<?xml version="1.0" encoding="utf-8"?>
<?xml-stylesheet type="text/xsl" href="style.xsl"?>
<!-- Generated by: http://www.phpclasses.org/rsswriter $Revision: 1.7 $ -->
<rdf:RDF xmlns:rdf="http://www.w3.org/1999/02/22-rdf-syntax-ns#" xmlns="http://purl.org/rss/1.0/" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/">
 <channel rdf:about="http://www.overmundo.com.br/rss/rss_produto.php?titulo=mia-cavalo-1">
  <title>.: &quot;Mia Cavalo&quot; :.</title>
  <link>http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1</link>
  <description>Cultura de todo o Brasil na internet</description>
  <dc:date>2026-6-15T12:17:27Z</dc:date>
  <image rdf:resource="http://www.overmundo.com.br/images/overmundo_06.gif"/>
  <items>
   <rdf:Seq>
    <rdf:li rdf:resource="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c54420"/>
    <rdf:li rdf:resource="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c54522"/>
    <rdf:li rdf:resource="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c55064"/>
    <rdf:li rdf:resource="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c55065"/>
    <rdf:li rdf:resource="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c55094"/>
    <rdf:li rdf:resource="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c56128"/>
    <rdf:li rdf:resource="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c134942"/>
    <rdf:li rdf:resource="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c157332"/>
    <rdf:li rdf:resource="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c157333"/>
    <rdf:li rdf:resource="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c157383"/>
    <rdf:li rdf:resource="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c157503"/>
    <rdf:li rdf:resource="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c157566"/>
    <rdf:li rdf:resource="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c289603"/>
    <rdf:li rdf:resource="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c289606"/>
    <rdf:li rdf:resource="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c289608"/>
    <rdf:li rdf:resource="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c289972"/>
    <rdf:li rdf:resource="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c289973"/>
    <rdf:li rdf:resource="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c291751"/>
    <rdf:li rdf:resource="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c291752"/>
    <rdf:li rdf:resource="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c291908"/>
    <rdf:li rdf:resource="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c292077"/>
    <rdf:li rdf:resource="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c292123"/>
    <rdf:li rdf:resource="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c292329"/>
    <rdf:li rdf:resource="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c350871"/>
    <rdf:li rdf:resource="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c360738"/>
    <rdf:li rdf:resource="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c360770"/>
    <rdf:li rdf:resource="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c362317"/>
    <rdf:li rdf:resource="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c362415"/>
    <rdf:li rdf:resource="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c363599"/>
    <rdf:li rdf:resource="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c363789"/>
    <rdf:li rdf:resource="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c363943"/>
   </rdf:Seq>
  </items>
  <textinput rdf:resource="http://www.overmundo.com.br/home/busca.php"/>
 </channel>
 <image rdf:about="http://www.overmundo.com.br/images/overmundo_06.gif">
  <url>http://www.overmundo.com.br/images/overmundo_06.gif</url>
  <link>http://www.overmundo.com.br/</link>
  <title>.: Banco de Cultura :.</title>
  <description>Cultura de todo o Brasil na internet</description>
 </image>
 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c54420">
  <description>Na decada de 80 conheci o Grupo Vissungo no RJ que fazia essas musicas maravilhosas. Este registro deve permanecer no Banco da Cultura, para isso caso voÃ§es nÃ£oconsigam os 60 pontos,sugiro repeti-lo no OVerblog que Ã© aonde atacam a maioria dos musicos e per mite mais recursos como ,Video e mais fotos! Sucesso.</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c54420</link>
  <title>Comentário postado por AZnÂº 666</title>
  <dc:date>2007-8-18T17:37:27Z</dc:date>
 </item>
 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c54522">
  <description>Oi pessol do Bombo, muito bom se eu pudesse sugeir o faria no sentido de gravarem em cd, sei lÃ¡ como e divulgar aqui no overmundo, acho que venderiam, divulgariam, Ã© uma questÃ£o de consultar. um abraÃ§o andre</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c54522</link>
  <title>Comentário postado por Andre Pessego</title>
  <dc:date>2007-8-18T22:08:58Z</dc:date>
 </item>
 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c55064">
  <description>Nossa eu adorei.</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c55064</link>
  <title>Comentário postado por Higor Assis</title>
  <dc:date>2007-8-20T13:40:24Z</dc:date>
 </item>
 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c55065">
  <description>AliÃ¡s quando vierem em sp por favor nos avise.</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c55065</link>
  <title>Comentário postado por Higor Assis</title>
  <dc:date>2007-8-20T13:41:24Z</dc:date>
 </item>
 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c55094">
  <description>TÃ¡ bonito! </description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c55094</link>
  <title>Comentário postado por Mansur</title>
  <dc:date>2007-8-20T15:11:50Z</dc:date>
 </item>
 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c56128">
  <description>AZn e APessego, valeu pelas dicas! No final das contas conseguimos bons votos e o vissungo pÃ´de ser publicado. Que Ã³timo! Valeu, Mansur! Valeu, Higor! Queremos muito ir a SÃ£o Paulo sim! Quando rolar a gente avisa aqui! &lt;br /&gt;&#13;&#10;AbraÃ§os a todos, &lt;br /&gt;&#13;&#10;do povo tudo do Bombo de Corda &amp;#059; )</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c56128</link>
  <title>Comentário postado por Bombo-de-Corda</title>
  <dc:date>2007-8-23T15:36:07Z</dc:date>
 </item>
 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c134942">
  <description>Citado acima pelo AZn, chego aqui para tentar contribuir.&lt;br /&gt;&#13;&#10;A expressÃ£o Vissungo Ã© mesmo originÃ¡ria do vocÃ¡bulo Ocisungo (e nÃ£o Ovisungo, como se disse aqui. A origem do vocÃ¡bulo Ã©, efetivamente, o idioma Mbundo, falada no centro sul de Angola, sob a forma que a lÃ­ngua devia ter no sÃ©culo XVII (colaborei com o verbete para a wikipÃ©dia). &lt;br /&gt;&#13;&#10;Estive muito tempo pesquisando este assunto (atÃ© estive fazendo pesquisa de campo e recolhendo material lÃ¡ no local certa vez)&lt;br /&gt;&#13;&#10;Ao que me consta, Vissungo Ã© um gÃªnero musical puramente africano (nÃ£o houve simbiose com nenhum outro gÃªnero musical, portuguÃªs, brasileiro ou o que seja)&lt;br /&gt;&#13;&#10;HÃ¡ que se considerar tambÃ©m que sendo mÃºsica, diretamente, relacionada ao tipo de trabalho que se fazia na regiÃ£o (garimpo, lavra de ouro e diamante sob regime de trabalho escravo), segundo prÃ¡ticas culturais ainda desenvolvidas na Ãfrica, o gÃªnero pode ser considerado hoje como, praticamente, extinto no Brasil.&lt;br /&gt;&#13;&#10;O livro de Aires da Machado Filho, apesar de ser uma jÃ³ia de nossa etnografia, representano uma coleta feita no longÃ­nquo ano de 1928 reproduzida em precÃ¡rias partituras, nÃ£o servem, infelizmente, de modo algum, como referÃªncia para recriaÃ§Ãµe, ou mesmo, reproduÃ§Ãµes artÃ­sticas do que eram os Vissungos que, sÃ£o, FreqÃ¼entemente banalizados por meio de versÃµes que confundem - as vezes irresponsavelmente - o gÃªnero com Jongo, com Umbanda e atÃ© com CandomblÃ© (sÃ³ para se ter uma idÃ©ia, os Vissungos originais sÃ£o cantos responsoriais sem andamento definido, longas cantigas entoadas por um &apos;mestre&apos; e respondidas pelos demais trabalhadores, geralmente sem nenhum instrumento de percussÃ£o que nÃ£o sejam o som de batÃ©ias, enxadas e pÃ¡s (erro recorrente dos &apos;recriadores&apos;).&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Desaparecidas as fitas usadas pelo assistente de Aires da Mata para transcrever as canÃ§Ãµes, os raros registros em Ã¡udio (Ãºnica mÃ­dia capaz de corresponder a verdade) foram gravadas pelo etnÃ³logo austrÃ­aco Gerard Kubik na dÃ©cada de 70, por este que vos fala e - o melhor registro de todos- pelo etnÃ³logo Luiz Heitor Correa, a serviÃ§o da Biblioteca do Congresso Americano que gravou muita mÃºsica negra do mundo inteiro, antes da segunda Guerra Mundial (no tempo da polÃ­tica de Boa VizinhanÃ§a). &lt;br /&gt;&#13;&#10;EntÃ£o vejamos: Vissungo, originalmente, nÃ£o Ã© jongo, Vissungo nÃ£o Ã© Maracatu, nÃ£o Ã© camdomblÃ© e nÃ£o tem nada a ver com Samba. &lt;br /&gt;&#13;&#10;Tenho certeza que o Bombo de Corda nÃ£o anda afirmando por aÃ­ que faz Vissungo &apos;original&apos;. A recriaÃ§Ã£o, o trabalho baseado em elementos de nossa cultura tradicional Ã© sempre elogiado quando nÃ£o pretende (seja lÃ¡ com que interesse) ser um sucedÃ¢neo, um substituto do que - desculpem o &apos;essencialismo&apos;-  Ã© - ou foi - original.&lt;br /&gt;&#13;&#10;AtÃ© porque no caso dos Vissungos seria bem difÃ­cil: O GÃªnero nÃ£o existe mais, ativamente, a quase um sÃ©culo.  &lt;br /&gt;&#13;&#10;Sobre o grupo Vissungo vejam, por favor, &lt;a href=&quot;http://www.overmundo.com.br/overblog/grupo-vissungo-musica-preta-nos-anos-70&quot;&gt;este link&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Abs&lt;br /&gt;&#13;&#10;</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c134942</link>
