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  <title>.: Dominguinhos :.</title>
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  <description>Cultura de todo o Brasil na internet</description>
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  <title>.: Overblog :.</title>
  <description>Cultura de todo o Brasil na internet</description>
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 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c1147">
  <description>o debate Ã© bacana, Henry - eu gosto de tecnobrega (nÃ£o de tudo - hÃ¡ coisas boas e ruins no tecnobrega como em todos os estilos musicais...), mas nÃ£o quero obrigar ninguÃ©m a gostar... nÃ£o concordo que represente a misÃ©ria do povo: para mim representa, em alguns de seus aspectos, a criatividade que existe apesar da misÃ©ria... muita gente, quando Luis Gonzaga apareceu, tambÃ©m achava que aquilo era mÃºsica de baixa qualidade... lembro agora de um crÃ­tico no jornal falando mal de Carinhoso do Pixinguinha, como mera cÃ³pia do ritmo da moda na FranÃ§a... as opiniÃµes mudam, e o distanciamento nos faz ver qualidade naquilo que antes era tratado com total desdÃ©m... nÃ£o estou afirmando que isso vai acontecer com o tecnobrega, ou com o funk carioca... quem pode prever essas coisas?</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c1147</link>
  <title>Comentário postado por Hermano Vianna</title>
  <dc:date>2006-4-28T03:01:46Z</dc:date>
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 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c1151">
  <description>Ã verdade, a mÃºsica de Luiz Gonzaga foi - e talvez ainda seja - subestimada&amp;#059; o que motiva alguma reflexÃ£o pra mim a respeito dessa chamada &quot;mÃºsica de periferia&quot; Ã© que vocÃª e o Pedro Sanches, por exemplo, mostram a importÃ¢ncia de se perceber que hÃ¡ algo acontecendo por trÃ¡s dessa produÃ§Ã£o, mas nÃ£o se preocupam em apontar a possÃ­vel limitaÃ§Ã£o da sensibilidade que vem a reboque disso tudo, i.e., vocÃª acha mesmo que hÃ¡ algum autor nesse meio que possa dar continuidade Ã  expressÃ£o do sentimento popular que emana da mÃºsica de Luiz Gonzaga? Ã© muito absurdo perguntar o por quÃª de nenhum crÃ­tico se dignar a comentar os CDs de tecnobrega apontando neles os mÃ©ritos que parecem tÃ£o claros? veja, nÃ£o me interessa atingir nenhum desses artistas, eu tambÃ©m faÃ§o mÃºsica, sÃ³ nÃ£o me sinto forÃ§ado a gostar deles porque um pesquisador como vocÃª lhes dÃ¡ tamanho crÃ©dito. Acho que alguÃ©m precisa, com e contra vocÃª, tensionar essa visÃ£o, a meu ver, parcimoniosa, de achar que a mÃºsica da periferia Ã© uma linha de continuidade de um certo padrÃ£o do cancioneiro nacional e que isso nÃ£o significa um enorme prejuÃ­zo para o nosso desenvolvimento como naÃ§Ã£o. Se a mÃºsica popular nos representa, se Ã© nossa mais forte &quot;representaÃ§Ã£o&quot;, Ã© preciso pensar sobre essa &quot;nova identidade&quot;, que pÃµe atÃ© um Chico Buarque em dÃºvida a respeito do fim da canÃ§Ã£o, por exemplo... se a canÃ§Ã£o estÃ¡ acabando como, de fato, parece estar, Ã© porque nÃ³s tambÃ©m estamos definhando como paÃ­s.</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c1151</link>
  <title>Comentário postado por Henry Burnett</title>
  <dc:date>2006-4-28T12:38:33Z</dc:date>
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 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c1155">
  <description>Acho bacana qdo vocÃª posta textos questionadores aqui, Henry, sobretudo por nÃ£o entrar em paixÃµes e por nÃ£o ser agressivo. VocÃª se surpreende com o fato de se emocionar mais com a mÃºsica nordestina do que com a da sua terra. Me fez pensar que isso deve ser mais comum do que imagina... Mas fiquei um pouco intrigada com certos pontos do seu comentÃ¡rio. ConheÃ§o pouco do tecnobrega, nÃ£o tenho condiÃ§Ã£o de defender nem de atacar (muito menos de analisar) mas mesmo assim nÃ£o acho que necessariamente um debate da qualidade musical tenha que passar, por exemplo, pelo fato de âalgum autor  desse meio poder dar continuidade Ã  expressÃ£o do sentimento popular que emana da mÃºsica de Luiz Gonzagaâ. TambÃ©m nunca vi os que exaltam o tecnobrega dizerem nada parecido com âachar que a mÃºsica da periferia Ã© uma linha de continuidade de um certo padrÃ£o do cancioneiro nacionalâ. Quanto Ã  falta de crÃ­tica dos discos de tecnobrega, talvez seja verdade, nÃ£o sei. O Overmundo poderia ser um bom espaÃ§o para isso... AbraÃ§o!</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c1155</link>
  <title>Comentário postado por Helena AragÃ£o</title>
  <dc:date>2006-4-28T15:46:42Z</dc:date>
