&gt;&#13;&#10;Da assessoria&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Segue release sobre o lanÃ§amento:&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Cathedral PublicaÃ§Ãµes e Carlini &amp; Caniato Editorial lanÃ§am inÃ©dito de R.G. Dicke&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Livro, que reÃºne dois contos do autor - &apos;Toada do Esquecido e Sinfonia EqÃ¼estre&apos; -, inaugura sÃ©rie de publicaÃ§Ãµes do escritor mato-grossense organizada pelas editoras &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Dois contos inÃ©ditos de um dos grandes prosadores do Brasil contemporÃ¢neo, o escritor Ricardo Guilherme Dicke, serÃ£o lanÃ§ados no prÃ³ximo dia 5 de setembro. &quot;Toada do Esquecido e Sinfonia EqÃ¼estre&quot;, uma co-ediÃ§Ã£o da Cathedral PublicaÃ§Ãµes e Carlini &amp; Caniato, apesar do teor regional, reveste-se de uma aura que transcende o nacional, inserindo-se na literatura latino-americana. &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Personagens arquetÃ­picos desfilam pelos contos, que levam o leitor a interpretaÃ§Ãµes singulares. O espaÃ§o privilegiado Ã© o misterioso sertÃ£o mato-grossense. Cabe ao leitor o deleite de se embrenhar na obra deste ser (tÃ£o) fantÃ¡stico que Ã© Ricardo Guilherme Dicke. &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;&quot;Toada...&quot; Ã© a 11Âª obra do escritor de 70 anos, que teve o trabalho reconhecido desde cedo com prÃªmios como Remington de Prosa, conquistado com o romance &quot;Caieira&quot;, em 1977, e o prÃªmio OrÃ­genes Lessa, da UniÃ£o Brasileira dos Escritores, recebido em 1995 pelo belÃ­ssimo &quot;CerimÃ´nias do Esquecimento&quot;. &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Algumas de suas obras jÃ¡ migraram para outras artes. Ã o caso de &quot;O salÃ¡rio dos Poetas&quot;, adaptada para o teatro e apresentada em 2005, em Lisboa. Atualmente outra montagem da obra, dirigida por Amaury TangarÃ¡, viaja pelo Brasil. &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;No conto &quot;Toada do esquecido&quot;, o leitor acompanha a viagem de uma trupe de amigos que, ao se esconderem sob mÃ¡scaras de personagens fictÃ­cios, acabam tomando, para o leitor, feiÃ§Ã£o de ficÃ§Ã£o. E o real e o imaginÃ¡rio brincam o tempo todo. &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Em &quot;Sinfonia EqÃ¼estre&quot;, Dicke nos presenteia com uma saborosa narrativa sobre a vida da jovem Janis Mohor, que, apÃ³s o assassinato do pai, se vÃª Ã s voltas com as contradiÃ§Ãµes de sua vida. &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;SÃ©rie de publicaÃ§Ãµes &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;O livro inaugura uma sÃ©rie de publicaÃ§Ãµes do autor que as editoras Cathedral PublicaÃ§Ãµes e Carlini &amp; Caniato Editorial organizaram, sempre com o lanÃ§amento de uma obra inÃ©dita e a reediÃ§Ã£o de outra esgotada. &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;A iniciativa, segundo MÃ¡rio Cezar Silva Leite, da Cathedral, Ã© um projeto das duas editoras de investir na produÃ§Ã£o de Ricardo Guilherme Dicke, de popularizar sua obra entre o pÃºblico mato-grossense e nacional. &quot;Queremos que cada vez mais pessoas leiam o Dicke&quot;, disse. &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;A Cathedral