  <title>Comentário postado por SpÃ­rito Santo</title>
  <dc:date>2008-3-23T14:41:14Z</dc:date>
 </item>
 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c157332">
  <description>Salve Salve SpÃ­rito Santo!&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Ã uma honra pra nÃ³s do Bombo poder contar com sua presenÃ§a tÃ£o generosa, ajudando a clarear as idÃ©ias, dividindo seu conhecimento e experiÃªncia com todos!&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Sobre o termo &lt;em&gt;ovisungo&lt;/em&gt; citado por nÃ³s lÃ¡ em cima, nas fontes onde pudemos pesquisar, ele nada mais Ã© senÃ£o a forma plural para o &lt;em&gt;ocisungo&lt;/em&gt; que vc mencionou, e como nÃ³s nos referimos a cantos e hinos, no plural, optamos por usÃ¡-lo, embora o radical mais conhecido ou difundido da palavra seja mesmo o ocisungo. No final das contas, estamos falando da mesma coisa: no singular ou no plural, estamos nos referindo Ã queles cantos que vc soube explicar tÃ£o bem do que tratam. &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Sob um aspecto, pode-se dizer que os vissungos nÃ£o existem mais. EstÃ£o extintos. Pelo menos na sua essÃªncia, jÃ¡ que os motivos pelos quais eles eram entoados jÃ¡ nÃ£o existem mais. JÃ¡ nÃ£o hÃ¡ mais trabalho pesado no garimpo, jÃ¡ nÃ£o hÃ¡ diamantes que se encontrar, jÃ¡ nÃ£o hÃ¡ diamantes que se esconder dos companheiros que garimpam ali ao lado...&amp;#059; se morre alguÃ©m na vizinhanÃ§a, nÃ£o existem mais as longas caminhadas carregando e velando o corpo atÃ© o cemitÃ©rio mais prÃ³ximo na cidade vizinha, pra onde todos seguiam cantando: o corpo segue agora de carro e a distÃ¢ncia jÃ¡ Ã© tÃ£o pequena que nÃ£o cabe mais cantar... O modo de viver daquelas pessoas mudou e, com isso, mudou todo o resto.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Mas numa pesquisa feita em 2001 por uma lingÃ¼ista que revisitou diversas comunidades do antigo Tijuco, constatou-se que uns poucos moradores ainda sabiam cantar alguns daqueles vissungos. Por isso, sob outro aspecto, os vissungos nÃ£o morreram, estÃ£o lÃ¡, guardadinhos nas cabeÃ§as de uns.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Ela chegou a recolher o Canto I (âotÃª, padre-nosso cum ave-maria, securo camera qui tâanganansambÃª, aiÃ´...&quot;) com a letra quase que completamente alterada. Muitos dos  termos na lÃ­ngua mÃ£e, nÃ£o mais compreendidos pelos homens que ainda entoavam os cantos, passaram a ser substituÃ­dos por palavras em portuguÃªs que tivessem semelhanÃ§a fonÃ©tica com o original e fizessem algum sentido para eles. &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Veja bem, Ã  Ã©poca do Aires, jÃ¡ havia a referÃªncia a âpadre nosso com ave Mariaâ, evidÃªncia de que a coisa jÃ¡ nÃ£o era âpuraâ, estava sincretizada com o catolicismo.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Mas assim Ã© a cultura! Viva! Nada Ã© estÃ¡tico. O homem a cria e a transforma o tempo todo. E por isso ela Ã© tÃ£o fascinante! Porque ela Ã© o espelho da vida dos homens de um lugar. Se sua vida muda, se seu mundo muda, muda tambÃ©m sua cultura, em alguns casos acaba desaparecendo...&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Mas sÃ³ de a gente saber que ainda em 2001 havia 3 ou 5 moradores dos arredores de Ausente e SÃ£o JoÃ£o da Chapada que se lembravam de alguns vissungos... isso dÃ¡ um certo arrepio, nÃ£o? &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Ã claro que os vissungos, tal como retratados no livro do Aires (provavelmente o mais acessÃ­vel dos registros a esse respeito), jÃ¡ haviam sofrido modificaÃ§Ãµes dos seus âoriginaisâ (visto os sincretismos jÃ¡ ali encontrados) e estariam por se modificar ainda mais, como no caso do Canto I jÃ¡ citado. &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Nesse sentido, os registros que se fizeram atÃ© hoje de diversas manifestaÃ§Ãµes populares em diversas ocasiÃµes representam estÃ¡gios de algo em processo, sÃ£o retratos de algo vivo, que muda com o tempo. Naqueles retratos, como nos da nossa juventude, nÃ£o vemos os fios brancos que nasceram depois ou as rugas que jÃ¡ agora aparecem no canto dos olhos... &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Resta a nÃ³s uma reflexÃ£o: se um âoriginalâ, ou melhor dizendo, o uso que alguns estudiosos fazem dele, nÃ£o representaria engessar  a cultura de um povo e negar/ignorar que essa cultura Ã© coisa viva, que estÃ¡ em constante transformaÃ§Ã£o e que nÃ£o se permite moldar, formatar.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Recentemente, acompanhando as festividades de  uma Irmandade de Nossa Senhora do  RosÃ¡rio, observamos um fato curioso. Um dos cantos entoados, ao se referir Ã  Senhora do RosÃ¡rio diz assim: âEla Ã© nossa mÃ£e, Ela Ã© nossa guiaâ. Um menino pequeno, de seus 7 anos talvez, no meio da guarda de MoÃ§ambique, tocando sua caixa com paixÃ£o, cantava a plenos pulmÃµes e com toda a convicÃ§Ã£o: âEla Ã© nossa mÃ£e, Ela Ã© nossa vidaâ!&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;SerÃ¡ que dentro de alguns anos, se nenhum capitÃ£o âcorrigirâ esse menino, o tal canto nÃ£o terÃ¡ se transformado? E alguÃ©m de nÃ³s entenderÃ¡ que aquele menino estava cantando errado?? Creio que nÃ£o... A cultura popular, essa que tanto nos encanta, Ã© livre e se manifesta independente de conceitos ou preconceitos.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;(continua a seguir...)</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c157332</link>
  <title>Comentário postado por Bombo-de-Corda</title>
  <dc:date>2008-5-01T12:34:08Z</dc:date>
 </item>
 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c157333">
  <description>Agora, continuando, no que diz respeito ao Bombo de Corda, nÃ³s temos grande preocupaÃ§Ã£o e grande respeito ao tratar da cultura popular. Isso para nÃ³s Ã© coisa sagrada. O mestre estÃ¡ certÃ­ssimo quando afirma acreditar que nÃ£o dizemos por aÃ­ que estamos fazendo um âvissungo originalâ, isso seria um tanto leviano de nossa parte. Sabemos que nunca faremos &quot;originais&quot; (e nÃ£o Ã© essa a proposta do nosso trabalho), nem de um vissungo, nem de uma toada de maracatu, nem de um moÃ§ambique, nem de um coco... Para isso, precisarÃ­amos nascer de novo, dentro daquelas comunidades, precisarÃ­amos estar inseridos naquela vivÃªncia, precisarÃ­amos ser aquelas pessoas e ter vivido aquelas histÃ³rias... &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;NÃ£o sendo possÃ­vel isso, de fora que estamos, sÃ³ cabe a nÃ³s nos apaixonar e nos render a tanta beleza, a tanta riqueza, a tanta histÃ³ria, a tantos modos de vida, a tanto acorde, a tanto batuque, a tanta danÃ§a... Fomos rendidos, estamos apaixonados, e o que nos cabe diante disso tudo Ã© sÃ³ cantar!&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;abraÃ§Ã£o!&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;(Simone)&lt;br /&gt;&#13;&#10;</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c157333</link>
  <title>Comentário postado por Bombo-de-Corda</title>
  <dc:date>2008-5-01T12:36:13Z</dc:date>
 </item>
 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c157383">