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  <description>Helena, legal poder dividir essas - por que nÃ£o dizer - dÃºvidas com pessoas como vocÃª. Na verdade nÃ£o afirmei que o Hermano considera essa &quot;mÃºsica da periferia&quot; como uma linha de continuidade de um autor como Luiz Gonzaga, apenas perguntei se ele eventualmente acha, ou seja, se essa mÃºsica tem &quot;apenas&quot; um valor sociolÃ³gico, e aÃ­ minhas dÃºvidas acabam, ou se ela tem de fato um valor artÃ­stico - se Ã© que ainda se pode perguntar isso hoje em dia. Ã disso que quero falar, de mÃºsica brasileira, popular. Sabe porque nÃ£o tenho pudores em tencionar esse assunto, mesmo correndo o risco de ser mal-interpretado por pessoas da minha terra natal?  porque quando escrevi um texto, muito crÃ­tico, sobre a explosÃ£o nacional do Tecnobrega, a reclamaÃ§Ã£o que eu ouvi foi a seguinte: &quot;muitos estados do Brasil jÃ¡ forneceram porcaria para alimentar a mÃ­dia de massa, chegou a nossa vez...&quot;. Argumento curioso? pois Ã©. EntÃ£o fico enchendo o saco de algumas pessoas que eu admiro muito porque me sinto incapaz de louvar a banda Calypso agora, sÃ³ porque eles venderam 8 milhÃµes de discos. Venda de discos na casa dos milhÃµes - se eu estiver errado me corrija - sempre foi sinÃ´nimo de porcaria: pagode macaqueado, sertanejo esgoelado, axÃ©-music bobo&amp;#059; lembrei agora do Dori Caymmi, porque acho que estou ficando meio chato, como ele. Perguntaram porque ele era intolerante com essa mÃºsica comercial baiana, e ele disse, com cara de espanto, que nÃ£o era intolerante, que estava sÃ³ treinando para ser o Ariano Suass</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c1160</link>
  <title>Comentário postado por Henry Burnett</title>
  <dc:date>2006-4-28T19:06:41Z</dc:date>
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 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c1173">
  <description>Faltou completar o nome no final do comentÃ¡rio anterior, claro que falo de Ariano Suassuna.</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c1173</link>
  <title>Comentário postado por Henry Burnett</title>
  <dc:date>2006-5-01T00:56:46Z</dc:date>
 </item>
 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c1178">
  <description>nÃ£o acho de maneira alguma que essas mÃºsicas tenham apenas &quot;valor sociolÃ³gico&quot; - para mim tÃªm sim valor musical, estÃ©tico, artÃ­stico - acho que tudo passa a depender do modo como cada um de nÃ³s define mÃºsica/estÃ©tica/arte, ou como julgamos qualidade artÃ­stica - acho que sou um modernista incurÃ¡vel: gosto de arte que propÃµe o novo, a aventura, a ousadia - em mÃºsica nÃ£o procuro virtuosismo instrumental ou harmonias elaboradas - se essas coisas nÃ£o estiverem aliadas Ã  uma proposta inovadora, o cara pode ser o melhor instrumentista do mundo que nÃ£o me interessa - vejo mais o novo em muito tecnobrega ou funk carioca do que em mÃºsicas ditas de qualidade - em muito da mÃºsica &quot;instrumental&quot; brasileira, por exemplo, o que escuto Ã© gente repetindo (de forma pior) o que Hermeto e Egberto fizeram de forma brilhante e corajosa nos anos 70 - para mim nÃ£o adianta nada, repito, aquilo ser bem tocado&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;acho que se quisesse gente tocando bem, com boas harmonias, eu me contentaria com mÃºsica erudita ou free jazz radical dos anos 60 - mas tudo isso parece ter chegado no seu limite - e se fragmentou com dodecafonismo/serialismo/mÃºsica concreta/mÃºsica eletroacÃºstica&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;entÃ£o gosto mesmo Ã© do silÃªncio (cheio de sons) de John Cage, das colagens ambientais de Luc Ferrari, da mÃºsica generativa de Brian Eno (que nunca foi mÃºsico)&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;e&apos; mÃºsica de idÃ©ia, nÃ£o de &quot;boa mÃºsica&quot;&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c1178</link>
  <title>Comentário postado por Hermano Vianna</title>
  <dc:date>2006-5-02T00:17:16Z</dc:date>
 </item>
 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c1183">
  <description>continuando: nesse sentido, no campo da mÃºsica popular, me interessa mais o que o Kraftwerk fez: os robÃ´s tocam no palco uma mÃºsica bem &quot;imbecil&quot;, que &quot;qualquer calculadora faria&quot;&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;ou me interessa mais o que faz o DJ Iran, do cybertecnobrega: pega o esqueleto ritmico da jovem guarda, coloca no computador, junta um subgrave de reggaeton, uns sons sampleados de ringtone de celular e pronto - e consegue criar com isso uma mÃºsica ultradanÃ§ante&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;no funk carioca sempre fico impressionado com as inovaÃ§Ãµes: cada dia surge um tamborzÃ£o eletrÃ´nico novo, sampleando ritmos da umbanda carioca&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;sei que sÃ£o experiÃªncias que estÃ£o apenas comeÃ§ando: espero que daÃ­ apareÃ§am inovaÃ§Ãµes cada vez mais surpreendentes - e acho que esses sÃ£o territÃ³rios mais propÃ­cios para inovaÃ§Ãµes do que aquele no qual circula a mÃºsica &quot;de qualidade&quot;&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;mas Ã© Ã³bvio que nÃ£o quero impor esse modo de pensar para ninguÃ©m (como o pessoal &quot;da qualidade&quot; quer detonar essas mÃºsicas que eu gosto como apenas lixo, de forma intolerante e muitas vezes ditatorial - por isso tantas vezes minha defesa tem que partir para o ataque)&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c1183</link>
  <title>Comentário postado por Hermano Vianna</title>
  <dc:date>2006-5-02T05:53:45Z</dc:date>
 </item>
 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c1718">
