A Lua já está em Escorpião, fazendo uma poderosa conjunção com Saturno retrógrado, e já em trígonos com Netuno e Quíron. Vênus continua na quadratura em T com Marte, Netuno e Quíron, mas já começando um sextil com Urano.
Diante destes aspectos, me vejo obrigado a recontar a seguinte história...
"A Tartaruga e o Escorpião
O Escorpião estava querendo atravessar um rio, mas não sabia nadar. Ele ficou ali horas e horas procurando uma ponte, um galho de árvore, qualquer coisa que ele pudesse usar para atravessar o rio. Mas não tinha nada; nenhum barquinho, nenhuma canoa. Então, ele viu ao lado uma tartaruga e se aproximou dela.Quando a tartaruga viu o escorpião chegando com aquela cauda levantada e os ferrões preparados, a tartaruga se recolheu. O Escorpião lhe disse, “Não tenha medo, dona Tartaruga. Eu só gostaria de conversar um pouquinho com a senhora. Será que a senhora poderia vir aqui fora? A Tartaruga respondeu, “De jeito algum. Você é uma criatura traiçoeira. Se eu for até aí, você vai aplicar o seu ferrão em mim. E o seu veneno é suficientemente forte para matar até um elefante”. E o Escorpião respondeu, “Não, dona Tartaruga. Não me leve a mal, eu sei que eu tenho uma péssima fama, mas eu preciso de um grande favor. Eu tenho que atravessar esse rio, mas eu não sei nadar. Eu sei que a senhora nada muito bem; vai de lá, vem pra cá...Assim, se a senhora pudesse me fazer esta gentileza, eu subiria no seu casco, a senhora atravessaria o rio e me deixaria na outra margem”. A Tartaruga, que tem centenas de anos de vida e não é boba, disse, “Escorpião, você pensa que eu nasci ontem? Eu tenho certeza que se eu colocar a minha cabeça para fora, se eu te fizer este favor, você vai me aplicar o seu ferrão e me matar”. O próprio Escorpião disse, “Que isso, que idéia a senhora está fazendo de mim! Eu preciso somente de um favor. Se eu te aplicar o ferrão, eu estarei aplicando este ferrão contra mim mesmo porque se a senhora morrer, eu também morrerei. Se a senhora se afogar no rio, eu também me afogarei porque eu não sei nadar. Então, confie em mim, dona Tartaruga. Eu só preciso desta gentileza. Me leve do outro lado, por favor. Eu vou ficar lhe devendo este benefício o resto da vida. O que a senhora precisar de mim, pode contar. Faça-me apenas esta gentileza”.A Tartaruga ficou pensando, pensando, “É, não tem lógica. Se ele me aplicar o ferrão, eu morro e ele também morre porque ele não sabe nadar. Eu acho que não custa nada fazer esse favor”. Ela saiu do casco e disse, “Está bem, senhor Escorpião. Suba aí nas minhas costas”. E o Escorpião, com a cauda levantada e aquele ferrão assustador, foi subindo pela traseira da Tartaruga e foi até o topo do casco.Lentamente, a Tartaruga foi descendo a margem do rio e o Escorpião lá em cima, “Muito obrigado, dona Tartaruga. Muito obrigado pelo favor que a senhora vai me fazer”. E a tartaruga, “De nada”. Ela foi descendo até que encontrou a água e começou a nadar com o Escorpião em cima do casco. A Tartaruga nadava e nadava para alcançar a outra margem do rio. Mas o Escorpião começou a olhar para o pescoço da Tartaruga e ficou pensando, “Que vontade de dar uma ferroada. Eu não estou conseguindo controlar a minha cauda”. E a Tartaruga inocente, nadando, nadando e nadando; pensado que estava prestando um favor ao Escorpião.De repente, a Tartaruga dá um grito, “Ai, o que é isso?! Você me ferroou e o seu veneno está em mim. Por que você fez isto, Escorpião? Eu estou te prestando um favor e agora eu vou morrer. O que é pior: você também morrerá”. O Escorpião disse, “Desculpe, dona Tartaruga. Mas esta é a minha natureza. É só isso que eu sei fazer”.
Esta singela porém poderosa alegoria, antes de pensarmos no óbvio, ou seja, na lição para nos fecharmos diante de julagentos sobre a natureza do outro (que pode ser questão para outros debates a frente), pode nos fazer pensar sob ângulos mais profundos... A tartaruga pode ser vista como nosso desejo de estar sempre ajudando, mas a autêntica compaixão nada tem a ver com ignorar quem as pessoas são de fato, pois muitas vezes na pretensão de ajudar podemos estar sendo conviventes com os erros alheios, e pior do que isso, nos tornamos co-autores do erro alheio. A velha história: o eleitor que vota no político corrupto está contribuindo para seu país cair em desgraça e ser roubado e a injustiça se instalar; a pessoa que dirige bêbada não pode se queixar da violência no trânsito, bem como a pessoa que educa uma criança batendo, a vista grossa que fazemos para erros aparentemente inocentes, como a pessoa que joga um papel no chão e posta no Facebook coisas sobre ecologia, o vegetariano que adora bolsa de couro, batom, pincéis de maquiagem, etc (todos feitos de matéria animal) dentre tantas e tantas coisas...
Fica só uma pergunta: quantos escorpiões você carrega nas costas na travessia do rio da vida? Se fizermos esta pergunta honestamente diante do espelho, descobriremos que os escorpiões que carregamos nas costas são as próprias sabotagens que fazemos à nossa felicidade, através de pensamentos e comportamentos negativos que nutrimos através de uma mente sem treinamento... A mente sem atenção é nosso maior inimigo. A mente com atenção se torna iluminada. Bom sábado a todos.
Inspiradoras palavras...
saibamos controlar os escorpiões cotidianos !
Um beijo !
Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!
+conheça agora
No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!