  <description>&lt;strong&gt;Simone e todo mundo, &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Sem muito a comentar sobre a sua Ã³tima dissertaÃ§Ã£o que, de certo modo, estÃ¡ correta (desculpe se me extendendo no assunto) sÃ³ acrescentaria que, quando digo &apos;&lt;strong&gt;extinto&lt;/strong&gt;&apos;, estou me referindo Ã  manifestaÃ§Ã£o &apos;&lt;em&gt;Vissungos&lt;/em&gt;&apos;, como um todo e nÃ£o Ã  sobrevivÃªncia fragmentada de alguns elementos, como uma ou outra canÃ§Ã£o, lembrada por esta ou aquela pessoa. Eu mesmo (que sou, por parte de pai descendente de escravos da regiÃ£o) estive em Quartel de IndaiÃ¡ em 1981 e recolhi, facilmente, dois pontos de vissungo inclusive este &apos;&lt;em&gt;OtÃª, padi nosso...&apos;.&lt;/em&gt; Encontrei tambÃ©m em Viena, Ãustria (onde residi) um etnÃ³logo chamado Gehrad Kubik que esteve lÃ¡, um pouco antes de mim, e fez muitos registros interessantes (mais ou menos os mesmos, na verdade). SÃ£o bastante profusos os registros sobre &apos;&lt;em&gt;vissungos do Tijuco&lt;/em&gt;&apos; (embora eles tenham, em geral, pouca profundidade). Praticamente, todo mundo do ramo fala do assunto que Ã© um &apos;must&apos; antropolÃ³gico no Brasil, por conta de seu exotismo, talvez. &lt;br /&gt;&#13;&#10;(Desculpe por usar a minha Ã¡cida franqueza, o que faÃ§o aqui da melhor forma e com as melhres intenÃ§Ãµes). &lt;br /&gt;&#13;&#10;O que tenho me batido ultimamente no entanto, Ã© contra um hÃ¡bito muito recorrente hoje em dia no Brasil, de grupos como o de vocÃªs, totalmente desvinculados social e culturalmente de manifestaÃ§Ãµes como esta (tÃ­pica de negros pobres descendentes de escravos de uma remotÃ­ssima regiÃ£o), sairem por aÃ­  &apos;representando&apos;, de forma imitativa, apressadamente, manifestaÃ§Ãµes populares (danÃ§as, ritmos, etc.) com os quais tem uma ligaÃ§Ã£o nÃ£o mais que superficial, sem nem se dar conta, na maioria dos casos, das consequÃªncias que podem advir desta aÃ§Ã£o, senÃ£o fosse pelas conseqÃ¼Ãªncias, digamos assim, meramente &apos;antropolÃ³gicas&apos; mais evidentes (distorÃ§Ã£o arbitrÃ¡ria e involuntÃ¡ria de elementos por falta de conhecimento de causa ou vivÃªncia especÃ­fica, etc), principalmente do ponto de vista &lt;em&gt;Ã©tico &lt;/em&gt;&lt;strong&gt;jÃ¡ que, de um modo ou de outro, estes grupos acabam desenvolvendo algum tipo de relaÃ§Ã£o comercial, auferindo algum tipo de lucro, com esta sua &apos;&lt;em&gt;rendiÃ§Ã£o&lt;/em&gt;&apos;, esta &apos;&lt;em&gt;paixÃ£o&lt;/em&gt;&apos; pela cultura do &apos;outro&apos;, motivaÃ§Ãµes pra lÃ¡ de vagas que, neste caso, para os bons entendedores, pode  soar um tanto ou quanto falsas, piegas ou mesmo, oportunistas.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Arvorar-se em praticante de uma cultura, visivelmente, alheia Ã  sua especÃ­fica, a partir de contatos tÃ£o superficiais, anulando, subestimando e/ou substituindo os praticantes originais (quando ainda ativos) ou simulando a prÃ¡tica de uma suposta e remota sobrevivÃªncia de fatores exÃ³ticos jÃ¡ extintos, baseando-se apenas no fato deles serem pouco conhecidos pela maioria das pessoas, Ã© um conceito conhecido, a grosso modo, como &apos;apropriaÃ§Ã£o indÃ©bita&apos;. NÃ£o afirmo que Ã© o caso de vocÃªs, mas, cuidado. Pode parecer.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;A cultura brasileira Ã© rica demais de diversidade e todos nÃ³s temos o direito de exercÃª-la da forma como bem enterdermos, mas, Ã© preciso ter em conta que existe na extratificaÃ§Ã£o social de nossa sociedade, circunstÃ¢ncias muito peculiares (desigualdade flagrante entre as classes, o racismo e outros expedientes de exclusÃ£o social muito ativos, embora sutis) que fazem com que a Ã©tica das relaÃ§Ãµes e intercÃ¢mbios culturais entre as classes se torne uma questÃ£o a ser agudamente observada, por ser de suma importÃ¢ncia e gravidade.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Isto sem falar dos problemas, diretamente, artÃ­sticos da questÃ£o pois, como se sabe, existe uma diferenÃ§a enorme entre deixar-se influenciar por certos elementos de uma manifestaÃ§Ã£o &apos;folclÃ³rica&apos;, mesclando-os com elementos outros, de nossa prÃ³pria &apos;praia&apos; gerando a partir daÃ­ um produto artÃ­stico novo e legÃ­timo (coisa que foi muito importante para potencializar a mÃºsica popular feita no Brasil dos anos 70) e, simplesmente imitar, canhestramente, este ou aquele elemento mais exÃ³tico, banalizando de forma inconseqÃ¼ente aquilo que nem sabemos direito de onde vem e o que significa.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;O registro do que realmente existe ainda por lÃ¡ (como faz a lingÃ¼ista), a coleta, a documentaÃ§Ã£o e o estudo de todos os registros do assunto, pode ser a coisa certa a se fazer. &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;SÃ³ como exemplo, pelo que pude constatar, de minha parte, ouvindo os registros a que tive acesso, as escalas  &lt;br /&gt;&#13;&#10;e os modos contidos nas melodias dos vissungos nÃ£o tÃªm &lt;em&gt;nenhuma &lt;/em&gt;relaÃ§Ã£o com a mÃºsica brasileira convencional (As partituras editadas pelo Aires da Matta contÃ©m erros de escala por conta de &apos;aproximaÃ§Ãµes&apos; com a musica ocidental, feitas por quem transcreveu) ou seja, Vissungo Ã© mÃºsica puramente africana, angolana, para ser mais exato, talvez os Ãºltimos registros de mÃºsica africana legÃ­tima que se tenha no Brasil).&lt;br /&gt;&#13;&#10;Como se vÃª, &lt;em&gt;fazer Antropologia&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;fazer Cultura &lt;/em&gt;sÃ£o coisas completamente diferentes.&lt;br /&gt;&#13;&#10;Perguntem, honestamente, de que forma o trabalho de vocÃªs pode ser &apos;revertido&apos;, sem interferÃªncias substanciais, para aqueles que lhes inspiraram esta &apos;paixÃ£o&apos;. ImitÃ¡-los, com certeza, nÃ£o Ã© nada proveitoso para eles. &lt;br /&gt;&#13;&#10;Es</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c157383</link>
  <title>Comentário postado por SpÃ­rito Santo</title>
  <dc:date>2008-5-01T16:10:56Z</dc:date>
 </item>
 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c157503">
  <description>CarÃ­ssimo,&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Sinceramente nÃ£o consigo compreender sua intenÃ§Ã£o em apressadamente subestimar os objetivos nÃ£o do Bombo de Corda, mas sim das 4 pessoas envolvidas nesse coletivo. Ã Ã³bvio que o Overmundo nÃ£o foi criado para isso e nem quero fazer desses comentÃ¡rios um debate &quot;gladitÃ³rio&quot; sobre motivos, intenÃ§Ãµes e autoridades/autorizaÃ§Ãµes muito embora vocÃª nÃ£o deixe de citar sua origem e suspeite da nossa. Somos todos crias em parte de um outro coletivo chamado Coral Altivoz e durante muitos anos fomos seu vizinho. Aprendemos a respeitar o seu trabalho embora vocÃª nunca tenha visto nossa cara em uma de sua oficinas. Mais do que isso, aprendemos nesse convÃ­vio do Altivoz a respeitar as iniciativas dentro desse grande &quot;saco de batatas&quot; que Ã© o meio dos &quot;culturalmente culturais&quot;. Por quÃª respeitar? Porque nÃ£o temos como contabilizar o valor Ã©tico de todas as iniciativas e nÃ³s, do nosso jeito, limitamo-nos a engarjar naquelas que nos sÃ£o realmente vÃ¡lidas e investigar e (depois) combater aquelas que, a nÃ³s, parecem oportunistas. Parece que foi essa sua aÃ§Ã£o, mas onde sobrou deduÃ§Ã£o faltou investigaÃ§Ã£o.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;O objetivo de nÃ³s quatro enquanto grupo Ã© o mesmo que nos motivou a publicar esta e outras &quot;canÃ§Ãµes&quot;, encontrar pessoas e afinidades, ampliar a rede, os conhecimentos e vivÃªncias. Como seria Ã³timo se a postagem de &quot; &quot; &quot; &quot; Mia Cavalo &quot; &quot; &quot; &quot; por nossa parte movesse vocÃª a corrigir-nos com relaÃ§Ã£o a vÃ¡rias imprecisÃµes de nosso arcabouÃ§o tÃ©cnico/conceitual (isso por si sÃ³ seria um enorme presente ao Bombo de Corda) e num segundo momento o levasse a querer estreitar uma relaÃ§Ã£o de pessoas que vivem numa mesma &quot;capital cultural&quot; tÃ£o promÃ­scua como o Rio-da-Lapa-de-Janeiro. Deu tudo errado, vocÃª posou como patrulheiro para nÃ³s e o Bombo de Corda foi esculhambado e presenteado com a carapuÃ§a dos oportunistas e sem-Ã©tica. NÃ£o vamos vesti-lÃ¡ porque sabemos distinguir intenÃ§Ãµes e, sem querermos ser patrulheiros, usamos o nosso dissernimento para procurar as iniciativas que parecem valer a pena. Ficarmos isolados na mÃºsica pop-carioca sÃ³ porque somos (teoricamente, quem sabe da nossa histÃ³ria pessoal?) da cidade grande nÃ£o vale a vida. Sequer somos mÃºsicos e, se tampouco queremos ser antropÃ³logos, nos resta sair Ã  chuva e procurar a vivÃªncia e o aprendizado dela num espaÃ§o-tempo real (e agora atÃ© virtual).&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Dizer que atÃ© hoje nÃ£o ganhamos dinheiro com o grupo (ou com nossa apropriaÃ§Ã£o indevida) realmente nÃ£o prova nada. Mas um olhar aproximado sobre o quanto jÃ¡ investimos e o quanto ainda pretendemos investir em nossa jornada rumo ao homem coletivo Ã© mais do que suficiente para comprovar que nÃ£o estamos na praia a procurar uma dessas ondas perfeitas do pesquisador-destemido-e-bem-intensionado com um patrocÃ­nio de nossa grande empresa de extraÃ§Ã£o de petrÃ³leo.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;DagÃ´.</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c157503</link>