PublicaÃ§Ãµes e a Carlini &amp; Caniato Editorial organizaram a sÃ©rie com investimentos prÃ³prios, sem nenhum apoio pÃºblico ou do autor. Trata-se de uma iniciativa relativamente inÃ©dita no mercado editorial local, onde boa parte dos livros editados sÃ³ o sÃ£o com algum tipo de incentivo. &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Os editores acreditam Ã© que possÃ­vel mudar essa realidade. &quot;Nosso mercado estÃ¡ se desenvolvendo muito&quot;, observa Ramon Carlini, da Carlini &amp; Caniato. A aposta Ã© tanta que depois de &quot;Toada do Esquecido e Sinfonia EqÃ¼estre&quot; o prÃ³ximo lanÃ§amento serÃ¡ a reediÃ§Ã£o de &quot;Madona dos PÃ¡ramos&quot;, de 1981, que jÃ¡ estÃ¡ no prelo. Em seguida, entram na fila outro inÃ©dito e provavelmente a reediÃ§Ã£o de &quot;Caieiras&quot;. &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Sobre o autor &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Ricardo Guilherme Dicke nasceu a 16 de outubro de 1936, em Chapada dos GuimarÃ£es. Seu primeiro livro &quot;Caminhos de Sol e Lua&quot; foi escrito em uma fazenda, onde tambÃ©m pintou muitos quadros expostos em CuiabÃ¡. &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;FilÃ³sofo especialista em Merleau-Ponty, com mestrado em Filosofia da Arte, participou do XV SalÃ£o de Arte Moderna, em 1966, no Rio. Estudou pintura e desenho com Frank Schaeffer e Ivan Serpa. &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Trabalhou como revisor, redator e tradutor&amp;#059; foi repÃ³rter e pesquisador do 2Âº Caderno de O Globo. De volta a CuiabÃ¡, trabalhou como professor e jornalista e fez diversas exposiÃ§Ãµes de pintura. &lt;br /&gt;&#13;&#10;</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/agenda/deus-de-caim-e-toada-do-esquecido#c620</link>
  <title>Comentário postado por JoÃ£o NegrÃ£o</title>
  <dc:date>2006-9-04T12:36:47Z</dc:date>
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 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/agenda/deus-de-caim-e-toada-do-esquecido#c622">
  <description>joÃ£o negrÃ£o, Ã© um prazer te encontrar por aqui. bom que o site Ã© colaborativo. que bom que vocÃª corrigiu algumas informaÃ§Ãµes imprecisas. sem justificativas...agora, quanto a ser conto ou novela, hÃ¡ controvÃ©rsias. Toada do Esquecido - muito longo para ser um conto, muito curto para ser um romance. No meio do caminho havia uma Novela...Segundo o prÃ³prio Dicke, em conversa informal: Toada Ã© uma novela.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Gostaria de informar tambÃ©m que Toada do Esquecido veio Ã  tona em 1996, quando Ricardo e eu planejÃ¡vamos realizar ma minissÃ©rie (TV) matogrossense e ele retirou das gavetas a referida obra. NÃ£o virou minissÃ©rie, virou um roteiro de um longa- metragem (filme) que ainda estamos tentando realizar.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;bom...no mais: obrigado pelas correÃ§Ãµes.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;apareÃ§a mais por aqui. o ideal Ã© que vc mesmo publique as agendas do eventos que estiver assessorando. o overmundo Ã© para isso...&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;grande abs&lt;br /&gt;&#13;&#10;</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/agenda/deus-de-caim-e-toada-do-esquecido#c622</link>
