Sejamos Loucos

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Jurandir Barbosa · Montes Claros, MG
31/5/2008 · 61 · 6
 

Sejamos Loucos
Nós, eu e você como tantos outros, que muitas vezes somos taxados de loucos e sonhadores, somos vencedores. Percorremos com êxito os caminhos que os normais passarão um dia. Se somos loucos não sei. Se o que somos é ser louco que eu morra assim, completamente louco. Se ser sensível é ser louco, sejamos loucos. Se ser guerreiro é ser louco, que sejamos loucos. Se sermos lutadores para um mundo justo e igualitário, que permaneçamos loucos. Se sermos HUMANOS é ser louco, sejamos loucos para que mudanças aconteçam.
Ahhhh... Se o mundo fosse povoado apenas por loucos, seria tudo bem mais colorido. A África seria banhada pela fartura. A América do Norte seria mais irmã. A América do Sul seria mais ousada e o oriente seria um mundo de liberdade. Se fossemos todos loucos não precisaríamos da bíblia nem do alcorão. Se fossemos todos loucos não precisaríamos criar mitos para cultivá-los.

Se fossemos todos loucos não precisaríamos de um pergaminho para saber que Deus existe. Os loucos descobrem o Deus no balançar das árvores. O louco sente Deus na mansidão do rio que corre e nas ondas aeróbicas dos mares. Os loucos vêem Deus no olhar de amor. Os loucos sempre dizem Eu te Amo. Dizem até para o estranho que chega.
O louco não mata. O louco sobe em prédios em chamas para salvar vidas humanas e vidas animais. O louco não escora no barranco. O louco, com as mãos nuas, revira a terra tombada pelos morros em busca por sobreviventes. A louca não aborta. A louca sorri diante a dor do parto ou, até mesmo, se sacrifica para que essa vida sobreviva.
O louco troca o valor das $$ pelo valor de um sorriso. O louco não esconde o prato e sim divide o pão. O Louco senta no chão, namora de baixo da lua e se sente pleno apenas com o "leve tocar" da pessoa que ama.
Perfeita seria a espécie humana se todos fossem loucos.

Sejamos loucos...

Sejamos loucos...

...até o cair da última folha


(Primavera/2007)

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Jurandir Barbosa
Montes Claros/MG
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alcanu
 

Cara, cê matou a pau, que puta estréia, acho que tudo o que você diz é coerente paca !
Adorei !
Um abraço piradíssimo !
Alcanu

alcanu · São Paulo, SP 30/5/2008 02:25
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Cristiano Melo
 

Adorei, se fosse em outra época acho até que a "tribo" que chama de loucos que acho que faço parte, em parte dela, nem conseguiríamos escrever, já estaríamos queimadinhos na fogueira da inquisição...Sorte que podemos hoje escrever livremente, e por vezes nem tanto...risos, aparbéns e votadíssimo. Abços.

Cristiano Melo · Brasília, DF 31/5/2008 15:41
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Falcão S.R
 

Muito show !

Votado!

Abraços

Falcão S.R · Rio de Janeiro, RJ 2/6/2008 06:05
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raphaelreys
 

Caro conterrâneo! E viva a loucura! Como bem perguntou Santa Trezinha na nave em meditação: somos todos loucos? Razão tinha Erasmo ao fazer a sua ode a Loucura! Parabéns pelas reflexões! Estou anexando uma crônica sobre a loucura para a sua leitura!


SOY LOCO!