  <title>Comentário postado por Bombo-de-Corda</title>
  <dc:date>2008-5-01T20:13:02Z</dc:date>
 </item>
 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c157566">
  <description>Bombo, &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Bem, como temia, vocÃªs nÃ£o entenderam mesmo a minha &lt;em&gt;franqueza peculiar,&lt;/em&gt; que reconheÃ§o, foi mesmo bem inconveniente. Ã o meu jeitÃ£o de ser mesmo. Apanho muito por ser assim e, mesmo velho, nÃ£o me emendo. Como disse, entretanto, as intenÃ§Ãµes sÃ£o atÃ© boas.&lt;br /&gt;&#13;&#10;Mas o bom Ã© que vocÃªs entenderam, pelo menos, minha intenÃ§Ã£o, (sÃ³ no geral Ã© claro). De vocÃªs, que fique claro, nÃ£o afirmei nada, sÃ³ falei genericamente, pelo deixam transparecer, pelas aparÃªncias portanto..&apos;&lt;em&gt;NÃ£o afirmo que Ã© o caso de vocÃªs, mas, cuidado. Pode parecer..&lt;/em&gt;&quot;, dizia eu, meio que querndo saber mais. &lt;br /&gt;&#13;&#10;Ã meio patrulhismo sim, claro (&apos;patrulhismo&apos; tambÃ©m Ã© cultura). Nesta seara monÃ³tona da dissimulaÃ§Ã£o e da hegemonia do &apos;politicamenteo correto&apos; (muito em voga no &apos;Rio-da-Lapa-de-Janeiro&apos; como vocÃª bem coloca, DagÃ´) nÃ£o conheÃ§o ainda maneira melhor de estimular um debate que nÃ£o seja esta. O pior Ã© que dÃ³i em mim tambÃ©m.&lt;br /&gt;&#13;&#10;Saber que vocÃªs passaram pelo Altivoz foi bom saber tambÃ©m porque com o pessoal de lÃ¡, GlÃ³ria, Mario, sempre procedi desta mesma forma &apos;patrulhista&apos;, conseguindo, alÃ©m da antipatia de alguns, bons debates sobre, exatamente, estas mesmas questÃµes que coloquei aqui, pra vocÃªs. Meio briga em famÃ­lia portanto.&lt;br /&gt;&#13;&#10;Agora, apagando as minhas suposiÃ§Ãµes apressadas, retirando vocÃªs do foco das minhas crÃ­ticas jÃ¡ que, foi sÃ³ um meio impertinente de &apos;cutucÃ¡-los&apos;, o que vocÃªs acharam das minhas preocupaÃ§Ãµes? Elas procedem? NÃ£o tem nadinha ali que possa servir de bom conselho? Nada que renda uma boa e positiva refletida? &lt;br /&gt;&#13;&#10;E outra coisa, nÃ£o que vocÃªs  precisem me explicar nÃ£o, mas, afinal de contas, considerando-se que vocÃªs exercem uma atividade artÃ­stica (e se assinam como um grupo), assim como proposta, no contexto da minha - ou nossa - conversa, o que significa  objetivamente  &lt;em&gt;&apos;jornada ao homem coletivo&lt;/em&gt;&apos;? Gente de Deus!&lt;br /&gt;&#13;&#10;Agora esta de &apos;pesquisador-destemido-e-bem intensionado&apos; (sem ironia) eu gostei. SÃ³ nÃ£o entendi esta onda de &apos;com um patrocÃ­nio da Petrobras&apos;. Como assim? Ã comigo isto? Ou viajei?&lt;br /&gt;&#13;&#10;TambÃ©m sou um militante voluntÃ¡rio por aqui e em todos os lugares onde falo neste assunto. A Petrobras de mim quer distÃ¢ncia (sou um chato &apos;patrulhador&apos;, e  &apos;de galochas&apos;, esqueceram?)&lt;br /&gt;&#13;&#10;Isto me cansa tambÃ©m, mas, por enquanto, sou completamente &apos;zero-oitocentos&apos;. Sou chato, mas sou sincero (e, talvez no fundo, atÃ© maneiro).&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Foi bem e foi mal.&lt;br /&gt;&#13;&#10;Abs&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c157566</link>
  <title>Comentário postado por SpÃ­rito Santo</title>
  <dc:date>2008-5-01T21:38:55Z</dc:date>
 </item>
 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c289603">
  <description>Cont.&lt;br /&gt;&#13;&#10;negra de outros contextos, embora ligadas ao movimento anti racista, mas aÃ­ nÃ£o seriam mÃºsica e sim comportamento, ferramenta de discurso, sem valorar aqui por favor a validade de suas intenÃ§Ãµes, elas estÃ£o formal e condicionalmente atreladas ao mercado fonogrÃ¡fico do entretenimento. EntÃ£o fica difÃ­cil entender como sÃ£o revitalizantes para o seu trabalho que foi tÃ£o mais longe. A pouca discografia que vocÃª credita ao Vissungos, Ã© no entanto extremamente importante para a gente. Mesmo que apareÃ§a nela as influÃªncias daquele momento MPB (esse balaio de coisas tÃ£o distintas). Chico Rei, O Canto dos Escravos, Clementina, Aniceto e os trabalhadores do Brasil, estÃ£o muito alÃ©m deste balaio. VocÃª sabe bem disso. Mas este assunto complexo necessita mesmo desse revirar de vista.&lt;br /&gt;&#13;&#10;NÃ£o posso dizer, que nÃ£o me anima qualquer que seja a classe social, aproximar-se, apropriar-se mesmo do que temos de valor, do que nos faz povo, identidade. Penso que talvez os meios de aprofundarmos nesses contextos, conceitos e valores, vai durar pelo menos o tempo que se passou distante deles. Por isso enxergo e posso falar de carteirinha, pois moro numa cidade onde o que convencionamos chamar apropriaÃ§Ã£o indevida, mesmo que crreditada, corre aos ventos soltos, nesse movimento de fluxo cultural, interclasse, intercontexto, uma necessidade natural e que bom que ainda estamos aqui para quem sabe presenciar frutos futuros deste movimento. NÃ£o obstante, carecemos de uma polÃ­tica cultural que nÃ£o venha a tratar nosso patrimÃ´nio imaterial (e incluam aÃ­ os que ainda cantam em louvor da memÃ³ria, jÃ¡ que algumas funÃ§Ãµes dos cantos desapareceram) como mais uma peÃ§a do mundo pop, a exemplo do que fizeram com as cegas e se deixar fazem com todos. Isso Ã© a parte mais difÃ­cil de tudo. Outra fundamental Ã© dar os crÃ©ditos, informar, registrar, trazer a tona.&lt;br /&gt;&#13;&#10;Ã por aÃ­, errando, acertando e construindo. Quanto a mim sÃ³ sei que Ã© difÃ­cil dizer o que se passa ao cantar o que sinto que posso, sem precisar de uma provÃ¡vel descendÃªncia pura. AliÃ¡s, outro assunto controverso, ou serÃ¡ que precisarÃ­amos inventar a fÃ­sica quÃ¢ntica da pele brasileira? Porque a minha certamente por algum processo genÃ©tico tem sangue minerador e Mia Cavalo, como vÃªem...&lt;br /&gt;&#13;&#10;E entÃ£o estamos todos errados e todos certos? &lt;br /&gt;&#13;&#10;Do Canto do Bode&lt;br /&gt;&#13;&#10;(desculpem, nÃ£o queria me identificar pois sou vinculada a uma instituiÃ§Ã£o que promove cultura e onde vocÃªs todos sÃ£o bem vindos, mas nÃ£o poderia deixar espaÃ§o para que pudessem relacionar minha fala a da empresa, que talvez seja menos âradicalâ que eu)&lt;br /&gt;&#13;&#10;Um grande abraÃ§o &lt;br /&gt;&#13;&#10;</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c289603</link>
  <title>Comentário postado por O Canto do Bode</title>
  <dc:date>2008-10-24T13:49:22Z</dc:date>
 </item>
 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c289606">
  <description>PeÃ§o aos senhores licenÃ§a e digo de antemÃ£o que sÃ£o todos queridÃ­ssimos e que muito me anima este tipo de discussÃ£o aqui. Vou dizer primeiro como cheguei atÃ© entÃ£o. Realizando trabalho em uma instituiÃ§Ã£o, relacionado ao setor de educaÃ§Ã£o, uma finalizaÃ§Ã£o que se intitula Festival, e pretende trazer uma vivÃªncia em mÃºsica no processo de formaÃ§Ã£o de jovens e adultos, deparei com a tarefa de orientar a composiÃ§Ã£o de melodias para poemas consagrados de autores nossos, entre eles O Navio Negreiro de Castro Alves. Com minha prÃ¡tica de musicista, especialista em Etnomusicologia, recebi com entusiasmo essa turma, que primeiramente, na dificuldade com o material musical sÃ³ pensava em fazer um Hap. &lt;br /&gt;&#13;&#10;Eu entÃ£o um pouco mais interessada na descoberta do Brasil pela classe mÃ©dia e pelo povo excluÃ­do, oprimido e destituÃ­do dos pacotes de disseminaÃ§Ã£o cultural e auto estima que referenciem nosso Ethos Crioulo, a quem bem entenda o sentido destas duas palavras e da sua junÃ§Ã£o aqui, fui descobrindo junto a eles delicada e pacientemente outras maneiras de âmusicalisarâ a mÃ©trica do poema, a comeÃ§ar buscando o sentido daquele texto, tentando agregar valores ao imaginÃ¡rio sociocultural de Castro e da realidade histÃ³rica da Ã©poca. Foi quando num segundo momento, trouxeram-me a versÃ£o Caetana do referido poema, que tem uma mescla de elementos bem a carÃ¡ter e pertinente a discussÃ£o, mas que nÃ£o vem ao caso agora, a nÃ£o ser pelo fato de trazer entre as referÃªncias musicais um canto de capoeira, nominado Navio Negreiro. Foi este canto que puxou de minha memÃ³ria os cantos contidos no âCanto dos