  <title>Comentário postado por eduardo ferreira</title>
  <dc:date>2006-9-04T13:09:46Z</dc:date>
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 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/agenda/deus-de-caim-e-toada-do-esquecido#c629">
  <description>VocÃª tem razÃ£o, Eduardo.&lt;br /&gt;&#13;&#10;De fato nÃ£o Ã© um conto. Hoje mesmo, em entrevista ao SBT, o Dicke se referiu a &quot;Toada...&quot; como uma &quot;novela pequena&quot;, uma &quot;noveleta&quot;.&lt;br /&gt;&#13;&#10;Conto Ã© sÃ³ o &quot;Sinfonia eqÃ¼estre&quot;.&lt;br /&gt;&#13;&#10;No mais, agradeÃ§o pela oportunidade de participar aqui deste Overmundo e parabÃ©ns por seu trabalho.&lt;br /&gt;&#13;&#10;ParabÃ©ns tambÃ©m pelo programa de rÃ¡dio da campanha. Tenho acompanhado.&lt;br /&gt;&#13;&#10;Grande abraÃ§o</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/agenda/deus-de-caim-e-toada-do-esquecido#c629</link>
  <title>Comentário postado por JoÃ£o NegrÃ£o</title>
  <dc:date>2006-9-04T21:34:00Z</dc:date>
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 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/agenda/deus-de-caim-e-toada-do-esquecido#c16642">
  <description>Pequena Resenha CrÃ­tica&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10; &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10; &lt;br /&gt;&#13;&#10;Livro âDEUS DE CAIMâ - EstÃ¡gios Escuros de VivÃªncias Romanceadas com Estilo e Furor&lt;br /&gt;&#13;&#10;Ricardo Guilherme Dicke, PrÃªmio Walmap, MagnÃ­fica Literatura Arrojada em seu Esplendor LiterÃ¡rio&lt;br /&gt;&#13;&#10; &lt;br /&gt;&#13;&#10; &lt;br /&gt;&#13;&#10;As batalhas nunca se ganham. Nem&lt;br /&gt;&#13;&#10;sequer sÃ£o travadas. O campo de&lt;br /&gt;&#13;&#10;batalha sÃ³ revela ao homem a sua&lt;br /&gt;&#13;&#10;prÃ³pria loucura e desespero, e a vitÃ³ria&lt;br /&gt;&#13;&#10;nÃ£o Ã© mais do que uma ilusÃ£o de&lt;br /&gt;&#13;&#10;filÃ³sofos e loucos.&lt;br /&gt;&#13;&#10; &lt;br /&gt;&#13;&#10;Wiliam Faulkner, O Som e a FÃºria&lt;br /&gt;&#13;&#10; &lt;br /&gt;&#13;&#10; &lt;br /&gt;&#13;&#10; &lt;br /&gt;&#13;&#10;O cavernoso romance (novel?...) âDEUS DE CAIMâ do surpreendentemente estupendo escritor Ricardo Guilherme Dicke, agora muito apropriadamente relanÃ§ado em alto nÃ­vel pela LetraSelvagem, na coleÃ§Ã£o Gente Pobre, sob a organizaÃ§Ã£o do escritor-editor Nicodemos Sena, bem faukneriano e contemporÃ¢neo ainda, destila verbos, venenos, e inventaria brumas da relaÃ§Ã£o ser/sociedade, vida/morte, amor/dor, fantasia/frustraÃ§Ã£o, carne/espÃ­rito, dilemas/sentido e percepÃ§Ã£o, moendas (interiores)/engenhos (de almas atribuladas), tormentas pertinentes/insanidades comportamentais arrazoadas, Deus e o diabo no hÃºmus entre Pasmoso e a profunda cauda narrativa que flui com densa liquidez expressionista/existencialista, e os cÃ¡rceres das tentativas. A prosa do espaÃ§o, a dialÃ©tica do exterior e do interior âas geografias solenes dos limites humanosâ(Paul Ãluard) e a porÃ§Ã£o carbono-C rusoÃ© de cada ser. E Nelly Novaes Coelho (crÃ­tica literÃ¡ria, USP) jÃ¡ no inÃ­cio do livro ricamente editado jÃ¡ muito bem levanta panos e tintas:&lt;br /&gt;&#13;&#10;âO homem interrogante&amp;#059; aquele que sonda o vazio existencial (...)&amp;#059; em Dicke predomina  a sondagem dos escuros do homem (...)