  <description>Compreendo perfeitamente tuas observaÃ§Ãµes sobre o tecnobrega&amp;#059; na verdade, estou cada vez mais certo de que falamos de coisas distintas, de mÃºsicas distintas (postei inclusive um comentÃ¡rio a partir de uma resenha do Carlos RennÃ³ falando disso chamado &quot;Mais provenÃ§ais&quot;). Acho que - teoricamente - me interessa a tradiÃ§Ã£o da canÃ§Ã£o, principalmente no que a diferencia da mÃºsica popular ligeira (pagode rasteiro, forrÃ³ universitÃ¡rio, ou nÃ£o tem diferenÃ§a nenhuna?). Minhas &quot;tensÃµes&quot; com o tecnobrega dizem respeito ao fato de que eu cresci ouvindo isso, dancei muito nos interiores do ParÃ¡ e, principalmente, ri muito com o escracho dos bregueiros, o que para mim Ã© o grande mÃ©rito dessa mÃºsica, o humor, e nÃ£o consigo vÃª-los como parte dessa tradiÃ§Ã£o cancional que citei acima. Como eu sou pago pra fazer o trabalho pesado de analisar a canÃ§Ã£o ao invÃ©s de apenas fazÃª-la, sou obrigado a questionar o que nÃ£o me parece devidamente explicitado&amp;#059; por isso a cobranÃ§a a respeito do valor da &quot;mÃºsica da periferia&quot; na esteira da histÃ³ria da MPB. NÃ£o me parece sacramentada a idÃ©ia de que estamos diante de um estilo que vÃ¡ permanecer, ou quem sabe atÃ© vÃ¡, como o sertanejo &quot;moderno&quot; de um Leonardo ou o o axÃ©-music da Ivete Sangalo. Imortais? quem sabe... mas nÃ£o esqueÃ§amos que a mÃºsica popular nos expressa enquanto povo, e se antes nos sentÃ­amos representados por um Luiz Gonzaga e hoje precisamos nos ver no tecnobrega, estamos descendo ladeira a baixo, junto com a polÃ­tica, a sociedade...</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c1718</link>
  <title>Comentário postado por Henry Burnett</title>
  <dc:date>2006-5-25T17:57:57Z</dc:date>
 </item>
 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c2950">
  <description>Interessam-se sobremaneira as discussÃµes envolvendo o tecnobrega, particularmente por ser esta mÃºsica meu atual objeto de estudo. Cheguei no doutorado em MÃºsica com um projeto de tese que dava continuidade Ã  minha pesquisa de mestrado sobre a tradiÃ§Ã£o/modernidade no carimbÃ³ de BelÃ©m. Passados dois meses, porÃ©m, decidi repentinamente que gostaria de melhor conhecer uma mÃºsica que particularmente me chama a atenÃ§Ã£o, nÃ£o por me cair bem auditivamente, mas por mobilizar tanta platÃ©ia, e uma platÃ©ia da qual nÃ£o fazia parte. Queria e continuo querendo entender o que implica no gosto musical, mas desatrelado da noÃ§Ã£o de &quot;certo padrÃ£o de cancioneiro nacional&quot; (citado por Burnett neste espaÃ§o de discussÃ£o), que me parece dÃºbia e ao mesmo tempo reverberante de uma ideologia e de um discurso que separam por muros espessos e altos o centro da periferia, o pobre do rico, a tradiÃ§Ã£o da modernidade, o digital do analÃ³gico, o bom do ruim, o colonizador do colonizado, o original da cÃ³pia, entre outras relaÃ§Ãµes de oposiÃ§Ã£o. Comecei a estudar o tecnobrega sem saber se em algum momento conseguiria apreciÃ¡-lo, embora meus objetivos cientÃ­ficos nÃ£o necessariamente implicassem em prazer de escuta musical. Imerso no trabalho de campo, no entanto, comecei a escutar outros &quot;ecos sonoros&quot; (Zumthor) que emanam desta e de qualquer outra mÃºsica. SÃ£o justamente estes ecos que normalmente desprezamos, por graÃ§a ou azar de nossa escuta musical ocidentalizada que privilegia o fenÃ´meno auditivo em si. Isto me </description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c2950</link>
  <title>Comentário postado por Paulo Murilo Amaral</title>
  <dc:date>2006-8-05T03:19:23Z</dc:date>
 </item>
 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c2951">
  <description>(cont.) seduz, sem dÃºvida alguma. NÃ£o Ã© Ã  toa que prefiro dormir ouvindo Bach do que acordar com a batida do funk. Por outro lado, a mÃºsica soa, para alÃ©m dela prÃ³pria, o seu entorno. Lembrando Dell Hymes, o som Ã© social. Longe de mim achar que se deva reverenciar toda e qualquer mÃºsica de &quot;periferia&quot;, especialmente se a teoria de Burnett considerando a exploraÃ§Ã£o massiva desta mÃºsica como decorrente do fracasso do Estado e da misÃ©ria do povo pudesse ser avalizada. Concordando com Vianna, acredito sim na criatividade, apesar da misÃ©ria. Mas que &quot;misÃ©ria&quot;? Em BelÃ©m ao menos, periferia e misÃ©ria nem sempre se cruzam. Por outro lado, concordo com Burnett quando ele aponta um movimento de super-valorizaÃ§Ã£o da mÃºsica de &quot;periferia&quot;, que nÃ£o me parece ter sido mencionado por Vianna. Por que a super-valorizaÃ§Ã£o das mÃºsicas de &quot;periferia&quot; causam esse frisson todo? Ora... O Brasil vive super-valorizando as coisas, mesmo aquelas que mais tarde se confirmam como expressÃµes culturais representativas do paÃ­s. Os modismos entÃ£o, nem se fale. Acredito piamente que o distanciamento/proximidade nos &quot;ajuda a ver qualidade naquilo que antes era visto como desdÃ©m&quot;, conforme citou Vianna. Mudam as opiniÃµes, mudam as estÃ©ticas das mÃºsicas e tambÃ©m se reconfiguram os &quot;limites da sensibilidade&quot;, contrapostamente Ã quilo que Burnett considerou. Sou prova cabal disto. Atualmente estou desenvolvendo uma pesquisa sobre anÃ¡lise das performances do tecnobrega, envolvendo gravaÃ§Ãµes em CDs e materiais audiov</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c2951</link>