escravosâ, esse tÃ­tulo tÃ£o importante na nossa discografia, e de onde, pelo menos eu, conheci Mia Cavalo. Fui entÃ£o atrÃ¡s de informaÃ§Ãµes mais consistentes, que pudessem dar aquela turma uma fonte digna e coerente para o inÃ­cio do despertar da manhÃ£ da provocaÃ§Ã£o... logo deparei com Aires da Mata Machado Filho e seu livro importantÃ­ssimo, relÃ­quias da nossa etnografia, ainda nÃ£o devidamente ao acesso de todos, mesmo eu âEspecialista em Etnomusicologiaâ. &lt;br /&gt;&#13;&#10;A primeira questÃ£o vai para mim, como entÃ£o âeuâ cuja Monografia tratava de tradiÃ§Ãµes advindas da cultura Banto, nÃ£o deparei com este livro antes? Sei que posso estar sendo exigente comigo, que navego pelo acervo nordestino, de muitos braÃ§os e confluÃªncias, mas ainda assim prefiro a auto-exigÃªncia. Mia cavalo, por exemplo, tambÃ©m retornou ao meu ouvido num momento surpresa, numa encenaÃ§Ã£o de Gota DâÃ¡gua realizada pela Cia. SÃ£o Jorge de SÃ£o Paulo, que a utilizava, a meu ver, bastante coerente, no inÃ­cio do espetÃ¡culo, numa espÃ©cie de aquecimento energÃ©tico a imantar o que viria a seguir. Portanto outra oportunidade em que poderia ter ido atrÃ¡s dos Vissungos que jÃ¡ tinha adiado desde quase uma dÃ©cada atrÃ¡s, quando tive oportunidade de assistir um concerto pelo Sonora Brasil, cujo programa era Jongos e Vissungos.&lt;br /&gt;&#13;&#10;Enfim, lÃ¡ vem Mia cavalo de novo. Salve! Salve todos os cantos de trabalho deste paÃ­s, que ajudaram a erguer nossa histÃ³ria em todos os sentidos. E aqui comeÃ§o entÃ£o minha talvez ingÃªnua e simplista provocaÃ§Ã£o, que jÃ¡ teve inÃ­cio em mim mesmo.&lt;br /&gt;&#13;&#10;Fiquei muito curiosa EspÃ­rito Santo, em saber como era a sonoridade do Vissungos, o seu Vissungos, pois suas colocaÃ§Ãµes ao Bombo de Corda, com as quais inclusive compartilho, pois foram os mesmos conceitos com os quais me deparei ao longo de minha trajetÃ³ria como compositora, instrumentista e cantora, que me fizeram a partir de 1999, sÃ³ conseguir produzir mÃºsica para teatro. Mas a questÃ£o Ã©tica que nÃ£o me permite realizar um trabalho simplesmente cantando as mÃºsicas do Povo do Brasil ou que nÃ£o me permitem ainda concretizar uma estÃ©tica onde eu reconheÃ§a realmente uma contribuiÃ§Ã£o significativa ao mar de lugar comum ao qual o mercado fonogrÃ¡fico estÃ¡ associado Ã© nocauteada vibrantemente em ver um grupo com gente nova como o Bombo de Corda,  eleborar dentro de um repertÃ³rio uma versÃ£o, cheia de elementos crioulos, vou insistir nessa palavra, crioulo nosso, do Brasil, de Mia Cavalo ou de qualquer outra peÃ§a de nosso patrimÃ´nio. Digo nosso, porque com todo respeito que tenho por todos os pesquisadores desse paÃ­s, falar em pureza, em puramente africano, puramente ibÃ©rico, puramente indÃ­gena, hoje considero um pouco mais que ingenuidade, considero uma certa  resistÃªncia em aceitar nossa raÃ§a, nosso resultado crioulo. Por exemplo, sabemos como a lÃ­ngua de origem bantu sofreu modificaÃ§Ãµes em contato com as lÃ­nguas ânativasâ, e nÃ£o sÃ³ ela, isto nÃ£o estÃ¡ expresso nos Vissungos?&lt;br /&gt;&#13;&#10;Poderia ainda dizer, que visitando os links sugeridos por vocÃª, principalmente o do Vissungos, creio que me deixa um pouco intrigada diante sua postura em relaÃ§Ã£o ao Bombo, o fato por exemplo de vocÃª colocar como revitalizante de seu trabalho o Regae, o Rapa, Cidade Negra e outras citadas antes no texto. Formas tÃ£o filiadas ao pop, ao enlatado, Ã  subserviÃªncia cultural, Ã  rendiÃ§Ã£o da indÃºstria fonogrÃ¡fica e que sÃ³ serviriam aqui como expressÃµes de outras aliteraÃ§Ãµes da cultura </description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c289606</link>
  <title>Comentário postado por O Canto do Bode</title>
  <dc:date>2008-10-24T13:51:49Z</dc:date>
 </item>
 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c289608">
  <description>Desculpa a bagunÃ§a, mas deu errado o envio, Ã© a primeira vez que entro num forum. &lt;br /&gt;&#13;&#10;espero que de qualquer forma tenha contribuido.&lt;br /&gt;&#13;&#10;AtÃ©</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c289608</link>
  <title>Comentário postado por O Canto do Bode</title>
  <dc:date>2008-10-24T13:53:14Z</dc:date>
 </item>
 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c289972">
  <description>Canto do Bode,&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;(Acho chato responder a uma figura assim, anÃ´nima, principalmente porque nÃ£o consigo compreender pra que o anonimato numa hora dessas, quando Ã© exatamente sobre identidade cultural que estamos falando, mas, como estou sendo pessoalmente âconsultadoâ, vÃ¡ lÃ¡ que seja)&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;A questÃ£o colocada por mim para o Bombo Ã© clarÃ­ssima: Existe mÃºsica tradicional (esta que as pessoas fazem hÃ¡ trocentos anos, lÃ¡ no seu cantinho de sempre, com uma finalidade social geralmente determinada, por forÃ§a de suas tradiÃ§Ãµes mais remotas, aquela coisa que antigamente se chamava de âfolcloreâ, na qual a propriedade intelectual Ã© coletiva, social.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Outra coisa que existe Ã© mÃºsica popular, aquela que qualquer pessoa, de qualquer meio social ou de qualquer lugar faz, baseada, inspirada ou motivada por qualquer outra mÃºsica, de qualquer origem, tradicional, erudita, âfolclÃ³ricaâ, com interesse artÃ­stico individual, com finalidades, geralmente, comerciais, ligadas ao mercado fonogrÃ¡fico ou ao chamado show business, ou mesmo a captaÃ§Ã£o de patrocÃ­nio institucional, para ganhar uma grana em suma. &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Johann Sebastian Bach e Bela Bartok, entre outros eruditos, fizeram grandes obras assim, baseados na mÃºsica tradicional de seus paÃ­ses. Na nossa mÃºsica popular, aÃ­ perto de vocÃª tem um trabalho, para mim genial, chamado âNaÃ§Ã£o Zumbiâ. Teve o âbaiÃ£oâ do Luiz Gonzaga, a Bossa Nova, muita coisa baseada (e nÃ£o copiada) de nossa mÃºsica tradicional.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;O que eu, muito a grosso modo colocava lÃ¡ em cima, Ã© que nÃ£o se pode (para nÃ£o ferir a Ã©tica vigente para o caso) fazer âmÃºsica popularâ afirmando que se estÃ¡ fazendo âmÃºsica tradicionalâ, vendendo desta forma gato por lebre, usurpando o lugar de outrem ou, o que Ã© pior, distorcendo, confundindo a informaÃ§Ã£o cultural original contida na manifestaÃ§Ã£o tradicional, privando os manifestantes originais das chances de se expressar e, nÃ£o raro contribuindo atÃ© para a extinÃ§Ã£o daquele traÃ§o cultural que serÃ¡ insubstituÃ­vel no contexto geral de nossa cultura.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Ã aquela velha questÃ£o do âoriginalâ e da âcÃ³piaâ, do âcoverâ, do âfakeâ, do produto pirata enfim, aplicada Ã¡ mÃºsica popular. NÃ£o se esqueÃ§a que vivemos numa sociedade das mais desiguais do planeta, cuja elite cultural gosta de âlevar vantagem em tudoâ. NÃ£o somos uma sociedade harmÃ´nica e feliz, em nenhum aspecto.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Isto se torna mais grave ainda â e Ã© o caso aqui da nossa conversa- quando a cultura âcopiadaâ, Ã© prÃ³pria de grupos sociais segredadas, social e racialmente, por tanto tempo e sob todos os aspectos, pessoas cuja Ãºnica riqueza Ã©, exatamente, a forÃ§a de sua cultura, seu âpatrimÃ´nio imaterialâ, um bem que, justamente agora que ââentra na modaâ, ou passa a ser um âbem patrocinÃ¡velâ pelos MinCs da vida, vira interesse de eventuais aventureiros que dele âresolvem lanÃ§ar mÃ£oâ.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Era para esta possibilidade (talvez nÃ£o aplicÃ¡vel ao caso do Bombo), que eu chamava a atenÃ§Ã£o lÃ¡ em cima.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;(concluo abaixo)</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c289972</link>
  <title>Comentário postado por SpÃ­rito Santo</title>
  <dc:date>2008-10-24T21:41:00Z</dc:date>
 </item>
 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c289973">