&amp;#059; Deus de Caim escava fundo um dos interditos que alicerÃ§a a civilizaÃ§Ã£o cristÃ£ ocidental (...)&amp;#059; tempo de caos&amp;#059; romance labirÃ­ntico (...)â. &lt;br /&gt;&#13;&#10;Toda arte de alto nÃ­vel Ã© cheia de pontos de interrogaÃ§Ãµes como se propositalmente desinterligados. A arte de escrever nos leva a afirmaÃ§Ã£o da vida em nÃ³s. LÃ¡grimas nÃ£o ficam para sementes, senÃ£o na arte? Ã melhor ser triste do que arrogante. Quatrocentas pÃ¡ginas de puro deleite que, explorando o fluxo narrativo (em jÃºbilo?) do autor, vai de casa a casa, de ambientes a embustes, de fachadas a desfrutes, do historial ao fabuloso, entre o espanhol ao francÃªs, nacos de poesia propositalmente semeadas, levantando lebres, apontando sÃ­tios letrais e escavando horrores quase que impossÃ­veis de serem silenciados. Escrever Ã© teatro de ocupaÃ§Ã£o?&lt;br /&gt;&#13;&#10;Artista plÃ¡stico e filÃ³sofo, de pai alemÃ£o, Ricardo Guilherme Dicke pintou sua literatura de tintas brilhantes, novÃ­ssimas para a Ã©poca em que foi inventada, um Ã©pico com cargas humanas, demasiado humana, como diz, fragmento de ensaio a respeito do livro (Ronaldo Cagiano): &lt;br /&gt;&#13;&#10;âNos 21 capÃ­tulos da obra a histÃ³ria da famÃ­lia Amarante vai se desdobrando numa colcha de retalhos de situaÃ§Ãµes conflituosas e metaforizam a prÃ³pria historia do Brasil (...)â (In, Carlos Herculano Lopes, Caderno Pensar, Estado de Minas, 06/02/10). &lt;br /&gt;&#13;&#10;AliÃ¡s, Hilda Hist o considerava âum giganteâ. Caim, Abel, LÃ¡zaro&amp;#059; personagens desbiblificados entre sombreados com querelas, acontecÃªncias, traiÃ§Ãµes, taras&amp;#059; a vida nua e crua revelando sinais de pÃ¢nicos e disfarÃ§ando conflitos, neuras. A par disso, bem pintados, filosofados, livros bons acabam joias preciosas. O medo nos delimita? Existe mais insanidade do que sensatez na vida, nas cargas dos ombros dos homens, no mundo. Somos todos espÃ©cies transfiguradas de paisagens com passagens de agonias, sonhadores ao extremo, nÃ£o moscas-de-frutas. O Deus de Caim soma tantos pontos de interrogaÃ§Ãµes atÃ© sobre palavras nÃ£o ditas&amp;#059; dadas a entender.&lt;br /&gt;&#13;&#10;âRomance capaz de abalar a nossa ficÃ§Ã£oâ - (GuimarÃ£es Rosa). O Ã¢mago das crueldades destrinchadas em nÃºcleos cÃªnicos e traÃ§os existenciais carregados de ferramentas de crueldade e caracterÃ­sticas psicolÃ³gicas. Os arquÃ©tipos da fantasia e de uma loucura surda, enviesada, tudo em DEUS DE CAIM, a partir do mote de um irmÃ£o atentando contra o outro. A realidade Ã© mais embaixo.&lt;br /&gt;&#13;&#10;A consciÃªncia, a inconsciÃªncia, o que afinal resta dos refinamentos de uma Ã³tima Ã³tica para ver/sentir/&amp;#059; escrever com domÃ­nio da pena. Dicke naturalmente arrasa quarteirÃµes, expÃµe as vÃ­sceras de momentos retratados, mas, ainda assim, com a Ã³tica apurada de um pintor, desqualifica e expressa  o horror (de viver?)&amp;#059; teatro de ocupaÃ§Ã£o reinando o tempo todo, num vareio de linguagem. VocÃª sÃ³ acredita porque estÃ¡ lendo. Como Ã© que pode? No mundo da fantasia os monstros engordam parÃ¡grafos&amp;#059; na verdade, sangue/suor da dura e inominÃ¡vel vida real. Real?&lt;br /&gt;&#13;&#10;Contundente, impoluto, altamente criativo, perspicaz, denso, e ao mesmo tempo de uma fineza extraordinÃ¡ria. Ã difÃ­cil ler Dicke e ficar indiferente. NÃ£o hÃ¡ neutralidade na sua leÃ§Ã£o. A atÃ´nita realidade captada em parÃ¡grafos que vÃ£o embora... Realidades sentenciadas com estilo e alto pendor estÃ©tico, num talento literÃ¡rio surpreendente, agora reconhecido. Quem sairÃ¡ do labirinto do livro sem se impressionar com as virtudes? &lt;br /&gt;&#13;&#10;A histÃ³ria fala de nÃ³s</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/agenda/deus-de-caim-e-toada-do-esquecido#c16642</link>
