Contrato Suicida

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Branquinho Filho · Araguaçu, TO
24/3/2016 · 0 · 0
 

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Contrato Suicida
“A literatura é sempre uma expedição à verdade.�
Franz Kafka

A primeira providencia que Rose tomou depois que se formou foi voltar à Araguaína - TO. Conseguiu um emprego em uma emissora de rádio da cidade e, após morar um tempo na casa de Maria Clara, mãe de Fernando, foi dividir uma pequena casa de três cômodos próxima ao Mercado Municipal no centro da cidade, com um colega de trabalho. Quando Fernando foi visita-la na casa nova é que conheceu o André. Atravessavam as noites ao som de Janis Joplin, Raul Seixas, Pink Floyd e muito rock nacional, sem deixar de mencionar os medalhões da M.P.B. e muita cerveja. Fernando percebeu que ele era inteligente, mas, por ser muito ansioso em expor suas ideias, acabava meio deprimido, talvez por não se fazer entender.
Rose tinha um namorado que era amigo de Fernando, o que o levou a frequentar mais assiduamente sua casa. A afinidade entre os quatro foi aumentando e Fernando foi percebendo que André era mais complicado do que imaginava.
Quase todo fim de semana estavam lá, ouvindo música, bebendo e filosofando. Mauro, namorado de Rose, era o único fumante. No início dos encontros, entretanto, André acabou aderindo aos prazeres inebriantes da nicotina. Nessas noites animadas, às vezes melancólicas, discutiam sobre quase tudo: perspectivas para o futuro, política, religião, o passado recente, os amigos, relações com os pais, trabalho, estudo, filosofia, literatura, música e de novo o futuro...
Em uma de suas incursões pela cidade conheceram um artesão andarilho, o Pedrinho, que passou a frequentar a casa contando suas idas e vindas pelo Brasil e alguns países da América do Sul. Pedrinho usava maconha e André o acompanhou. Fernando e Rose só cerveja e vinho. Vez por outra Mauro também usava maconha lá pelas tantas da madrugada quando discos voadores, vermes que controlavam mentes e pessoas que pareciam que sabiam o que estavam pensando era o assunto em voga. Eles ficavam inebriados com as aventuras que Pedrinho narrava. Ele era de Santa Helena - PR, e sua família era de boa condição. Era grande, olhos claros, usava barba e bigode, tinha tatuagens e sempre andava sem camisa. Levava todos os seus pertences numa mochila. Bermuda rasgada, chinelão de couro e um sorriso no rosto. Esse era o Pedrinho.

Sobre a obra

Conto de temática urbana, onde pessoas desesperadas se deixam envolver por fantasias e prazeres artificiais que, voltando à dura realidade, fazem de tudo para tentar sobreviver à espreita de um trágico e iminente fim.

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Autoria
Orestes Branquinho Filho
Ficha técnica
Branquinho, Orestes Filho
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