  <description>NÃ£o Ã©, absolutamente, uma questÃ£o de âpurezaâ, nÃ£o Ã© uma questÃ£o, meramente, estÃ©tica. Ã uma questÃ£o de apropriaÃ§Ã£o indÃ©bita mesmo, com todas as letras, apropriaÃ§Ã£o do que a nossa cultura tradicional tem de simbÃ³lico, dos direitos artÃ­sticos coletivos, da âmarcaâ, da personalidade emocional, da alma dos vissungueiros (quase todos mortos aliÃ¡s) â e jongueiros, e maracatuzeiros, etc. - originais  que estou falando, justamente na hora em que os eventuais descendentes, ainda segregados em recantos remotos, passando o âpÃ£o que o diabo amassouâ, poderiam auferir alguma vantagem, mesmo que ainda simbÃ³lica, desta onda tradicionalista que assola o paÃ­s. . &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;NÃ£o hÃ¡, portanto, nada de âÃ©tnicoâ na questÃ£o. HÃ¡ muito de âÃ©ticoâ, isto sim. &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;NÃ£o hÃ¡ tambÃ©m, como vocÃª afirma enfaticamente, nenhuma contradiÃ§Ã£o nos links sobre o âmeuâ Vissungoâ. O grupo do qual participei jamais trabalhou com cÃ³pia da mÃºsica tradicional de lugar algum ( e bem que poderia). A recriaÃ§Ã£o, a reinterpretaÃ§Ã£o que fazÃ­amos de pontos de âvissungoâ era apenas um dos aspectos estÃ©ticos do nosso trabalho que incorporava, sem nenhum preconceito xenÃ³fobo, a mÃºsica negra do mundo inteiro, a partir do conceito de uma cultura da diÃ¡spora (alÃ©m do que abominÃ¡vamos qualquer posiÃ§Ã£o passadista, conservadora em relaÃ§Ã£o Ã¡ mÃºsica pop, por exemplo, mesmo atuando na distante dÃ©cada de 1970). &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;NÃ£o Ã©ramos, absolutamente, um grupo que fazia âcoversâ de folclore (aliÃ¡s, para fazermos esta releitura, pesquisÃ¡vamos intensa e profundamente, para entender com que elementos estÃ©ticos estarÃ­amos trabalhando, âtransformandoâ, de forma livre e criativa, com o fim legÃ­timo de fazer mÃºsica popular e moderna).&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Ã importante frisar tambÃ©m que trabalhÃ¡vamos de forma completamente integrada com  nossas âmatrizesâ, jÃ¡ que eram na maioria das vezes, matrizes genÃ©ticas, firmada nos contatos com parentes, de quem Ã©ramos descendentes diretos, nosso prÃ³prio meio social e cultural enfim. &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Vissungo (a manifestaÃ§Ã£o original), jÃ¡ que vocÃª perguntou, Ã© uma remota manifestaÃ§Ã£o musical inteiramente angolana, outrora praticada por escravos e seus descendentes, circunscrita a uma pequena regiÃ£o do Brasil e â reafirmo â uma manifestaÃ§Ã£o rigorosamente extinta, hÃ¡ mais de 20 anos, por aÃ­.)&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Esta questÃ£o da tradicionalidade Ã©tnicaâ nÃ£o pode ser confundida com âpureza racialâ. O conceito etnia nÃ£o tem nada a ver, diretamente com raÃ§a. O conceito raÃ§a e a negaÃ§Ã£o dele sob o pretexto de uma remota e ilusÃ³ria âmiscigenaÃ§Ã£oâ, sÃ£o construÃ§Ãµes meramente racistas, que visam confundir as coisas. &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;O Brasil Ã© um paÃ­s racista. Ponto. Ã por isto que esta tentativa de fazer aqui Cultura negra sem negros me parece oportunista, antiÃ©tica (aliÃ¡s, esta diversidade de nossa  cultura tÃ£o dividida entre supostos brancos e supostos negros, desta diferenÃ§a de cada macaco (em termos) estar no seu galho, Ã©  que nos agiganta, culturalmente, perante o resto do mundo. Ã o lado bom da coisa.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;VocÃª pode fazer o que quiser baseada ou inspirada por vissungos, maracatus, jongos, etc. (sÃ³ sugiro que aprofunde um pouco a sua pesquisa para nÃ£o subestimar a complexidade destes gÃªneros e nÃ£o fazer deles meros pastiches de folclore para inglÃªs ver).&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;O que Ã© antiÃ©tico  (pelo menos para mim, repito, pois nÃ£o existe uma lei, uma proibiÃ§Ã£o contra isto) Ã© sair por aÃ­ , como alguns fazem hoje em dia, afirmando que o que faz Ã© âVissungoâ real, âJongo de veraddeâ, âMaracatu tradicional, âde naÃ§Ã£oâ, etc. reinvidicando patrocÃ­nio, cobrando cachÃª, principalmente, quando se trata de gente que nÃ£o tem nada a ver com aquela âoutraâ gente que  realiza a tradiÃ§Ã£o remota lÃ¡ no âseu cantinhoâ. SÃ³ isto. &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Abs&lt;br /&gt;&#13;&#10;</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c289973</link>
  <title>Comentário postado por SpÃ­rito Santo</title>
  <dc:date>2008-10-24T21:41:27Z</dc:date>
 </item>
 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c291751">
  <description>&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;JÃ¡ pedi desculpa quanto a minha identificaÃ§Ã£o, nÃ£o sÃ³ a vocÃª, a todos que entrarem nesta conversa.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Pensamos da mesma forma, mas nÃ£o lembrava que o Bombo tinha afirmado estar fazendo mÃºsica de tradiÃ§Ã£o, vi pelo menos o respeito creditando a origem daquele canto, oferecendo a fonte bibliogrÃ¡fica mais antiga e importante atÃ© aqui- aliÃ¡s, vocÃª deveria inclusive publicar, doar ou continuar a sua, a partir do material que vocÃª coletou.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;A mÃºsica a serviÃ§o do mercado do entretenimento e da indÃºstria fonogrÃ¡fica, da dominaÃ§Ã£o cultural-social-econÃ´mica, faz com que todas pareÃ§am um produto de prateleira e que inclusive se copiem tanto e ai de quem nÃ£o parecer com, e aÃ­, todas as reproduÃ§Ãµes consentidas.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Villa-Lobos, Guerra-Peixe, Antonio Madureira... Ta, mas o BaiÃ£o nÃ£o Ã© de Luiz Gonzaga, ele mostrou lembra? Chico? Genial, atÃ© a hora que comeÃ§aram a achar que a embolada, o coco, o maracatu e que vier, ficaram melhor ou se renovaram com a pitada de hip hop, que pitada nÃ£o Ã©? Parecida com a do Jazz no samba.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;CertÃ­ssimo. A ausÃªncia dos Mestres e dos portadores da cultura oral tem a ver com da polÃ­tica cultural que me referi e da qual estamos desprovidos, da falta de presenÃ§a desses conteÃºdos na escola, do desdÃ©m do poder pÃºblico, e, da exclusÃ£o total da difusÃ£o desses saberes e dessas manifestaÃ§Ãµes nos meios de comunicaÃ§Ã£o. Mesmo que seja no sentido ritualÃ­stico de lembrar os antepassados, de vivenciar afetivamente jÃ¡ que igual aos Vissungos inÃºmeros outros conjuntos de repertÃ³rio desapareceram por falta de sua funÃ§Ã£o original, mas que sÃ£o braÃ§os fortes da memÃ³ria sÃ³cio cultural.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Estamos aqui para tentar mudar isso. Vivo procurando no que faÃ§o, por isso tanto comedimento. Desigualdade parece um problema da humanidade toda,&lt;br /&gt;&#13;&#10;todos em algum momento sucumbem Ã  oportunidade de exercer um momento de poder, seja em que circunstÃ¢ncia for. Somos, pelo menos eu, trabalhadores de uma busca pelo melhor, pela transformaÃ§Ã£o, sÃ³ precisamos nos ouvir e nos entender para nÃ£o fragmentar o que podemos construir e mudar.  &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Sei muito bem, por conta do meu trabalho, o quanto Ã© difÃ­cil trazer esse povo Ã¡ tona e principalmente manter uma estrutura que reabilite e alimente esses valores, a consciÃªncia da importÃ¢ncia deles e tudo o mais envolvido. Quanto aos pseudo produtores, que encostam e sempre na melhor das intenÃ§Ãµes dificultam, interferem diretamente na forma e muitas vezes no conteÃºdo mesmo, isso na Ã© moda Ã© praga.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Aqui comeÃ§a a complexidade em questÃ£o. Pois desprovidas do intento âmaliciosoâ perdoem o peso da palavra, dos aventureiros, caÃ§adores de ânovidadesâ, aqueles que falam em nome da comunidade/ manifestaÃ§Ã£o cedem muito espaÃ§o em favor de promessas que incluem a entrada no mercado fonogrÃ¡fico e/ou show business (coisas para mim incompatÃ­veis com o contexto/ conteÃºdo/ evento desses patrimÃ´nios) o buraco Ã© bem mais fundo e a Ã©tica bem mais comprometida com um contexto geral. Simplesmente nÃ£o tem quem realize trabalho de base, sustentaÃ§Ã£o em diversos Ã¢mbitos. &lt;br /&gt;&#13;&#10;DaÃ­, a questÃ£o da difusÃ£o, de alguma forma, se vem de grupos externos ao meio de sua produÃ§Ã£o, colabora para abrir os olhos ou ouvidos. E muitas vezes, colabora com o prÃ³prio nÃºcleo de produÃ§Ã£o da manifestaÃ§Ã£o que em alguns casos assumiu a relaÃ§Ã£o dominadora e foi perdendo a noÃ§Ã£o de sua importÃ¢ncia, substituindo ou mesmo abandonando a memÃ³ria. EntÃ£o o problema nÃ£o Ã© sÃ³ quem faz, mas tambÃ©m como se faz. O aspecto coletivo, social, vai reverberando com o tempo, atravÃ©s da forÃ§a que carrega, vai saindo, vai ondeando atravÃ©s do tempo, transpondo as barreiras que queiramos impor. &lt;br /&gt;&#13;&#10;Pena de quem sucumbir Ã¡ onda tradicionalista, porque essa onda Ã© gigante e velha, pra frente e pra trÃ¡s, o movimento dela Ã© outro, nÃ£o tem nada de morta, nem de estÃ¡tica, nem de eventual, esta onda nÃ£o tem fim.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;SerÃ¡ que todo mundo nÃ£o jÃ¡ sabe disso? E a soluÃ§Ã£o qual Ã©? Ficar imitando o que a TV, o jornal e a indÃºstria ditam? Se for pra imitar, sinto muito, mas Ã© preferÃ­vel sim imitar o que me diz respeito, limitar a urbanidade a sua cara de nada ou cara de tudo Ã© pouco. Existe uma brasilidade, existe associaÃ§Ãµes que a identidade cultural nÃ£o pede licenÃ§a. &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;NÃ£o falei em contradiÃ§Ã£o, falei em possÃ­vel equÃ­voco, o parÃ¢metro que vocÃª utilizou para questionar o Bombo, com o mesmo questionei o seu trabalho. Mas lembre-se que foi levianamente, pois nÃ£o tive oportunidade de ouvir. Fiquei com as informaÃ§Ãµes e referÃªncias que vocÃª registrou lÃ¡ e nÃ£o foi sÃ³ com vocÃª, para vocÃª, foi para o Bombo tambÃ©m, para um monte de gente. Por exemplo, vocÃª fala do acompanhamento da versÃ£o Bombo, mas o acompanhamento lÃ¡ no canto dos escravos tambÃ©m nÃ£o foge Ã s referÃªncias que temos da mÃºsica afro religiosa que de alguma forma Ã© pertinente que apareÃ§a numa leitura deste repertÃ³rio. Enfim, sÃ£o vÃ¡rios pontos, vÃ¡rias questÃµes.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;continua</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c291751</link>