  <title>Comentário postado por Paulo Murilo Amaral</title>
  <dc:date>2006-8-05T03:21:36Z</dc:date>
 </item>
 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c2952">
  <description>(cont.) isuais produzidos recentemente, incluindo o DVD da Banda Tecnoshow e a gravaÃ§Ã£o do programa Central da Periferia. Sendo assim, respondendo Ã  questÃ£o levantada por Burnett, alguÃ©m dignou-se a comentar sobre o assunto. NÃ£o sou militante da mÃºsica produzida alternativamente (ao contrÃ¡rio de Vianna), embora reconheÃ§a a existÃªncia do monopÃ³lio dos selos - nÃ£o Ã© sem motivo que, em defesa da &quot;pirataria&quot;, nem toda mÃºsica que existe Ã© ouvida (Vianna). Em relaÃ§Ã£o Ã  identificaÃ§Ã£o do tecnobrega com as &quot;metamÃ­dias&quot;, nÃ£o me posiciono tÃ£o idealisticamente como Vianna, embora considere fascinante este modo de produÃ§Ã£o-circulaÃ§Ã£o-recepÃ§Ã£o musical. O pessoal do tecnobrega vem cedendo espaÃ§o a outras mÃ­dias, aquelas que talvez consigam desterritorializar esta mÃºsica - nÃ£o que as alternativas nÃ£o o possam. Isto jÃ¡ vem acontecendo, modestamente. O discurso em favor do tecnobrega Ã© tÃ£o presente e forte quanto o discurso que o relega Ã  condiÃ§Ã£o de mÃºsica de &quot;mau gosto&quot; estÃ©tico. Defensores do tecnobrega valem-se da condiÃ§Ã£o de estigmatizados para afirmarem a sua condiÃ§Ã£o de &quot;povÃ£o&quot; (como diria a Gabi Amarantos, vocalista da Tecnoshow que muito tem colaborado com esta pesquisa), de pertencente Ã  periferia etc. De um jeito diferente, reproduzem as mesmas relaÃ§Ãµes de oposiÃ§Ã£o que mencionei anteriormente. Sentem-se orgulhosos porque apareceram no FaustÃ£o, por terem sido citados na revista x ou y, por terem sido convidados para participar do TerruÃ¡ em SÃ£o Paulo etc. Sentem-se bem por estarem cir</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c2952</link>
  <title>Comentário postado por Paulo Murilo Amaral</title>
  <dc:date>2006-8-05T03:22:59Z</dc:date>
 </item>
 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c2953">
  <description>(cont.) culando nos meios oficiais, apesar de nÃ£o terem em momento algum aberto mÃ£o das mÃ­dias alternativas. O que hÃ¡ de mau nisto? Nada mesmo, especialmente se comeÃ§armos a relativizar este modo de produÃ§Ã£o e considerarmos as mudanÃ§as estÃ©ticas que o tecnobrega vem sofrendo Ã  medida de sua efemeridade, de seu cosmopolitismo, do increasing tecnolÃ³gico, das audiÃªncias, dos agenciamentos, do movimento contra-estigmatizador e das tradiÃ§Ãµes musicais, corporais e comportamentais a ele amalgamadas.</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c2953</link>
  <title>Comentário postado por Paulo Murilo Amaral</title>
  <dc:date>2006-8-05T03:23:57Z</dc:date>
 </item>
 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c2954">
  <description>alÃ´ Paulo: muito interessantes seus comentÃ¡rios - gostaria de conhecer melhor a sua pesquisa - vocÃª jÃ¡ publicou alguma coisa?</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c2954</link>
  <title>Comentário postado por Hermano Vianna</title>
  <dc:date>2006-8-05T03:29:38Z</dc:date>
 </item>
 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c2955">
  <description>Obrigado pelo comentÃ¡rio, Hermano. Estou dando inÃ­cio Ã s publicaÃ§Ãµes com foco no tecnobrega e na mÃºsica brega de forma geral. Em breve a ABA lanÃ§arÃ¡ um CD com as comunicaÃ§Ãµes apresentadas no congresso de GoiÃ¢nia, de forma que poderÃ¡s ler alguma coisa lÃ¡. De imediato, publiquei um pequeno texto no www.cafetinaeletroacustica abordando justamente a relaÃ§Ã£o de estranhamento entre o pesquisador e este objeto de estudo. Se rolar mais alguma publicaÃ§Ã£o adiante, certamente te avisarei. Aproveito para mais uma vez te agradecer pelos textos que gentilmente me cedeste e que estÃ£o sendo fundamentais para a construÃ§Ã£o dos meus argumentos. AbraÃ§os do Paulo Murilo.</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c2955</link>
  <title>Comentário postado por Paulo Murilo Amaral</title>
  <dc:date>2006-8-05T03:59:34Z</dc:date>
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 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c2956">
  <description>Corrigindo: www.cafetinaeletroacustica.com</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c2956</link>
  <title>Comentário postado por Paulo Murilo Amaral</title>
  <dc:date>2006-8-05T04:01:01Z</dc:date>
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  <description>Eu sempre tenho a impressÃ£o que nÃ£o me expresso bem a respeito do &quot;tema&quot; Tecnobrega e afins. Esse distanciamento mencionado pelo Paulo, essa audiÃ§Ã£o &quot;ocidentalizada&quot; Ã© justamente meu ponto de partida em todos os pequenos textos que escrevi sobre o assunto. Veja, eu sou o melhor exemplo (pelo menos acho que sou) de como essa muralha nÃ£o existe. O Paulo vai entender - do ponto de vista geogrÃ¡fico belenense - o que quero dizer. Minha 1Âª lembranÃ§a espacial, ainda na infÃ¢ncia, Ã© de uma vila no bairro da Sacramenta&amp;#059; depois da separaÃ§Ã£o de meus pais mudamos muitas vezes, morei na Pedreira, no CuriÃ³, na Guanabara e, por fim, onde passei parte da adolescÃªncia e para onde mudei quando casei, na Cidade Nova. AÃ­ Hermano, tudo