  <title>Comentário postado por Silas Correa Leite</title>
  <dc:date>2010-5-21T16:51:06Z</dc:date>
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  <description>A histÃ³ria fala de nÃ³s, segundo HorÃ¡cio, em sua sabedoria latina. Ãs vezes temos demÃ´nios e anjos Ã  flor da pele. Nas dissonÃ¢ncias hÃ¡ mais pureza do que no estojo linear das ideias. A arte de buscar o incompreensÃ­vel nos leva Ã  afirmaÃ§Ã£o da vida. Ã o paradoxo de sobreviver alÃ©m da sentiÃ§Ã£o, e campear o lado pensador do humanus. A meditaÃ§Ã£o nÃ£o Ã© escrachante quando aponta o humano vagando em suas erranÃ§as existenciais e sublÃ³gicas. Pode isso? &lt;br /&gt;&#13;&#10;.................................................................................................................................................&lt;br /&gt;&#13;&#10;â(...) Lembremos que toda pessoa tem o direito Ã  vida, nÃ£o Ã©? Mas de onde lhe advÃ©m esse direito? Da BÃ­blia. E tirÃ¡-la, Ã© claro, equivale a tirar um direito fundamental que constitui, desde o tempo de MoisÃ©s, violaÃ§Ã£o Ã  lei (...). O problema Ã© este â chegar-se a um plano utÃ³pico em que nÃ£o haja necessidade de leis e necessariamente todos os preconceitos se tornarÃ£o cinza inÃºtil, relegada aos museus da morte e das coisas extintas. Imagine o que Ã© nÃ£o existir nem poeira desses preconceitos de agora que tanto nos martirizam, imagine uma cidade futura e ideal, em que todas as aspiraÃ§Ãµes e inibiÃ§Ãµes que jazem em nÃ³s sufocados, reprimidos e inexprimidos, aliadas Ã  tÃ©cnica elevada Ã  perfeiÃ§Ã£o, o que nÃ£o seria! Por enquanto sÃ³ algo mui longÃ­nquo disto se delineia em algumas obras de artes. AliÃ¡s, toda obra de arte Ã© utÃ³picaâ (Pg 135). &lt;br /&gt;&#13;&#10;VocÃª lÃª se palpitando no entressombreado do livro Deus de Caim e as cinzas aqui e ali soturnas das horas, relaÃ§Ãµes e desmontes de significÃ¢ncias, e reserva para a sua surpresa seduzida, um lugar para uma nova releitura ainda mais significante a seguir, e quiÃ§Ã¡ compreenda melhor, inteiro, se isso for possÃ­vel, como a obra que vale o peso, a fama, a prÃ³pria paixÃ£o de ler e de escrever. Obra Ãºnica, feito um Cem Anos de SolidÃ£o, O Perfume, Baudolino, InvenÃ§Ã£o de Onira, A Espera do Nunca Mais, Vidas Secas, Grandes SertÃµes: Veredas. A narraÃ§Ã£o Ã© a redenÃ§Ã£o?&lt;br /&gt;&#13;&#10;âLidando com uma simbologia a que ele dÃ¡ um sopro vital, fora do comum, Dicke nÃ£o deixa coisa alguma de fora (...). O homem de fora estÃ¡ cercado de outra mundologia, as realidades violentas e subversivas da narraÃ§Ã£o de Dicke envolvem com rapidez. Sexo e morte sÃ£o evidentes (...). (Antonio Olinto, da Academia Brasileira de Letras).  