  <title>Comentário postado por O Canto do Bode</title>
  <dc:date>2008-10-27T14:02:20Z</dc:date>
 </item>
 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c291752">
  <description>Francamente, que bom, fico feliz de poder conhecer sua histÃ³ria tÃ£o prÃ³xima e apropriada. O que me confunde Ã© se esse fato e sendo vocÃª quem Ã©, entÃ£o diga quem deve se interessar, registrar, pesquisar, aproximar-se, difundir e mostrar, cantar, dar a conhecer a quem nÃ£o teve a oportunidade. Quem deve fazer ou quem pode? Se vocÃª mesmo que registrou alguns desses cantos nÃ£o publicou. Creio Ã© importante entender as transformaÃ§Ãµes, coletar em outro momento o que ainda existe, fortalecer a memÃ³ria, conceder a oportunidade de ritualizar a histÃ³ria, os entes passados, a resistÃªncia e o trabalho dessas pessoas.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;EspÃ­rito, rigorosamente extinta, foi a funÃ§Ã£o do garimpo, a funÃ§Ã£o canto talvez nÃ£o, Ã© muito forte, deixa a gente pensar que ainda tem gente em Minas cantando Vissungos, mesmo que seja pouca, ou que tenha perdido uma boa parte do todo. E assim vocÃª subestima uma funÃ§Ã£o essencial dessas mÃºsicas que Ã© relembrar, resistir, reafirmar, suceder. Inteiramente angolana quando chegou aqui, depois de algum tempo, foi certamente e consentida mente, por uma necessidade humana, por que Ã© a Ãºnica raÃ§a a qual vale nos referirmos, a humana que Ã© uma sÃ³.   &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Ãtnica ou Ethos, para mim, no meu discurso, dÃª licenÃ§a, nÃ£o tem as cores no meio nÃ£o, tem os jeitos, as maneiras, menos tom e mais modos, e se quiser me ligar a algum conceito de miscigenaÃ§Ã£o por favor considere que me refiro ao resultado da confluÃªncia destas maneiras, Ã  consumaÃ§Ã£o da mutua interferÃªncia, de trocas e assimilaÃ§Ãµes culturais e isso aconteceu e ainda estÃ¡ acontecendo, mesmo que nÃ£o queiram, mesmo de maneira desigual, mesmo sem perceber.   &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;O Brasil Ã© um paÃ­s racista e hipÃ³crita, o racismo brasileiro Ã© exercido por todo mundo, por toda raÃ§a, porque Ã© fruto do desconhecimento, da opressÃ£o sutil e escamoteada do poder que fragmenta o que estÃ¡ a baixo dele. De minha parte sinceramente, preferiria pensar em cultura brasileira, porque ela existe. InfluÃªncias todo povo colonizado teve, mas na seqÃ¼Ãªncia hÃ¡ um construto que merece respeito e que sÃ³ pode vingar pela mÃ£o da coletividade. &lt;br /&gt;&#13;&#10;Tudo que vocÃª falou lÃ¡ no Ãºltimo parÃ¡grafo Ã© real e verdadeiro, concordo plenamente. Se foi sÃ³ isso,&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;AgradeÃ§o a atenÃ§Ã£o, um abraÃ§o e me retiro&lt;br /&gt;&#13;&#10;</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c291752</link>
  <title>Comentário postado por O Canto do Bode</title>
  <dc:date>2008-10-27T14:04:33Z</dc:date>
 </item>
 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c291908">
  <description>O canto do Bode, &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;em&gt;(Mesmo havendo se retirado, vocÃª me pediu para explicar algumas coisas, certo? Permita-me entÃ£o:)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&#13;&#10;------------ &lt;br /&gt;&#13;&#10;Ora, quem sou eu para dizer âquem podeâ isto ou aquilo. JÃ¡ disse, claramente, que qualquer um pode fazer o que bem entender.  AlÃ©m do mais, jamais afirmei que fui o Ãºnico a registrar alguns vissungos (registrei apenas um ou dois). &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Ã por demais sabido por todo mundo que estuda o assunto (eu mesmo jÃ¡ disse lÃ¡ em cima) que quem registrou primeiro foi o grande folclorista mineiro Aires da Mata Machado Filho, mais ou menos por volta de 1928,  registrando sua pesquisa num livro famosÃ­ssimo chamado â O negro no garimpo em Minas Geraisâ. &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;JÃ¡ disse tambÃ©m que em 1938, o etnÃ³logo brasileiro Luiz Heitor Correa de Azevedo, a serviÃ§o da biblioteca do congresso norte americano registrou dois cantos de Vissungo in loco. Em 1979 o etnÃ³logo austrÃ­aco Gerhard Kubik tambÃ©m fez pesquisas de campo na regiÃ£o. Agora mesmo sei de excelentes pesquisas e teses sendo realizadas sobre o tema no Ã¢mbito da UFMG e por outros pesquisadores, cineastas inclusive, um dos quais, coincidentemente, me consultou por e.mail hÃ¡ uma semana atrÃ¡s. &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;O tema Ã© pÃºblico e notÃ³rio, portanto. O que nÃ£o falta Ã© fonte para se pesquisar e se aprofundar sobre um assunto. &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Os vissungos â a manifestaÃ§Ã£o em sua funÃ§Ã£o original - estÃ£o extintos sim. Resta um ou outro cantador com alguns cantos na memÃ³ria. Enquanto durou, foi uma manifestaÃ§Ã£o de escravos trazidos Ã¡ forÃ§a de Angola para cÃ¡. Ã, pois uma manifestaÃ§Ã£o musical especificamente angolana, cantada exclusivamente em idioma tÃ­pico de Angola, com algumas poucas expressÃµes em dialeto âcriouloâ, ou seja, com apenas alguns vocÃ¡bulos (e nÃ£o gramÃ¡tica e semÃ¢ntica, bem entendido) assimilados do portuguÃªs, nÃ£o necessariamente, diga-se de passagem, aqui no Brasil. Isto Ã© um fato antropolÃ³gico indiscutÃ­vel. &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;As manifestaÃ§Ãµes culturais sÃ£o reflexo do que as pessoas sÃ£o. Venham elas de onde vierem, a cultura delas nÃ£o se transforma assim, tÃ£o facilmente, em contato com a outra. (no caso dos vissungos Ã© bom se ressaltar inclusive que nem sequer contato com outra cultura houve, de nenhuma espÃ©cie jÃ¡ que as relaÃ§Ãµes interpessoais no regime de trabalho escravo nas minas de ouro e diamante, por razÃµes Ã³bvias, nÃ£o envolviam contato cultural com portugueses, brancos e, em sua maioria, feitores e senhores proprietÃ¡rios). &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;O passado delas, destas pessoas, como de quaisquer outras Ã© sempre simbÃ³lico, viaja com elas porque diz respeito Ã¡ alma delas e, por isto ele Ã© indelÃ©vel, no tempo, mesmo quando nÃ£o o Ã© no espaÃ§o. Ã Ã³bvio tambÃ©m que as culturas, como as pessoas que a exercem, tambÃ©m morrem, naturalmente, se acabam. Geralmente se transformam em outra coisa. &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Logo, nÃ£o estou subestimando nada. SÃ³ constatando. Ã da vida. Honestamente, me surpreende muito que vocÃª se incomode tanto que assim seja mesmo sem ter elemento algum, nenhuma base consistente para questionar. &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Abs, &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c291908</link>
  <title>Comentário postado por SpÃ­rito Santo</title>
  <dc:date>2008-10-27T18:06:35Z</dc:date>
 </item>
 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c292077">
  <description>Eu nÃ£o tenho base mas Ã© vocÃª que faz de conta que nÃ£o leu direito o que escrevi, inclusive repetindo coisas que eu disse ou substituindo pelo que vocÃª quer, por exemplo que vocÃª foi o Ãºnico que recolheu Vissungos: paciÃªncia... TambÃ©m nÃ£o entenda minhas colocaÃ§Ãµes e inquietaÃ§Ãµes como perguntas ou consultas. Semana que vem, estarei aÃ­ no Rio a cavalo, quer dizer, a trabalho. Quem sabe em algum momento nÃ£o nos cruzamos nesse mundo over e aÃ­ dependendo do espÃ­rito eu humildemente me apresento. Quanto ao meu incÃ´modo, vai ver que eu tambÃ©m tenho alma e que ela viaja indelÃ©vel no tempo e no espaÃ§o, com direitos inimaginÃ¡veis e completamente fora do seu alcance, completamente ilÃ³gica, desmedida, cuja base nem eu sei.&lt;br /&gt;&#13;&#10;Ah! JÃ¡ que vocÃª tomou tudo pra si, devo desculpas ao Bombo e tambÃ©m devo dizer que dei meu voto com a crenÃ§a nos caminhos, numa mÃ£o que leva Ã  outra, nas descobertas, no mergulho e no respeito ao que nos fizer sentir em comum.&lt;br /&gt;&#13;&#10;Minha Ãºltima gratitude&lt;br /&gt;&#13;&#10;</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c292077</link>