perifa! Isso significa - mas nÃ£o explica talvez - que eu vivi de muito perto todas as fases do &quot;movimento&quot; Brega paraense, diretamente na hoje tÃ£o badalada periferia. Fora isso, passava longos perÃ­odos de fÃ©rias na cidade natal de minha mÃ£e, Santo AntÃ´nio do TauÃ¡, onde novamente tomava um banho de cultura perifÃ©rica. AtÃ© hoje posso cantar bregas inteiros, Roberto Vilar, AlÃ­pio Martins, Tedd Max, Fernando BelÃ©m, Luiz Guilherme, putz, sÃ£o tantos e tÃ£o prÃ³ximos, Ã­ntimos mesmo. Devo estar um pouco atrasado para as novas, porque estou 8 anos morando fora de BelÃ©m. Tudo isso pra dizer que eu nÃ£o poderia, nem se quisesse, me relacionar com essa histÃ³ria de um ponto de vista exterior, isso Ã© tÃ£o claro pra mim quanto o fato de que eu nÃ£o poderia me tornar um ouvinte for</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c2959</link>
  <title>Comentário postado por Henry Burnett</title>
  <dc:date>2006-8-05T12:48:47Z</dc:date>
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 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c2960">
  <description>(conto.) mal de mÃºsica clÃ¡ssica por total incapacidade auditiva. Como eu nÃ£o sou especialista em Brega, mas um ouvinte a mais no meio do povo, me sinto quase ofendido quando alguÃ©m espera me ensinar a &apos;perceber&apos; a mÃºsica Brega, a senti-la de modo &quot;relativo&quot;, isso soa simplesmente ridÃ­culo pra mim. NÃ£o posso levar a sÃ©rio - de um ponto de vista formal, rigoroso, tÃ©cnico uma mÃºsica que nunca quis ser sÃ©ria, que sempre foi mestre na auto-ironia&amp;#059; explico exemplificando e saindo do terreno: nÃ£o posso tomar tÃ£o seriamente um Genival Lacerda, a despeito de ser um dos cantores que mais me influenciou (nÃ£o quero esquecer que tambÃ©m faÃ§o mÃºsica). Muito bem, eu acho que a Central da Periferia Ã© um programa polÃ­tico, onde a grande intenÃ§Ã£o Ã© mostrar que as pessoas pobres - que tiveram que encontrar alternativas contra a situaÃ§Ã£o eterna de carÃªncias em que nascem e morrem - tambÃ©m sÃ£o felizes, sorridentes, mesmo sem dentes. Acho infame essa idealizaÃ§Ã£o da misÃ©ria e esse esquecimento ativo de que a pobreza no entorno dos bailes e retratada na Rede Globo, foi gerada, de muitas formas, pela prÃ³pria emissora. Exemplo: sempre que lembro do estardalhaÃ§o com que foi anunciado &quot;o primeiro negro&quot; a apresentar o JN. Ora, depois de trÃªs dÃ©cadas de histÃ³ria, a prÃ³pria Rede Globo se compraz consigo mesma porque colocou um negro no horÃ¡rio nobre, a mesma emissora que antes, durante e depois dessa &quot;revoluÃ§Ã£o&quot; faz dos negros atores toda a vida das novelas escravos, empregadas, capitÃ£es-do-mato e por</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c2960</link>
  <title>Comentário postado por Henry Burnett</title>
  <dc:date>2006-8-05T12:51:11Z</dc:date>
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 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c2961">
  <description>(cont.) aÃ­ vai. Ã aÃ­ que eu acho que o Tecnobrega Ã©, de muitas formas, produto da misÃ©ria que cerca a periferia. Mas como eu saÃ­(?) desse mesmo lugar, nÃ£o posso aceitar que todo mundo tem que fazer isso porque essa Ã© a mÃºsica popular brasileira hoje. Desculpem a babaquice da auto-referÃªcia, mas eu faÃ§o um pÃ³s-doc na USP chamado &quot;IndÃºstria cultural e canÃ§Ã£o popular no Brasil&quot;, escrevo canÃ§Ãµes, e agora sou professor da Universidade Federal de SÃ£o Paulo. O fato de ter sido gestado nesse mesmo ambiente que gera o Brega e de me emocionar ouvindo AlÃ­pio Martins nÃ£o faz de mim um artista popular, assim como nunca fui capaz de compor carimbÃ³s pelo simples fato de nÃ£o ter tido a vivÃªncia dos rios e do folclore que tanto identificam o ParÃ¡. Para mim, BelÃ©m Ã© uma cidade cosmopolita, onde eu podia ouvir um Walter Bandeira cantando Sinatra e Piaf ao mesmo tempo em que via um Ronaldo Silva compor as mais belas toadas de boi na minha sala na Cidade Nova, de ter descoberto o Ã¡lbum &quot;A arte de Chico Buarque&quot; aos 14 anos e visto que fazer canÃ§Ã£o era a Ãºnica coisa que eu tinha alguma vocaÃ§Ã£o. Pela enÃ©sima vez repito, nÃ£o sou um ressentido porque a Gabi faz sucesso e eu nÃ£o, apenas nÃ£o posso entender a idÃ©ia de que nÃ£o existe mais mÃºsica boa e ruim, que nÃ£o podemos mais atribuir valor ao que nos toca ou nÃ£o. Basta dizer que o rap Ã©, pra mim, a maior contribuiÃ§Ã£o musical do inÃ­cio do sÃ©culo XXI no Brasil, ainda que eu nÃ£o goste de rap. Sempre brinco dizendo que gosto de rap como de bossa nova, ou </description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c2961</link>
  <title>Comentário postado por Henry Burnett</title>
  <dc:date>2006-8-05T12:51:58Z</dc:date>
 </item>
 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c2962">
