Com muita satisfação, gostaria de divulgar ao pessoal que frequenta este blog, de João Pessoa à Campina Grande, que a poeta Anna Apolinário estará lançando seu livro de poemas "Solfejos de Eros" no dia 29 de outubro de 2010, no Sebo Cultural (Av. Tabajaras, 848 - Centro de João Pessoa), às 18 horas. Não é sempre que um(a) leitor(a) deste espaço virtual é alguém que está consolidando sua relação com o mundo das letras por meio de uma publicação. A noção que tenho é que Anna Apolinário constrói seus versos bebendo de excelentes fontes de inspiração que vão do francês Baudelaire, dos portugueses Fernando Pessoa e Florbela Espanca, ao paraibano Augusto dos Anjos e o paulista Àlvares de Azevedo. Claro, à essas grandes referências poéticas, soma-se a criatividade e as vivências ontológicas da poeta, expressadas de forma visceral e surreal, margeadas por uma leitura contemporânea que mescla o decantentismo romântico de fins do século XIX e começo do XX com uma escrita onírica e intimista, que me lembra os mestres da poesia e da literatura Beatnik, como Allan Ginsberg. Segue uma prévia, gentilmente cedida por Anna, do que pode ser encontrado pelos leitores nas páginas de sua obra:
Sinfonia Imaginária
Ela põe um beijo fálico
Nas minhas têmporas de outrora.
Traz qualquer coisa de vertigem
Na epiderme do descontentamento cardíaco
Vejo esse vagido na madrugada :
é um demônio verde a levantar meu vestido.
Emudeçamos todo desassossego
Com amores dadaístas
Encharcados de absinto
Pairamos sob o mundo inimigo,
em metamorfose de gozo e xamanismo.
Está escrito no livro primeiro do Uivo que iluminou Buda:
minha vênus profética vulvando em teu falo que confabula
O inventário do tempo
Foi comungar no Cabaré Místico
É teu verso?
Delira-mo
Sem paletó de poeta pixote
derrama teu inaudito vinho de menino lírico.
Azulei para um verde em dó maior
Encontre-me aquém do verbo
Os ciganos esconderam a Loucura
no porta-seios da Musa
O pingente de gelo da Poetisa
Incendeia o céu de querubins
Sob o dossel do Silêncio
vejo-o enfim átomo
Infindo unido ao balé de meu delta
Os olhos do Sonho solfejam o delírio:
uma sinfonia imaginária para o amante metafísico.
Anna Apolinário
Nota sobre lançamento do livro Solfejo de Eros por Joachin Azevedo, graduado em História pela UEPB, mestre em História pela UFCG,doutorando em História Cultural pela UFSC.
Texto publicado originalmente em:
http://semanticadostempos.blogspot.com.br/2010/10/lancamento-do-livro-solfejo-de-eros.html
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