O ser humano precisa sentir sua exata sensaÃ§Ã£o de estar e ser no mundo. Dicke tira pertencimentos das trompas da cÃ³lera, do desamor, da vida fugaz em sua saciadade de aproximaÃ§Ã£o com estados calamitosos. Nada Ã© impossÃ­vel para ele. Desde Caim e Abel, a histÃ³ria nos fez acorrentados a culpas e sentimentos de medo e opressÃ£o. &lt;br /&gt;&#13;&#10;A  irrazÃ£o humana. A emoÃ§Ã£o humana tÃ£o desnaturada. Surpreende-nos Dicke em cada parÃ¡grafo, mesmo quando a narraÃ§Ã£o ou enfoque vara pÃ¡ginas de limbos.  A invisÃ­vel esquizofrenia costumizada da apÃ¡tica sociedade decadente e falsificada para consumo. O biscoito da vida nÃ£o Ã© da sorte, nÃ£o Ã© de vida plena. LÃ¡grimas nÃ£o sÃ£o guloseimas. Sentir dÃ³i. Em que lugar ficamos livres de tantos nÃ³s, senÃ£o nas asas da literatura? Bruce Hood dizia: âNascemos com o cÃ©rebro desenhado para encontrar sentido no mundo. Esse desenho Ã s vezes nos leva a acreditar em coisas que vÃ£o alÃ©m de qualquer explicaÃ§Ã£o natural.â&lt;br /&gt;&#13;&#10;Uma obra clÃ¡ssica como Deus de Caim nÃ£o se explica, mas se justifica pela excelÃªncia do autor. Em esmerada ediÃ§Ã£o agora pela LetraSelvagem, Ricardo Guilherme Dicke Ã© resgatado no auge do que a sua historicidade criativa congrega e vem-nos assim reeditado em sua maior obra-prima. Os porÃµes da alma clarificados. Os subterrÃ¢neos da vida distinguidos com sua pena distinta, singular. Os sÃ³tÃ£os de cabeÃ§as e sentenÃ§as nominados. Ã incrÃ­vel a âlÃ³gicaâ funcional do escritor extremamente crÃ­tico, irÃ´nico, criativo e, claro, agora mais do que nunca, cult.&lt;br /&gt;&#13;&#10;Literatura pura, de primeirÃ­ssima qualidade. NÃ£o hÃ¡ babel, bezerro de ouro ou cepo de AbrahÃ£o que esconda o sortilÃ©gio e o trÃ¡gico fruto de Caim que vem enlutando a histÃ³ria da humanidade desde os primÃ³rdios. Escrever Ã© pagar um preÃ§o? Escrever nÃ£o Ã© apenas cutucar onÃ§a com vara curta, Ã© soltar todos os bichos. E Dicke faz isso muitÃ­ssimo bem, assustadoramente muito bem, liberta os seus (os nossos?), abre as comportas de seus prÃ³prios diques criativos interiores. Ah os escuros recÃ´nditos das almas embrutecidas com a fÃºria de ter que comparar, sobreviver, parecer que Ã© o que nÃ£o Ã©. &lt;br /&gt;&#13;&#10;E o Deus de Caim - que paira sobre todos nÃ³s â acode para uma leitura a altura, exige atenÃ§Ã£o pontuada, ao mesmo tempo olhar de remanso, para deguste e assim se poder sacar o esconderijo das ideias que ventila, ramifica, aponta e crava com o crivo de uma criaÃ§Ã£o Ãºnica. E quem sai ganhando Ã© o leitor que se envolve dele, surpreso com a qualidade que custa assentar. NÃ£o Ã© fÃ¡cil. A vergonha, o incesto, a mentira, a dissimulaÃ§Ã£o, o que pode parecer bizarro ou sexista. Quer mais humano do que tudo isso? &lt;br /&gt;&#13;&#10;O estado decrÃ©pito do ser enclausurado em suas mesmices, masmorras e memÃ³rias cÃªnicas, filo</description>
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  <title>Comentário postado por Silas Correa Leite</title>
  <dc:date>2010-5-21T16:52:39Z</dc:date>