  <description>(cont.) seja, sÃ³ gosto do Mano Brown e do JoÃ£o Gilberto, os criadores do estilo&amp;#059; isso pra dizer que minha relaÃ§Ã£o emocional com o Brega nÃ£o Ã© capaz de me tornar um deslumbrado, como creio que, meio &apos;etnocentricamente&apos;, os amigos do Sudeste olham pros &quot;Ã­ndios&quot; paraenses. Um cara que eu gosto muito, chamado Pedro Alexandre Sanches saiu do TerruÃ¡ ParÃ¡ em SÃ£o Paulo e escreveu no blog um texto chamado &quot;O que aconteceu com a mÃºsica paraense?&quot; Ora, sÃ³ quem nÃ£o se interessava minimamente pela regiÃ£o nos Ãºltimos 20 anos pode achar que alguma coisa &quot;aconteceu&quot; lÃ¡. Eu saÃ­ - como grande parte do pÃºblico - apenas sem entender o que a Gabi fazia naquele show. Explico: pensei muito sobre as palavras do Pedro sobre nossa incapacidade paraense de ver nossos valores, de que eu poderia estar sendo preconceituoso junto com o pÃºblico paulistano, que recebeu seca e friamente a participaÃ§Ã£o dela no show, mas ao mesmo tempo desconfiava do por quÃª o Mestre Laurentino ter sido ovacionado pelo mesmo pÃºblico. NÃ£o Ã© curioso isso? Minha opiniÃ£o Ã© que as pessoas vÃªem verdade nele, mas nÃ£o acreditam na performance dela, acham que Ã© falso, sem propÃ³sito. Ã o pÃºblico todo, nÃ£o uma parte. Ã preciso pensar nisso tambÃ©m, e nÃ£o apenas condenar o suposto preconceito paulistano. Laurentino nÃ£o Ã© nenhum galÃ£. O carinho por ele tem a ver com talento, simplesmente. Assim como a cena Rock paraense Ã© uma das mais intensas do paÃ­s, senÃ£o a mais. </description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c2962</link>
  <title>Comentário postado por Henry Burnett</title>
  <dc:date>2006-8-05T13:03:06Z</dc:date>
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 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c2963">
  <description>(cont.) Mas a despeito de todas essas diferenÃ§as, quero dizer que me sinto profundamente honrado em poder dialogar com pessoas como vocÃªs num espaÃ§o como este. Quero crer que todo esse debate, no fundo, tem um valor inestimÃ¡vel. Quem sabe nÃ£o seria o caso de organizarmos um grande encontro sobre o tema da mÃºsica popular hoje. Hermano, que te parece a idÃ©ia? topo trabalhar pela organizaÃ§Ã£o e ainda dar minha cara a tapa, contanto que depois a gente pudesse tomar uma ouvindo Brega.</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c2963</link>
  <title>Comentário postado por Henry Burnett</title>
  <dc:date>2006-8-05T13:06:34Z</dc:date>
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 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c2966">
  <description>Retribuo esta honra, prezado Henry. De ontem para cÃ¡ jÃ¡ conseguimos tocar em vÃ¡rios pontos que contribuiem muitÃ­ssimo para as minhas atuais preocupaÃ§Ãµes de pesquisa. Vou destacar pontos de sua fala e tentar comentÃ¡-los:&lt;br /&gt;&#13;&#10;1) &quot;NÃ£o posso levar a sÃ©rio - de um ponto de vista formal, rigoroso, tÃ©cnico uma mÃºsica que nunca quis ser sÃ©ria, que sempre foi mestre na auto-ironia&quot;. Volto Ã  questÃ£o do &quot;padrÃ£o&quot; sobre a qual fizeste referÃªncia anteriormente. Acho-a limitante sob o ponto de vista da antropologia da mÃºsica, considerando que a teoria musical Ã© gestada exatamente onde a cultura Ã© produzida. Por isso mesmo sabemos quando o tico-tico no fubÃ¡ Ã© tocado por um pianista estrangeiro que se embebeu em Mozart e Beethoven a vida inteira. A problemÃ¡tica dentro da anÃ¡lise musical ainda reside no fato de que se pensa a mÃºsica a partir de referenciais Ãºnicos (etnocÃªntricos) que definem rigor e tÃ©cnica. Estes conceitos sÃ£o construÃ­dos, assim como o rigor e as tÃ©cnicas composicionais eruditas do sÃ©culo XX jÃ¡ estÃ£o bem distantes do rigor e da tÃ©cnica que emolduraram a mÃºsica de Beethoven, entre outros. Se nÃ£o nos dispusermos a entender a mÃºsica nÃ£o apenas no aspecto de sua estrutura, mas tambÃ©m considerando o seu entorno, fica bem fÃ¡cil sustentar qualquer coisa dentro do comentado &quot;padrÃ£o&quot; analÃ­tico. AliÃ¡s, a grande dificuldade e ao mesmo tempo o grande fascÃ­nio do conhecimento musical Ã© desenvolvermos, enquanto analistas, diferentes competÃªncias, tanto quanto devemos saber qual delas aproveit</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c2966</link>
  <title>Comentário postado por Paulo Murilo Amaral</title>
  <dc:date>2006-8-05T17:45:44Z</dc:date>
 </item>
 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c2967">
  <description>(cont.) ar ao se falar de brega, de tecnobrega, de jovem guarda, da mÃºsica de Stravinsky, de Cage, de Schubert, de Dominguinhos etc. Pode nÃ£o parecer, mas minha posiÃ§Ã£o Ã© bem diferente do excessivo relativismo da pÃ³s-modernidade, em que parece ser pecado concluir qualquer idÃ©ia, jÃ¡ que tudo Ã© possÃ­vel. NÃ£o sou partidÃ¡rio da neutralidade&amp;#059; portanto, nÃ£o poderia (e nem quero) boicotar o juÃ­zo de valor, especialmente em se tratando de um objeto estigmatizado. TambÃ©m discordo quanto Ã  &quot;falta&quot; se seriedade na mÃºsica brega, embora esteja encarnada em sua performance e na recepÃ§Ã£o. Ã que a estÃ©tica nÃ£o se limita Ã quilo que ouvimos: o trabalho etnogrÃ¡fico que tenho realizado nos estÃºdios e especialmente nas chamadas &quot;festas de aparelhagem&quot; me pÃµe em contato com aquilo que estÃ¡ por detrÃ¡s da mÃºsica propriamente dita (aproveitando-me de uma observaÃ§Ã£o do etnomusicÃ³logo Samuel AraÃºjo - 1999), a exemplo dos processos produtivos que envolvem uma gramÃ¡tica musical e tecnolÃ³gica que ainda me causa muito estranhamento, do nÃ­vel de envolvimento de DJs e produtores com um trabalho de pesquisa acÃºstica que precisa acompanhar a velocidade (McLuhan) com a qual a mÃºsica surge/desaparece na/da cena musical, entre outros aspectos.&lt;br /&gt;&#13;&#10;2) &quot;Acho infame essa idealizaÃ§Ã£o da misÃ©ria e esse esquecimento ativo de que a pobreza no entorno dos bailes e retratada na Rede Globo, foi gerada, de muitas formas, pela prÃ³pria emissora&quot;. NÃ£o discordo disto (mesmo nÃ£o sendo um adorniano), embora a Globo (a exemplo d</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c2967</link>