Não estou fazendo sátira e nem pilhéria; pois como diz a sabedoria popular: de palhaço, de rei, de médico e de louco, todos nós temos um pouco. Isto indica que a vida tem duas faces diversas.
Muitos são os autores e filósofos, mesmo os clássicos, que falaram do tema da loucura ao longo da história. Guerra dos ratos e das rãs, o Mosquito, Ulisses e Grilo. E um ilustre desconhecido que escreveu o diálogo de um porco chamado Grúnio Corocotta.
Os loucos, ou tantãs, como eram chamados e ainda o são, povoaram a minha infância. Barulhentos, apalermados ou agressivos, circulando no centro comercial, na Rodoviária e na Estação Férrea dos Montes Claros de antanho. Vieram trazidos de outras cidades, donde foram expulsos sem direitos e lançados nas nossas ruas. Sem piedade, como um lixo humano.
Muitos deles construíram, e mesmo fizeram parte da nossa história, alguns foram até eleitos como políticos, de paletó e gravata. Ajudaram a povoar de medos e temores a minha emoção. Pude compreendê-los ao ler o Elogio à Loucura, de Erasmo de Roterdã. Dei-me conta de que a insanidade mental pode ser sinal de genialidade, de coerência, e mesmo de sabedoria. Relata-nos Fromm: As vítimas de doenças mentais realmente arruinadas encontram-se entre os que parecem normais.
Os loucos vão da terra para a lua ao sabor das suas imaginações.
As janelas do meu inconsciente foram abertas ao ler as histórias fantásticas de Poe. Acompanhando a descrição da Atlântica, no Timeu de Platão. Lendo os sete volumes da Doutrina Secreta de Blavátsk, e dela também, a tradução do poema épico dos iniciados tibetanos; As Estâncias de Dziam, em que consta a loucura do Criador, ao fazer manifestar e nos legar este planeta insano, no qual habitamos em nome da evolução.
Eles, os chamados lelés da cuca, ficavam nas entradas das fazendas de antigamente enquanto transcorria a era do romantismo e eram considerados patrimônio da casa onde moravam. Podíamos vê-los desfibrando a tenra palha do milho para pitar o paieiro. Tomando café com rapadura no interior das cozinhas, onde escutavam, sem entender no racional das suas mentes, os relatos da vida íntima dos donos da casa, com suas loucuras e as máscaras de falsidade dos que se diziam normais.
Esses registros repassados em seus inconscientes de forma inconseqüente são como o relato de Panomina: retidos da mesma forma que a eternidade usa para registrar o sangue derramado por Jesus, ou o ato de um vil!
Na reflexão dos Estóicos, entretanto, ser louco é deixar-se levar pelas emoções.
Pela doideira da vida, tentando dominar os meus temores e medos, aprendi a decodificar as loucuras alheias, observando o semblante das pessoas. Erasmo diz que tudo o que louco trás na alma está escrito no rosto.
Já adulto observo um mundo de loucos buscando um panegírico milagroso, Um planeta entupido de dependentes exógenos, que carregam dentro de si a Bela e a Fera. Uma geração entorpecida, inebriada, construindo verdades falsas, aparências, e sob o estupefaciente das emoções efêmeras e das roupagens multicoloridas do Ego-Cambaleante.
Dormimos, enquanto a química dos medicamentos hipnóticos ingeridos nos conduz a portais dantescos, a realidades oprimidas pelo pensamento seletivo, a mundos construídos de bolhas coloridas. Bem razão tinha Calderon de La Barca, ao se perguntar: a vida, sonhos são?
Romperam-se as fronteiras de uma tribo global, constituída quase na totalidade de covardes que recusam a se olharem com a cara limpa. Apega-se a tudo o que é ilusório. A loucura é o boom de nossa civilização moderna e atormentada.
Essa triste herança foi construída pela falta de amor fraternal, da negativa das simples razões que emanam do coração. Encerro a crônica com a observação de Erasmo: A loucura é que governa a seu bel-prazer o universo.
Raphael Reys

raphaelreys · Montes Claros, MG 2/6/2008 08:26
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Leandro F. de Paula
 

Mais um elogio da Loucura!
Bem legal cara!
Tomara que dê tempo de ser publicado. Vou ajudar aqui com meu voto. Também prejudicado pelos problemas no Overmundo ontem.

Leandro F. de Paula · Curitiba, PR 2/6/2008 11:49
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clara arruda
 

Bem votado.Sua loucura nos deixa muitas interrogações.
Lindo texto.

clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 2/6/2008 14:19
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