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  <description>O estado decrÃ©pito do ser enclausurado em suas mesmices, masmorras e memÃ³rias cÃªnicas, filosofando sobre conjecturas ou o que poderia ser e nÃ£o foi, muito alÃ©m das fronteiras das almas e seus estÃ¡gios vivenciais estarrecedores. Ou seja, a humanagente no seu viveiro de contrastes. Vejamos a pintura literÃ¡ria:&lt;br /&gt;&#13;&#10;â(ConsideraÃ§Ãµes, entretexto) O vermelho Ã© a paixÃ£o e a forÃ§a telÃºrica do Sol Matrogrossense, o azul sÃ£o as paixÃµes da noite e o negro a melancolia do sangue remotamente flamengo. O amarelo Ã© a Ã¢nsia, o ouro, o desejo e as outras coisas nunca alcanÃ§adas. As formas que lembram labirintos e meandros ora sÃ£o vegetaÃ§Ãµes, ora caminhos, ora nervos em expansÃ£o, ora o ideal de um laboratÃ³rio em que busco as equaÃ§Ãµes de um mistÃ©rio, de um nepentes ou de um descobrimento perfeito. Quero que quem os veja sinta uma contraÃ§Ã£o pulsar e repulsar. E ao mesmo tempo, indague o que Ã© o mundo â com mÃºltiplos e infinitos signos estranhos â o que Ã© o mundo, estas linhas, estas cores, esta massa, este movimento, este ser. Rilke disse que uma obra de arte Ã© de uma solidÃ£o infinita. Quero pois que quanto mais solitÃ¡rio melhor. Cada qual encontre um pouco de seu eco que se perd e. Ã a natureza que recrio â e se fosse Deus â assim a recriaria â e Ã© a relembranÃ§a dos paÃ­ses que nÃ£o fui, no tempo das harmonias. Ã minha alma e a sua capacidade de entender alguma coisa que em mim nÃ£o se perde para sempre, como as outras coisas que se perdem para jamais. Ã a poesia que nÃ£o fui. As cores que eu amo e minha intenÃ§Ã£o de buscar entender o efÃªmero (...)â. Pg 251.&lt;br /&gt;&#13;&#10;A extravagante literatura caudalosa (e por isso mesmo ocasionada de parÃ¡grafos em narrativas angustiantes) de Dicke&amp;#059; uma pintura extravagante de situaÃ§Ãµes sociais em ermos e fugas, estados espÃºrios, de decomposiÃ§Ãµes da efÃªmera vida social e sÃ³cio-familiar, quase Ã¡rido, ou, como diz JoÃ£o Ximenes Braga (In, Dicke: o vÃ´o da eternidade): âDicke realiza uma estranha alquimia de polÃ­tica com metafÃ­sica na temÃ¡tica, e de realismo social como barroco no estilo (...) E ainda hÃ¡ intervenÃ§Ãµes de personagens mÃ­sticos que o aproximam do realismo mÃ¡gico (...)â. Pois Deus de Caim Ã© uma soma disso tudo, e surpreende nos entremeios, na narrativa, nos belÃ­ssimos enfoques que o autor destaca e desenvolve com a paleta da escrita que mistura tintas de situaÃ§Ãµes e aparÃªncias entre cores de convergÃªncias sociais apontando embustes&amp;#059; tirando etiquetas do armÃ¡rio, uma espÃ©cie as sim de romance-ensaio se reportando a conflitos, traumas e sequelas  da natureza humana em decadÃªncia.&lt;br /&gt;&#13;&#10;Um dos maiores romances escritos no Brasil, e mesmo tendo sido inicialmente  lanÃ§ado e premiado hÃ¡ cerca de quarenta anos atrÃ¡s (PrÃªmio Walmap 1967), permanece muito atual, como toda obra de arte que se supera superando o tempo real, indo alÃ©m de sua Ã©poca como consagraÃ§Ã£o de vanguarda e reconhecimento de talento e estilo prÃ³prio. Ricardo Guilherme Dicke, assim, escreveu um Ã©pico num estilo raro, Ãºnico, onde concilia fluÃªncia e domÃ­nio absoluto da linguagem e da criaÃ§Ã£o em seu esplendor, a verdadeira arte romancesca. Bravo!&lt;br /&gt;&#13;&#10; ___________&lt;br /&gt;&#13;&#10;Silas Correa Leite&lt;br /&gt;&#13;&#10;E-mail: poesilas@terra.com.br&lt;br /&gt;&#13;&#10;www.portas-lapsos.zip.net&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;</description>
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  <title>Comentário postado por Silas Correa Leite</title>
  <dc:date>2010-5-21T16:53:36Z</dc:date>
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