  <title>Comentário postado por Paulo Murilo Amaral</title>
  <dc:date>2006-8-05T17:47:04Z</dc:date>
 </item>
 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c2968">
  <description>(cont.) e outras mÃ­dias oficiais) esteja dando conta de mostrar (Ã  sua maneira, Ã© verdade) o tecnobrega para alÃ©m de seu territÃ³rio &quot;natal&quot;. Ã bom recordarmos da observaÃ§Ã£o de Vianna sobre a realidade de que nem toda a mÃºsica que existe Ã© ouvida.&lt;br /&gt;&#13;&#10;3) &quot;Ã aÃ­ que eu acho que o Tecnobrega Ã©, de muitas formas, produto da misÃ©ria que cerca a periferia&quot;. A &quot;misÃ©ria&quot; que circunda a &quot;periferia&quot; de BelÃ©m deve ser pensada, caso contrÃ¡rio pode-se ter a impressÃ£o de que Ã© idÃªntica Ã s idÃ©ias massivas sobre &quot;periferia&quot;, isto Ã©, de que significa pobreza material e cultural. Ou serÃ¡ que nÃ£o existe criatividade na criaÃ§Ã£o musical do tecnobrega? Desprovido de qualquer militÃ¢ncia, posso afirmar que existe sim...&lt;br /&gt;&#13;&#10;4) &quot;Mas como eu saÃ­(?) desse mesmo lugar, nÃ£o posso aceitar que todo mundo tem que fazer isso porque essa Ã© a mÃºsica popular brasileira hoje&quot;. Concordo...&lt;br /&gt;&#13;&#10;5) &quot;Pela enÃ©sima vez repito, nÃ£o sou um ressentido porque a Gabi faz sucesso e eu nÃ£o, apenas nÃ£o posso entender a idÃ©ia de que nÃ£o existe mais mÃºsica boa e ruim, que nÃ£o podemos mais atribuir valor ao que nos toca ou nÃ£o&quot;. Tenho certeza de que teu discurso nÃ£o Ã© de ressentimento. Pelo contrÃ¡rio, tuas observaÃ§Ãµes sÃ£o instigantes, provocadoras. Muitas delas inclusive refletem minha trajetÃ³ria pessoal e profissional, na medida em que, alÃ©m de ter sido criado sob o &quot;inquestionÃ¡vel&quot; valor da qualidade musical da mÃºsica erudita, jamais havia pensado em estudar uma mÃºsica que nÃ£o me despertava prazer. Hoje desperta...&lt;br /&gt;&#13;&#10;6) &quot;Eu saÃ­ - como gr</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c2968</link>
  <title>Comentário postado por Paulo Murilo Amaral</title>
  <dc:date>2006-8-05T17:47:48Z</dc:date>
 </item>
 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c2969">
  <description>(cont.) ande parte do pÃºblico - apenas sem entender o que a Gabi fazia naquele show&quot;. Ok... Mas isto nÃ£o implica em considerar, em termos de crÃ­tica musical, que o gÃªnero Ã© ruim. Por outro lado, reafirmo que podemos achar ruim ou bom o que quisermos. Claro!&lt;br /&gt;&#13;&#10;Por hora Ã© isto. Grato por esta oportunidade,&lt;br /&gt;&#13;&#10;Paulo Murilo Amaral</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c2969</link>
  <title>Comentário postado por Paulo Murilo Amaral</title>
  <dc:date>2006-8-05T17:48:26Z</dc:date>
 </item>
 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c2971">
  <description>a conversa estÃ¡ realmente muito interessante, apesar de achar que jÃ¡ respondi as questÃµes do Henry nos meus comentÃ¡rios anteriores: nunca disse que nÃ£o existe mÃºsica ruim ou mÃºsica boa, ou que as diferentes tradiÃ§Ãµes musicais nÃ£o podem ser comparadas (a partir de escalas de valores construÃ­das socialmente, como diz o Paulo): sou atÃ© bem anti-relativista neste sentido: prefiro (esteticamente) o tecnobrega a quase tudo que se tem feito ultimamente na &quot;tradiÃ§Ã£o da canÃ§Ã£o&quot; mais ortodoxa... Acho que Ã© uma mÃºsica mais criativa sim (vide meus comentÃ¡rios acima)&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Outra coisa: acho que Ã© uma simplificaÃ§Ã£o perigosa dizer que o Central da Periferia mostra apenas um povo sorridente... Ou que essa mÃºsica Ã© produto da misÃ©ria... Mas esta Ã© uma outra longa conversa...</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c2971</link>
  <title>Comentário postado por Hermano Vianna</title>
  <dc:date>2006-8-05T20:37:17Z</dc:date>
 </item>
 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c2975">
  <description>Sim Hermano, pode ser simplificador minha opiniÃ£o, mas Ã© que o Ãºltimo programa de mÃºsica popular que eu vi na Rede Globo foi Chico &amp; Caetano... portanto. Que vocÃª prefira o Tecnobrega a um Vitor Ramil eu respeito, vocÃª nÃ£o Ã© o Ãºnico, vide a venda maciÃ§a da banda Calypso.&lt;br /&gt;&#13;&#10;Acho que nÃ£o Ã© reprovÃ¡vel que o Tecnobrega seja visto como um produto da misÃ©ria&amp;#059; bem entendido, quando me refiro Ã  misÃ©ria, penso no fato de que infelizmente o velho Adorno acertou em pelo menos um ponto: a regressÃ£o da audiÃ§Ã£o. Eu me sinto parte disso, sem nenhuma vergonha.&lt;br /&gt;&#13;&#10;Eu tambÃ©m acho que jÃ¡ respondi Ã s questÃµes levantadas anteriormente, e reitero que meu objeto de estudo Ã© a canÃ§Ã£o &quot;tradicional&quot;, como vocÃª diz, e que o Tecnobrega nÃ£o me interessa do ponto de vista intelectual, como a vocÃª que Ã© antropÃ³logo. Para mim, Brega, Tecnobrega e afins sÃ£o mÃºsica para ouvir e danÃ§ar nas festas do ParÃ¡, nada mais que isso.</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c2975</link>