  <title>Comentário postado por O Canto do Bode</title>
  <dc:date>2008-10-27T21:41:39Z</dc:date>
 </item>
 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c292123">
  <description>???????????</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c292123</link>
  <title>Comentário postado por SpÃ­rito Santo</title>
  <dc:date>2008-10-27T22:57:28Z</dc:date>
 </item>
 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c292329">
  <description>O Canto do Bode, &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;(Em tempo)&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Das duas Ãºltimas falas suas, perdi a penÃºltima (o programa do site me lanÃ§a diretamente na Ãºltima postagem). Lendo agora o inÃ­cio da fala, ela me pareceu muito esclarecedora sobre coisas relevantes contidas na nossa divergÃªncia (que agora me pareceu bem menor e mais clara)&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;EntÃ£o, realmente, por conta disto e, logicamente, sem querer, eu admito que nÃ£o li direito (inteiro) o que vocÃª falou e isto insejou na minha resposta uma enfatizaÃ§Ã£o desnecessÃ¡ria de coisas que jÃ¡ havia dito respondendo assim a questionamentos que vocÃª nem chegou a fazer. A parte que faltou (a que eu nÃ£ li antes), fez uma falta enorme a compreensÃ£o e Ã  clareza das suas colocaÃ§Ãµes, com as quais concordo em grande parte.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;O que fica de divergente talvez seja puramente ideolÃ³gico e para ficar mais claro e afinado, sÃ³ se a gente conversasse pessoalmente um dia, talvez em breve.&lt;br /&gt;&#13;&#10;Fico aguardando a chance.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Abs</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c292329</link>
  <title>Comentário postado por SpÃ­rito Santo</title>
  <dc:date>2008-10-28T09:58:22Z</dc:date>
 </item>
 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c350871">
  <description>AtenÃ§Ã£o!&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Se alguÃ©m deste debate ainda estiver interessado neste assunto, aproveite: Acabo de voltar do Ã´co deste mundo (coletando vissungos hoje, in loco) e estou contando pra quem quiser o que vi (e concluÃ­ por lÃ¡) &lt;a href=&quot;http://portalliteral.com.br/artigos/na-lapa-de-makemba-01&quot;&gt;neste post&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Abs&lt;br /&gt;&#13;&#10;</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c350871</link>
  <title>Comentário postado por SpÃ­rito Santo</title>
  <dc:date>2009-1-19T18:52:30Z</dc:date>
 </item>
 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c360738">
  <description>OlÃ¡ Spirito Santo. Muito salutar este debate e mais ainda sua instigaÃ§Ã£o pelo misterio dos vissungos. Quero saber mais. AbraÃ§o</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c360738</link>
  <title>Comentário postado por Marquinho Garcia</title>
  <dc:date>2009-2-06T18:41:12Z</dc:date>
 </item>
 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c360770">
  <description>Marquinhos e todo mundo,&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Acabo de voltar de uma viagem fantÃ¡stica para prosseguir a minha pesquisa de campo sobre este assunto. Fiz um longo relato ( em tr~es partes)sobre o tema (que aliÃ¡s, me foi &apos;cobrado&apos; hÃ¡ tempos por alguÃ©m aqui deste mesmo forum), com todas as minhas conclusÃµes atualizadas por muita pesquisa (que vÃ£o ajudar a entender bem melhor a natureza de todo o debate que rolou aqui). &lt;br /&gt;&#13;&#10;Gostaria muito que vocÃªs lessem e comentassem lÃ¡ &lt;a href=&quot;http://portalliteral.com.br/artigos/na-lapa-de-makemba-03&quot;&gt;neste endereÃ§o&lt;/a&gt; (estou pensando em um dia publicar aqui tambÃ©m)  &lt;br /&gt;&#13;&#10;</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c360770</link>
  <title>Comentário postado por SpÃ­rito Santo</title>
  <dc:date>2009-2-06T19:45:03Z</dc:date>
 </item>
 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c362317">
  <description>Eita SpÃ­rito Santo, escrevi a vera num post anterior e el se perdeu nas infovias desconhecidas de meu laptop abarrotado... Bem, estive por aquelas bandas do Milho Verde hÃ¡ uns trÃªs anos atrÃ¡s em missÃ£o oficial pelo Iphan/MinC e pude verificar e levantar superficalmente alguns dos nÃ³s que vocÃª foi atÃ© o Ã´co. Bem, gostaria de interlucutar mais sobre o assunto. Se puderes me contactar pelo e-mail: marcusvcgarcia@gmail.com tamos aÃ­. Sucesso na elaboraÃ§Ã£o do filme mais que necessÃ¡rio. AbraÃ§o.</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c362317</link>
  <title>Comentário postado por Marquinho Garcia</title>
  <dc:date>2009-2-09T23:30:01Z</dc:date>
 </item>
 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c362415">
  <description>Marcus, &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Bacana!&lt;br /&gt;&#13;&#10;Vamos conversar sim. Ã fundamental que se converse sobre estas coisas que, no que diz respeito a natureza dos &apos;nÃ³s&apos;, sÃ£o bem importantes e urgentes.&lt;br /&gt;&#13;&#10;Vamos lÃ¡, por e.mail entÃ£o.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Abs</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c362415</link>
  <title>Comentário postado por SpÃ­rito Santo</title>
  <dc:date>2009-2-10T08:45:00Z</dc:date>
 </item>
 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c363599">
  <description>OlÃ¡ Spirito Santo, sabe o que toda esta histÃ³ria da Lapa do Makemba me lembra? &quot;El reino de este Mundo&quot; de Alejo Carpentier, romance que inaugura o realismo fantÃ¡stico en nuestra amÃ©rica. Conta entre outros aspectos as desventuras do brujo Makendal no contexto da revoluÃ§Ã£o haitiana. serÃ¡ que Ã© possÃ­vel algumas correspondÃªncias? VÃ¡ saber... AbraÃ§o.</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c363599</link>
  <title>Comentário postado por Marquinho Garcia</title>
  <dc:date>2009-2-12T17:14:24Z</dc:date>
 </item>
 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c363789">
  <description>Marquinhos, &lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Pois Ã© isto mesmo. Este livro Ã© um arraso e me inspira muito, atÃ© hoje.&lt;br /&gt;&#13;&#10;Makandal fez uma revolta quÃ­mica, parecida com os tambÃ©m mÃ­ticos ataques de antraz dos terroristas muÃ§ulmanos de nossa era.&lt;br /&gt;&#13;&#10;VocÃª lembrou muito bem. As correspondÃªncias sÃ£o totais.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Me lembro que Makandal &apos;desapareceu&apos; no meio da fumaÃ§a da fogueira em que iam queimÃ¡-lo. Deve haver lendas dele na AmÃ©rica central inteiar, atÃ© hoje. Deve ser irmÃ£o (conterrÃ¢neo) do Makemba&lt;br /&gt;&#13;&#10;Saberemos um dia, com certeza.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;Abs</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c363789</link>
  <title>Comentário postado por SpÃ­rito Santo</title>
  <dc:date>2009-2-12T22:54:30Z</dc:date>
 </item>
 <item rdf:about="http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c363943">
  <description>(Explicando para quem nÃ£o leu o livro do cubano Alejo Carpentier : &apos;A revolta quÃ­mica&apos; do Mackandal, a que me refiro Ã© a seguinte: Em vez de se rebelar contra os escravagistas (Haiti) com armas flechas lanÃ§as, mosquetes, etc. como um quilombola comum, Makandal usou a sua larga experiÃªncia de feiticeiro no preparo de poÃ§Ãµes venenosas. espalhou pela colÃ´nia outros quilombolas como emissÃ¡rios da morte. Escravos domÃ©sticos, mancomunados com os quilombolas de Mackandal contaminaram a Ã¡gua que os brancos bebiam e mataram centenas de senhores de escravos e suas famÃ­lias.&lt;br /&gt;&#13;&#10;&lt;br /&gt;&#13;&#10;A Revolta quÃ­mica&apos; do Mackandal no Haiti colonial deve ter tido um impacto tÃ£o terrÃ­vel quanto o ataque Ã s duas torres em Nova York&lt;br /&gt;&#13;&#10;Abs</description>
  <link>http://www.overmundo.com.br/banco/mia-cavalo-1#c363943</link>
  <title>Comentário postado por SpÃ­rito Santo</title>
  <dc:date>2009-2-13T08:17:19Z</dc:date>
 </item>
 <textinput rdf:about="http://www.overmundo.com.br/home/busca.php">
  <name>txtBusca</name>
  <link>http://www.overmundo.com.br/home/busca.php</link>
  <title>Buscar:</title>
  <description>Busque notícias no Overmundo</description>
 </textinput>
</rdf:RDF>