  <title>Comentário postado por Henry Burnett</title>
  <dc:date>2006-8-05T22:49:08Z</dc:date>
 </item>
 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c2976">
  <description>eu falei &quot;quase tudo&quot;: a mÃºsica de Vitor Ramil eu adoro, tanto quanto tecnobrega - mas Ã© uma nobre exceÃ§Ã£o &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;e adoro danÃ§ar tecnobrega - meu interesse nÃ£o Ã© sÃ³ intelectual... sempre toco tecnobrega quando sou chamado para atuar como DJ... as pessoas logo fazem a festa na pista de danÃ§a...&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;mas voltando a falar na alegria: nÃ£o entendo porque tanta desconfianÃ§a e incÃ´modo com relaÃ§Ã£o Ã  alegria das periferias... Ã© como se elas devessem ser sempre tristes e contritas por serem pobres... como se sÃ³ a tristeza pudesse produzir a revolta contra a misÃ©ria... como se a alegria fosse sentimento reacionÃ¡rio ou falso, reprodutor da misÃ©ria... nÃ£o acredito em nada disso... estou com Oswald de Andrade: a alegria Ã© a prova dos nove </description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c2976</link>
  <title>Comentário postado por Hermano Vianna</title>
  <dc:date>2006-8-06T00:18:13Z</dc:date>
 </item>
 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c2977">
  <description>eu falei &quot;quase tudo&quot;: a mÃºsica de Vitor Ramil eu adoro, tanto quanto tecnobrega - mas Ã© uma nobre exceÃ§Ã£o &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;e adoro danÃ§ar tecnobrega - meu interesse nÃ£o Ã© sÃ³ intelectual... sempre toco tecnobrega quando sou chamado para atuar como DJ... as pessoas logo fazem a festa na pista de danÃ§a...&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;mas voltando a falar na alegria: nÃ£o entendo porque tanta desconfianÃ§a e incÃ´modo com relaÃ§Ã£o Ã  alegria das periferias... Ã© como se elas devessem ser sempre tristes e contritas por serem pobres... como se sÃ³ a tristeza pudesse produzir a revolta contra a misÃ©ria... como se a alegria fosse sentimento reacionÃ¡rio ou falso, reprodutor da misÃ©ria... nÃ£o acredito em nada disso... estou com Oswald de Andrade: a alegria Ã© a prova dos nove </description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c2977</link>
  <title>Comentário postado por Hermano Vianna</title>
  <dc:date>2006-8-06T00:22:55Z</dc:date>
 </item>
 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c2980">
  <description>Esse negÃ³cio de debate acadÃªmico Ã© bom porque para cada argumento lanÃ§ado aqui um de nÃ³s posta 2 contrÃ¡rios, todo mundo tem razÃ£o e ninguÃ©m sabe de nada no fundo. Onde eu escrevi que a periferia precisa ser triste?!?!&lt;br /&gt;&#13;&#10;Terminei meu Ãºltimo texto dizendo que &quot;Para mim, Brega, Tecnobrega e afins sÃ£o mÃºsica para ouvir e danÃ§ar nas festas do ParÃ¡, nada mais que isso&quot;&amp;#059; como Ã© posso achar que a periferia Ã© triste? Eu disse, de modo diverso, que um programa como o Central da Periferia faz parecer que a vida em cima da merda de um esgoto aberto Ã© o mÃ¡ximo (desculpa a necessidade da expressÃ£o), e que essa deferÃªncia Global ao Tecnobrega encobre uma manutenÃ§Ã£o do Status Quo (ainda se diz isso?) violentÃ­ssima. SÃ³ isso. </description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c2980</link>
  <title>Comentário postado por Henry Burnett</title>
  <dc:date>2006-8-06T00:45:13Z</dc:date>
 </item>
 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c2981">
  <description>dÃ¡ uma olhada com atenÃ§Ã£o no programa: dizer que tecnobrega Ã© o mÃ¡ximo nÃ£o significa dizer que o esgoto aberto Ã© o mÃ¡ximo - a nÃ£o ser que alguÃ©m pense que tecnobrega Ã© produto do esgoto... quando digo que hip hop foi uma invenÃ§Ã£o genial do Bronx, claro que nÃ£o estou dizendo que o Bronx Ã© um lugar que nÃ£o tem problemas... o programa apenas nÃ£o copia a maioria dos outros programas para os quais a periferia sÃ³ interessa quando acontece uma desgraÃ§a - o Central da Periferia acredita que a alegria e a criatividade da periferia podem ser sim matÃ©ria para a transformaÃ§Ã£o social</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c2981</link>
  <title>Comentário postado por Hermano Vianna</title>
  <dc:date>2006-8-06T01:38:04Z</dc:date>
 </item>
 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c2982">
  <description>Um dia hei de aprender a danÃ§ar o tecnobrega, Hermano. Antes disto, quero ver se consigo aprender a mexer em toda aquela parafernÃ¡lia eletrÃ´nica das aparelhagens sonoras. SÃ³ espero que algum produtor se disponha a me ajudar nesta difÃ­cil tarefa. SaudaÃ§Ãµes a vocÃªs,&lt;br /&gt;&#13;&#10;Paulo Murilo</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/revista/dominguinhos#c2982</link>
  <title>Comentário postado por Paulo Murilo Amaral</title>
  <dc:date>2006-8-06T03:04:45Z</dc:date>
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 <textinput rdf:about="http://www.overmundo.com.br/home/busca.php">
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